Jornalistas & Cia - Imprensa Automotiva
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Paulo,

 


Foi um tiro

Esses 13 anos de vida que celebramos com esta edição mais do que especial de Jornalistas&Cia passaram muito rápido, como um tiro. Outro dia mesmo estávamos diante de uma “revolucionária” máquina de fax, passando, um a um, os “exemplares” do então FaxMOAGEM, para corajosos assinantes que em nós acreditaram, entre eles os pioneiros Audálio Dantas e Banco Bradesco, ambos ainda hoje fiéis leitores do informativo.

O fax ficou no passado, inclusive no nome, que virou Jornalistas&Cia.

Em que pese a comparação desses 13 anos de estrada com um tiro, somos da paz e do bem e é isso que nos move. Nossa vocação é a de promover reencontros, identificar e divulgar oportunidades, colocar na vitrine nossos valorosos profissionais, mostrar as coisas boas (e também as não tão boas assim) para um número cada vez maior de leitores – número que estimamos ser hoje da ordem de 35 mil, entre aqueles que nos lêem nesse imenso Brasil e outros a quem chegamos, graças à revolucionária internet, no exterior. Falo estimados 35 mil leitores porque realmente é difícil calcular o número exato, tal a multiplicação, impossível de controlar, de nossos quase 3 mil disparos semanais, seja por conta da retransmissão para outros e-mails, seja pela impressão em papel, que depois segue para murais, onde a leitura é compartilhada por dezenas, centenas de jornalistas, em locais (redações e agências) de alto adensamento profissional.

Nossa maior pesquisa é a repercussão das notícias que publicamos. E esta pode ser comprovada por um sem-número de depoimentos que colecionamos ao longo da história.

Não existe coisa mais gostosa para um editor do que ouvir de seus leitores afirmações do tipo “eu não consigo começar minha 4ª.feira enquanto J&Cia não chega”. É música para os ouvidos. E, felizmente, na nossa história essa tem sido uma sinfonia permanente.

E assim esperamos que continue e esse é o nosso compromisso maior.

Como homenagem a esses 13 anos, cuidamos com esmero da edição que está chegando às suas mãos e aos seus olhos (quem sabe, ao seu coração). Ela está recheada de matérias especiais que a muitos, temos certeza, vão surpreender e encantar. Será, a nosso juízo, uma edição para ler, reler e guardar.

Na primeira parte, até a página 5, os leitores poderão acompanhar o noticiário quente da semana; e na segunda, matérias que vão mostrar casais de jornalistas, irmãos jornalistas, filhos de jornalistas, mulheres jornalistas que chegaram lá e um pouco do que aconteceu na história de nossa atividade nesses 13 anos de vida de J&Cia, inclusive alguns dos nomes que se foram antes do combinado, deixando o jornalismo mais triste.

Ao concluir, quero aqui fazer um agradecimento público aos nossos patrocinadores, anunciantes, assinantes e leitores, sem os quais obviamente não existiríamos. E outro, especial, à equipe que tem sido motor dessa trajetória de sucesso: o editor-executivo Wilson Baroncelli; o diretor comercial Sílvio Ribeiro; as editoras regionais Cristina Vaz de Carvalho, no Rio, e Kátia Morais, em Brasília; as correspondentes Ana Cecília Rezende / Raquel Vianna, em Minas Gerais, Mariana Trindade, na Bahia, Sarah Castro, em Santa Catarina, e Thell de Castro, no Interior de São Paulo; o estagiário e assistente de Redação Luiz Anversa; o chargista Mário César; e nosso produtor e designer Paulo Sant’Ana. E não poderia esquecer a colaboração que esta edição teve de Célia Chaim (que também tem sido nossa editora-contribuinte na série J&Cia Entrevista) e de Pedro Venceslau, valorosos e reconhecidos colegas.

Boa leitura!

Eduardo Ribeiro

 
 
13 histórias de irmãos jornalistas
Uns nos braços dos outros (ou nem tanto)

As divergências entre eles, se as há, disfarçaram. Mas o que se depreende das declarações dos irmãos jornalistas que J&Cia entrevistou, compondo 13 diferentes histórias, é que amam com igual intensidade a profissão.
Por Wilson Baroncelli

Adryana e Carina Almeida
“Derrubamos o mito de que trabalhar com família é complicado”

Carina e Adryana Almeida
As carreiras das irmãs Adryana e Carina Almeida, sócias-diretoras da agência de comunicação Textual, do Rio de Janeiro, bem poderiam estar retratadas em outra parte desta edição especial, pois são filhas do internacionalmente consagrado fotógrafo Evandro Teixeira, editor de Fotografia do JB. Mas aí o foco seria a relação com ele, e não entre elas, embora transbordem de admiração pelo pai e confessem ter ingressado na profissão por causa dele, ainda que em funções distintas: Carina no texto e Adryana na fotografia.

Carina, que se formou em Jornalismo e em Economia, diz que no princípio o pai não queria que ela fosse jornalista, mas sim que assumisse a carreira de economista. “Ele vivia me arrumando estágios em bancos. O jeito foi eu unir as duas coisas: trabalhei na Economia do JB por sete anos”. De lá, saiu para implementar a área de comunicação em uma empresa de consultoria e daí decidiu criar a Textual. Não se lembra bem em que ano foi, mas convidou a irmã, quatro anos mais nova, que trabalhava com o pai na Fotografia do JB, para dividir com ela o comando da empresa: “Tem dado supercerto, foi uma química boa. Temos visões e temperamentos complementares. A desgraça nisso de fazer negócio em família é que a gente acaba falando de trabalho até nos finais de semana”.

Adryana, que foi por nove anos fotógrafa do JB sob o comando do pai, lembra ter ido para a Textual em 2002 e que sua primeira tarefa foi montar a equipe de fotografia da agência para atender o COB na cobertura dos VII Jogos Sul-Americanos, que o Brasil sediou naquele ano. “Tive um pouco de estranhamento no início, pois não era a minha área de atuação, mas foi uma surpresa ter dado tão certo, a sinergia que houve. Derrubamos o mito de que trabalhar com família é complicado”. Mas ela alerta para o fato de que isso também funciona porque as duas tomam alguns cuidados: “É claro que o fato de sermos irmãs gera mais intimidade, mais liberdade no trato. Mas no trabalho nossa postura é estritamente profissional. E o pessoal da agência absorveu bem isso”.

Casada com o também jornalista Marcelo Moreira, da TV Globo, Adryana concorda com a irmã de que a casa acaba sendo uma extensão do trabalho, principalmente agora que está em período de amamentação de sua segunda filha, de três meses (a primeira tem 12 anos): “Ainda bem que hoje tem computador, telefone e internet e a gente pode resolver muita coisa sem se deslocar. Mesmo assim, como moro perto da agência, sempre que posso, entre uma mamada e outra, dou um pulo lá”.

As duas falam com orgulho do pai, a quem consideram um mestre, talento nato, exemplo de disciplina e excelência no trabalho, e que agora se tornou cliente da agência: elas produziram, editaram e divulgaram o livro 68: Destinos. Passeata dos 100 mil, que conta a trajetória de vida de 100 pessoas captadas pelas lentes de Evandro naquela passeata de 26 de junho de 1968, no Rio. Carina diz que o pai é um ótimo cliente, mas muito exigente: “Isso é bom, porque acaba sendo um estímulo para a gente”.



Álvaro Filho, Octávio e Cecília Costa
A genética falou mais alto

“As coisas estão muito piores do quando comecei na profissão. Era tudo muito claro, não havia dúvidas. Hoje não recomendo o jornalismo a ninguém, a não ser que tenha talento indiscutível. Fiz isso com a minha filha, que cursou Direito”. Em aparente contradição, o autor da frase, Octávio Costa, diretor da Editora Três em Brasília, tem dois irmãos jornalistas – Álvaro Filho, o Varô, especialista em automobilismo, mas que há muito abandonou as redações; e Cecília, que atuou em algumas das principais redações do Rio e hoje é editora-assistente da Revista do Livro, da Biblioteca Nacional, colunista do site da ABI, além de escritora consagrada. Para reforçar a contradição, seu pai, Álvaro Costa, os tios Odylo, filho e José, além do avô paterno, Odylo, e do avô materno, Hamilton Barata, são/eram jornalistas. “Com essa linhagem, não tive alternativa, precisei cumprir o meu destino”, brinca Octávio, ele próprio um jornalista de grande experiência.

O seu desencanto com a profissão para os mais jovens se deve basicamente às precárias condições do mercado de trabalho atual. Mas Cecília ele estimulou, ao insistir para que ela, aos 21 anos, então estudante de História e de Literatura, em férias, fosse trabalhar como secretária na Revista Econômica do JB. “Logo eu, que sou totalmente desorganizada. Meu pai foi contra, porque, embora dirigisse o Jornal do Commercio, achava que aquilo não era ambiente pra mulher. E eram mesmo muito poucas”. Depois, formada, não teve jeito, a genética falou mais alto: começou na Revista Bolsa, então sob o comando de Noênio Spinola. “Eu, que só escrevia contos, recebi como primeira incumbência fazer matéria sobre não-ferrosos. Aprendi open-market na rua”.

Manuela e Gianni Carta
A genética falou mais alto (2)

Também Manuela Carta, publisher de CartaCapital, e Gianni Carta, correspondente da revista na Europa, filhos de Mino, tiveram que cumprir seu destino genético. Gianni diz que, de certa forma, era natural que Manuela e ele enveredassem pela carreira de jornalista: “Ainda na Itália, meu avô, Giannino, era jornalista, e depois, no Brasil, trabalhou em O Estado de S.Paulo. As conversas nos longos almoços preparados aos domingos pelo meu pai, dos quais participavam minha avó, Clara, mulher de Giannino e autora de livros, e a irmã dela, zia Bruna, crítica de cinema e também escritora, giravam em torno de política internacional, nacional, arte e, claro, gastronomia. Digamos que havia sempre discórdias, vozes se alçavam, e isso nos ajudava a formar nossas próprias opiniões. Também ajudou o fato de minha mãe, Daisy, ávida leitora de jornais, revistas e livros, sempre ter nos encorajado a ler. E quando o tio Luís, irmão jornalista do meu pai, nos convidava para almoçar na sua casa, os assuntos eram os mesmos”.

Manuela confirma a prevalência genética: “Na verdade, acho que não decidi ser jornalista, nasci jornalista. Até tentei ser redatora de publicidade (cheguei a estagiar na Almap e na DPZ), mas não me entusiasmei. Um dia, no 3º ano da faculdade, manifestei a meu pai o interesse em escrever. Ele, que na época dirigia a revista Senhor, me ofereceu um frila sobre a chegada da marca Calvin Klein ao Brasil. Depois de um breve estágio, me contrataram”. Ela diz que partilhou com Gianni as redações de IstoÉ e, agora, CartaCapital, “mas eu no Brasil e ele em algum lugar no exterior, como correspondente. Ainda quando estudávamos no Dante Alighieri (anos 70), eu dei pitaco no jornal que ele editou e ele deu pitaco no que eu ensaiei editar, o Gazetim-tim-tim”.

Segundo Gianni, o jornalismo, “como bem disse a Manuela, não era uma profissão com a qual sonhávamos – era algo que fazia parte de nosso dia-a-dia. Quando, em 1980, lancei o Jornal do EstuDante, no Dante Alighieri, ela me ajudou a editá-lo. O jornal, político e cultural, foi proibido pelos diretores da escola (a censura chegava até às escolas), mas vendemos todos os exemplares e organizamos uma greve. Naquele ano fui para os Estados Unidos estudar numa escola pública secundária, e comecei a escrever uma coluna de política no jornal da escola. Na universidade, ainda na Califórnia, resolvi fazer Ciências Políticas, e ao mesmo tempo comecei a escrever uma coluna de política no diário da faculdade. Também fazia reportagens de tênis e perfis de alunos. Naquela época, comecei a fazer uns frilas para o Brasil. Meu sonho era ser cientista político, mas, pouco a pouco passei a escrever sobre política”.

Ele corrige a irmã quanto a não estarem juntos no mesmo espaço: “Em 1988 voltei ao Brasil, e trabalhei seis meses em IstoÉ. Da minha mesa avistava a Manu martelando suas matérias. Há 15 anos sou correspondente da CartaCapital na Europa, e semanalmente converso com ela. Outro dia, ela achou um diário meu que remonta a meados dos anos 70; rimos muito das besteiras que eu escrevia”.



Paulo e Chico Caruso
Dupla de dois

O humor, tanto quanto o jornalismo, sempre marcou a vida dos gêmeos Paulo e Chico Caruso. Embora sejam ambos cartunistas, nunca trabalharam juntos, exceto, como conta Chico, num jornal chamado Bolão, que faziam na época em que cursavam a Faculdade de Arquitetura, em São Paulo, e, hoje, nos shows que realizam Brasil afora – que, além de humor, tem música.

Chico e Paulo Caruso
Paulo, o mais velho (nasceu 15 minutos antes), conta que desenhavam já com quatro ou cinco anos de idade. “Aos 17, o Chico arrumou um emprego: foi desenhar na Folha da Tarde. Quando estava doente ou não podia ir por alguma razão, eu ia no lugar e ninguém percebia. Passava um jipe do jornal pegando todo mundo, porque precisavam estar lá às seis da manhã. Havia umas figuras folclóricas, como o colunista (Luiz) Álvaro Assumpção, que chegava àquela hora, de porre e smoking, vindo direto das baladas. Eu adorava ficar na redação. Não queria mais nada. Um lugar divertido, fazendo o que gostava e ainda pagavam?”

Como bons irmãos, brigam o tempo todo, mas são inseparáveis. Chico lembra que sempre roubava os carrinhos de Paulo. A avó lhe dava outros e ele roubava de novo. “Eu era maior e vivia batendo nele. Até que um dia ele cresceu e eu tive que parar”.

Paulo, que mora em São Paulo e faz charges ao vivo no programa Roda Viva, da TV Cultura, diz que Chico, residindo no Rio, é o próprio exemplo da globalização: trabalha na Globo.

Daniela e Marco Chiaretti
Jornalistas desde criancinhas

Descontado o exagero do tempo, o título é quase verdade para retratar a carreira dos irmãos Daniela, repórter especial de Meio Ambiente do Valor Econômico, e Marco Chiaretti, editor-chefe de Conteúdo Digital do Grupo Estado. Com cerca de nove anos, ele, e abaixo dos sete, ela, os dois produziam um jornal caseiro que vendiam a parentes e vizinhos. “Eram notícias da família, das férias, da rua, escritas a caneta e reproduzidas com a tecnologia do carbono”, conta Marco. “Acho que chegamos a noticiar, se não me engano, a morte do Costa e Silva”.

Daniela diz lembrar-se vagamente dessa época, mas afirma que desde sempre quis ser jornalista. “Quer dizer, primeiro eu queria ser astronauta. Era muito romântica”. Marco discorda: “Conversa, essa história de astronauta. Ela sempre soube que seria jornalista. Eu é que não me dediquei exclusivamente à profissão”. Isso apesar de ter começado primeiro, em 78, como revisor na Abril, antes mesmo de cursar Jornalismo (ela iniciou em 82, na Gazeta Mercantil). Marco formou-se na Cásper Líbero, deu aulas, esteve em Veja, Folha de S.Paulo, UOL, foi correspondente do JB em Buenos Aires e por três anos ficou afastado do jornalismo e de São Paulo, atuando como executivo da Data Sul, em Joinville. Lida com internet desde 1995.

Daniela também passou por UOL e Veja, mas em épocas diferentes. Esteve na Alemanha, foi redatora-chefe de Marie Claire, entre outras atividades. Nunca trabalhou com Marco. “Não sei como seria. Eu sou ligada em Economia, ele em Cultura e, lógico, internet”.

Cacalo e Juca Kfouri
Do Morumbi à PQP

Juca (José Carlos Amaral) Kfouri dispensa apresentações. Considerado um dos mais influentes jornalistas de esportes do País, ficou, entre outros trabalhos, anos em Placar (onde chegou a diretor), dirigiu Playboy e hoje tem atuação múltipla, na Rádio CBN, na ESPN e ESPN Brasil, coluna na Folha, blog no UOL. Cacalo (Luís Carlos Amaral) Kfouri, três anos mais velho, igualmente bem-sucedido profissionalmente, mas com bem menos exposição pública, é repórter fotográfico reconhecido, hoje fazendo controle de qualidade de conteúdo da EBC na internet e frilas. Largou o curso de Engenharia para se dedicar à fotografia. Começou como secretário de Produção em Playboy, trabalhou no projeto da Vejinha, na Realidade, Documento Abril, Estadão... e fez frilas para Placar, quando o irmão era chefe de Reportagem.

