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São Paulo,
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Ela tem fama de autoritária, durona, “reclamona”. Mas quem tem o privilégio de passar alguns momentos com ela, fora do ambiente de trabalho, perceberá que aqueles traços são mais evidências de firmeza e perfeccionismo do que de um pretenso “salto alto”. E que por detrás de uma até certa rudeza profissional aflora uma mulher doce, bem-humorada, de beleza sem artifícios e malhações. Com 35 anos de profissão, Lillian Witte Fibe, a atual âncora do Roda Viva, da TV Cultura, sabe o que quer e qual o seu lugar no mundo, mas se recusa a revelar peso e voto. Casada há 30 anos com o também jornalista Alexandre Gambirasio, não consegue tirá-lo da frente dos livros, embora concorra com o marido porque trabalha até comendo. Quando criança, preferia muito mais jogar bola com o irmão do que as brincadeiras de menina, mas soube desde o colégio o que queria fazer na vida: jornalismo, profissão cujas características ela diz serem ética, informações, respeito à verdade e compatibilidade com suas ideologias – políticas, ambientais, sociais, éticas e étnicas. Mas evita fazer juízo de valor ou classificar o jornalismo que outros fazem; quando acha que não tem qualidade, simplesmente não vê ou não lê. Um pouco da vida pessoal e profissional dessa young lady do jornalismo brasileiro está nesta 3ª edição de Jornalistas&Cia Entrevista, novamente produzida pela editora colaboradora Celia Chaim (celiachaim@uol.com.br). Reparem nas legendas das fotos, de autoria da própria Lillian.
Boa leitura!
Eduardo Ribeiro e Wilson Baroncelli
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A roda viva de Lillian Witte Fibe
Por Célia Chaim
A menina achava que "comer era a coisa mais chata do mundo", não aprendeu andar de bicicleta, brincava mais com o irmão porque gostava de bola, pingue-pongue, empinar papagaio no terreno de sua casa. Não era exatamente um modelo de menina anos atrás. Enquanto outras brincavam de "amarelinha", ela corria por uma bola. Enquanto outras folgavam, ela estudava e era, para a ciumeira geral, sempre a que tirava as notas mais altas. A menina cresceu, estudou Jornalismo e descobriu que, embora o diploma da faculdade seja exigência para exercer a profissão, é na prática que tudo acontece. Com ela aconteceu assim. Comandou o Jornal Nacional da TV Globo quando isso era quase impossível para mulheres (antes dela, apenas Valéria Monteiro havia tido esse privilégio) e, anos e muitas histórias depois, desenvolveu trabalho pioneiro em vídeo no Portal Terra, como diretora-responsável de noticiário multimídia e interativo, o Jornal da Lillian. Hoje está no comando de um dos mais longevos, respeitados e prestigiados programas jornalísticos da tevê brasileira, o Roda Viva, da Cultura. Ela não é muito chegada nessas coisas, mas não dá para ignorar. "A essa altura, mulher ou homem no poder não é novidade. Há tantas delas ocupando espaços importantes que o assunto ficou careta".
Ponha de lado aquela imagem que alguns propagaram de que ela era “salto alto”, nervosa, autoritária. A Lillian Witte Fibe que eu imaginava brava e mal-humorada desmoronou quando abriu a porta de seu apartamento, no Morumbi, em São Paulo. Risonha, boa prosa, consciente de que seus dias não podem começar e terminar no trabalho. Vi uma mulher magra, não tem meio centímetro a mais no abdômen, o grande drama da vida da maioria das mulheres que tiveram ou não filhos (ela teve dois). Rosto leve, pele alva, raras marcas do tempo, divertida, serelepe, corpo sarado sem sofrimento de aparelhos, uma legítima representante do que os ingleses chamam de young lady, dona de uma beleza pura, diferente da que corre por aí – a loira de cabelos compridos e lisos à custa de muita escova, às vezes tão horrorosos como os que cobriram a cabeça da atriz Suzana Vieira em recente novela da Globo. Nada contra Suzana Vieira, grande atriz, mas que ela, apesar do elogioso desempenho, beirou o ridículo com aquela cabeleira lisa, loura e “cumpridona”, beirou.
Bem mesmo está o marido de Lillian. Também jornalista de ponta, Alexandre Gambirasio (*) deixou para trás aqueles “tiques de sabedoria econômica” que muitos dos seus pares têm, coisas do tipo “falei hoje cedo com o ministro tal”, “me disse Delfim (o economista Delfim Netto, brilhante, divertido, direitista de corpo e alma)”. O que você faz hoje, Gambirasio? “Nada”, vem a resposta com humor. "Estou aposentado". Lillian retruca: "Ele lê o tempo todo". Melhor ainda é ler e flanar sem o menor sentimento de culpa. "O Alexandre é um bicho do mato, tem tantos amigos, mas não sai de casa", diz Lillian. "Estou numa campanha, mas numa campanha ..."
