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São Paulo,

Gilberto Scofield deixa Washington e começa em março na nova sucursal do Globo em São Paulo
Depois de quase seis anos no exterior, primeiro como correspondente de O Globo em Pequim e depois em Washington, Gilberto Scofield retorna ao Brasil e a partir de março vai integrar como repórter especial a equipe da nova sucursal do jornal em São Paulo (que deve se mudar em breve do espaço que ainda ocupa no prédio do Diário de S.Paulo – ver São Paulo, na pág. 2). Tendo sido por muito tempo o único correspondente de jornal brasileiro na China, Gilberto cobriu acontecimentos de destaque, como as Olimpíadas de Pequim; a revolta no Tibete, seguida da ocupação da região e prisão dos monges budistas; foi enviado especial aos terremotos de Sichuan, na China, um pouco antes das Olimpíadas, quando morreram mais de 80 mil pessoas, e agora, no Haiti; esteve na tragédia decorrente do tsunami no Sudeste Asiático em 2004; cobriu os 60 anos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, os 85 anos do Partido Comunista Chinês, duas cúpulas do clima (das Nações Unidas, em Bali, em 2007, e do G-8, em Hokkaido, em 2008) e, nos Estados Unidos, a histórica posse de Barack Obama e a morte de Michael Jackson. Seu substituto na capital americana será Fernando Eichenberg, ex-correspondente da Zero Hora em Paris e colaborador de diversos veículos nacionais. Em Paris há 13 anos, Eichenberg foi enviado à França como correspondente do jornal gaúcho e também para fazer estágio de oito meses na Fundação de Jornalistas na Europa. A partir de 1998, depois da cobertura da Copa do Mundo da França, passou a atuar como frila na Europa para veículos brasileiros (revistas Bravo, República, Época, Veja, piauí, Serafina, Exame, Marie Claire, Trip, Folha de S.Paulo, Zero Hora, Valor Econômico e o próprio Globo, entre outros). Foi também editor-executivo e repórter dos programas de tevê Revista Europa (GNT), Boulevard Brasil (TVE), e atualmente participa como convidado do Kiosque (TV5 Monde), debate entre correspondentes internacionais em Paris sobre os acontecimentos da semana no mundo.
A primeira missão de Scofield em São Paulo será a cobertura das eleições. "O Brasil precisa de repórteres de cabelos brancos”, comenta ele. Em artigo que publicou recentemente na página de Opinião do Globo, ele abordou sua decisão de voltar ao Brasil, relatando as dificuldades que encontrou nos Estados Unidos: seu companheiro de muitos anos vinha enfrentado continuadamente problemas para obter visto de entrada no país, o que não ocorreu sequer durante sua estada na China. Ainda em Washington, onde fica até meados de março, vai receber Eichenberg e ajudá-lo na transição, da mesma forma como fez José Meireles Passos quando ele chegou. O bota-fora vai ser em conjunto com Sérgio Dávila, que também está de volta para ser editor-executivo da Folha, como noticiamos em nossa edição 728A. Ligia Houlland, correspondente do portal Terra, já ofereceu a casa para a festança.

Lílian Celiberti depõe em favor de Luiz Cláudio Cunha nesta 5ª (4/2)
Pela primeira vez desde 1978, a uruguaia Lílian Celiberti estará, nesta 5ª.feira (4/2), frente a frente com o ex-policial do Dops gaúcho no período da ditadura João Augusto da Rosa, de codinome Irno, que a sequestrou com seus dois filhos menores e Universindo Diaz em Porto Alegre, em novembro daquele ano. O então chefe da sucursal de Veja na capital gaúcha, Luiz Cláudio Cunha, soube do sequestro por um telefonema anônimo e, acompanhado do falecido fotógrafo João Baptista Scalco, foi ao apartamento onde a família morava e foram recebidos por homens armados, um deles, Irno. Cunha narrou o episódio em detalhes no livro Operação Condor: O sequestro dos uruguaios (L&PM, 2008). Por causa do livro, o ex-policial move contra ele um processo em que pede indenização por dano moral, alegando que Cunha não menciona na obra sua absolvição por “falta de provas” em segunda instância, em 1983. Segundo Cunha, “Irno esqueceu de dizer que as ‘provas’ do seqüestro – Lílian e Universindo – estavam então presas, sob tortura, nas masmorras da ditadura uruguaia, que acabou apenas em 1985. Ele é um dos policiais que nós identificamos como seqüestradores dos uruguaios. O livro conta e reafirma uma história que narrei há 30 anos, na série de reportagens da revista Veja que ganhou os principais prêmios de Jornalismo do País. Agora, 32 anos depois do sequestro, Irno terá que enfrentar não só a verdade publicada pela imprensa, mas também Lílian, que terá a chance de falar o que lhe foi sonegado dizer há três décadas”. A audiência do processo está marcada para as 15h, na 18º Vara Cível, no Foro Central de Porto Alegre.