“Nunca fui beneficiado por ser irmão do Juca. Ele sempre foi profissional, separava bem as coisas e nunca inventou trabalho pra me ajudar”, diz Cacalo. Juca confirma: “Ele só teve prejuízo comigo. Em Placar, por exemplo, se havia dois jogos pra cobrir, um no Morumbi e outro na PQP, Cacalo ia pra PQP”. Às vezes perdeu mesmo, porque os que não gostavam de Juca (sempre muito direto e crítico ¬– características que, aliás, Cacalo também tem) não iam oferecer trabalho para o irmão dele... “Não nos vemos muito, porque os horários não batem”, diz Cacalo. “Mas se precisar, ele está lá. Quando tive um enfarte em SP. Juca estava em Maceió, foi avisado e voltou. de madrugada; na Unidade Coronariana do Incor, escutei um barulho, abri os olhos, era ele”.

Não chegam a um acordo sobre as duas únicas matérias que teriam feito juntos, quando Juca era diretor de Playboy. Cacalo diz que foram as entrevistas de Cristiane Torloni e Washington Olivetto; Juca afirma que foram este e Ricardo Semler. Rita, secretária de Juca e guardiã de seus arquivos, garante: foi só Olivetto. Cacalo insiste: “As fotos da chamada da entrevista de Cristiane são minhas”. Não importa. Segundo Juca, a parceria ficou nisso porque o irmão também adora perguntar: “Não ia dar certo”.

(Aqui, peço licença para uma intervenção pessoal e para discordar de Juca. Trabalhei com os dois, em Placar – onde, aliás, conheci Eduardo Ribeiro, diretor deste J&Cia –, e apenas com Cacalo, na sucursal paulista da Rio Gráfica e Editora, hoje Editora Globo. Viajei inúmeras vezes com este para cobrir jogos na PQP, por Placar, e competições náuticas, por Vela&Motor.

O fotógrafo “perguntador”, meu amigo até hoje, sempre ajudou muito nas matérias que fiz.)
Outros jornalistas na família? O avô, Luiz Amaral, primeiro repórter a encontrar a Coluna Prestes e que Juca afirma ter sido fascista. Tem também a irmã Maria Luiza, a Mana, especialista em música brasileira, que mantém o site www.discosdobrasil.com.br . E os filhos de Juca, André, hoje na ESPN, e Daniel, fotógrafo já consagrado, com trabalhos publicados em Placar, Folha de S.Paulo, AFP e outros. Cacalo demoveu da idéia um dos seus, Fernando, que fez Direito e agora é promotor.



Klester Cavalcante e Kaíke Nanne
O repórter e o executivo

Klester Cavalcante e Kaíke Nanne têm algumas redações em comum, mas nunca trabalharam juntos. “Eu sou o primeiro jornalista da família”, diz Kaíke, atual diretor do Núcleo Semanais da Editora Abril. “Comecei na Folha de Pernambuco, depois passei para a TV Manchete, não gostei, fui para o Jornal do Commercio e era chefe da sucursal de Veja no Recife quando o Klester começou a se interessar pela profissão”. O irmão confirma: “Era desenhista industrial na Votorantim. Um dia fui almoçar com o Kaíke na Veja, mas ele não pôde e acabei saindo com o fotógrafo Sérgio Dutti. Fiquei interessado por aquele trabalho de apuração, mas não pela fotografia, pois eu gostava era de contar histórias. Fiz vestibular, passei e como já estava com 25 anos aceitei estagiar numa assessoria ganhando salário mínimo. O Kaíke me ajudou a pagar a faculdade. Minha mãe dizia: ‘Você não dá pra isso, você é bom em matemática’”.

Kaíke Nanne e Klester Cavalcanti
A partir daí, Klester trabalhou em algumas redações por onde Kaíke já havia passado, como Veja, onde protagonizou um episódio que deixou o irmão abalado: “Klester foi seqüestrado por grileiros quando fazia uma reportagem na Amazônia. Ficou um bocado de tempo amarrado na mata até que conseguiu se soltar e andou quilômetros em busca de ajuda. Quando fez contato comigo, coube a mim contar para os meus pais”.

Apesar de terem orientado suas carreiras em diferentes direções (Klester gosta mesmo é de escrever livros-reportagem e Kaíke tornou-se executivo), falam-se com freqüência. “Ele sempre me pede para dar uma olhada nos originais de seus livros”, conta Kaíke. Eles têm ainda uma irmã, Kemine, publicitária, que mora nos EUA. Klester atualmente edita a revista Domingo, do JB, na Editora Peixes, em São Paulo.

Ricardo e Ronaldo Kotscho
Até que Malta os separe

Ricardo Kotscho é praticamente uma figura pública. Com mais de 40 anos de profissão, foi repórter premiado, assessor de imprensa do presidente Lula, escreveu livros, entre outras atividades. Agora mesmo acaba de criar um blog no iG, o Balaio do Kotscho, portal onde desde abril é colunista e repórter especial. Seu irmão Ronaldo, o Alemão, dois anos mais novo, tem carreira igualmente consagrada, mas com bem menos exposição pública. Começou como repórter geral de esportes no Estadão, onde o irmão era editor de Esportes Amadores, e de lá se transferiu para a revista Placar. Ali, tendo por mestre José Pinto, deu uma guinada na profissão e tornou-se fotógrafo, área em que fez nome por muitos anos. Agora na tevê (faz o Histórias do Esporte, na ESPN Brasil), voltou a ser novamente repórter.

Os irmãos Kotscho só trabalharam juntos em duas ocasiões, dois frilas: uma entrevista com o cantor e compositor Luiz Gonzaga e uma reportagem em Canapi, interior de Alagoas, sobre Pompílio Malta, irmão de Rosane Collor. Nesta brigaram. Ricardo conta que todo mundo tinha medo de Malta, inclusive o prefeito: “E vai o Alemão querer subir na caixa d’água da delegacia pra fotografar a piscina da casa do homem, único lugar onde havia água em Canapi.

Batemos boca mesmo, porque podiam nos matar. Aliás, uns jagunços dele nos deram cinco minutos pra sair da cidade”. Alemão confirma a história da foto, mas diz que a ameaça veio depois, quando saíam da cidade e novamente discutiram: “Imagina que o Ricardo viu um escudo do São Paulo num pé-sujo e resolveu tomar cerveja com o dono. Tá louco? Foi aí que vieram os caras nos ameaçar. E ele ainda disse que só ia embora depois que acabasse a cerveja. Eles nos seguiram até Maceió”. A reportagem saiu na revista Caminhos da Terra, concorreu ao Prêmio Abril, mas eles decidiram ser só irmãos e não companheiros de trabalho.

A segunda geração da família no jornalismo é representada por Mariana, filha de Ricardo, que deixou a Globo no final do ano passado para se dedicar mais aos filhos, e Diogo, filho de Ronaldo, assessor de imprensa do jogador Kaká.

Monica e Marlene Bergamo
Entre tapas e beijos

Depoimento de Monica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo:

“Minha relação com a Marlene é maravilhosa e vai muito além de uma relação de irmã. É de mãe e filha, filha e mãe, tudo junto – moramos juntas, e boa parte do tempo sozinhas, até quase nossos 30 anos. E, claro, é uma relação de brigas tremendas também (agora que estamos mais velhas, nem tanto). Decidimos por nossas profissões (fotógrafa e repórter) antes ainda dos 20 anos e já fizemos centenas de pautas juntas: de Osasco a Saint Martin, no sul da França, passando por Rio, Brasília, Salvador e muitos outros lugares do coração do Brasil. A Marlene começou a trabalhar na Folha bem antes que eu (uns dez anos) e quando fui contratada pelo jornal tive a oportunidade de dividir muitas pautas com ela. De briga em briga, conseguimos resultados que considero maravilhosos por causa dela. Um exemplo: fui a Salvador fazer um perfil do então ministro Gilberto Gil. Ele estava pintando o cabelo e depilando o peito e as axilas para o Carnaval. Não queria fotos. Ela, com todo o jeito, o convenceu. A foto acabou saindo em seis colunas na primeira página do jornal. Eu a considero, sem exagero, uma das melhores repórteres do Brasil.”

Depoimento de Marlene Bergamo, fotógrafa da Folha de São Paulo.

“Minha relação com a Mônica é assim mesmo como ela falou, maravilhosa. Como toda relação maravilhosa, a gente briga igual cão e gato e depois de cinco segundos ninguém lembra mais. Mesmo sendo essa fera que ela é no jornalismo e na vida, pra mim ainda é minha irmãzinha mais nova. Minha mãe contava que engravidou para que eu não ficasse sozinha. E eu não fico! Claro que, como toda pessoa louca pelo que faz, ela é totalmente indisponível quando está trabalhando, e isso é praticamente em quase todas as 24 horas do dia. Mas é só gritar um ái que ela fica comigo até a dor passar. É assim com todo mundo. Qualquer amigo dela pode confirmar isso. Levou um fora, perdeu o emprego, brigou com o chefe, tá doente? Pode procurá-la que vai ter sempre um ombro amigo para chorar ou uma mão forte para te ajudar. Ela é daquele tipo de pessoa que faz tudo apaixonadamente, de uma entrevista com o Presidente da República à festa de aniversário da filha dela. Nunca perde o rebolado e nunca desiste. Sem nenhuma dúvida é a pessoa mais agitada que eu conheço. Quando criança minha mãe mandava ela parar de se mexer um pouco e ela respondia nervosa: “Eu não consigo, mãe! Quando teve o massacre do Carandiru, no dia seguinte ela estava na porta do presídio, pela Veja, e eu pelo Notícias Populares. Nós "vazamos pra dentro" e depois de muita briga deixaram os jornalistas falar com os presos. Claro que tudo acompanhado da assessoria de imprensa, o que impossibilitava que os presos se sentissem seguros para falar sobre o que tinha acontecido. Eu saí às quatro da tarde, com todos da imprensa e fui para o NP que fechava às cinco. Depois me ligaram querendo saber dela, que não tinha saído com os outros jornalistas. O Carandiru fechou e ela ficou, sozinha. Ouviu muitos depoimentos e fez uma matéria maravilhosa. Acabou fazendo amigos lá, deu nosso endereço e durante muitos tempo chegaram cartas do Carandiru em casa.

Eu lamento mesmo não poder trabalhar mais com ela. Apesar de estarmos na mesma empresa, a Folha de S.Paulo, é raro nossos momento de ‘dupla’. Mas quando acontece, incrivelmente não brigamos e trabalhamos muito. Mas eu sonho em algum dia podermos fazer um trabalho com calma, talvez um livro-reportagem, talvez um documentário. Nem vou dizer que ela é a melhor, mais correta e mais obsedada jornalista do Brasil por que acho que não precisa, e seria muito suspeito, já que eu sou uma irmã-fã-apaixonada.”



Kiko e Paulo Nogueira
Sobre conversas e orgulho

Paulo e Kiko Nogueira são dois fazedores de revistas, ambos formados na escola da Abril. Paulo de lá se desgarrou, convidado que foi a assumir a Direção Editorial da Editora Globo, que recentemente deixou, para ser, a partir de 2009, correspondente da Época em Londres. Kiko ainda lá permanece, à frente da Redação da Viagem e Turismo. Filhos de Emir Nogueira, profissional que fez história no jornalismo brasileiro, ambos têm pelo pai – e um pelo outro – um profundo respeito e uma grande admiração.

Vejam o que fala Kiko: “Uma das lembranças mais vívidas da minha infância é a das noites em que meu pai chegava da Folha de S.Paulo. Ele se sentava no chão da sala, em frente à tevê, enquanto minha mãe preparava qualquer coisa para ele comer. Pouco depois chegava meu irmão Paulo. E aí começava um momento especial: o da conversa. O da discussão. Eu assistia a tudo num sofá ao lado do Velho. Falava-se de cinema, política, religião, música (e também do desempenho do Hugo Carvana e da Denise Bandeira na série Plantão de Polícia, que passava naquela hora). Eu só ouvia.”

Paulo confirma: “Jornalismo sempre foi assunto na mesa de casa. Meu pai trabalhou na Folha por muitos anos. Era uma alegria vê-lo chegar da redação cheio de jornais, e era um momento mágico visitá-lo na Folha, na Barão de Limeira. As máquinas de escrever faziam um barulho majestoso em seu caos criativo, e este é sem dúvida um dos sons de minha vida. O som do fechamento da Folha de antigamente.” E vai além: “Tantos anos depois, jornalismo continua a ser assunto de mesa da família. Virei, como meu pai, jornalista. Bem como meu irmão caçula, Kiko, tão mais novo que é uma espécie de primogênito meu. Quando almoçamos juntos, ou na casa de nossa mãe ou onde seja, o jornalismo sempre é tema de debates. Venho agora mesmo de um almoço familiar, e lá estávamos Kiko e eu refletindo sobre o impacto digital nas revistas sob o olhar atento e inteligente de mais um Nogueira jornalista: nossa irmã Cláudia.”

Kiko recorda como cedeu aos encantos do jornalismo, de certo modo inspirado no exemplo do pai e nas conversas com o irmão mais velho: “Meu pai morreu. Meu irmão acabou fazendo uma belíssima carreira jornalística. Comandou revistas. Ele me mostrou a primeira Rolling Stone e me apresentou o mundo maravilhoso do jornalismo americano. Tentei ser músico, mas logo vi que, para dar certo, eu teria que dedicar mais do que meus finais de semana ao rock´n´roll. Virou um hobby. O Paulo é um devoto das revistas. Hoje é também um apóstolo do jornalismo digital. Mas o Paulo é, sobretudo, uma grande conversa. Quando nos encontramos, falamos. Muito. De quase tudo. Cada um montado em suas convicções, nós discutimos, debatemos e até, eventualmente, concordamos. Mas seguimos, tantas noites após aquelas dos meus tempos de garoto, fazendo o que meu pai gostava.”

E se o assunto é confetes, Paulo devolve: “É com orgulho que vejo o profissional em que Kiko se transformou. Kiko é um dos melhores editores de revistas do País. Tem sensibilidade para captar pautas interessantes, versatilidade suficiente para trabalhar em que qualquer tipo de publicação – e principalmente sabe para onde uma revista tem que ir. Ou de onde deve se retirar. Kiko tem também personalidade, luz própria – e é com orgulho (escondido, admito) que o vejo desafiar com tanto fundamento e freqüência algumas de minhas idéias sobre jornalismo.”

Lúcio Flávio, Raimundo, Luiz e Elias Pinto Jr.
Locomotiva amazônica

Lúcio Flávio Pinto é certamente o jornalista amazonense mais conhecido do País e também um dos mais conhecidos no exterior. Comandando desde 1987 o seu Jornal Pessoal, mais longeva publicação alternativa do País e a única ainda em atividade – quinzenal, não aceita publicidade, vive de venda avulsa e ele a escreve praticamente sozinho –, tornou-se uma referência em questões amazônicas. Também ficou famoso por ser alvo de dezenas de processos movidos pela família Maiorana, dona do maior grupo de comunicação do Estado do Pará, em função de críticas e matérias que publicou em seu JP. O que muitos não sabem é que ele, filho de Elias Pinto, que, entre 1952 e 1954, manteve em Santarém o jornal O Baixo Amazonas, onde começou a trabalhar aos 16 anos, puxou feito uma locomotiva os três irmãos para a profissão (“Não foi protecionismo, não. Eles tinham talento.”): Raimundo, hoje no comando do portal Pará Negócios; Luiz, que atua como frila e o ajuda no JP; e Elias Jr., diagramador e ilustrador do JP. Raimundo foi seu aluno num curso que deu em 1968 e depois o substituiu como correspondente do Estadão em Belém (Lúcio ficou 18 anos no jornal e Raimundo, 16). Luiz, ele levou para São Paulo, na primeira vez em que trabalhou na capital paulista – ilustrava a página chamada Jornal Pessoal, que Lúcio então publicava em A Província do Pará. E Elias Jr. também foi seu aluno num curso sobre imprensa alternativa, quando lançou uma publicação nessa linha chamada Bandeira 3. “Foi engraçado porque, no encerramento, ele, com apenas 16 anos, fez uma única pergunta: quando é que jornalista se aposenta?”, lembra Lúcio. Foi o único local em que os irmãos trabalharam juntos. “Era um jornal mensal de 24 páginas e durou apenas sete edições. Levei outros seis meses só pra pagar as dívidas”.