(*) Gambirasio passou, entre outros, por Estadão, Folha de S.Paulo e Gazeta Mercantil (nestes dois, chegou a secretário de Redação)
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Cara Lillian, essa campanha vai dar trabalho e, quem sabe, no futuro seja uma divertida história para contar aos netos, quando vierem. A biblioteca de Gambirasio é espetacular, em comparação à de muitos loucos por livros que já vi. Esperem alguns segundos antes de me malhar como ignorante – estou falando de bibliotecas amadoras, e não do maior bibliófilo brasileiro, o empresário paulista José Mindlin, apaixonado pela leitura, que estima ter hoje cerca de 30 mil volumes em sua biblioteca, dos quais dez mil são raros e dois mil são raríssimos. Mas, com a licença de Gambirasio, posso dizer que aqueles livros de sua biblioteca têm o poder de prendê-lo em casa. Não é uma obsessão. É um prazer que não menospreza outros prazeres da vida – como viajar, por exemplo. Eles foram passear na Alemanha e voltaram dias antes da estréia de Lillian no Roda Viva.
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O desafio do Roda Viva
Livros à parte, Lillian e Alexandre estão casados há 30 anos, são atenciosos um com o outro, independente da paixão de Alexandre pelos livros e da paixão de Lillian por seu trabalho. "O mais importante numa união é a admiração recíproca", ela diz. E é com a admiração de seu marido e sua vontade de voltar à tevê aberta que ela aceitou o convite de Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta, para comandar o Roda Viva, todas às noites de 2ª.feira, na TV Cultura. Dias antes de cada programa, pesquisa muito sobre o entrevistado que na 2ª.feira à noite estará na cadeira principal do estúdio. Com ela, com toda a certeza, o programa mantém a aura conquistada ao longo de todos esses muitos anos de vida confirmando a recorrente pergunta de quem goza de reputação: "sabe quem vai hoje ao Roda Viva?". É um desafio. Lillian sabe disso: "O sucesso do programa depende do entrevistado". E a escolha dos entrevistados, digo eu, depende de Lillian, de Markun e da produção, que há anos tem feito história na televisão brasileira, hoje com Marcelo Bairão, na direção.
Por conta própria e sem nenhuma ambição de pesquisa ou enquete, perguntei para jovens, pais e mães, avôs e avós sobre quem gostariam de ver numa entrevista feita por vários jornalistas num programa de televisão. Apareceu de tudo, do educador que se empenha em aliviar um dos principais dramas do País, ao juiz que condena corruptos, do economista que não fale “economês”, ao técnico Dunga e ao que agora chamam de "new conservador" Caetano Veloso. E por aí vai: políticos, estudiosos... Em resumo, pode ser quem for, desde que traga boas informações e, em especial, não inspire o sono.
Lillian sabe fazer isso sem ser agressiva e arrogante, mas firme. Deve saber também que a programação da emissora vem com novidades nos últimos tempos. Seu primeiro entrevistado no Roda Viva foi o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que durante sua gestão como secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro bateu recorde na concessão de licenciamentos: 2 mil licenças em 16 meses de governo, entre 2007 e 2008. Minc assumiu o posto assim que a ex-ministra Marina Silva saiu. Já na chamada do programa, que vai ao ar poucos minutos antes de o quadro começar, a apresentadora falou, incisiva: "A preservação da nossa riquíssima floresta tropical é pra ontem". Lillian encampou a postura crítica ao longo de toda a entrevista, inclusive nos intervalos do programa.
Voltar à tevê aberta fez bem para Lillian. Voltar sem ter que passar o dia e parte da noite fora de casa faz bem para o marido, os amigos, os filhos e, principalmente, para ela mesma. É uma volta que não diminui sua paixão pelo jornalismo bem feito, ético, crítico e criativo que aprendeu fora da Faculdade de Jornalismo – "que, na verdade, pouco ensina sobre a prática da profissão". Lillian não fica de pernas para o ar na semana que antecede o programa. Pesquisa muito sobre o entrevistado da semana. O segredo do programa é ter um bom entrevistado", ela diz. "Tem um ótimo resultado e é legal."
