Edição 1.384 página 24 Jornalistas&CiaéuminformativosemanalproduzidopelaJornalistasEditoraLtda. •Diretor: EduardoRibeiro ([email protected]–11-99689-2230)•Editorexecutivo: Wilson Baroncelli ([email protected] – 11-99689-2133) • Editor assistente: FernandoSoares ([email protected] – 11-97290-777) • Repórter: Victor Felix ([email protected] – 11-99216-9827) • Estagiária: Anna França ([email protected]) • Editora regional RJ: Cristina Vaz de Carvalho 21-999151295 ([email protected]) • Editora regional DF: Kátia Morais, 61-98126-5903 ([email protected]) • Diagramação e programação visual: Paulo Sant’Ana ([email protected] – 11-99183-2001) • Diretor de Novos Negócios: Vinícius Ribeiro ([email protected] – 11-99244-6655) • Departamento Comercial: Silvio Ribeiro ([email protected] – 19-97120-6693) • Assinaturas: Armando Martellotti ([email protected] – 11-95451-2539) dado a “libações alcoólicas”, maneira um pouco menos mundana de tomar umas e outras. Dono de um texto enxuto e certeiro, Napoleão foi dos melhores repórteres policiais que conheci e com quem tive o privilégio de aprender. Depois de largar a profissão, eu já morando em Florianópolis, conheci seu lado artista plástico – algo que me surpreendeu. Recebi em casa, pelos Correios, dois envelopes contendo pinturas dele. A última vez que o vi foi na praça da República, em São Paulo, expondo seus quadros. Ele me disse, naquela época, que estava bebendo “só um pouquinho”. Napoleão tinha um descontrole motor causado, segundo me disse uma vez, por um AVC que sofreu aos 12 anos de idade. Essa disfunção o obrigava a escrever suas matérias com apenas uma das mãos – com apenas um dos dedos, para ser mais exato. Ele firmava a mão direita na base da máquina de escrever, enquanto o indicador da mão esquerda martelava raivosamente o teclado. Desse metralhar barulhento, saíam suas grandes matérias. Mas a descoordenação motora não o Ari está em primeiro plano; atrás dele está Cícero Bucci e, depois, Wilson Kiss afetava apenas na missão de escrever. Lembro-me de uma ocasião em que o ato de se alimentar quase chegou a causar uma tragédia. Foi numa situação que, não fosse constrangedora, seria até cômica: 1 − Estávamos cobrindo a visita de alguma autoridade às obras de uma estação de tratamento de esgotos em Osasco. Depois da visita, a empreiteira que tocava a obra ofereceu um almoço trivial aos repórteres. Era arroz, feijão, uma saladinha de tomate... e um enorme bife por cima. Se eu não tivesse controle pleno sobre o movimento de minhas mãos, certamente pediria que alguém me ajudasse e cortasse o bife em pedaços. Mas Napoleão pensava diferente, e resolveu partir para o tudo ou nada usando apenas a “mão boa”, a esquerda. 2 – Ele enfiou o garfo no bife e levou a carne à boca, tentando cortá-la com os dentes. Como o pedaço era muito grande e não se rompia, o bife foi sendo enrolado no garfo, e ele rolando o garfo com a mão sem largar o coxão mole, até que o talher escapou do controle e, com carne e tudo, foi atingi-lo no rosto, alguns centímetros abaixo do olho direito. Entretanto, ele não se deu por vencido: limpou com um guardanapo o sangue que fluía em certa quantidade do ferimento, fez de conta que nada tinha acontecido e, com mais alguns ataques, conseguiu vencer o bife que ousara desafiá-lo. Esta é só uma historinha. Tenho certeza de que muitos repórteres que conviveram com ele têm relatos ainda melhores para dividir conosco. Fica aqui neste espaço o convite. Afinal, Napoleão era uma lenda – pelo menos para mim. jornalismoparaquem gostadeouvir RÁDIO GUARDA-CHUVA Conheça os podcasts da Umaconfrariade podcasts jornalísticos? @guardachuvapod Pág.1
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