Zero Hora também revive período da ditadura
Coincidentemente, Zero Hora publicou esta semana (de domingo até esta 4ª, 3/2) uma série de reportagens que tira das sombras personagens desconhecidos do período da ditadura militar. Intitulada Os Infiltrados, de autoria dos repórteres Carlos Etchichury, Carlos Wagner, Humberto Trezzi e Nilson Mariano, ela mostra, em documentos e entrevistas, como ex-policiais, ex-funcionários de estatais e agricultores se tornaram espiões e se transformaram em pessoas confiáveis para frequentar passeatas de estudantes, assembleias de sindicatos, reuniões de exilados e, no lado inverso, reuniões da Brigada Militar para produzir informes que consideravam fundamentais para que policiais e combatentes do regime conseguissem alcançar seus objetivos. A série está disponível no site especial www.zerohora.com/osinfiltrados, que reúne vídeos e áudios, fotos, gráficos explicativos e mostra as interconexões dos personagens abordados nas reportagens.

Paula Mageste passa a diretora-adjunta de grupo na Editora Globo
Prestes a completar dez anos na Editora Globo – os últimos três e meio à frente de Quem –, Paula Mageste assumiu nesta 2ª.feira (1º/2) o recém-criado cargo de diretora-adjunta do Grupo Femininas e Interesses Especiais, reportando-se diretamente à diretora Cynthia de Almeida. Paula (pmageste@edglobo.com.br e 11-3767-7117) será responsável pela marca Quem em todas as suas plataformas e desdobramentos, e dividirá com Cynthia a responsabilidade pela condução de novos projetos – entre eles o de Galileu e o dos 25 anos de Globo Rural.– e pelo acompanhamento dos demais títulos do Grupo. Ela trabalhou no Estadão antes da Editora Globo, na qual também atuou como editora de Época e diretora de Redação de Criativa e participou do projeto da revista Única. Para o lugar dela, como diretor de Redação de Quem, chega na próxima 2ª.feira (8/2) Marcelo Camacho, chefe da sucursal da revista no Rio de Janeiro desde maio de 2006, onde foi substituído por Carla Ghermandi. A redatora-chefe da revista é Edna Dantas. Camacho foi repórter e subeditor de O Dia e da sucursal da Veja no Rio de Janeiro, editor do Caderno B, do JB, e editor da Revista Oi. Editora-assistente de Quem no Rio havia um ano, Carla entrou na revista como repórter em agosto de 2004 e antes passou por Bloch e Abril.

Memórias da Redação
Luiz Roberto de Souza Queiróz, o Bebeto (lrobertoqueiroz@uol.com.br), que tem colaborado regularmente com este Memórias, escreve para fazer um adendo à história da Kombi do Faustão (ver J&Cia 728): “O anúncio a respeito da Kombi fez tanto sucesso no Estadão que, pouco depois, foi publicada uma pequena nota no jornal, anunciando que ele fora indicado para disputar o título de Rei Momo no Carnaval e especificando as atribuições para o cargo, entre as quais o peso excessivo. Bebeto conta: “A reação do Faustão foi tão violenta, exigindo saber quem fizera a brincadeira, e foram tantos os palavrões, que os autores resolveram dizer a ele que o anúncio havia sido ideia do Julio Cesar Mesquita, pois, apesar de destemperado, Faustão não iria chegar a ponto de tirar satisfações de um diretor. Julinho, porém, embora participante da brincadeira, não tinha sido o autor da ideia e nem foi xingado. Os insultos, e muitos, Faustão reservou para os conhecidos e amigos que telefonaram inocentemente para elogiar e apoiar sua candidatura a Rei do Carnaval”.
É novamente de Bebeto a história desta semana, sobre Saul Galvão, crítico de Gastronomia do Estadão, que faleceu em setembro passado (ver J&Cia 710):

Os carrapatos do Saul

Saul Galvão, há pouco promovido a enólogo de São Pedro, lá em cima, era hipocondríaco de carteirinha, e gostava de descrever as agruras que passara com cargas de micuim que pegara em criança, nos pastos da fazenda, em Jaú, tão graves que davam febre, alergia e uma coceira infernal.
Ao saber que eu recebera uma pauta sobre carrapatos, na Entomologia do Butantã, Saul contou a história novamente, explicou em detalhes como era o micuim, larva de carrapato-estrela tão pequena que se torna quase invisível e que fica nos pés de carrapicho e se espalha nas pernas do incauto, quando alguém roça na planta.
A matéria no Butantã foi boa, mas como fui sem retratista pedi para levar à redação, para fotografar, o maior carrapato que existe, uma bola do tamanho de uma ameixa, parasita do bicho-preguiça.
Feita a matéria, um engraçadinho qualquer colocou o vidro aberto, sem tampa, com a etiqueta do Butantã, na mesa do Saul, revirou o sovaco do paletó que estava na cadeira e começou a espalhar pela redação que eu trouxera também amostras de micuim.
O Estadão efetivamente parou para rir do Saul, ajoelhado ao lado de sua mesa, velho isqueiro Zippo na mão, criteriosamente fumegando seu paletó, na esperança de queimar os carrapatos – inexistentes, por sinal.


(Leitores que quiserem colaborar com histórias engraçadas ou curiosas de redações podem enviá-las diretamente para a redação deste J&Cia, pelo baroncelli@jornalistasecia.com.br)



Esses são alguns dos destaques da edição desta semana do informativo Jornalistas&Cia, que circula por redações e assessorias de todo o País



 
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