Cley, Simão e Wille Scholz
Cada um na sua

Não é de todo impossível que no campo “natural de” da certidão de nascimento dos irmãos Cley, Simão e José Wille Scholz conste: “Rádio Guairacá, Mandaguari, PR”. Se não consta, deveria, pois eles praticamente nasceram dentro da emissora que o pai comandava naquela cidade do Norte do Paraná: ela funcionava num apartamento e a família morava em outro, conjugado. Dos sete irmãos, apenas os três seguiram a profissão de jornalista, mas só Wille, o mais velho, herdou a paixão do pai e, depois de experiências também em tevê e assessoria, ficou mesmo em rádio e está hoje na CBN, em Curitiba. Simão, o caçula, passou por várias emissoras de tevê e hoje trabalha no Balanço Geral, da TV Record, em São Paulo; é casado com Janaína Pirola, editora do Profissão Repórter, da Globo. E Cley optou pelos impressos, tendo passado por O Estado do Paraná, JT, Diário do Grande ABC, O Globo, Agência Estado, Valor Econômico e Veja; atualmente trabalha na Chefia de Reportagem do Estadão. Cley diz que os três são jornalistas, “mas cada um na sua: Wille no rádio, Simão na tevê e eu no jornal. Nunca trabalhamos juntos, mas espero que um dia possamos desenvolver um projeto conjunto”. E, pelo visto, o “bicho jornalístico” continuará contaminando a família: Mariana, filha de Wille, está se formando pela UFPR e já trabalha numa revista de esportes náuticos; o outro filho dele, Leonardo, vai prestar vestibular para jornalismo no fim do ano.



Carlos e Rodrigo Tramontina
“Pai” zeloso, “filho” orgulhoso

Parte da família Tramontina numa festa à fantasia: (a partir da esquerda) Nathália (filha de Carlos), Juliana (esposa de Rodrigo), Carlos e sua esposa Rosana, Rodrigo
Um é famoso, fez carreira na televisão e trabalha na Globo. O outro decidiu seguir também carreira no jornalismo, mas optou pela assessoria de imprensa, trabalhando atualmente na Peugeot, em São Paulo. Além de irmãos têm em comum a voz idêntica. A separá-los no tempo, uma diferença de18 anos na idade.

Carlos diz que se decidiu pelo jornalismo “porque, em primeiro lugar, era um péssimo aluno nas exatas. Depois, sempre li muito, fui orador da turma nos cursos primário, ginasial e colegial. Participava de apresentações públicas sem dificuldade. Decidi pelo Jornalismo escrito, mas ao sair da faculdade procurei emprego em vários lugares e consegui um estágio na Globo, onde estou até hoje”. Já sobre as razões do irmão... “Nunca conversamos sobre os motivos que o levaram a optar pelo Jornalismo”, confessa.

E a influência do irmão famoso, teria pesado na escolha de Rodrigo? Ele mesmo conta: “Não sei dizer quanto o Carlos me influenciou na escolha da profissão. Nunca conversamos demoradamente sobre isso. A situação era curiosa. Afinal, eu tinha um irmão famoso. Lembro- me, com muita clareza, de um fato comum em minha infância, vivida em Ibitinga/Araraquara (ambas no interior do Estado). Quando alguém da família via uma entrada dele na tevê, gritava para todos ouvirem: ‘O Beto tá na televisão!!!’ Era uma correria danada pra ver o irmão mais velho na telinha”. (N.R.: Beto diz respeito ao Alberto que Carlos Tramontina tem no meio do nome.)

Mas quem pensa que o irmão mais velho não daria pitacos na do irmão mais novo engana-se: “Eu me meti na vida estudantil do Rodrigo quando ele disse que pretendia cursar jornalismo no interior. Insisti para que ele viesse para São Paulo e ele acabou optando pela PUC-SP e veio morar comigo para mais facilmente ser introduzido nas ‘manhas’ do jornalismo a partir das nossas conversas.”

A versão é integralmente corroborada por Rodrigo: “Quando anunciei minha decisão em prestar vestibular para Jornalismo, ele foi enfático ao afirmar que eu teria de vir a São Paulo. Dizia que, se eu quisesse realmente me desenvolver na área, o local seria na capital, centro de tudo, onde tudo acontece. Fiz provas então apenas nas faculdades paulistanas. Passei em três e optei pela PUC, até pela proximidade com a casa dele, em Perdizes, onde fui morar.” Sobre a semelhança de vozes, muitas histórias. Carlos relembra: “Muitas vezes ele atendia telefonemas de pessoas que me procuravam, e elas, sem perceber com quem falavam, contavam tudo pensando que eu estava na linha. Só depois é que a confusão era desfeita.”

Numa ocasião, quando Rodrigo ainda morava com Carlos, ligou para lá numa tarde alguém da chefia da Globo. “Atendi e a pessoa me explicou o que estava acontecendo”, conta Rodrigo. “Respondi: ‘Fulano, você vai me desculpar, mas sou o irmão dele. O Carlos não está’. Acabei tomando uma bronca. ‘Carlos, isso não é hora de brincadeira. Estou falando sério e vamos levar esse assunto para uma reunião amanhã!’ Precisei de mais alguns minutos para convencê-lo da pequena confusão armada”. Rosana, a mulher de Carlos, até hoje confunde a voz de ambos ao telefone.

Rodrigo diz lembrar-se muito bem também da primeira vez em que o acompanhou à Globo, às 5h, para assistir ao vivo a apresentação do Bom Dia São Paulo: “Os colegas dele perguntavam, ‘Tramonta, trouxe seu filho?’. E ele, ‘Não, meu irmão mais novo’. A réplica vinha na mesma hora. ‘Você é louco, Tramonta? Não explicou para ele que Jornalismo é fria? Rodrigo, você está ainda no primeiro ano, dá tempo de mudar de idéia...’ Bom, não mudei e não me arrependo disso. Mas nunca trabalhamos juntos. Até porque trilhamos caminhos distintos na carreira. Numa ocasião pontual, ele me contratou como frila para traduzir do inglês um material do qual ele necessitava quando estava escrevendo seu segundo livro, Morada dos Deuses.”

 
13 histórias de filhos de jornalistas
Apaixonados pelos pais e pelas notícias


Muitos, no início, renegam a origem. Querem distância da profissão que separa pais e filhos em alguns dos melhores momentos da vida, como é o caso do jornalismo. Se os pais são famosos, então, seguir a carreira e enfrentar as naturais comparações e cobranças é um ônus muitas vezes pesado demais para carregar. Os pais, muitas vezes querendo “uma vida melhor” para os filhos, tentam desestimulá-los, mostrando as mazelas da profissão. Para o bem ou para o mal, são muitos, em nossa profissão, os filhos que seguem os pais, como mostram as 13 histórias a seguir, algumas em que os filhos já ameaçam até mesmo superar os pais, contadas pelo editor convidado Pedro Venceslau

"Me apaixonei por isso de achar a notícia"
(Renata Cafardo, filha de Pedro Cafardo)

Renata Cafardo, chefe de Reportagem do caderno Vida&, do Estadão, sempre soube o que queria ser quando crescesse. Desde pequena montava pequenos jornais, revistas e programas de tevê em casa, escrevia textos sobre notícias verdadeiras ou fictícias e entrevistava as pessoas nas festas de família. Ou seja, brincava de jornalista. A influência do pai, Pedro Cafardo, hoje editor do Valor Econômico, foi, claro, determinante. "Posso dizer com tranqüilidade que meu pai foi quem mais influenciou a escolha da minha profissão”, conta. "Como meu pai foi editor muito cedo e acabou exercendo cargos de chefia durante quase toda a sua carreira, eu tinha uma visão do jornalismo mais do lado de quem comanda, digamos assim. Ao começar no jornal como repórter vi um outro lado e me apaixonei por isso de achar a notícia, organizar a apuração, dar o furo, escrever...". A mãe, Rumely, também é jornalista, mas atuou grande parte da carreira como assessora de imprensa. O DNA da família não pára por aí. "Tenho um primo mais novo, o Thiago Cafardo, que é jornalista e trabalha no Ceará. E sou casada com Herton Escobar, também do Estadão. Minha madrasta, Erica Benute, também é jornalista. Quando criança, eu adorava ver a movimentação do fechamento, as decisões sendo tomadas, as pessoas escrevendo. Eu me sentia importante. Mais tarde, já na faculdade, ajudava meu pai a fazer títulos nos fins de semana e notinhas de primeira página".

Renata formou-se na Cásper Líbero, em 1998. Seu primeiro emprego foi como assistente de Elio Gaspari. Depois trabalhou durante um ano na Band e em 1999 morou nos EUA, onde fez especialização na New York University e um estágio na TV Globo de lá.

Há 13 anos, quando nasceu J&Cia, Renata estava no 1º ano de faculdade de Jornalismo, na Cásper Líbero. Seu pai era editor-chefe do Estadão.

"Sei que esta é uma profissão muitas vezes ingrata"
(Mario Bucci, filho de Eugênio Bucci)

Antes de decidir-se pelo Jornalismo, Mario Bucci, estudante de Jornalismo da PUC-SP, pensou seriamente em fazer Publicidade e Direito. Quando, enfim, bateu o martelo, recebeu apoio total do pai, Eugênio Bucci. "Ele concordou com a minha escolha e até me apoiou, mas ressaltou que é um mercado bastante disputado e que esta é uma profissão muitas vezes ingrata. Mais tarde, todas as impressões se confirmaram, tanto as que meu pai me passou quanto as que eu formulara".

Apesar da indefinição, desde cedo estava na cara qual seria a escolha. Em 1995, quando cursava a 2ª série, Mario montou um jornalzinho junto com os colegas de escola. "Meu pai me ajudou com alguns detalhes no começo, mas me deixou tocar a idéia do meu jeito". Outra forte lembrança do tempo de criança é a rotina do pai. "Em geral, voltava para casa tarde e em alguns finais de semana não saía com a família pois precisava trabalhar. Ás vezes eu visitava o lugar em que meu pai trabalhava, a Editora Abril".

Mario está no 3º ano de Jornalismo da PUC-SP. Por enquanto, sua única experiência na profissão foi como estagiário, por sete meses, da Rádio Bandeirantes. "O fato de ser filho de jornalista pode ajudar e também atrapalhar, depende muito da sua postura, dos seus chefes e dos colegas. Em geral, ter um pai jornalista gera uma cobrança imensa, não só de outras pessoas como sua também. Deve-se aprender uma forma de lidar com isso".

Há 13 anos, quando J&Cia nasceu, Mario tinha oito anos e estava na 2ª série. Na época, seu pai trabalhava na Abril.



"Tenho de profissão o mesmo tempo que J&Cia tem de vida”
(Henrique Fruet, filho de Luiz Henrique Fruet)

Helena, Henrique e Luiz Henrique Fruet
Henrique Fruet, diretor da Albatroz Comunicação, nunca cogitou seguir outra profissão. "Ou melhor, cogitei sim: quando criança, meu sonho era ser dono de banca de jornais". Seu desejo era ter ao dispor dezenas e dezenas de gibis e revistas. "Sempre soube que era uma profissão ingrata em relação ao ritmo de trabalho. Quando meu pai trabalhava em Veja, por exemplo, eu mal o via no final da semana. Ele estava sempre muito cansado". Helena Fruet, irmã mais nova, seguiu o mesmo destino e hoje trabalha na RecordNews, depois de ter passado por Veja. A caçula, Marina, livrou-se da "sina" e trabalha na Justiça do Trabalho, seguindo os passos da mãe, Vera Helena. "Mas mesmo os membros da família que não são jornalistas sabem tudo da profissão. Pauta, pescoção, fechamento, fonte etc. são palavras bem familiares para todos".

Quando pré-adolescente, Henrique pediu de aniversário para o pai uma máquina de escrever portátil. Ele levava o trambolho para a casa dos amigos e lá escrevia as lições e trabalhos escolares. "Todos sempre queriam cair no meu grupo. Eu dividia os trabalhos em tópicos, reescrevia o material, juntava, dava título, paginava etc.. Só anos depois, já trabalhando numa redação, é que me lembrei disso e me dei conta de que havia acumulado os cargos de copidesque e editor...". Por opção e consenso, pai e filho nunca trabalharam juntos. "Como quando eu comecei a trabalhar ele ocupava cargos de direção ou chefia, sempre evitamos. Segui meu próprio caminho. Só mais recentemente, quando escrevo um texto bacana, envio para ele dar uma olhada antes de fechar".

Henrique formou-se na PUC, em 2000. Começou a trabalhar logo no 1º ano de faculdade, na finada Folha da Tarde. O fato de ser filho de jornalista ajuda? "Ajudou muito na formação. Não sei se teria tido a oportunidade de ler tudo o que li se não tivesse um pai jornalista". Mas ele não nega: o primeiro emprego teve ajuda do pai. "O Nilson Camargo, que era diretor de Redação da Folha da Tarde (e continua no cargo, com o jornal transformado no Agora São Paulo), havia frilado para o meu pai alguns anos antes. Quando soube que eu era ‘filho do Fruet’, me recebeu muito bem e me encaminhou para a editoria de Turismo, para uma vaga de estagiário de menos de R$ 150 por mês. No jornalismo (como em qualquer outra área), o QI (quem indica) existe. A diferença é que as redações não têm condições de manter um funcionário apenas pelo QI. Quem não mostrar serviço dança".

Uma coincidência: foi há 13 anos que Henrique começou na profissão... "Tenho de profissão o mesmo tempo que J&Cia tem de vida. E desde o início sou um leitor assíduo da publicação, vale ressaltar. Antes, lia sobre os amigos do meu pai; agora, me informo sobre eles e também sobre os colegas que colecionei pelo caminho. Há 13 anos, meu pai dirigia a revista Globo Ciência, que viria a se tornar Galileu".

"Meu pai disse: ‘Você não deveria fazer isso, é uma vida desgastante demais’".
(Marcelo Onaga, filho do Romeu Onaga)

O pai de Marcelo, Romeu Onaga, sempre foi um leitor compulsivo de jornais. "Lembro que acordava cedo e lá estava ele na sala, com o Estadão, o Jornal da Tarde e a Folha". Foi uma boa influência. Com dez anos, o pequeno Marcelo já havia adquirido o saudável hábito de ler jornal diariamente. "Gostava do JT. Lembro de uma série de capas em que o nariz do Maluf crescia a cada dia que passava o prazo que ele havia imposto para descobrir petróleo em São Paulo. Por uma grande coincidência, o JT foi o jornal em que mais tempo trabalhei".

Além de Romeu e Marcelo, boa parte da "velha guarda" da família Onaga era formada por jornalistas. "Eu adorava ouvir as histórias de meu tio, Hideo, um dos maiores repórteres de sua época. As aventuras dele eram fascinantes".

Romeu e Marcelo Onaga
Mas por pouco Marcelo não virou tenista. Jogador desde os nove anos, chegou a disputar alguns torneios profissionais. Por pressão da família, que não admitia a hipótese de ele parar de estudar, foi para a faculdade. Além do Jornalismo, prestou para Odontologia e Administração. Passou em Odonto, mas não contou para ninguém. "Meu pai me disse: ‘Você não deveria fazer isso, é uma vida desgastante demais’. A reação mais forte, no entanto, veio do meu tio Hideo. Ele brigou com meu pai – por ter me deixado fazer – e me deu uma bronca. Disse que eu estava louco, que o mercado de trabalho era reduzido, que eu não teria finais de semana... Mas depois que comecei a trabalhar, já no primeiro ano da faculdade, os críticos viraram fãs. Eles adoravam ouvir minhas histórias, ler minhas matérias".

Marcelo formou-se na Cásper Líbero e começou lá mesmo, na TV Gazeta, fazendo estágio. Depois, foi para a extinta revista Match Point e, de lá, para a Folha de S.Paulo. Ele sente falta dos papos sobre jornalismo com a família. "Meu pai faleceu no ano passado e, logo depois, meus tios. Eles fazem muita falta". Uma dica para filhos de jornalistas que querem seguir a profissão? "Ouçam seus pais".

Há 13 anos, Marcelo trabalhava no Jornal da Tarde. E seu pai, na Petrobras.

"Acabei pegando gosto pela coisa"
(Mauricio Noriega, filho de Luiz Noriega)

Antes de optar pelo Jornalismo, Mauricio Noriega jogou vôlei por dez anos e só abandonou as quadras porque achou que não tinha estatura suficiente para seguir em frente. "Também pensei em ser professor de educação física, psicólogo, físico nuclear, algumas coisas (risos)".