Os espectadores habituais se manifestaram sem censura, via internet, sobre a estréia dela. Disse um deles: "A TV Cultura parece ter encontrado seu turn point com a contratação de Lillian Witte Fibe". Outro: “A TV Cultura acertou em cheio... Ganhou em prestígio a TV Cultura, bem como em qualidade. Parabéns...". Um detalhe importante: Carlos Eduardo Lins da Silva, que a antecedeu no Roda Viva, é um jornalista de alto nível, ótimo companheiro (trabalhei com ele na Folha de S.Paulo) e, apesar de todas as suas qualificações pessoais e profissionais, razões pelas quais provavelmente foi contratado para fazer o programa, não revelou pique para dar sabor a ele. O que não é pecado. Um excelente jornalista, mas aquilo não era para ele. Voltou para a Folha de S.Paulo – esta, sim, a sua praia – como ombudsman.
Jornalista desde o colégio
Já Lillian descobriu a sua praia bem cedo. "Eu nunca quis trabalhar num lugar fechado, fazer serviço administrativo ou burocrático. Me veio então a idéia de que jornalista não ficava preso. Me lembro de que perguntei para minha mãe: para ser jornalista tem que estudar muito? Ela disse que sim. E eu fiquei com aquilo na cabeça. Quando estava na segunda série do ginásio, a professora perguntava 'o que você quer ser quando crescer?'. Eu dizia jornalista e nunca mais mudei de idéia. No segundo ano da faculdade percebi: aqui eu não vou aprender nada, preciso arrumar um trabalho. E foi à Folha de S.Paulo, onde Perseu Abramo, inesquecível, havia criado um programa de três meses para estudantes de Jornalismo. "Perseu estava viajando e outra pessoa me perguntou qual a área jornalística que eu preferia – a minha sorte foi falar educação sem muita certeza, justamente à área do mestre Perseu". Ganhou a sorte grande, como se dizia na época. Se havia alguém que sabia lidar com estagiários, esse era Perseu Abramo (ver quadro Saudades dos Abramo).
Foi sapeca e estudiosa, independentemente dos que a chamavam de CDF – expressão, que hoje parece ter caído em desuso, destinada aos que estudavam muito e só recebiam notas altas. Aprendeu francês, inglês e alemão, idiomas que lê com certa facilidade e, admite, fala mal.
 | | 1 ano – dez/54 |
Sua rotina de "liberdade": vai à TV Cultura às 2ªs e 3ªs.feiras. Dedica-se em casa ao programa, além de ser requisitada para eventos e palestras. Quando saiu do UOL, fez free-lancers escritos "que não pagam bem e demoram para pagar, enquanto eventos e palestras pagam mais e adiantado”. No começo ela se perguntou se isso é jornalismo. Não é o tradicional. Mas acredito que envolve exatamente as mesmas condições do bom jornalismo: ética, informações, respeito à verdade e compatibilidade com suas ideologias – políticas, ambientais, sociais, éticas e étnicas. Eu, pessoalmente, não faria palestras para fabricantes de cigarros (embora fume), de armas, para empresas que exploram a natureza do País, para entidades corruptas que se passam por respeitosas e nacionalistas. Tenho certeza de que Lillian, do jeito que é, também tem a sua seleção de excluídos.
Como você reage a convites de trabalho? "Só vou se gosto". Gostou muito de ir para o Roda Viva. "Mas nem sempre dá para ser assim. Por exemplo, uma vez eu era editora e tive que assumir três editorias ao mesmo tempo. Você teve aumento? Nem eu”. Sua passagem pela Globo, entre idas e vindas, somou 13 anos. Com algumas queimaduras aqui e ali, saiu aliviada. "Saí porque queria voltar a viver de dia e dormir à noite”. Ela não fala porque tem classe, mas, depois das queimaduras, teria entrado na "arrasadora geladeira" da Globo. Saiu sem seqüelas. Havia chegado a hora, enfim, de ser mais Lillian do que Lillian Witte Fibe. Mal teve tempo. Vários convites surgiram daqui e dali. Ela foi para o jornalismo eletrônico. Até que sentiu saudades da tevê aberta – e vice-versa. No Roda Viva, dá o pontapé inicial de uma nova fase de sua carreira – que coincide com um novo momento da TV Cultura.
Lillian: volte à infância, pegue a bola de seu irmão e agora, mais grandona e firme, faça um golaço.
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Rápidas
Fiasco
A bicicleta foi descartada pelos pais de Lillian, mas a garota acabou ganhando um instrumento musical. "Tive aulas particulares de violão, mas meu talento para a música se revelou um redondo fracasso".
Injúria
Ela e seu irmão Mário, a quem chama de Marinho, dois anos mais novo, eram muito ligados. "Costumava brincar mais com meu irmão do que com minha irmã, quase três anos mais velha (Priscilla). Minha mãe era muito brava, protegia demais minha irmã. Então eu e meu irmão resolvemos nos virar numa sociedade irrestrita".
