Pedro Moreira Salles e Horário Lafer Piva dão canja, como editores, em Época Negócios
A exemplo do que têm feito algumas das mais importantes publicações mundiais, como Vanity Fair, Wired e Esquire, a revista Época Negócios busca celebrar seus aniversários com edições diferenciadas e sempre com alguma surpresa para os leitores. A que chega às bancas nesta 4ª.feira (capa ao lado), celebrando os três anos de vida da revista, tem como novidade as presenças do banqueiro Pedro Moreira Salles, presidente do Conselho de Administração do Itaú-Unibanco, e do empresário Horácio Lafer Piva, membro do Conselho de Administração da Klabin e ex-presidente da Fiesp, como editores-contribuintes. Ao lado deles, também como convidados, estão o cartunista Angeli e o publicitário Erh Ray, sócio da agência Borghierh/Lowe, que desenhou a capa. Com 162 páginas, a revista chega às bancas discutindo como assunto central A reinvenção da leitura, que mostra como aparelhos como o iPAD e o Kindle vão mudar os hábitos de leitura e transformar a indústria editorial, com depoimentos de quatro dos mais importantes dirigentes da mídia brasileira – Roberto Irineu Marinho, Otavio Frias Filho, Roberto Civita e Ruy Mesquita – e também de Jeff Bezos, Paulo Coelho e Luiz Schwarcz, em texto de Carlos Rydlewski. Veja na edição impressa a entrevista de J&Cia com o diretor de Redação de Época Negócios, Nelson Blecher, sobre o projeto.
Troca de posto de Artur Xexéo provoca dança de cadeiras no Globo
O Globo anunciou nesta 3ª.feira (9/3) mudanças em cargos importantes na Redação, movimento que o mercado comentava desde a semana passada. Artur Xexéo deixa a edição do Segundo Caderno depois de nove anos e continua com as colunas que mantém no jornal e na revista dominical. Terá também um "superblog" no Online, como são chamados os pequenos portais dos colunistas notáveis da casa. Este acerto foi negociado há um ano. Ele será substituído por Isabel De Luca, até aqui editora da Revista O Globo. Para o lugar dela, vai Gabriela Goulart, do Rio Show. Marília Martins, que está em Nova York, volta para assumir o Rio Show, com a incumbência de tornar a editoria, na internet, o melhor site sobre o Rio. Para Nova York, vai Fernanda Godoy, atual subeditora de Mundo (Internacional).
Patrícia Campos Mello voltará ao Brasil em julho
Patrícia Campos Mello, correspondente do Estadão em Washington desde setembro de 2006, estará de volta ao Brasil em julho. Ela foi para ficar dois anos e vai completar quase quatro. Volta, como diz, por razões familiares, e na esteira de um grupo de amigos que também fez o mesmo percurso (Sérgio Dávila, Folha de S.Paulo; Ricardo Balthazar, Valor Econômico; e Gilberto Scofield, O Globo). Patrícia será repórter especial do jornal em São Paulo, ao lado de Roberto Godoy, Lourival Sant’Anna e José Maria Mayrink, e ficará focada em coberturas internacionais, embora também deva fazer especiais de eleições. Ela diz que foi “espetacular” sua temporada nos Estados Unidos: “Cobri toda a campanha eleitoral do Obama; viajei para 22 Estados aqui nos EUA durante as eleições; fiz uma exclusiva com o McCain (viajei com ele); exclusiva com o George W. Bush na Casa Branca; fui a primeira jornalista brasileira embedded na guerra do Afeganistão – passei um mês com os soldados americanos na fronteira do Paquistão em agosto; fui para Guantánamo; fiz matéria de reconstrução de New Orleans pós-Katrina; várias matérias militares; cobri a crise econômica etc.”. A substituição de Patrícia como correspondente em Washington está sendo feita por um concurso interno aberto a todos os interessados, dentro do programa MIP – Movimentação Interna de Pessoal do Estadão, fato inédito nesse tipo de função.
Abril lança Minha Casa em maio
A Editora Abril prepara para maio o lançamento de seu mais novo título, Minha Casa. Desenvolvida no Núcleo Casa & Construção, dirigido pelo publisher Kaíke Nanne, a publicação terá periodicidade mensal, preço de R$ 4,90 e, segundo Nanne, será a primeira do segmento voltada para a nova classe média brasileira: “O slogan decoração, reforma e construção ao seu alcance reflete a missão da revista: ser um guia prático para ajudar o leitor – que geralmente vive em espaços pequenos – a transformar sua casa ou apartamento em um lugar mais confortável e bonito, sem gastar muito”. Integram a equipe profissionais formados na própria Abril. Quem comanda a Redação é a redatora-chefe Cristiane Teixeira, que deixa Arquitetura & Construção após 15 anos; o editor de Arte Gustavo Curcio e a designer Beatriz Giosa vêm de AnaMaria, publicação com foco em mulheres da classe C. A eles se somam Vivien Hermes, Cecilia Arbolave e Rebeca Simone, que deixam o site Casa.com.br e as edições especiais de Casa Claudia. A produção fotográfica conta com Tatiana Guardian, que iniciou carreira na Capricho e estava na Pais & Filhos, da Manchete. O primeiro número de Minha Casa chega às bancas de todo País em 27/4, com 100 páginas, lombada quadrada e preço especial de lançamento de R$ 2,90.