Mas o convívio com o pai, Luiz Noriega, um dos grandes narradores esportivos das décadas de 70 e 80, acabou sendo determinante na escolha pela profissão. "Vendo a forma apaixonada, ética e profissional com que ele se dedicava foi que, entendo hoje, acabei pegando gosto pela coisa".

Luiz e Maurício Noriega
Formado pela Cásper Líbero em 1989, Noriega, o filho, nunca sofreu oposição do pai, apesar dos constantes alertas sobre as limitações do mercado, a concorrência, muitas vezes desleal, os baixos salários, as restrições ao convívio familiar, entre outras dificuldades inerentes à profissão, que mais tarde Mauricio pôde sozinho perceber. "Mas os aspectos positivos dos quais ele me falava, como a possibilidade de conhecer o mundo, o sentimento de dever cumprido e algumas grandes amizades, também se confirmaram".

Diferentemente do pai, que iniciou a carreira em rádio, na Difusora Olímpica, no interior de São Paulo, Mauricio começou trabalhando na assessoria de imprensa da Federação Paulista de Basquete, por indicação do pai. Logo foi para a Folha da Tarde (atual Agora São Paulo), e passou a trilhar um caminho pelos grandes veículos da área: A Gazeta Esportiva, Lance, Rádio Bandeirantes, até chegar ao SporTV, onde atualmente é comentarista.

Ao longo da carreira que construiu até aqui, poucas vezes cruzou profissionalmente com o pai. Foram apenas alguns trabalhos que fizeram juntos, em revistas dirigidas que a empresa de comunicação da qual são sócios publica e em debates em programas de rádio e tevê. "Sempre aprendi muito nessas ocasiões".

Aprendeu, principalmente, valores que acha que hoje estão em falta no Jornalismo. "Havia mais lealdade e respeito entre os profissionais. Não existia tanta vaidade. Infelizmente, hoje, o garoto põe a cara na telinha da tevê e acha que é artista. Não somos artistas, somos jornalistas trabalhando em televisão, o que é muito diferente". O filho lamenta também que hoje, por causa da cultura do nepotismo na política brasileira, é "feio" seguir a carreira do pai. "Mas não é. Acho que é uma homenagem. Eu me orgulho".

"Eu queria ser veterinária"
(Teté Ribeiro, filha de Zé Hamilton Ribeiro)

Zé Hamilton e Teté Ribeiro
Quando criança, Teté Ribeiro, filha do repórter José Hamilton Ribeiro, do Globo Rural, queria ter um macaco como animal de estimação. Para tanto, aos sete anos, criou uma armadilha para capturá-los. Na escola, contou a experiência em uma redação. O pai achou aquilo tão engraçado que publicou o texto no caderno para crianças do jornal Dia e Noite, de São José do Rio Preto, que ele dirigia. Foi o primeiro trabalho que ela teve publicado. Apesar dessa experiência precoce, a decisão pelo Jornalismo aconteceu muito depois. "Eu nunca pensei que ia virar jornalista. Minha vida inteira queria ser veterinária. Mas acabei fazendo faculdade de Filosofia na USP".

Antes de se decidir, passou um tempo fazendo teatro e outro tanto afirmando com certeza absoluta que faria tudo menos Jornalismo. Sendo filha mais nova de um casal de jornalistas – a mãe, Maria Cecília, apesar de formada em Letras Clássicas, atua como jornalista – e com a irmã mais velha, Ana Lúcia, sempre decidida pelas redações, Teté agia como ovelha negra: "Meio que por rebeldia, queria ser diferente do resto da família. Mas sempre gostei de ler e escrever, então acho que estava só brigando com o 'sistema'".

Mas foi cursando Filosofia que descobriu sua paixão por Jornalismo. Aos 20 anos, e sem pressa de entrar no mercado, só aceitou a sugestão do pai de fazer umas traduções para a produtora Ver e Ouvir, de Narciso Kalili, seu colega em Realidade, que produzia o programa Globo Ciência, para ter um dinheiro para sair e viajar nas férias. "O ambiente de trabalho era cheio de energia, vivo, pulsante. Eu tinha que ficar meio período numa salinha no 2º andar vendo as matérias da CNN e traduzindo, mas com a festa que era o 1º andar, a redação do programa, eu não resistia e ficava lá mais tempo do que era preciso. Passei a estudar à noite e comecei a fazer reportagens. Migrei para o Jornalismo sem parar para pensar no assunto".

Com a transição natural, as oportunidades para o pai se opor à opção dela não existiram, ao contrário do que acontecera com a irmã: "Meu pai nunca foi a favor". Zé Hamilton falava que jornalista nunca ia se livrar de chefe e que era besteira entrar numa profissão sabendo disso. Apesar disso, ele nunca deixou de ser um repórter apaixonado. "Meu pai me fazia pensar que ser jornalista era uma coisa meio Indiana Jones, de grandes aventuras". Percepção natural para a filha de um jornalista ganhador de sete prêmios Esso e que há 26 anos é repórter do Globo Rural. "Quando era mais nova, achava que todos eram assim na profissão. A gente mudava de cidade porque ele ia dirigir um jornal em Ribeirão Preto, depois Rio Preto, depois Campinas, e aí era aquela movimentação: casa, escola e clube novos. Então, a gente chegava nas cidades com a impressão de que ele tinha ido lá encontrar um tesouro perdido ou salvar aquela cidade de uma situação injusta".

Atualmente, além de colaborar para a Folha, Teté é autora de livros como A Nova York de Sex and the City. E o mesmo Jornalismo que aproximou seus pais no elevador da Editora Abril, quando Zé era repórter de Quatro Rodas e Maria Cecília, revisora de Cláudia, também foi o responsável por sua união com Sérgio Dávila, correspondente da Folha em Washington.



"Nasci no meio jornalístico"
(Naomi Suzuki, filha da Nair Suzuki)

Quando Naomi e o irmão eram pequenos, a mãe, Nair Suzuki, os levava para a creche da Folha de S.Paulo, que ficava no mesmo prédio da redação. Assim, entre uma apuração e outra, podia descer e dar um beijo nas crias.

Com um pouco mais de idade, Naomi começou a acompanhar os plantões de fim-de-semana da mãe, agora dentro da redação de O Estado de S.Paulo. "Ficava brincando na máquina de escrever e achava o máximo quando eles discutiam a manchete e os títulos das matérias e no dia seguinte eu lia lá no jornal".

Acostumada com o ambiente das redações, Naomi não teve dúvida na hora de escolher a profissão. "'Nasci' no meio jornalístico e desde pequena acompanho a carreira da minha mãe". Apesar de saber que a escolha da filha era uma conseqüência natural da relação entre elas, Nair não gostou muito da idéia no começo, mas depois deu muita força. Falava para a filha que o jornalista trabalhava muito e não tinha horário. Mesmo convivendo com isso, Naomi queria mesmo era vivenciar o lado bom da profissão da mãe: "Ela também me falava que era uma profissão dinâmica, intensa e que exigia apuração dos fatos". E era isso que ela queria: ler muito, escrever bem, investigar a apurar os fatos.

Formou-se na Metodista e começou a trabalhar na assessoria de imprensa do Grupo Bandeirantes de Comunicação, com uma ajudinha da mãe, que conhecia a dona da agência. Antes disso, Naomi fez alguns trabalhos em revistas de moda e estagiou na agência Fonte de Comunicação.

Diariamente se espelhando na mãe e mentora, como ela mesma afirma, ainda conta muito com a opinião dela para tomar as suas decisões. Apesar disso, acredita que ser filha de Nair não atrapalha sua carreira porque trabalham em áreas diferentes: Naomi é assessora de imprensa na agência Comcept e Nair é editora-adjunta do caderno Negócios do Estadão. Além disso, a filha também é formada em moda pela Santa Marcelina: "O cliente que atendo aqui na assessoria é a Adidas; então consigo unir as duas coisas".

Desde cedo admiradora da carreira da mãe ("Espero ainda conseguir ser uma profissional tão respeitada quanto ela"), Naomi acredita que a principal diferença do Jornalismo de hoje e o de quando Nair começou é o avanço da tecnologia e, conseqüentemente, a velocidade com que as informações chegam e a rapidez das atualizações: "O Jornalismo hoje é globalizado".

"Tá bom, Mauro, já que você quer ser jornalista, só não seja esportivo"
(Mauro Beting, filho de Joelmir Beting)

Joelmir e Mauro Beting
Neto, filho, sobrinho, primo, afilhado, padrinho, irmão e marido de jornalistas, Mauro Beting diz ter sido maravilhoso fracassar na sua tentativa de se formar em Direito. Depois de terminados os cinco anos de faculdade, mas de ter sido reprovado em duas matérias, disse que o curso foi um embasamento cultural muito importante. Mas foi esse o motivo da sua opção definitiva pelo Jornalismo: "Aprendi a ler com jornais e revistas. Não tive escolha, tinha uma escola em casa".

Apesar disso, seu pai, Joelmir Beting, nunca disse nada que pudesse direcioná-lo nesse sentido. Na verdade, sua mãe é quem fez uma tentativa de impedir que ele fosse jornalista esportivo. "Ela só pediu uma coisa quando me viu dando aula de Jornalismo na faculdade: 'Tá bom, Mauro, já que você quer ser jornalista, só não seja esportivo’". O desejo da mãe só foi seguido no início da carreira, quando ele trabalhou com Política. Mas não teve jeito: a paixão pelo futebol falou mais alto e ele acabou indo cobrir esportes a partir de 1990.

"O jornalismo é uma profissão atraente", essa era a imagem que tinha enquanto acompanhava seu pai nos estúdios da Jovem Pan e da TV Record, o ajudava a passar cola nas laudas que desciam pelos canos para a edição da Folha e quando tentava falar com o pai absorto no trabalho ".

Joelmir Beting começou a exercer sua profissão no sistema de som da praça da matriz de Tambaú, cidade do interior paulista, e como secretário do Padre Donizeti. Na capital, iniciou a carreira como repórter de O Esporte e revisor do Diário Popular. Já a trajetória do filho Mauro começou na Cásper Líbero, onde iniciou o curso de Jornalismo que foi terminar na Fiam. Na vida profissional, começou a trabalhar na Band com a ajuda do pai: "Comecei como estagiário na Band, onde meu pai esteve por dez anos. Ele já era comentarista da Globo, mas eu conhecia muita gente por lá, pela amizade que tinham com ele".

Apesar de no princípio ter ajudado, o fato de ser filho de um jornalista tão conhecido tem seu lado negativo. "Até o fim dos dias irão dizer que só trabalho em duas rádios, duas revistas, quatro televisões, quatro sites e um jornal (tudo isso hoje) porque sou filho dele".

Há 13 anos, Mauro era comentarista do SporTV e da Rádio Gazeta e colunista da Folha da Tarde; tinha um ano de casado com Helen Martins, apresentadora e repórter do Globo Rural. Joelmir era comentarista da TV Globo e da rádio CBN e colunista de mais de 40 jornais. A admiração que tem pelo reconhecido trabalho do pai pode ser resumida em poucas palavras: "Joelmir é o melhor jornalista que um filho pode ter como pai e o melhor pai que um jornalista pode ser".

"Hoje as pessoas pensam muito mais no mercado"
(Mariana Nadai, filha de Elvira Lobato)

Na hora de escolher a carreira, Mariana Nadai, ficou em dúvida entre Jornalismo e História. Optou pela segunda alternativa, mas um ano depois pediu transferência para... Jornalismo. A mãe, Elvira Lobato, comentava com as amigas, em tom de brincadeira, que a filha gostava de vê-la sofrer e queria sofrer um pouco também. "Fiquei com essa impressão de que seria uma profissão onde estaria envolvida em muitas áreas diferentes, inclusive História". As impressões se confirmaram quando começou a estagiar na revista Brasileiros, depois de ter passado por Em Tempo, Gazeta de Pinheiros, Sala de Aula e Nova Escola. Ela diz que ser filha de jornalista tem algumas desvantagens: mesmo que a cobrança não seja externa, sente-se na obrigação de fazer um excelente trabalho "para que não nos comparem".

Para Mariana, a principal diferença entre o Jornalismo de agora e da época em que sua mãe começou é que antes as questões políticas eram muito mais presentes. "Minha mãe entrou no Jornalismo para fazer diferença, mudar algo em nosso País. Hoje as pessoas pensam muito mais no mercado".

Há 13 anos, Mariana, que hoje trabalha no Almanaque Abril, estava na 4ª série e Elvira no Klick Educação.

"Meu pai ficou muito feliz e orgulhoso"
(Herbert Henning, filho de Hermano Henning)

Herbert Henning estava nos Estados Unidos, há 13 anos, quando foi contaminado definitivamente pelo "vírus do jornalismo", como ele mesmo define. "Para me manter em Nova York, onde fui fazer cursos de cinema, acabei indo trabalhar numa produtora que fazia materiais de televisão e programas jornalísticos para o Brasil". Entre as produções estavam matérias para a TV Cultura, Manchete, Multishow e GNT, programas como o Manhattan Connection, e boletins para as rádios Eldorado, de São Paulo, Gaúcha, de Porto Alegre, e Novidade, de Manaus.

Mas mesmo antes disso ele tinha contato íntimo com o jornalismo. Filho de Hermano Henning, Herbert acompanhou de perto a carreira do pai, que fazia questão de levá-lo e ao irmão mais novo, André, que também trabalha na área, para dentro de estúdios de rádio e redações nas quais trabalhou. "Cheguei a fazer viagens profissionais com ele aqui no Brasil e no exterior".

As experiências foram inúmeras, curiosas e precoces. Antes dos 14 anos, Herbert contabilizava um vôo de helicóptero no Maranhão durante uma reportagem para a TV Manchete, um vôo de balão no interior de São Paulo, para uma matéria do Fantástico, e conheceu boa parte da Europa quando o pai era correspondente.

Mesmo novo não deixava de ajudar: "O que eu podia fazer era carregar equipamento de tevê e pequenas tarefas de 'assistente de produção', como comprar sanduíches e refrigerantes para a equipe". Por isso, quando comunicou seu pai da decisão, não ouviu nenhuma reprovação, pelo contrário, "ficou muito feliz e orgulhoso".

Herbert começou a cursar Jornalismo na Universidade Federal da Bahia, mas concluiu na Metodista de São Paulo. E iniciou a carreira no extinto Jornal da Bahia, como repórter de Geral. Antes, fez um estágio no escritório do SBT em Washington, que era dirigido pelo pai. Hermano começou a vida jornalística nos estúdios da Rádio Difusora de Guararapes, no interior de São Paulo, onde nasceu. Só entrou na faculdade muito tempo depois e, em vez de Jornalismo, cursou Direito.

Há 13 anos, Hermano preparava as malas para voltar ao Brasil. Eram seus últimos meses como correspondente da Globo nos Estados Unidos. Quando voltou à terra natal, tornou-se âncora de telejornais do SBT.



"Nunca houve diferença entre casa e trabalho"
(Juliana Kunc Dantas, filha de Audálio Dantas)

Juliana, Vanira e Audálio Dantas
"No café da manhã, o assunto sempre é jornalismo. No almoço e no jantar também", conta Juliana Kunc Dantas, estudante de Jornalismo da Cásper Líbero e filha de Audálio Dantas e de Vanira Kunc.

Fato curioso; o pai foi paraninfo da turma da mãe antes mesmo de se conhecerem. A opção pela carreira foi, portanto, um processo natural. "Não houve nem possibilidade de meus pais concordarem ou não com isso. Simplesmente aconteceu". A casa de Juliana sempre foi freqüentada por “dinossauros” como Ricardo Kotscho, Juca Kfouri, Ziraldo, José Hamilton Ribeiro, Caco Barcellos. As reuniões de família eram praticamente atualizações dos bastidores dos veículos. "Todo mundo tem novidades para contar. Minha família é quase uma redação inteira". Porque, além de seus pais, sua sobrinha é jornalista e radialista, o irmão e o tio, produtores de tevê, e o primo, cineasta.

Quando tinha quatro anos, Juliana aprendeu a passar fax para a mãe. Aos 14, ajudou a fazer assessoria de imprensa da exposição 100 Anos de Cordel, organizada pelo pai. Palavras como lauda, pauta e diagramação sempre soaram familiares. A responsabilidade foi aumentando... "Ficar vendo minha mãe escrever no conteúdo e na forma, acompanhar a correria de fechamento quando meu pai fazia matérias diárias para o Diário Popular foi determinante para a minha formação".