Nota 10
Os três irmãos sempre foram os primeiros da classe. "Tivemos uma rígida educação alemã. Estudei no colégio alemão Benjamin Constant e depois no francês Liceu Pasteur, onde os professores costumavam medir o comprimento das saias das meninas. Ganhei três medalhas de melhor da classe".
Rebeldia infantil
Líllian era certinha, mas não santa. Apesar de gostar de estudar, tinha seus dias de revolta. Certa vez jogou no chão da escola o lanche levado de casa. "Quando minha mãe soube, aconteceu um pequeno drama."
Classe média
Apesar da casa própria térrea e dos colégios particulares, a infância de Lillian não foi luxuosa. "Não tínhamos dinheiro e minha tia ajudava a sustentar a família".
Arrelia e Pimentinha
Liloca (apelido) lembra que sua geração nasceu com a televisão. "Recordo-me dos festivais de música popular na tevê, do Arrelia e do Pimentinha e daquela novela chamada Nino, o italianinho. Quanto aos desenhos, gostava das astúcias da dupla Tom e Jerry".
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Conversa com Liloca
 | | 1956 – aos 3 anos, no colo da minha adorada tia (“Tanti” Elfi Witte), que foi minha referência feminina: irmã solteira de minha mãe e muito, muito trabalhadora e independente. Morou comigo a vida toda, até morrer, há cerca de sete anos, aos 83 |
Jornalistas&Cia – Fazer um programa ao vivo como o Roda Viva chega a dar um frio na barriga? Ou a experiência e o traquejo calejam os âncoras? Dá, por exemplo, para comparar com os atores numa peça de teatro?
Lillian Witte Fibe – Não tenho a menor idéia sobre o famoso frio na barriga dos atores. Não posso dizer que fiquei trêmula. Não tinha pensado nisso antes, mas, agora que me perguntou, lembro que quando entrei pela primeira vez do estúdio do Roda Viva para gravar a primeira entrevista que seria veiculada, sem ter feito piloto, achei tudo pra lá de natural. Claro que não ficou perfeito, longe disso, mas não estranhei nadinha.
J&Cia – Ter familiaridade com câmeras e tudo o que envolve a produção de um programa de tevê facilitou a sua vida?
Lillian – A tensão é maior nos dias anteriores, quando me preparo. Leio como uma alucinada sobre o tema e sobre a pessoa que será entrevistada, para chegar com as perguntas imprescindíveis na cabeça (ou anotadas). Não marco compromissos uns dois ou três dias antes, acordo à noite redigindo mentalmente uma pergunta.
J&Cia – Parece o retorno daquela menina que só tirava nota 10...
Lillian – Há poucas semanas esteve em São Paulo, só por dois dias, uma amiga que mora em Nova York. Ela insistiu muito para nos encontrarmos no domingo. Disse que não podia porque precisava me preparar para o programa. “Tenho montanhas de material para ler”. Ela não queria acreditar: “Você não pára pra comer, pra um café?”
J&Cia – Com certeza, o café com a sua amiga ficou para outra vez. Você não exagerou um pouco?
Lillian – Tomo café em casa, pensando na entrevista, e em meio a uma fantástica bagunça de papéis esparramados. Na 3ª feira, dia seguinte ao do programa, acordo morta, moída e muito mal dormida, por causa da adrenalina do vivo da véspera. Não adianta. Não relaxo, durmo um pouco, mas logo arregalo o olho e penso no que deu certo, no que não deu... Tenho consciência de que não precisaria exagerar, mas acho que sempre vou trabalhar assim. Não me imagino conduzindo, mediando ou apresentando um programa burocraticamente.
J&Cia – Você está lendo algum livro agora?
 | | 1958 – aos 5 anos, pulando ondas em Santos com tia Elfi | Lillian – Estou devorando Audition, autobiografia da Barbara Walters.
J&Cia – Com que idade você se casou?
Lillian – Casei aos 25, fui mãe aos 26 e o Alexandre foi meu primeiro namorado.
J&Cia – Você foi uma menina tímida? Ou era daquelas que não gostava de levar desaforo pra casa?
Lillian – Sei lá se eu era tímida, mas não levava e não levo desaforo pra casa, não.
J&Cia – Na escola, quais as matérias em que você, sempre nota 10, mais se destacava?
Lillian – Sempre gostei muito de português e de matemática. E sempre fui péssima em desenho. Aliás, não me peça para fazer um trabalho manual. Aprendi a fazer crochê e tricô, mas o resultado sempre foi muito ruim. Ah!, mas botão que eu prego não cai nunca mais. Mérito da minha avó espanhola, nascida em Granada, que me ensinou quando eu era bem pequena.
J&Cia – Você é paulistana de nascimento... Gosta de São Paulo?
Lillian – Ando tão chateada com a cidade – trânsito, poluição, segurança. Nenhuma novidade, mas chega uma hora em que a gente cansa.