Memórias da Redação
Eduardo Brito da Cunha (edubrito@senado.gov.br), atualmente chefe de Gabinete da 4ª Secretaria do Senado Federal, nos mandou por meio de Bebeto de Souza Queiroz (lrobertoqueiroz@uol.com.br) uma história que vem a calhar nesta semana de comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Aliás, Regina Helena de Paiva Ramos fez referência ao tema na edição de Jornalistas&Cia Especial Mulher Jornalista, que circulou nesta 2ª.feira (8/3) e que pode ser conferida no www.jornalistasecia.com.br.
Disse Brito, na mensagem que capeou a história: “O Estadão era fechado para mulheres. Havia na Redação apenas as tradutoras, que não tinham funções externas, como a Pola Vartuck, e a Hilde, chargista. Passou-se o tempo, entraram chefes de Reportagem modernos, esquerdistas, inovadores, mas ninguém mexeu uma palha para revogar o veto. Foi preciso assumir a chefia de Reportagem o Eduardo Martins...”.
A derrocada do machismo
Eduardo Martins, falecido já há algum tempo, foi quem conseguiu a proeza de derrubar a barreira machista no Estadão, que tornava o Jornalismo profissão exclusivamente masculina. Foi ele, e com muito trabalho, quem conseguiu contratar duas repórteres, Dinaura Landini e Adélia Borges, para o que foi necessário ir ao Júlio Neto, que autorizou a exceção.
Antes dessas duas, só trabalhavam na redação tradutoras, como a Pola Vartuck, uma chargista, a Hilde Weber, e, é claro, havia mulheres também nos suplementos, no Feminino, principalmente.
Quando o Eduardo assumiu a Reportagem, antes mesmo de fazer o Manual de Redação, começaram inovações inesperadas, pois ele era tido como conservador. Inovou, porém, na forma de apuração, sedimentou o new journalism implantado pelo Rossi [Clóvis] e... admitiu estagiárias.
Elas cobriam vestibulares, cursinhos, calculavam o número de candidatos por vaga; o estágio era de três meses. A Dinaura e a Adélia aprovaram, o Eduardo quis contratá-las, mas, como a resistência era grande, negociou com o Fernando Pedreira. Ele concordou, mas, com o machismo reinante, pediu apoio para bancar a novidade. O Eduardo procurou o Júlio Neto, que pediu depoimentos sobre o aproveitamento delas, e eu tive que explicar como elas tinham enriquecido a cobertura da Educação.
As duas foram contratadas e em seguida chegaram outras, Lia Dias, Sandra Carvalho, primeiro só na Educação, onde ficaram sendo “as britetes”, mas logo depois em todos os setores. Mesmo contratadas, porém, as primeiras jornalistas enfrentaram problemas com os coleguinhas.
A Tata Gago Coutinho lembra que só no JB não havia preconceito, pelo contrário, apoio às mulheres, graças a Alberto Dines e Sílio Boccanera. Em 1970, a Veja pediu credenciais para repórteres mulheres para a Copa do México, mas o credenciamento foi negado: “mulher não cobre futebol”. A situação só mudou na Copa de 1974, por insistência do preparador físico Cláudio Coutinho, que abriu as portas para o reportariado feminino.
Na Sala de Imprensa da Prefeitura de São Paulo os coleguinhas machistas não informavam as jornalistas – entre elas Adélia Adame, depois casada com Renato Lombardi – da marcação de coletivas e o Comitê chegou a propor que os jornais não credenciassem as repórteres, enquanto nas assessorias das Secretarias o problema era outro: como não havia carreira de jornalista no funcionalismo, tinha jornalista contratado como auxiliar administrativo, programador e até... coveiro de cemitério. Mas essa história fica para outra vez.
(Leitores que quiserem colaborar com histórias engraçadas ou curiosas de redações podem enviá-las diretamente para a redação deste J&Cia, pelo baroncelli@jornalistasecia.com.br)
E a propósito da história sobre o urubu que invadiu o Estadão (J&Cia 731), Daniel Japiassu (daniel.japiassu@gmail.com) nos mandou a seguinte mensagem: “Escrevo para dizer que foi mesmo em 1994 e eu estava presente, ao lado de Pedro Autran Ribeiro, meu editor na época. Quando a ave, absolutamente desgovernada, pousou na cadeira do Mitre e vomitou, um de meus colegas estagiários cochichou: ‘Ele está atrás das elites...’. Foi uma gargalhada geral. Saudades da redação do JT... Abraços a todos e obrigado pela memória!”.
Esses são alguns dos destaques da edição desta semana do informativo Jornalistas&Cia, que circula por redações e assessorias de todo o País