Juliana começou bem a carreira. Logo no primeiro ano de faculdade pegou uma carona com o pai no projeto de um livro de arte-reportagem sobre a vida e obra do escritor Graciliano Ramos. Embarcou ao lado dele e do fotógrafo Tiago Santana e os acompanhou nas visitas às comunidades alagoanas. Voltou e fez um making of de texto e foto para o site da faculdade.

Há 13 anos, Audálio se aposentou, mas nunca parou de trabalhar. Hoje, além de manter ao lado da esposa a empresa Audálio Dantas Comunicação & Projetos Culturais, é vice-presidente da ABI. Juliana estava apenas na 1ª série do Ensino Fundamental.

"Tenho que confessar: sou filha coruja mesmo"
(Mariana Kostcho, filha de Ricardo Kotscho)

Foi com o pai, Ricardo, que Mariana Kotscho aprendeu: o jornalismo é mais do que uma profissão – é uma opção de vida. "Quando pequena, eu adorava ir pra redação com ele. Ficava brincando de repórter nas máquinas de escrever. Nos plantões na Folha, por exemplo, eu e minha irmã escrevíamos historinhas para a Folhinha – isso com uns nove, dez anos". Uma das brincadeiras prediletas era fingir-se de repórter de televisão. Improvisava um microfone e saía entrevistando quem aparecesse na frente. Não por acaso, conseguiu realizar cedo o sonho. Assim que se formou, aos 21 anos, foi efetivada repórter da Rede Record, depois de quatro anos na rádio-escuta e uma passagem pelo SBT. "Ao contrário de muitos pais jornalistas, que dizem não desejar esta profissão para os filhos, tenho certeza de que, no fundo, meu pai ficou muito feliz. Ele adora a profissão que escolheu, é um jornalista apaixonado. Isso me fez ser também apaixonada pelo jornalismo. Ele acompanha minha carreira, mas não é de dar muito palpite – o que até acho bom..."

Mariana pegou algumas manias do pai. Quando morou no Ceará, pela Rede Globo, por exemplo, viajava para o sertão com uma pauta e voltava com cinco matérias. "Jornalismo na minha família até parece praga. Meu bisavô e minha tia-avó eram jornalistas lá na Alemanha. Meu pai e meu tio Ronaldo Kotscho (hoje na ESPN) se tornaram jornalistas aqui no Brasil – apesar de só terem aprendido a falar português depois dos sete anos (eles só falavam alemão). Tem ainda meu primo Diogo Kotscho, filho do Ronaldo, que trabalha como assessor de imprensa".

Ela se orgulha de nunca ter precisado pedir a ajuda do pai para conseguir trabalho. Nem furos de reportagem: "Quando meu pai era assessor de imprensa do Lula e eu ia fazer alguma reportagem lá no PT, acho que nem olhava na cara dele. Tinha medo de que as pessoas achassem que eu poderia ter alguma informação privilegiada por ser filha. E o pior é que acabava acontecendo o contrário... Ele chegava a passar algo exclusivo pra um amigo e não passava pra mim! ".

Há 13 anos, Mariana estava na Rede Record, como repórter. E o pai, no SBT.

"Você vai ter que trilhar seu caminho com as próprias pernas"
(Mateus Cripa, filho de Marcos Cripa)

No colégio, Mateus Cripa fazia um jornal com os amigos e professores que era sucesso de público. Bastou o pai, o jornalista Marcos Cripa, elogiar o trabalho para Mateus resolver que era aquela profissão que iria seguir.

Quando adolescente, apaixonou-se pelo cotidiano agitado do pai – "às vezes trabalhava de madrugada, às vezes de manhã" – e passou a visitar as redações para conhecer todas as etapas que o trabalho envolvia. Em casa, aproveitava os momentos em que o pai não estava para sentar-se à frente da máquina de escrever e imitá-lo: "Gostava muito de tudo o que ele fazia".

Ainda sim, quando contou ao pai sua opção ouviu alguns resmungos: "O trabalho é muito instável e mal remunerado". Marcos Cripa alertou-o também para as exigências cada vez maiores de um mercado cada vez menor. E deu um veredicto: "Você vai ter que trilhar seu caminho com as próprias pernas". O pai acha que é a melhor forma de ele entender e saber lidar com as dificuldades impostas pelo mercado. Por isso, o ainda estudante está à procura de um estágio.

Mas, mesmo assim, para o filho a ajuda do pai vai ser fundamental. "A faculdade é muito importante mas é na prática que realmente aprendemos". E experiência é que não falta para o pai, que já passou por praticamente todos os campos do jornalismo: assessoria de imprensa, assessor de campanha política, repórter de impresso, chefe de reportagem em televisão, professor e coordenador do curso de Jornalismo da PUC-SP, além de ser mestre em Comunicação pela USP.

Diante de toda essa bagagem, Mateus tem receio de ser constantemente cobrado para repetir o sucesso do pai. "Na faculdade, já exigem mais por ser filho do professor. Acredito que essa cobrança também vai se repetir no trabalho, mas espero que isso mude, porque é um peso e uma responsabilidade muito grandes". Entretanto, a experiência paterna ajuda na hora de tomar decisões e discutir sobre a profissão. "Conversamos sobre as mudanças e os rumos do mercado". Por isso, Mateus acredita que antigamente os jornalistas tinham mais vontade de informar realmente a verdade. "Hoje o jornalismo é muito comercial, cada vez menos informativo".

2º clichê: a 14ª história
Na ativa, mas de olho no legado do pai

(Antonio Biondi, filho de Aloysio Biondi)

Antonio Biondi, filho de Aloysio Biondi, está cursando Direito na USP. O segundo curso é, por assim dizer, uma bagagem extra. Jornalista formado pela ECA em 2002, ele tomou a decisão sobre a carreira que queria seguir ainda na escola, quando ficou fascinado pela experiência de fazer uma publicação – o Grito Escrito – do grêmio do colégio Gracinha. "Vi os efeitos que o jornal causou, como gerar debate, incomodar os acomodados, provocar mudança. E resolvi cursar Jornalismo. Depois de quase uma década estudando e trabalhando com isso, entendi que gostaria e poderia complementar minha formação no Direito. E hoje transito nesses dois mundos, mas mais para o Jornalismo". Ele e o irmão Pedro, também jornalista, e a irmã, Bia, que é música, sempre freqüentaram com prazer as redações por onde Aloysio passou. A molecada adorava circular pela Folha, Shopping News, DCI & Visão, Diário da Manhã...

Antonio trabalhou várias vezes com o pai. "Entre as mais marcantes, lembro-me do período em que colaboramos com o Shopping News, por volta de 1998, quando o jornal enfrentava mais uma dura crise, e tive a chance de contribuir com a editoria de Cidades, e aprender muito com ele. Junto comigo, foram alguns outros amigos da faculdade, que também aproveitaram a oportunidade. E, ainda mais importante, foi a chance de realizar com o Biondi a pesquisa para o livro O Brasil Privatizado, que vendeu mais de 140 mil exemplares". Ser filho de jornalista ajuda ou atrapalha na carreira? "Ajuda bastante e é algo que me honra e alegra. Mas não se trata de uma ajuda interesseira, de empurrõezinhos e coisas afins e sim de uma continuidade e proximidade naturais dessas relações. Hoje, cuidamos da memória do Biondi, por meio do projeto O Brasil de Aloysio Biondi, que pode ser conhecido pelo site www.aloysiobiondi.com.br".

Há 13 anos, Antonio estava terminando o 3º ano do colegial no Gracinha. E o pai estava voltando de Goiânia, após passar cerca de um ano à frente do Diário da Manhã.



 
13 histórias de mulheres jornalistas
Elas nunca foram tão poderosas

Na edição especial sobre o Dia Internacional da Mulher, publicada em março deste ano, J&Cia ouviu pessoas importantes do Jornalismo no Rio. Elas falaram de suas conquistas e do que faltava alcançar e, neste último quesito, um comentário recorrente foi o fato de haver ainda poucas mulheres em cargos de direção. Nos últimos 13 anos, J&Cia viu o panorama se alterar para melhor. E foi buscar agora 13 mulheres (estão numeradas por ordem de citação de 1 a 13) que chegaram lá, para contarem o que mudou no decorrer desse tempo, em um mosaico de opiniões. O texto é da editora regional deste J&Cia, Cristina Vaz de Carvalho

Nas revistas, maioria esmagadora

Chama a atenção o fato de, pela primeira vez no Rio, três das principais revistas semanais serem dirigidas por mulheres. Por ordem de chegada, temos Eliane Lobato na IstoÉ, Lucila Soares na Veja e Ruth Aquino na Época.

Eliane Lobato (1) está há oito anos em IstoÉ, os dois últimos como chefe de Redação do Rio, substituindo Aziz Filho. Ela comenta: “Demorou, hein? Veja tem 40 anos, IstoÉ, 35 e Época, uns 10 anos. Acho que é um marco, mesmo”. E lembra: “Uma revista importante, CartaCapital, é a única dirigida por homem, o Maurício Dias”. Sobre os motivos para essa mudança, Eliane diz: “Sinceramente, credito ao Carlos Marques, diretor Editorial da Três, ter sido o primeiro a entregar uma revista a uma mulher, a investir na força da mulher. Podemos perguntar: por que nunca antes? Em décadas e décadas, com certeza houve outras competentes, antes de nós. No começo, eu achava as redações lotadas e loteadas, porque nós significávamos mão-de-obra mais barata. Hoje isso mudou, temos cargos e salários compatíveis com os dos homens. E vejo que há mais investimento na capacitação profissional, independentemente de gênero”.

Lucila Soares (2), que entrou na Veja em 1999, chefia a sucursal desde outubro do ano passado e procura dar continuidade às mudanças iniciadas por seu antecessor, Lauro Jardim. Também na Veja Rio, a redatora-chefe Cristina Grillo (3) exerce um cargo inédito para o gênero. “Sinal dos tempos que tenha aumentado o número de mulheres. Acho isso uma coisa muito bem-vinda, mas não necessariamente perseguida. O importante é ter pessoas competentes e sérias nesses cargos, e as mulheres poderem competir numa situação que leva em conta suas credenciais profissionais. Mas o que está acontecendo nas sucursais do Rio é completamente atípico, uma coincidência. Não se podem fazer ilações a partir desse número”, acredita Lucila. Indagada sobre a quebra de barreiras para as mulheres chegarem aos altos cargos, ela analisa: “O que existia era uma avaliação de que mulheres não tinham, digamos, personalidade talhada para comandar. Podiam ser muito competentes, mas os cargos de comando exigiam características – como firmeza e liderança – que não eram consideradas próprias da condição feminina. Mais do que qualquer outra coisa, isso está mudando, e também em relação aos homens. A moderna gestão de RH exige deles características que não são consideradas masculinas. Entram na roda habilidade para negociação, flexibilidade, sensibilidade. É o começo de um caminho”.

Ruth Aquino (4), depois de passagem pela sede de Época em São Paulo, como redatora-chefe, assumiu em meados deste ano a direção no Rio, cargo que acumula com a coluna Nossa Antena, na revista. O colunismo deve ser uma experiência inédita para ela, mas o mesmo não pode ser dito sobre o cargo. Entre 1996 e 2000, Ruth foi diretora de Redação de O Dia. Naquele tempo, em todo o Brasil, além dela havia apenas outra mulher no comando de uma redação, em Fortaleza. Muitos(as) acreditaram que, após as pioneiras, outras viriam, o que não ocorreu. Nos jornais, várias mulheres freqüentam o aquário, mas hoje não há, no Rio, diretoras de redação.

Jornal, televisão, rádio, internet – elas estão em toda parte

Gigi Carvalho (5), diretora-presidente do Grupo O Dia, herdou a empresa de seu pai, Ari Carvalho. Apesar da longa convivência com as questões da mídia – além de filha de Ari, foi casada com Walter de Mattos Jr., hoje dono do Lance – Gigi nunca tivera trabalho remunerado. Como ela mesma admitiu, em público, por ocasião do lançamento do tablóide Meia Hora, sua formação era de esposa e mãe. Mesmo assim, assumiu o posto no início de 2004. Para resolver algumas questões familiares, poderia ter contratado um administrador profissional, mas não o fez. Sob seu comando, além de lançar o novo jornal popular, a redação já passou por duas reformulações, a empresa contornou problemas financeiros. Para 2009, está prevista a mudança de formato físico de O Dia, de standard para um berliner adaptado às condições da gráfica. E Gigi continua a lutar com bravura. Numa entrevista a Veja, em março do ano passado, definiu seu posicionamento pessoal: “Continuamos com a cara pintada, prontos para a guerra (do mercado)”.

Experiência profissional era o que não faltava a Alice Maria (6), diretora-geral da GloboNews, quando Evandro Carlos de Andrade a convidou, em 1996, para participar da montagem do primeiro canal brasileiro de tevê allnews. O projeto completa 12 anos e Alice Maria hoje colhe os frutos da maturidade do canal, que se confunde com a própria tevê paga no Brasil, enfrentando os desafios da concorrência e da renovação interna.

Paula Cesarino (7) dirige, há cerca de cinco anos, a Folha de S.Paulo no Rio, para onde veio substituir Marcelo Beraba. Em sua gestão, a sucursal ampliou a presença do Rio no jornal, valorizada por prêmios importantes da nossa imprensa. Até fevereiro, Paula faz um curso na Europa; cumpre o período sabático com que a Folha premia por tempo de casa seus principais colaboradores. Da mesma forma, Heloísa Magalhães (8), chefe de Redação da sucursal do Valor Econômico desde que o jornal foi fundado, em 2000, pode se orgulhar do conceito de que desfruta a equipe sob seu comando.

Ana Branco
Desde fevereiro de 2002, Mariza Tavares (9) é a diretora-executiva da CBN, braço do Jornalismo para todo o Sistema Globo de Rádio. Ela constata: “Vejo nas redações um número cada vez maior de mulheres. Na direção, ainda não, mas isso aumenta com muita velocidade. É o caminho natural, desde que as mulheres deixaram as baias dos cadernos femininos. Antes, chegavam até determinado patamar, apesar do número de anos dessas mulheres nas chefias. Houve uma leva de desbravadoras. É um processo”. Atualmente, porém, não nota diferença de tratamento: “Nas chefias, são poucos os postos e, hoje em dia, o que conta é a meritocracia. As redações chegaram a tal nível de complexidade que é preciso tecer uma rede de várias competências”. Mariza ressalta ainda as diferenças regionais: “Quem chefia nossa regional Rio é uma mulher, das mais jovens, a Carolina Morand. Minha única tristeza é ver esse quadro ainda muito restrito ao Rio e São Paulo. Faço palestras País afora e noto a ansiedade de quem está no interior. Espero que esse exemplo positivo possa ser capitalizado por mais mulheres”.

Raquel Almeida (10) é a gerente de Plataformas Digitais da Infoglobo, cargo que assumiu no início deste mês, depois de editar o Globo Online – marca que deixa de existir a partir desta semana – desde 2004. Ela responde agora pelo conteúdo, nos diversos suportes que não o papel, dos jornais O Globo, Extra, Expresso e Diário de S.Paulo. Raquel lembra: “Quando comecei, 16 anos atrás, já havia muitas editoras, mas os aquários ainda eram masculinos. Agora há mulheres em praticamente todos eles, mas poucas na direção. Acho que isso mudou tão pouco... É maior a presença das mulheres em cargos de liderança, mas o cenário ainda é muito masculino. Felizmente, estamos caminhando”. Vê, porém, sinais claros de mudança: “Na empresa, temos mulheres em postos importantes: Ana Paula Pessoa, diretora corporativa de Recursos Estratégicos, e Sandra Sanches, diretora-executiva de Negócios da Unidade Globo. Não é por ser mulher ou homem, o importante é buscar a melhor composição para o produto. A busca é por qualidade mesmo, conhecimento, por caber naquela função”. Ela vê a ascensão das mulheres ligada também às grandes mudanças ocorridas nas redações: “Talvez uma razão para isso seja a rotina de produção que o Jornalismo exige. As novas tecnologias obrigam a adotar nova rotina, o negócio também prevê isso. O olhar multifunção é uma característica feminina, porque as mulheres foram e são multitarefas o tempo inteiro.”