J&Cia – Quais as suas preferências gastronômicas?
Lillian – Cada vez menos, cada vez menos! Abaixo as calorias!
J&Cia – Algum restaurante de maior assiduidade?
Lillian – Tenho não. Vou pra conversar e pra comer umas folhinhas. Se for limpo, tá ótimo.
J&Cia – Tem outros jornalistas na família, fora o marido? E seus filhos, levam algum jeito pela profissão dos pais?
Lillian – Não há outros jornalistas na família. Quando resolvi que seria jornalista, não conhecia nenhum. Minha filha, Cristina, fez faculdades de cinema e de jornalismo. Logo depois de formada, estava meio dividida, mas pisou numa redação de jornal e ali ficou. Isso há uns quatro anos. Como mãe baba mesmo – e eu não sou exceção –, ela fez uma ótima matéria hoje (17/7) sobre as uvas do Vale do Napa.
J&Cia – Quais jornais você lê diariamente? E revistas?
Lillian – Com assinatura, recebo em casa Folha, Estado, Globo e Valor. Assino o Wall Street Journal online, e passo o dia com tantos sites de jornais estrangeiros abertos que tenho até vergonha de contar. Com as revistas é a mesma coisa, muitas, muitas pilhas em casa e outras tantas via internet.
J&Cia – O que você gosta de ver na tevê e ouvir no rádio?
Lillian – No rádio, eu zapeio no trânsito, basicamente entre CBN e Jovem Pan AM, qualquer que se seja o horário. Não há programa favorito, mas vício mesmo em noticiário 24 horas. Na tevê gosto de algumas séries que passam em emissoras fechadas. Sigo as séries Ugly Betty, Desperate housewives e Grey´s Anatomy, todas em fase chata de reprise e, por coincidência, todas da Sony. Canal, aliás, que abusa da paciência do assinante e põe em risco a fidelidade do telespectador, tamanha é a falta de respeito com mudanças de grade sem aviso e intervalos intermináveis.
 | | 1968 – aos 15 anos, papai adorado (Mario Fibe), hoje com 85 anos, e eu, no baile de formatura do 1º grau (à época, ginásio); meu pai é tão acelerado quanto eu, mas tem memória melhor |
J&Cia – Você arriscaria apontar quais são, hoje, o melhor jornal do País, o melhor telejornal, a melhor emissora de rádio e o melhor site informativo?
Lillian – Imagine! Quem sou eu? Leio jornais pra ter informação, não pra ficar apontando o dedo para o que é bom ou ruim. Acho muito chato isso. O pessoal tá lá ralando, e a gente, que lê, vai ficar pondo defeito? Ou mesmo classificando? Tenha dó! Lógico: sou leitora que não deixa de ser jornalista. Provavelmente aciono uma espécie de “peneira” natural: isso vale ler, isso não vale. Se o jornal ficar muito ruim, deixo de ler. Quanto à mídia eletrônica, me informo muito mais pela internet do que pela tevê. Sou viciada no site do New York Times, mas há muitos que não ando acompanhando como eu gostaria por falta de tempo.
J&Cia – Quem faz hoje o melhor jornalismo do País?
Lillian – De novo, muita pretensão apontar alguém. Falo sério. Lógico que tenho meus preferidos. E lógico que tem gente que não me dou ao trabalho de ler, mas apenas porque acho que não vale a pena. Se a pessoa tem seu público, ótimo, que seja feliz...
 | | 1960 – aos 7 anos, encerramento da 1ª série do 1º grau |
J&Cia– Com a proximidade das eleições para a Prefeitura, vale perguntar: você costuma votar em partido ou pessoas? Já anulou o voto alguma vez? Se sim, pode revelar em que contexto?
Lillian – Duas coisas que não conto nem morta: meu voto e meu peso. Garanto que sou apartidária "da gema", quer dizer, nunca me filiei, jamais vou me filiar a qualquer partido, ou mesmo ser "simpatizante" de alguma legenda. Assim como no caso da propaganda, é completamente incompatível com a nossa profissão.
J&Cia – Em termos ideológicos, como você se situaria?
Lillian – Na boa... Minha ideologia é a de me imaginar no lugar do telespectador ou do leitor na hora de perguntar, escrever e/ou reportar. Na verdade, acho essa história de ideologia muito chata e está até fora de moda.
 | | Felicidade – jan/81, com Ricardo |
J&Cia – As mulheres hoje já são maioria no jornalismo, embora ainda não tenham atingido essa maioria nos chamados postos de comando. Em que você acha que essa presença modificou o jornalismo brasileiro?