Nas associações de classe, elas já têm tradição

Suzana Blass
Suzana Blass (11), presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, repete a tradição de uma entidade com forte presença feminina que teve, antes dela, Janice Caetano e a pioneira Beth Costa, mais tarde presidente também da Fenaj. Suzana fala de sua trajetória: “Não estava nos meus planos, de jeito nenhum. Ao montarem a chapa que concorreria à eleição, meu nome foi consenso, pois queriam alguém sem ranço, e eu tinha trânsito bom entre Sindicato e redação. Nunca tive atuação partidária; no auge da militância, era ainda muito jovem. Fui à Passeata dos 100 Mil com a minha escola, e tinha apenas dez anos de idade”. Ao listar as características das mulheres no comando, lembra a ruptura de sua geração: “A mulher é mais executiva, arregaça as mangas e faz as coisas, tem uma certa ansiedade para ver os resultados. Além disso, a maturidade nos dá mais elegância para lidar com as questões. Nossa geração de mulheres teve que brigar muito, por tudo. Éramos contestadoras, sempre quebrando alguma regra. Tomamos uns trancos, mas conseguimos muita coisa”. E conclui: “Viver esta posição tem sido muito rico para mim. Eu estava do outro lado, reclamando. Agora, chegou minha vez de conviver com a rejeição”.

A Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira empossou em agosto Alícia Martínez Pardíes (12), correspondente da agência italiana Ansa. Ela sucedeu a Paula Gobbi na Presidência da entidade, da qual já foi vice-presidente.

Na Abraji, do Jornalismo Investigativo, Angelina Nunes (13) substituiu o fundador Marcelo Beraba em janeiro deste ano. Ali, metade da diretoria é composta por mulheres. “Nas redações, no mercado, é crescente o número de mulheres, e assim, é natural que ocupem mais postos de comando”, diz Angelina. Mas nem sempre foi desta maneira: “Quando me formei, só tive chefes homens, na tevê, no rádio, em jornal. Nos anos 80, cheguei a ouvir: ‘Gosto de trabalhar com mulher porque faz serviço de Rolls Royce por um salário de Fusca’. Hoje isso mudou; pelo que posso ver, para cargos iguais, os salários são iguais. Mas somente de uns 15 anos para cá as mulheres começaram a ocupar os cargos de chefia. E as vejo cada vez mais nesses cargos”. Mesmo considerando as peculiaridades de sua área, o Investigativo, ela vê igualdade no trato dos gêneros e lembra, como Mariza Tavares, a distância que existe entre as mulheres dos grandes centros e o resto do País: “Acho que o meio jornalístico é um meio masculino. Exigem-se respostas imediatas, tem que ir muito para a rua, há o risco de sofrer violência. Mas as mulheres que pegam no pesado – e na área de Polícia elas são muitas – são recompensadas do mesmo jeito. A possibilidade de ascensão está vinculada à competência. Sempre galguei minhas posições por merecimento, e nunca fui discriminada, nem quando estava grávida. Mas sei que, no interior, tudo é mais difícil”. De forma semelhante à presidente do Sindicato Suzana Blass, de quem é amiga, Angelina coloca lado a lado características como tenacidade e conciliação: “Mulher, quando pega uma tarefa, vai até o fim. Por questões de trabalho mesmo, sem precisar forçar. A experiência traz isso para a gente: não dá para brigar por qualquer besteira”.

 
13 histórias de casais de jornalistas
Amor, eterno amor... posto que é chama, que seja infinito enquanto dure

O amor é lindo. Entre jornalistas, mais ainda. Opa! Devagar com o andor que o santo é de barro! Ter um casamento feliz e duradouro entre parceiros em geral ansiosos e dedicados a uma atividade estressante como jornalismo é coisa para psiquiatra analisar. Aliás, entre os casais, tem uma que abandonou as redações para clinicar. Quem sabe Mara (ou Freud) explique. Abaixo, você confere 13 histórias de amor, de carinho, de compreensão de gente que se aproximou pelo jornalismo, dele tirou o sustento, ao menos por uma boa parte do tempo, e, contrariando a lógica, continuam juntos – até prova em contrário –, muito bem casados. Os textos são de Célia Chaim, exceção dos dois últimos, escritos por Eduardo Ribeiro.

Casamento na presença dos filhos
Andréa Assef e Biô Barreira

A “igreja” que une jornalistas é a redação. Foi na redação da IstoÉ Dinheiro que Andréa encontrou Biô, editor de Fotografia. Eles acabam de se casar, na presença de seus quatro filhos: Marcelo, filho do primeiro casamento de Biô; Mariana, também filha de um casamento anterior de Andréa; e Isabel e Nina, filhas dos dois. O Jornalismo os aproximou, só isso. Andréa e Biô não acordam e dormem pensando no trabalho. Ela, hoje na Letras & Lucros, filha mimada de Osvaldo Assef, especialista em relações públicas, e da jornalista Lídia Neves, continua sendo mimada e “cheia de novidades”. Dizer que não sabe fazer nem café não é subestimá-la. "Não sei nada de cozinha e não quero aprender", diz sob o sorriso de Biô. Anos atrás, ela comia mais que um bebê aqueles potinhos de comida para crianças. "Agora ele não deixa". Ela encontrou seu verdadeiro parceiro; ele começou a viver uma história de amor com a mulher adorável, criativa, inusitada, competente e fora da ordem que passou por várias redações.

Parceiros no trabalho
Eduardo Elias e Carla Gomes

Os dois batem um bolão na ESPN. Os dois chamam a atenção pela beleza e pelo talento. Edu é um curinga indispensável, capaz de juntar em qualquer rua, inclusive da China, os piores chutadores, homens e mulheres que aceitam fazer a brincadeira, e permitem criar um quadro muito divertido para a tevê. Ni-Hao, sucesso enorme como mascote olímpico da emissora, foi seu companheiro na visita à Praça da Paz Celestial para procurar pelo atleta do século em um evento. Capaz também de ser o condutor de um programa (apresentador não, êta palavrinha feia!), de fazer rir, brincar, informar e até conquistar Carla, repórter que enfrenta com categoria até os mais raivosos técnicos sem recorrer a nenhuma artimanha feminina para conseguir a informação. Pergunta o que quer, às vezes ouve o que não quer, mas não desiste. No trabalho são parceiros, jamais marido e mulher. Eles se conheceram no Rally dos Sertões em 2003, mas só se reencontraram em 2005 na ESPN. Cada um viaja a trabalho para lugares diferentes. Um impulsiona o outro. E o ciúme, aquela quase inevitável praga, fica para trás.

“Um entende a vida maluca do outro”
Oscar Pilagallo e Beatriz Alessi

Oscar, jornalista que se bandeia para a categoria de escritor, conheceu Beatriz na BBC de Londres. Ele fazia as suas transmissões num estúdio envidraçado quando viu Beatriz passando do outro lado do vidro. Passou uma, duas, e ele no ar. Só então se conheceram. Estão casados desde 1991, pais de Sofia, 13 anos. É a terceira união dele, a que deu certo. “Acho ótima a união entre dois jornalistas porque um entende a vida maluca do outro”. Ela trabalha com Ana Paula Padrão na produtora Tuareg, que faz o SBT Realidade. Ele fez livros para a Folha de S.Paulo e, ao que parece, não quer mais voltar ao dia-a-dia das redações. A casa que morou em Londres está alugada, para pagar o financiamento – que lá sai sem nenhuma burocracia. Da sua passagem pela capital inglesa ele não esquece que trabalhamos juntos, ilegais, como garçons de um hotel de “médio fino trato”. Ele me socorria quando eu perdia paciência com um hóspede, soltava alguns palavrões. Em troca, ao final do café da manhã, eu passava o hoover (aspirador) no salão. Como garçons provamos para nós mesmos que o nosso negócio era ser jornalista (embora eu, num outro hotel, igualmente ilegal, tenha recebido a proposta de ser promovida para cuidar da limpeza apenas do 4º andar).

Bem-sucedidos, com e sem patrão
Joaquim Castanheira e Angélica Consiglio

Os dois trabalham em áreas diferentes, ele editor-executivo da IstoÉ Dinheiro, ela fundadora da Planin, em 1993, empresa que começou na área de assessoria de imprensa e hoje integra o Worldcom Public Relations Group, um dos mais importantes grupos independentes de agências de relações públicas do mundo, com presença direta em 43 países. Ela e Joaquim não têm filhos, “o que é até bom para nossa rotina de trabalho”, diz. “Viver com um jornalista é bom também porque os dois entendem as exigências da profissão”. Ciúmes, Angélica admite ter. Vai explicar para ela que esse ciúme não tem sentido, dado que ela é mais jovem e também é bem sucedida com a sua “butique” de comunicação, que ela mesma criou. E ele (sorry, Joaquim!), é bem-sucedido mas tem patrão.



Melhor mesmo é comer fora
Dario Palhares e Adriana Teixeira

Quem tem alguma intenção de casar com uma jornalista e esperar dela um prato de comida nas noites de 2ª a 6ª, desista. Nove entre dez não cozinham. Na casa de Dario, sócio na Grecco Comunicações, e Adriana, editora de Variedades do Diário de S.Paulo, a regra é confirmada. Ela sai tarde do jornal e não se formou em “prendas domésticas”. Ele aprendeu alguma coisa (quem diria, Dario!), mas o melhor mesmo, para os dois, é comer fora de casa. Em seu segundo casamento, ele e ela não carregam atritos pelas peculiaridades dos horários e não perdem muito tempo em casa falando sobre os respectivos dia-a-dia. Requisito básico para esse tipo de união: não ter – ou engolir – ciúmes. Outro adotado pelo casal Dario e Adriana: sobrando tempo, esqueça a rotina do jornalismo no cinema ou em viagens.

Milton no fogão, Suzana na adega
Milton Gamez e Suzana Barelli

“Não viemos aqui pra namorar, tá certo?” É assim que esse casal de jornalistas, com 11 anos de união, se cruza entre as revistas IstoÉ Dinheiro e Menu, da Editora Três, várias vezes por dia. Miltinho é economia pura. Suzana, ex-repórter de Economia na Folha de S.Paulo e no Valor Econômico, especializou-se em gastronomia e também é mestre em vinhos. Quem vê Miltinho, sério, diante do computador, quem sabe escrevendo sobre a crise americana, não imagina que, aos domingos, possa encontrá-lo pilotando o fogão. A comida é dele, a escolha do vinho é dela. O bom – para ele – é que a revista que ela dirige traz das mais simples às mais elaboradas receitas. Calma Miltinho! Vem tudo escrito, passo-a-passo, pra você nunca perder a mão. Os dois, vez por outra, podem ser encontrados num prazeroso café da manhã, na Padaria Euroville, no bairro da Pompéia, onde moram, e que também é ponto de encontro de muitos outros jornalistas da região.

“A gente enxerga o mundo da mesma maneira”
Eduardo Oinegue e Silvana Quaglio

Casados há 22 anos e, segundo ela, “todo esse tempo porque nós dois somos tinhosos”, Eduardo e Silvana têm um longo currículo profissional em grandes veículos de imprensa. Trabalham juntos e por conta própria há apenas três anos, na Análise Editorial, empresa superespecializada que produz, entre outras coisas, anuários setoriais em áreas como advocacia, medicina, gestão ambiental e companhias abertas. É fácil trabalhar com marido jornalista, sendo você da mesma profissão? Silvana não fica em cima do muro: “Não! Acho que ser da mesma profissão do marido não é fácil, embora nesse meio isso seja muito comum. Talvez porque provavelmente se entenda melhor sobre a rotina do trabalho”. Os dois se conheceram na PUC, ela de manhã, ele à noite. Envolvida na política estudantil, essa diferença de "turno" não atrapalhou. "No finzinho do curso a gente se encontrou para ficar juntos”. Cada um defendendo as suas idéias, que não eram sempre convergentes, deu certo. “A gente enxerga o mundo da mesma maneira. O tipo de dedicação que você tem que dar a seu trabalho, seus horários. Não vou dizer que nas outras profissões as pessoas não se dediquem, mas a nossa vida é diferente, não tem hora para nada”. Silvana é do tipo que gosta disso. Ele também, tanto que concordou em ter filhos depois de dez anos de casados. Tiraram o atraso e tiveram três: Marina, 12 anos, André, dez e Marcelo, seis. Ela não deixa por pouco: “Todos eles são Quaglio Oinegue”.

A tevê desligada
Marco Antonio Sabino e Luciana Bonafé

Eu o conheci como Sabininho, um repórter e tanto que certo dia me perguntou alguma coisa parecida com “o que eu vou ser quando eu crescer?, Ou seja, aqui na revista (Exame) meu futuro é ser editor, como você?” “Pelo que imagino, Sabininho, seu destino será mais ou menos esse”. Ele foi franco: "Não é isso que eu quero”. Se alguém pensou que eu iria ficar brava com ele, se enganou. Dei a maior força, sem que ninguém soubesse. Passado pouco tempo, assistindo tevê, vi meu Sabininho alçar seu primeiro vôo como repórter. A ousadia, que poderia parecer pretensão a outros olhos, para mim foi uma alegria sem tamanho. Não é que o meu Sabininho estava se tornando dono de seu próprio percurso profissional? E foi nesse percurso que ele encontrou Luciana Bonafé, pauteira dos três primeiros jornais da TV Globo.

Os dois se conheceram na Rádio Bandeirantes. Ela apresentava jornais à noite; ele, chefe de Reportagem, chegava na hora em que ela saía, às 7 da manhã. Foi antes do sol raiar de verdade que começaram a se cobiçar. Ela casou, descasou, ele noivou e desnoivou, até que há dez anos se casaram. É uma tragédia, ele admite, "mas jornalista, para dar certo, a união tem que ser com pessoa da mesma profissão”. Por quê? “Uma das coisas, responde Sabino, se você não for médico e chegar em casa tarde, como é habitual para jornalistas, sua mulher vai achar que você tem uma amante. Em casa somos um fiasco. Minha mulher brinca comigo assim: quando ela precisa trocar uma lâmpada pede para o marido da empregada fazer o serviço. 'É o marido de aluguel'”. A televisão nova, cheia de botões, último tipo, ficaram só olhando, desligada. Não sabiam qual botão apertar. Logo, logo, a filha do primeiro casamento de Luciana, Luísa, vai dar um banho em vocês – os dois jornalistas que sabem muito o que escrever, o que pautar, o que ler, opinar, discutir, vão aprender com ela como é fácil lidar com essas coisas de “tecnologia”.

Sabininho tem hoje 42 anos e Luciana, que disse “chega!” ao jornalismo para cuidar de Luísa, 41.

Desligar? Só ouvindo um bom rock‘n'roll
Christian Morais e Kátia Morais

Também este J&Cia tem lá suas peculiaridades familiares influenciadas pelo Jornalismo. A editora regional Kátia Morais, que semanalmente envia as novidades da Capital da República, divide o mesmo teto com o atual coordenador de Jornalismo da Câmara dos Deputados, Christian Morais (bingo!!!) há 13 anos. Quando nascíamos como FaxMOAGEM, eles celebravam no Rio uma união que, mais tarde, os levaria a Brasília, fruto de um concurso prestado por Christian. Diz Kátia: “É meio assim, como na música Catavento e Girassol, de Guinga e Aldir Blanc, interpretada por Leila Pinheiro: ‘...meu catavento tem dentro o que há do lado de fora do teu girassol. Entre o escancaro e o contido, eu te pedi sustenido e você riu bem...’ – muitas semelhanças e diferenças, que no fim das contas, até agora 13 anos de união, acabam rendendo aprendizagens. Traduzindo em miúdos, o cotidiano, nesses bons anos, são de cumplicidade, de velhos amigos. A semelhança na profissão só facilita certos diálogos, e esses são explorados com capricho.

Trocamos idéias e ajudamos um ao outro, mais em conceitos do que na prática, pois temos tarefas diferentes a cumprir, eu uma free-lancer, que trabalha em casa, e ele um coordenador de Jornalismo da Câmara dos Deputados, que corre com o dever pra cumprir. O dia-a-dia é movimentado, com muitas informações. Aqui em casa, lê-se até bula de remédio, por conta do Christian. Há disputas pela palavra, ou um cantinho de silêncio pra ler ou apenas pensar um pouco. Em momentos especiais, como o de eleições, ou de acontecimentos relevantes do País, dorme-se e acorda-se respirando política, pois ouve-se todos os noticiários, pronunciamentos, entrevistas etc. ... Pra desligar um pouco, há que se sair de casa ou se trancar num quarto, ouvindo um bom rock‘n n'roll.

A vida é bela fora da redação
Laurentino Gomes e Mara Ziravello

Se você acredita que não consegue viver fora de uma redação, leia a história de Laurentino Gomes, 31 anos de profissão, sempre em posições na ponta dos expedientes, aquelas em que jornalistas ganham dinheiro, prestígio (ou desprestígio), e de Mara Ziravello, também jornalista por 25 anos. Curiosamente, ambos foram casados anteriormente com jornalistas. O destino quis que a união de ambos passasse novamente por essa provação. Deu certo. Estão juntos já há muitos anos.