Lillian – Foi tão natural quanto nas outras profissões. Salvo as exceções e as injustiças de sempre, o mercado seleciona os bons e os maus profissionais, sejam eles homens ou mulheres (que, é verdade, ainda ganham salários mais baixos do que os homens). Não gosto muito desse oba-oba em torno da presença feminina. Competência, dedicação, talento e inteligência é que precisam ser determinantes. Ponto.
J&Cia – As mulheres podem fazer a diferença na política?
Lillian – Claro que podem! Veja o caso da intolerância religiosa, por exemplo. Ou dos casos escabrosos de poligamia nos Estados Unidos, maridos com dezenas de mulheres. Talvez, cada vez mais presentes e influentes nos parlamentos ou no executivo, elas mostrem mais garra para acabar com tamanhas aberrações. Mas não vai ser do dia pra noite.
J&Cia – Você lembra de alguns furos que tenham marcado a sua carreira?
Lillian – Lembro, mas acho um horror ficar me exibindo.
 | | Cris (1983), sempre foi o mel lá de casa e até morar com o namorado ela e eu éramos inseparáveis, confidentes, tanto quanto mãe e filha podem ser uma da outra |
J&Cia – O que pensa em termos de projetos pessoais e profissionais?
Lillian – Sempre fui surpreendida pelos projetos, inclusive pelo do casamento, porque só pensava em trabalho. Nem me passava pela cabeça casar e ter filhos. Hoje, continuo tão centrada no trabalho quanto sempre fui, mas meu momento mágico mesmo foi o do nascimento dos filhos. Nunca cheguei a fazer planos profissionais. Primeiro: salvo poucas exceções, não somos autônomos, e dependemos de grandes corporações. Segundo: fui atropelada primeiro pela crise econômica (década de 1970), que me levou à Economia e ali me manteve. Depois, para minha total e absoluta perplexidade, fui parar na televisão, veículo em que jamais havia pensado em trabalhar. Toc, toc, toc... Não posso me queixar. Gostei dessas surpresas. Toc, toc, toc...
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Por onde andou
Lillian Witte Fibe é formada pela Universidade de São Paulo. Trabalhou nos jornais Folha de S.Paulo, Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil. Na tevê, apresentou noticiários especializados em economia na Rede Bandeirantes, onde ancorou programa de entrevistas Crítica & Autocrítica. Também foi repórter, comentarista de Economia, editora e apresentadora do Jornal Nacional, além de editora-chefe e apresentadora do Jornal do SBT e do Jornal da Globo. Em rádio, ela foi comentarista de Economia na Excelsior e na Bandeirantes AM. Em internet, desenvolveu trabalho pioneiro em vídeo no Portal Terra, como diretora-responsável de noticiário multimídia e interativo, o Jornal da Lillian. Foi ainda âncora do site UOL News. É a terceira mulher a comandar o Roda Viva em seus 22 anos de existência, depois de Roseli Tardelli e Mona Dorf.
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Ataque de risos
Um episódio de que ela não gosta muito de lembrar mas que ficou bastante conhecido aconteceu quando apresentava o Jornal da Lillian, no Terra. Uma notícia a deixou desconcertada – para o bem: uma velhinha de 80 anos e seu namorado de 50 traficavam ecstasy. A velha, na verdade, fora iludida, pois achou que estava, na verdade, carregando o viagra matutino do parceiro. Todos foram para a cadeia. A notícia gerou alguns segundos de caos por conta do ataque de risos da apresentadora. Foi um riso incontrolável, mas muito, muito mesmo, engraçado.
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O professor Armando Nogueira
 | | Alexandre (dir.) e Armando Nogueira são do mesmo dia: 14/1; dei festa de aniversário pros dois no mesmo dia, em casa (1977) |
Lillian Witte Fibe tem um amigo que muitos gostariam de ter: Armando Nogueira, reverenciado entre seus pares como o melhor entre os melhores. Apaixonado por Jornalismo (e por aviões desde o cinco anos de idade), ele atravessa seus 80 anos como um grande escrevinhador apaixonado, a paixão desembestada dos grandes jornalistas. Lillian conversa sempre com ele e diz que nunca desliga o telefone sem ter aprendido alguma coisa. Armando estudou Direito para atender a um pedido de seu pai, mas nunca foi buscar o diploma. Outra paixão dele é o futebol e nesse momento deve estar sofrendo muito com o desempenho de seu time, o Botafogo. Sentimento forte também revelam seus amigos por ele, como Juca Kfouri, sempre mandando beijos e abraços em programas da ESPN Brasil. Juca diz mais: "Ele foi uma das vítimas da ditadura militar. Deu guarida a muita gente perseguida". Vítima também da edição do debate entre Lula e Collor na campanha presidencial de 1989, que até hoje carrega a marca de que a Globo favoreceu o então “caçador de marajás”.