Sabiamente, ele decidiu largar tudo para escrever livros de história e perambular pelo Brasil, como se estivesse na caravana do filme Bye-Bye Brasil, para fazer palestras – não daquelas chatas, a que se vai por obrigação e senta-se bem no fundo do auditório para cochilar ou sumir quando quiser. Quem um dia na vida assistiu a uma palestra chata, que não acaba nunca, sabe do que se trata. Laurentino também.

Mara, jornalista em ação por 25 anos, exerce hoje o trabalho de psicóloga e estuda psicanálise. "Tanto no meu caso quanto no dela, o Jornalismo nos deu uma vida muito rica, um mergulho profundo em realidades muito diferentes, um conhecimento geral que te capacita a fazer qualquer coisa na vida”. A decisão de sair das redações sem deixar de ser jornalista fez bem para os dois. O livro 1808, de Laurentino, já vendeu mais de 400 mil exemplares no Brasil e em Portugal. A vida é mais leve e o tempo mais longo.

Bye-bye fechamentos.

Medo de avião
Fernando e Claudia Calazans

Ele é considerado um dos melhores, se não o melhor, colunista de Esportes do País. Escreve no jornal O Globo, mas sua coluna é diferente de tudo o que tem por aí. Fernando não fala muito, mas quando escreve é afiado. Não bajula, não se impressiona quando um jogador de uma hora para outra vira craque, desanca cartolas, não escreve sobre aquelas táticas com que o treinador explica. Ler o Calazans é uma delícia, mesmo para quem não é muito ligado em futebol – o que é bem difícil no Rio de Janeiro do Flamengo. Ele e Cláudia, que trabalhou em assessoria de imprensa, pesquisas, se conheceram numa festa, da maneira mais enviesada possível, através da irmã dela, que trabalhara com ele nos bons tempos do Jornal do Brasil. Vão fazer 20 anos de casamento em março.

“Quando éramos namorados eu era redator e ficava até tarde no jornal, mas depois a gente saía para comer e beber alguma coisa. Ela ia me buscar”.

Em casa, não falam sobre o trabalho, especialmente o dele, onde reina o futebol. Sem filhos, viajam nas férias para a Europa e, tudo indica, levam uma vida muito boa, harmoniosa, ajudada, com certeza, pelo enorme respeito mútuo. A fraqueza do marido de Claudia: tem medo de avião. “De avião não, ele diz, de aeroporto, mas confesso que sou preguiçoso”.

Respeito mútuo
Carlos Sambrana e Lygia Rebello

Ele é quase um garoto-prodígio. Quando muitos imaginavam que, jovem jornalista, tinha arrumado emprego na revista IstoÉ Dinheiro porque sua irmã era casada com o chefão, mostrou que não estava ali pelo emprego, mas pelo trabalho de jornalista que começava a exercer. Por não se aproveitar em nenhum momento do quase parentesco, Cacá, como é chamado, deu exatamente o que se chama “volta por cima”. Cresceu ali e fora. Voltou sem que ninguém desse um pio sobre qualquer forma de privilégio.

Casou em 2006 com Lygia, que trabalha para na Folha Universal. Os dois são jovens (têm 29 anos), mas aprenderam que o segredo da vida é o respeito mútuo. "O que não é diferente em muitas outras profissões e em outros casamentos", diz Cacá.

Jornalismo sim, mas sem obsessão
Everaldo Gouveia e Arlete Taboada

Eles se conheceram na faculdade, origem, aliás, de muitos casamentos – inclusive dos inúmeros que não dão certo, por acontecerem antes do tempo. Mas no caso de Everaldo Gouveia e Arlete Taboada a história foi diferente. Começaram a namorar no campus da UMC, em Mogi das Cruzes, em 1989, continuaram in love mesmo após mudarem de turma e estão juntos até hoje, muito próximos das duas décadas de união. Nada de formalidade, estão juntos por opção mesmo. Entre as coisas marcantes, Everaldo lembra da viagem que fizeram logo após a formatura pela América, deixando todo o resto para trás. Antes de retornar a São Paulo, decidiram viver em Manaus e lá moraram por um ano e meio. Em São Paulo, seguiram carreiras distintas, ela mais focada em assessoria de imprensa e ele, em redação. Foi durante muitos anos do Diário Popular/Diário de S.Paulo e por aquele jornal acabou, após alguns anos na diretoria do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, ocupando a Presidência da entidade, em duas gestões, nos anos 1990. Foram tempos difíceis, mas também recompensadores, sobretudo pela compreensão da parceira, que garantiu a ele a força necessária para seguir até o fim. Hoje Everaldo integra a equipe de comunicação da campanha de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo e Arlete é professora do curso de Rádio da Universidade São Judas, ali discorrendo sobre parte da experiência vivida nos tempos de Excelsior e Eldorado. Não têm filhos nem parentes próximos atuando no Jornalismo. Jornalismo? Sim, gostam muito, é óbvio, mas não é obsessão. Chegam até a dedicar parte do tempo em que ficam juntos para trocar informações e conselhos sobre as atividades recíprocas. Mas sem qualquer exagero. Afinal, a vida é feita também de outros desafios e prazeres.



 
13 anos de fatos e faltas
O que vimos nascer e morrer em 13 anos de vida

Agora você acompanha uma seleção de alguns acontecimentos marcantes noticiados por J&Cia nesses seus 13 anos e de perdas de companheiros que se foram nesse período (com antecipados pedidos de desculpas por excessos ou omissões), trabalho feito sob a coordenação do editor-executivo Wilson Baroncelli com a colaboração do assistente Luiz Gustavo Anversa

Os fatos

Entrou no ar em 15/10/1996 a GloboNews, canal de tevê por assinatura da Globo dedicado 24 horas por dia ao jornalismo. Desde então, o comando do canal está nas mãos de Alice Maria.

Chegou às bancas no dia 19/10/1997 o diário esportivo Lance!, que Walter de Mattos Jr. montou após deixar O Dia. É atualmente o principal jornal esportivo do País.

Em 22/5/1998, foi a vez da revista Época, que chegava para concorrer diretamente com Veja e IstoÉ. Os alvos principais eram os 340 mil leitores que semanalmente compravam revistas nas bancas, ao sabor de seus próprios humores.

Após completar três anos de existência, a partir da edição 154 (7 a 13/10/1998) o FaxMOAGEM passou a se chamar Jornalistas&Cia, título que o colocou em sintonia ainda maior com seu público-alvo e com o mercado.

A TV Globo inaugurou sua nova sede em São Paulo, no aniversário da cidade, em 25/1/1999, com a estréia do Jornal Hoje, produzido e apresentado da capital paulista. Como âncora, a também editora-executiva Sandra Annemberg.

Cercado de rigoroso sigilo, foi lançado em 22/3/1999 o Agora São Paulo, jornal do Grupo Folha que substituiu a Folha da Tarde. O editor responsável era Nilson Camargo, egresso da FT, que lá permanece até hoje.

João Roberto Marinho (Organizações Globo) e Luís Frias (Grupo Folha) anunciaram no dia 10/10/1999 que as duas empresas lançariam, juntas, um novo jornal de Economia no 2º trimestre de 2000, com investimentos de R$ 50 milhões e sede em São Paulo. Ainda sem nome definido (seria o Valor Econômico), o novo diário, formato standard, fruto dessa parceria inusitada, empregaria cerca de 300 pessoas, metade delas na redação. A previsão era de que atacasse diretamente a Gazeta Mercantil, havia anos em relativo sossego, e desse um “chega pra lá” nos projetos de Orestes Quércia, então dono do Diário Popular, de lançar o seu próprio jornal de Economia (ele adquiriu o DCI – ver nota mais à frente). Quércia acabou criando o Panorama Brasil, com Roberto Müller Filho no comando, veiculado apenas na internet.

Em 29/3/2000 entrava no ar o portal iG (internet grátis), projeto vinculado ao GP Participações, do Banco Garantia. À frente do empreendimento, que prometia balançar os conteúdos editoriais até então oferecidos na internet, Aleksandar Mandic, criador do primeiro provedor de acesso brasileiro, e Matinas Suzuki Jr., egresso da Folha de S.Paulo.

Num trágico episódio, Antônio Marcos Pimenta Neves, então diretor de Redação do Estadão, assassinou sua ex-namorada e repórter do jornal, Sandra Gomide, em 20/8/2000. Pimenta deixou o jornal e desde então entrou numa maratona jurídica que tem garantido, de forma provisória, sua liberdade. Em abril de 2001 o Diário Popular, de São Paulo, então com 116 anos, passava às mãos das Organizações Globo. As negociações tiveram pouquíssimos movimentos públicos, como a presença de Roberto Irineu Marinho na inauguração do novo parque gráfico do jornal de Orestes Quércia, um ano antes. Assumiu como novo diretor-superintendente o espanhol Juan Ocerin. O jornal viria posteriormente a mudar seu nome para o atual Diário de S.Paulo.

O final de 2001 e os anos de 2002 e 2003 foram marcados pela crise, decorrente em grande parte do estouro da bolha da internet e dos investimentos precipitados de vários grupos de comunicação, que, endividados em dólar, sofreram um duro golpe com a maxidesvalorização do real no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Foi um período marcado por cortes de investimentos, demissões, engavetamento de projetos, caracterizado como um dos piores da história da mídia brasileira. Nesse período todo, J&Cia durante semanas virou uma espécie de ave de mau agouro, tantas e tamanhas eram as notícias más. Felizmente a crise acabou e J&Cia pôde voltar a dar notícias boas em muito maior quantidade que as negativas.

J&Cia não cobriu, por óbvio, os atentados às torres gêmeas de Nova York em 11 de setembro de 2001. Mas como saiu com uma edição (303) no dia 12, pôde fazer um registro do que alguns grandes veículos divulgaram sobre eles. O informativo registrou as edições extras de O Globo, O Dia, JB, Época e IstoÉ, e, após contatos com os diretores de Redação, descreveu como seria a cobertura de Folha de S.Paulo, Estadão, Estado de Minas, Zero Hora, JB, Valor Econômico, Gazeta Mercantil e Correio Popular, de Campinas. Uma curiosidade igualmente registrada: o presidente da RBS, Nélson Sirotsky, de férias em Nova York, também trabalhou na cobertura.

O DCI, diário econômico paulista que vinha sendo editado precariamente havia alguns anos com base em autorização judicial, renasceu das cinzas pelas mãos do ex-governador do Estado Orestes Quércia em 17/2/2002. A operação, mantida em sigilo, contemplou o arremate da marca em leilão feito meses antes pela Receita Federal, por conta das dívidas acumuladas pela empresa que a detinha, À frente do novo DCI (que começaria circulando na Grande São Paulo, em Campinas, Santos e São José dos Campos e em junho de 2004 passaria a ter distribuição nacional) estava Getúlio Bittencourt. O antigo DCI deixou de circular e Getúlio também deixou o jornal anos depois.

Começou a circular em 1º/5/2002, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o popular Super Notícia, com enfoque em conteúdo da cidade, polícia, esporte, emprego e prestação de serviços. O jornal, hoje um dos mais vendidos do País, é da Sempre Editora, que edita O Tempo.

Ao apagar das luzes de 2002, mais precisamente no dia 7/12, um grupo de 60 jornalistas que havia participado de um seminário internacional sobre jornalismo investigativo na ECA-USP decidiu criar uma associação nos moldes da Investigative Reporters and Editors, dos EUA, mantida pelos próprios jornalistas. Nascia ali a Abraji, ainda então sem nome. A idéia, de Marcelo Beraba, na época diretor da sucursal da Folha de S.Paulo no Rio, teve o apoio de um grupo grande de jornalistas.

Depois de quase sete décadas, o programa radiofônico A Voz do Brasil ganhava, em 1º/9/2003, novas cara, formato e vozes. A mudança restringiu-se aos 25 minutos produzidos pela Agência Brasil (Radiobrás). Segundo o então presidente da empresa, Eugênio Bucci, “mudamos o foco mas não mudamos a pauta; modernizamos sem desvirtuar os princípios básicos do projeto; e tratamos de aprimorar o conteúdo para garantir informações mais precisas e claras para o cidadão”. A iniciativa sofreu fortes resistências e ataques ao longo de toda a gestão Bucci, inclusive por setores do próprio governo.

Elsie Dubugras, editora especial da revista Planeta, comemorou 100 anos de vida em plena atividade, em 2/3/2004. Ela se tornou jornalista na própria revista, 31 anos antes, quando tinha nada menos do que 69 anos (vinha de experiências em outras áreas, inclusive vários anos na PanAm). Começou pelas mãos de Ignácio de Loyola Brandão, que então dirigia a revista. Ela viria a falecer, de problemas respiratórios, em 2/3/2006.

O Grupo Folha e o UOL anunciaram sua fusão em 4/1/2005, tornando-se, segundo nota conjunta que distribuíram na ocasião, “o segundo conglomerado de mídia do Brasil, com faturamento estimado em R$ 1,3 bilhão”. A família Frias manteve o controle da nova empresa, com 79% de participação, sendo os 21% restantes da Portugal Telecom.

Foi ao ar em 20/5/2005 a BandNews FM, o mais significativo projeto de rádio que se fez no Brasil, desde a criação, anos antes, da CBN, pelas Organizações Globo: uma rede nacional de emissoras transmitindo em FM, com jornalismo 24 horas por dia no ar. Estruturada inicialmente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, previa chegar em curto prazo a Brasília, Curitiba, Recife, Salvador e Santos, sob o comando de Marcello D’Angelo, diretor geral, que ficou no comando por cerca de dois anos.

A Abril assinou, em 20/4/2005, os contratos de alongamento de seus débitos de curto prazo com um grupo de bancos, num total de R$ 524,9 milhões, sendo R$ 485,9 milhões da Editora e outros R$ 39 milhões da Dinap, a distribuidora de revistas que integra o Grupo Abril. O valor correspondia a 68% do passivo financeiro consolidado da companhia. A dívida deveria ser amortizada em três parcelas, com pagamento nos meses de dezembro de 2006 (20%), 2007 (40%) e 2008 (40%).

Dois dias depois, em 22/4, comunicado assinado por Roberto Irineu Marinho, dirigido aos funcionários das Organizações Globo, informava que o processo de renegociação das dívidas da Globopar concluíra-se naquela data e que a proposta apresentada pela empresa fora aprovada por 81% dos credores em assembléia realizada em Londres. Com isso, poderia liquidar a dívida – da ordem de U$ 1 bilhão – ao longo de oito anos e em condições compatíveis com os resultados gerados pelos negócios do grupo.

Com 120 jornalistas, quatro edições (Rio Preto, Sorocaba, Bauru e Jundiaí) e uma agência de notícias, nascia oficialmente em 16/11/2005 a rede de jornais Bom Dia, que o empresário J. Hawilla, dono do Grupo Traffic (marketing esportivo e entretenimento) montou no Interior de São Paulo. Matinas Suzuki Jr. era o diretor geral – não é mais.

Em 20/6/2005, a ABI voltou a ter oficialmente uma representação em São Paulo, após anos de ausência, sob a direção de Audálio Dantas, também vice-presidente da ABI Nacional. Ele presidiu o Sindicato dos Jornalistas de SP durante os anos de chumbo e a Fenaj pouco depois, sendo o primeiro presidente da entidade eleito pelo voto direto.

O Brasil entrou efetivamente no circuito dos diários gratuitos, a exemplo do que já ocorria nos principais centros, como Europa e Estados Unidos, em 6/7/2006, com o lançamento do Destak, em São Paulo. O jornal foi constituído com 70% de investimento do empresário brasileiro André Jordan e 30% do grupo Cofina, um dos maiores grupos editoriais de Portugal. A versão carioca do jornal foi lançada em 7/7/2008. O diretor Editorial era e ainda é Fábio Santos. Depois dele, viria o Metro, dos grupos Publimetro e Band.

Outra publicação que começou a circular no segundo semestre de 2006, em 9/10, foi a revista mensal Piauí. O título foi escolhido a partir de uma pesquisa para o mote do conteúdo pretendido para a publicação: “o Brasil que ninguém conhece”. A intenção era mostrar uma face do País que não aparece nos meios de comunicação mais convencionais. Como publisher, João Moreira Salles; na redação, instalada no Rio de Janeiro, nomes como Mário Sérgio Conti, diretor, Dorrit Harazim e Marcos Sá Corrêa, editores, entre outros.

Chegou às bancas em 7/3/2007 a revista Época Negócios, com uma tiragem de 100 mil exemplares e o chamado formato Marie Claire (diferenciado das demais revistas de Economia e Negócios). Nasceu com uma edição robusta, de 210 páginas, 80 delas de publicidade paga, com uma proposta de abordar permanentemente (e também praticar internamente) o tema inovação. O diretor de Redação era e é Nelson Blecher.

Em 28/6/2007 foi a vez da 1ª edição de Brasileiros, revista mensal de reportagem fundada por Hélio Campos Mello (ex-IstoÉ e Estadão) e Patrícia Rousseaux, tendo Nirlando Beirão e Ricardo Kotscho como diretores-adjuntos. A proposta do novo título era contar boas histórias de brasileiros dentro e fora do País, anônimos e famosos, ricos e pobres, brancos e pretos.

Engolfada a partir de fevereiro de 2007 numa crise sem precedentes em seus 35 anos de vida, a Editora Três entrou no dia 14/5 com pedido na Lei de Recuperação Judicial, que lhe daria um prazo da ordem de 60 dias para apresentar à Justiça seu plano de recuperação. O plano da empresa foi aprovado pela assembléia de credores em 20/5/2008. Desse modo, a empresa voltou à normalidade e pôs fim a todas as negociações que chegaram a ser estabelecidas no auge da crise, inclusive com Nelson Tanure, do Grupo CBM.

Com uma equipe de 250 jornalistas em todo o Brasil e investimentos de US$ 7 milhões, entrou no ar em 27/9/2007 o novo canal da Rede Record, o RecordNews. Ele começou a transmitir às 20h (horário em que, 54 anos atrás, foi ao ar a primeira transmissão da emissora), com uma entrevista com o presidente Lula. Na parceria entre as duas emissoras administradas pela Igreja Universal, a Record passou a gerar o conteúdo, sob o comando de Douglas Tavolaro, que acumulou a função com a de diretor de Jornalismo da própria Rede Record

O presidente Lula editou no dia 10/10/2007 a MP 398, que criava a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), órgão que iria gerir o sistema com a tevê e as emissoras de rádio públicas e a Agência Brasil. A empresa pública, uma sociedade anônima de capital fechado, teria capital inicial de R$ 200 milhões. A MP foi aprovada na Câmara em 26/2/2008 e no Senado em 12/3/2008.

A ABI celebrou seu centenário em 7/4/2008, mas as comemorações vão se estender até março de 2009, com exposições, seminários e edição de obras. J&Cia marcou a data com uma edição especial, que também homenageou o Dia do Jornalista e os 200 anos da imprensa brasileira.



As faltas

Elpídio Marinho de Mattos (7/6/1996), 78 anos, por suicídio, em São Paulo. Funcionário da Gazeta Mercantil por mais de duas décadas, ele havia aderido meses antes ao programa de demissões voluntárias do jornal, mas quando foi fazer sua rescisão, no dia 5, recebeu apenas parte do que tinha direito.

Franz Paul Heilborn, o Paulo Francis (4/2//1997), 66 anos, de ataque cardíaco, em Nova York, onde morava. Um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros, começou a carreira como crítico de teatro e despontou na grande imprensa na Última Hora, pelas mãos de Samuel Wainer. Exilado no período da ditadura, colaborou com o Pasquim e com a revista Visão, então dirigida por Said Farhat. De volta ao País, foi convidado por Cláudio Abramo a assinar uma coluna na Folha de S.Paulo, Diário da Corte, que depois mudou para o Estadão. Foi também o principal comentarista político da TV Globo e atuou no Manhattan Connection, de Lucas Mendes, no GNT. Era casado com Sonia Nolasco, correspondente da Gazeta Mercantil em Nova York.

Marcos Faerman (12/2/1999), 55 anos, de enfarte, em São Paulo. Gaúcho, participou de vários projetos inovadores da imprensa brasileira, entre eles o Jornal da Tarde, Pasquim e Bondinho. Mas foi com o tablóide Versus que concretizou sua mais ousada experiência editorial, abrindo espaço para a intelectualidade de vanguarda. Era professor da Cásper Líbero, editor-chefe da revista Hebraica e repórter das revistas Educação e Problemas Brasileiros.

Barbosa Lima Sobrinho (16/7/2000), 103 anos, no Rio de Janeiro. Foi o mais novo e o mais velho presidente da ABI, entidade que comandou em três ocasiões: 1926 a 1927, 1930 a 1932; 1978 a 2000; também presidiu o seu Conselho Administrativo, de 1974 a 1977. Embora sua história seja bastante conhecida, chama a atenção o fato de ter sido o primeiro signatário do pedido de impeachment do presidente Collor, em 1992.

Aloysio Biondi (21/7/2000), 64 anos, de complicações cardíacas, em São Paulo. Defensor de idéias independentes no jornalismo econômico brasileiro, colaborava com diversos veículos (Diário Popular, Correio Braziliense, Caros Amigos, Bundas, Educação e portal MyWeb) e lecionava na Cásper Líbero. Teve seu auge no DCI, ali formando uma legião de seguidores, por conta das posições críticas que assumia publicamente contras as chamadas unanimidades.

Tim Lopes (2/6/2002), 51 anos, brutalmente assassinado durante a realização de uma reportagem sobre bailes funk nos subúrbios do Rio de Janeiro para a TV Globo. Tim passou por O Globo, O Dia e Jornal do Brasil antes de ingressar na Globo, em 1996. Era fonte privilegiada de J&Cia, como registrado na edição 340: “Notícia nenhuma era pequena demais, irrelevante demais para ele. (...) Não haverá oportunidade de agradecer ao Tim a desmedida atenção que o J&Cia teve o privilégio de receber nesses seis anos de convivência”.

Alessandro Porro (11/10/2003), 72 anos, de enfisema pulmonar, em São Paulo. Italiano de Nápoles, tinha mais de 50 anos de jornalismo. Foi um dos principais profissionais da Abril durante três décadas, período em que trabalhou como correspondente de várias publicações (principalmente Veja) em Londres, Paris, Roma, Buenos Aires, Madri e Tel-Aviv. Foi ainda diretor de Realidade e da sucursal de Veja no Rio, passou por Bloch Editores e SBT, e assinou a coluna Swan, em O Globo, com a morte de Zózimo Barrozo do Amaral, em 1997.

O ano de 2003 foi implacável com os donos dos jornais do Rio: em seis meses, tirou de cena os responsáveis pelo sucesso de três dos principais veículos da cidade; em fevereiro (8), Manoel Francisco do Nascimento Brito, que levou o Jornal do Brasil a uma posição de respeitabilidade no País inteiro, na década de 70; em julho (4), Ary Carvalho, mentor da grande mudança de O Dia no cenário carioca, a partir dos anos 80; e, um mês depois (6/8), Roberto Marinho, idealizador e pilar do maior império de comunicação do Brasil, as Organizações Globo. O desaparecimento dos três marcou o fim de uma era no jornalismo carioca.

Fernando Sabino (11/10/2004), 81 anos, de câncer, no Rio de Janeiro. Um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos, foi jornalista bissexto: correspondente do Diário Carioca em Nova York, correspondente do JB e de Manchete na Europa, correspondente do JB em Londres, e fez reportagens em Cuba para veículos do Rio, Minas, Bahia e Pernambuco. Publicou cerca de 50 livros.

Mauro Borja Lopes, o Borjalo (18/11/2004), cartunista, 79 anos, de câncer, no Rio de Janeiro. Mineiro, começou publicando seus desenhos no Esporte da Folha de Minas e depois em Política do Diário de Minas. Mudou-se para o Rio a convite de Manchete, tendo trabalhado também em O Cruzeiro e A Cigarra. Teve charges e cartuns publicados em jornais europeus. Atuou também em tevê e encerrou sua carreira na Globo, onde se notabilizou pela criação da Zebrinha e do Plim-plim.

Narciso Vernizzi (12/7/2005), 86 anos, de aneurisma, em São Paulo. Conhecido como o Homem do Tempo, começara na profissão 57 anos antes, na Rádio Panamericana, e em 1963 passou a trabalhar na área que o consagraria, a previsão do tempo, prestação de serviço então inédita no rádio brasileiro. Os filhos, Celso e Sérgio, seguiram seus passos.

Luiz Alberto Bahia (28/11/2005), 82 anos, de falência múltipla dos órgãos, no Rio. Dirigiu o extinto jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, entre 1959 e 1962, integrou o Conselho Editorial da Folha de S.Paulo desde a sua criação, em 1978, e foi colunista da página 2 do jornal de 1977 a 1980. Também foi conselheiro do Tribunal de Contas do Município do Rio, onde se aposentou, em 1993, e da Sociedade Brasileira de Instrução, ligada à Universidade Cândido Mendes.

Tales Alvarenga (3/2/2006), 61 anos, em decorrência de problemas pulmonares, em São Paulo. Diretor Editorial das revistas Veja e do Grupo Exame, iniciou a carreira em 1968, em Belo Horizonte, como repórter do Estado de Minas, ali permanecendo até 1972, quando, acompanhando a confraria dos mineiros que desembarcou em São Paulo naquele período, transferiu-se para o Jornal da Tarde. Mais quatro anos e pôs os pés em Veja, de onde nunca mais sairia: foi editor-assistente de Educação e Ciência, editor de Geral e de Política, editor-executivo, diretor-adjunto, até ocupar o cargo de diretor de Redação, no período 1998/2004.

Fernando Gasparian (7/10/2006), 76 anos, de infecção generalizada seguida de parada cardíaca, em São Paulo. Empresário, após o golpe militar de 64, passou a ser perseguido pela ditadura. Ficou conhecido por criar um semanário de oposição, o Opinião, lançado em 23/10/1972. Lançou também as revistas Argumento, Ensaios de Opinião e Cadernos de Opinião. Em 1973, assumiu a editora Paz e Terra, colocando como acionistas Alceu Amoroso Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Celso Furtado, Dias Gomes, Érico Veríssimo e Fernando Henrique Cardoso, entre outros. Em 1976, chegou a editar vários exemplares do Jornal de Debates. Todas suas publicações foram atingidas pela censura do regime militar. Em 1977, criou a Livraria Argumento, em São Paulo. No ano seguinte, transferiu-a para o Rio de Janeiro. Gasparian retornou a São Paulo em 1984. Dois anos depois, foi eleito deputado federal pelo PMDB.

Octavio Frias de Oliveira (30/4/2007), 94 anos, de insuficiência renal grave. Publisher do Grupo Folha, adquiriu a Folha de S.Paulo em 1962 e foi protagonista da modernização da mídia brasileira na segunda metade do século. Frias pertenceu a uma geração de empreendedores pioneiros dos quais ele era um dos últimos remanescentes e o único a se manter em atividade profissional até um ano antes de sua morte. A trajetória de sua vida virou livro pelas mãos de Engel Paschoal, com o apoio da Mega Brasil e deste J&Cia e patrocínio do Grupo Telefônica.

Murilo Felisberto (11/5/2007), aos 67 anos, em decorrência de um câncer no fígado, em São Paulo. Mineiro de Lavras e formador de toda uma geração de talentosos profissionais, que ainda hoje se espalham por múltiplas atividades editoriais, Murilo transitou, de forma marcante, tanto pelo jornalismo quanto pela publicidade. Um dos fundadores do Jornal da Tarde, onde chegou em 1965 e que dirigiu por duas ocasiões, entre 1968 e 1978 e depois, entre 2000 e 2003, foi também diretor de Criação da DPZ, ali permanecendo por 16 anos, entre 1984 e 2000.

Joel Silveira (15/8/2007), 88 anos, de câncer, no Rio. Sergipano de nascimento, mudou-se para o Rio aos 18 anos e era considerado por muitos o repórter mais importante do Brasil, função que exerceu durante toda a vida. Começou no semanário de literatura Dom Casmurro, de Álvaro Moreyra, passando depois para a revista Diretrizes, de Samuel Wainer. Pelos Diários Associados, foi destacado por Assis Chateaubriand para cobrir a 2ª Guerra Mundial, e acompanhou os soldados brasileiros na Itália durante 11 meses. Na volta, reuniu textos sobre o tema no livro Histórias de pracinha, recentemente reeditado sob o título O inverno da guerra. Ao todo, teve cerca de 40 livros publicados. Trabalhou em Última Hora, O Estado de S.Paulo, Diário de Notícias, Correio da Manhã, com uma longa passagem pela revista Manchete.

A família Onaga perdeu três de seus membros, todos jornalistas em São Paulo, em menos de seis meses, no segundo semestre de 2007. O primeiro foi Romeu, no dia 6/7, aos 78 anos, aposentado havia quatro, desde que deixou a assessoria de imprensa da Petrobras, onde esteve por uma década. Era pai de Marcelo Onaga, atualmente editor da revista Exame. Em 24/8 foi a vez de Hideo Onaga, aos 85 anos, um dos mais respeitados repórteres de sua geração e pioneiro do jornalismo econômico no Brasil. Ele foi um dos principais responsáveis, em 1972, pela transformação da Gazeta Mercantil de mero boletim comercial num dos mais importantes veículos econômicos do País. Por fim, em 4/12, um enfisema pulmonar levou Ruy Onaga, que era o único vivo de uma família de cinco irmãos, quatro deles jornalistas. Ruy trabalhou por mais de 30 anos na revista Visão como secretário de Produção e era considerado um dos grandes revisores da imprensa brasileira numa época em que essa era uma função relevante. Tinha 84 anos.

Paulo Patarra (21/1/2008), 74 anos, de um câncer na garganta que tratava havia um ano, em São Paulo. Ele comandou a redação-ícone da imprensa brasileira, a da extinta Realidade, no final dos anos 1960, mas que também passou por Última Hora, Quatro Rodas, TV Globo e SBT, entre outros veículos. Conforme seu desejo, o corpo foi doado à Faculdade de Medicina da USP.

Sérgio de Souza (25/3/2008), 73 anos, vítima de complicações por uma perfuração no duodeno, em São Paulo. Outro integrante da chamada “geração Realidade”, fundador e diretor da revista Caros Amigos havia onze anos, era considerado o pai da edição de texto no Brasil. Criou publicações que muitos classificaram como alternativas, entre as quais O Bondinho e Ex, mas ele rejeitava essa classificação. Preferia defini-las como “publicações jornalísticas comprometidas com a informação e idéias, não alinhadas com o pensamento único dominante na grande mídia”.

Paulo Alberto Monteiro de Barros, o Artur da Távola (9/5/2008), 72 anos, em decorrência de problemas cardíacos, em Brasília. Távola começou sua carreira política em 1960 quando elegeu-se deputado estadual no Rio. Viveu exilado na Bolívia e no Chile, entre 1964 e 1968. Em seu retorno ao Brasil, adotou o pseudônimo Artur da Távola. Mais antigo funcionário da Rádio MEC, estreou em 1957, na apresentação de um programa sobre música clássica. Foi colunista de O Globo durante 15 anos, escrevendo sobre televisão. Também teve passagens pela extinta Bloch, O Dia e TV Cultura. Foi um dos fundadores do PSDB, exercendo mandatos de deputado federal até 1995 e de senador (1995-2003). Fazia o programa Quem tem medo de música clássica?, para a TV Senado, e escrevia para O Dia.

Fernando Barbosa Lima (6/9/2008), 72 anos, de infecção generalizada, no Rio. Ainda muito jovem, começou a trabalhar como desenhista publicitário; fundou depois uma produtora de tevê, Esquire, mais tarde transformada em agência de publicidade, e logo passou para a televisão comercial. Em 55 anos de carreira, foi um dos nomes mais importantes desse meio, até hoje. Criou programas que fizeram história, como Jornal de Vanguarda, Preto no Branco, Abertura e outros que ainda são veiculados: Sem Censura, da TV Rio, hoje na TV Brasil, e Cara a Cara, na Band. Presidia ultimamente o conselho deliberativo da ABI. Era filho de Barbosa Lima Sobrinho.

Lourenço Diaféria (16/9/2008), 75 anos, em decorrência de problemas cardíacos, em São Paulo. Considerado o maior cronista paulistano, iniciou a carreira jornalística na Folha da Manhã (hoje Folha de S.Paulo), em 1956, e começou a escrever crônicas em 1964. Ali ficou até 1977, quando foi preso pelo regime militar pelo conteúdo de uma crônica – Herói. Morto. Nós. – considerada ofensiva às Forças Armadas. Passou também por Jornal da Tarde, Diário Popular, Diário do Grande ABC, rádios Excelsior, Gazeta, Record e Bandeirantes, além da TV Globo. Publicou diversos livros.

 


 
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