Não falei com Armando Nogueira porque me senti muito intrometida, mas li na internet uma explicação plausível, que poucos se dispõem a ouvir: "Fiquei muito decepcionado, não com meus superiores e sim com os meus subordinados, que se portaram de maneira muito equivocada na adulteração do debate. Isso contribuiu, definitivamente, para eu sair da emissora”.
Armando querido, não importa o que vão dizer de mim, mas tenho inveja de quem aprendeu jornalismo com você – oportunidade que nunca tive. O senhor, chamado de professor, não poderia me dar uma aulas de como escrever alguma frase que lembre as suas?
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A saída da Globo
 | | Cris, 10 anos (1992) – Éramos inseparáveis até quatro anos atrás; companheirona, nessa idade ia comigo a redações – “Saudade dos tempos em que os filhos adoravam a gente.” |
O comunicado da Rede Globo à imprensa sobre a saída de Lillian da emissora foi curto e grosso: “Lilian Witte Fibe não é mais funcionária da emissora”. Segundo o comunicado, não houve acordo para renovar o contrato com a jornalista. O comunicado também informava que ela "vinha manifestando insatisfação com a sua qualidade de vida e também considerou insatisfatória a nova proposta financeira da Globo”. A empresa achou que não deveria aumentar a proposta feita. Lillian estava mesmo cansada de trabalhar até de madrugada – no caso, o Jornal da Globo, que ainda hoje não começa todos os dias no mesmo horário. Um jogo entre Santos e Palmeiras, por exemplo, só começa depois da novela da noite – hoje Duas Caras – e o jornal só tem início depois da partida, além dos comentários sobre a rodada do dia. Muitas vezes, mesmo quem gostaria de assistir é abatido pelo sono logo depois do “boa noite” inicial do excelente âncora Willian Waack. Essa história acabou há tempos para a própria Lillian, mas sempre que seu nome vem à tona, vêm junto as mais disparatadas explicações. Melhor entender que o dinheiro (ela diz que isso não aconteceu) compra quase tudo, menos o direito à preguiça (*) em família.
(*) Direito à preguiça é um livro de Paul Lafargue, em que o autor faz a defesa do direito ao ócio, em oposição ao tão proclamado "direito ao trabalho". A luta pelo "direito à preguiça" é, segundo ele, a luta por meio da qual se construiria uma sociedade mais justa, regida pelo aproveitamento do tempo livre e não pela lógica de um esforço irracional e desumano. Filho de pai mulato e de mãe caribenha, além de genro de Karl Marx, Lafargue tornou-se um marxista singular no movimento socialista internacional e foi um dos fundadores do Partido Socialista Francês.
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Saudades dos Abramo
É quase impossível encontrar hoje um professor como Perseu Abramo. Foi uma benção para Lillian, no começo de sua carreira, encontrá-lo na redação da Folha de S.Paulo. Perseu trabalhou 15 anos como professor do curso de Jornalismo da PUC-SP, de 1981 até sua morte, em 1996. Trouxe para a faculdade a sua experiência acadêmica na Universidade de Brasília e na Universidade Federal da Bahia, e sua experiência jornalística nas redações de O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e da imprensa alternativa (Movimento) e partidária (Jornal dos Trabalhadores, do PT). O professor Perseu Abramo orientou inúmeros projetos de iniciação científica e a produção de jornais laboratórios, além de uma pesquisa sobre a manipulação da informação e a distorção da realidade na imprensa brasileira, que resultou em textos e relatórios preliminares de excelente conteúdo, irrefutáveis nos chamados critérios científicos e de profunda atualidade até hoje.
Seu irmão, Cláudio Abramo (1923-1987), foi o responsável pela ampla modernização das redações dos jornais paulistas O Estado de S.Paulo (1952-1963) e Folha de S.Paulo (1975-1976). Era trotskista e sempre fez questão de frisar que compreendia e trabalhava conforme a natureza do capitalismo.
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Os primeiros entrevistados de Lillian no Roda Viva
O empresário do céu
Nossos problemas aéreos não acabaram, mas David Neeleman, um paulistano que atualmente comanda uma das mais bem sucedidas companhias aéreas dos Estados Unidos, trouxe boas notícias aos brasileiros que viajam de avião. Foi no Roda Viva, com Lillian Witte Fibe, que ele mais falou sobre a entrada no mercado brasileiro da Jet Blue, aqui chamada de Azul. O brasileiro, com ares acentuados de gringo, transformou a Jet Blue na estrela da aviação americana. A proposta para o mercado brasileiro é baseada no conceito custo baixo-tarifa baixa.
A história de David é curiosa. Aos 19 anos, depois de uma longa temporada nos Estados Unidos, ele passou por São Paulo, foi para Campina Grande, na Paraíba, ser missionário da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, para difundir os ensinamentos mórmons e ajudar na educação de crianças carentes. Anos depois, em 2000, Neeleman se tornaria estrela internacional frente a Jet Blue, alcançando um dos maiores índices de ocupação de aeronaves e as tarifas mais baixas do mercado.
Shakespeare apaixonado e a feminista convicta
 | | Réveillon (dez/02) – Nós quatro – Quando filhos ainda nos davam o prazer no rèveillon | Qualquer cenário seria pecado na linda cidade de Paraty, tombada em 1937 pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Foi ali, ao ar livre, sob a proteção de uma tenda branca, que a TV Cultura montou um estúdio do Roda Viva na Festa Literária de Paraty (Flip) para Lillian mediar a entrevista com o escritor e dramaturgo inglês Tom Stoppard, mais conhecido no Brasil pelo roteiro de Shakespeare Apaixonado, filme de 1998 que ganhou sete estatuetas do Oscar. No programa, Stoppard falou sobre o processo criativo de suas principais peças e de sua participação na festa, onde integrou a mesa intitulada Shakespeare, Utopia e Rock'n Roll, mediada por Luís Fernando Veríssimo. Foi ótimo – uma entrevista-aula sem tom professoral, inclusive para jornalistas. A Flip tornou-se em 2003 a caçula da família de importantes festivais literários.
Também a escritora, dramaturga e jornalista portuguesa Inês Pedrosa, uma ótima "surpresa" para os que não a conheciam ou a conheciam bem, foi entrevistada pelo Roda Viva durante a Flip. Feminista convicta, tomou posição pública a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez e a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal. Inês nasceu em Coimbra em agosto de 1962. Apoiou a candidatura do socialista Manuel Alegre à Presidência da República, que perdeu para Anibal Cavaco e Silva, dono de um estilo arrogante, autoritário, chamado pai do desemprego em grande escala em Portugal. Inês Pedrosa foi também diretora da revista Marie Claire em Portugal entre 1993 e 1996, e atualmente é colunista do semanal Expresso. Seu primeiro best-seller, Faz-me falta, de 2002, foi lançado no Brasil pela Alfaguara, a mesma que agora publica o seu A eternidade e o desejo.
O futebol na terra do futebol
 | | Da minha série “momentos mágicos” – fev/03 – formatura do Ricardo na Poli | Músico, compositor e professor, José Miguel Wisnik, um dos principais intelectuais do país, prendeu a atenção de quem assistiu Roda Viva em 23 de junho – não foi dispersa nem um minuto com o banho de conhecimento recebido sem frescura e arrogância. Eu pedi bis. José Miguel Soares Wisnik é professor de Teoria Literária na USP e também um dos grandes compositores da música contemporânea paulista.
Excepcional músico e grande poeta, tem parcerias com artistas do porte de Alice Ruiz, Luiz Tatit e Tom Zé, entre outros. Estudioso dos grandes clássicos literários, Wisnik acaba de lançar Veneno, Remédio: o futebol e o Brasil (Companhia das Letras), um livro sobre o futebol na terra do futebol. Mais do que estudo sociológico ou perfis de jogadores, é um poema sobre a fatalidade e a delícia de ser brasileiro, em que o autor empresta sua admiração pelo futebol para fazer uma indispensável ponte entre esses dois mundos.
Autor de trilhas para balés do Grupo Corpo, peças do Teatro Oficina e filmes como Terra Estrangeira e Janela da Alma, tem ensaios publicados em antologias como Os Sentidos da Paixão (1987), O Olhar (1988) e A Ética (1992), e é palestrante em inúmeras universidades e instituições do país e do exterior. Sua escolha como entrevistado foi um gol de Pelé para o Roda Viva (e principalmente para quem assistiu à entrevista).
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Teco-teco
(Pereira da Costa e Milton Vilela)
Lillian, você já ouviu essa música cantada por Gal Costa? Lembra suas molecagens de infância...
Teco, teco, teco, teco, teco
Na bola de gude era o meu viver
Quando criança no meio da garotada
Com a sacola do lado
Só jogava pra valer
Não fazia roupa de boneca nem tampouco convivia
Com as garotas do meu bairro que era natural
Subia em postes, soltava papagaio
Até meus quatorze anos era esse meu mal
Com a mania de garota folgazã
Em toda parte que passava
Encontrava um fã
Quando havia festa na capela do lugar
Era a primeira a ser chamada para ir cantar
Assim vivendo eu vi meu nome ser falado
Em todo canto, em todo lado
Até por quem nunca me viu
E hoje a minha grande alegria
É cantar com cortesia
Para o povo do Brasil
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