Edição 1.516 - pág. 36 ANOS Luiz Cláudio Cunha Geraldo Magela/Agência Senado n Continuamos a reproduzir − em capítulos, por causa do tamanho − texto que Luiz Cláudio Cunha (cunha.luizclaudio@gmail. com) publicou no Observatório da Imprensa em homenagem a Vladimir Herzog, cuja morte nos porões da ditadura completa 50 anos em setembro próximo. As outras partes estão em J&Cia 1.509, 1.510, 1.511, 1.512, 1.513, 1.514 e 1.515. u Cunha era chefe da sucursal de Veja em Porto Alegre e tinha 24 anos em dezembro de 1975 quando recebeu de Audálio Dantas, então presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, a tarefa de coordenar a coleta de assinaturas no Sul para o manifesto contra o IPM do “suicídio” de Herzog. u Autor de Operação Condor: O sequestro dos uruguaios, Cunha trabalhou em diversos outros veículos, como os jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Zero Hora, Diário da Indústria e Comércio, e as revistas IstoÉ, Afinal e Playboy. Naqueles tempos em que mataram Vlado (parte 8) O que acontecia na grande imprensa do Rio e São Paulo se repetia na grande imprensa gaúcha, que teve conivência e complacência com o golpe, antes e depois de 1964. O Diário de Notícias, o principal órgão Associado no Sul, foi depredado e incendiado pela população de Porto Alegre, em agosto de 1954, ao ecoar o tiro do suicídio de Getulio Vargas, atribuído à forte oposição da imprensa, onde se destacava o grupo de Chateaubriand. Sua adesão ao golpe, em 1964, não impediu sua decadência, até fechar em 1979. A Zero Hora já nasceu depurada e lavada ideologicamente em 4 de maio de 1964, um mês e quatro dias depois que o general Olympio Mourão Filho desencadeou o golpe, mobilizando as tropas da 4ª Divisão de Infantaria que ele comandava em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Herdou do jornal Última Hora as máquinas e a antiga sede na rua Sete de Setembro, no centro de Porto Alegre, mas livrou-se rapidamente do logotipo, da cara e da comprometedora intimidade ideológica de seu antecessor nas bancas e de seu dono no expediente, Samuel Wainer, identificado com o getulismo, a esquerda e o Governo Jango. A Última Hora gaúcha era a edição mais jacobina da ágil rede de jornais de Wainer, que além do Rio e São Paulo publicava edições simultâneas e vibrantes em outros nove centros do País – capitais como Belo Horizonte, Recife, Niterói, Curitiba, Porto Alegre e outras quatro cidades do interior paulista, inclusive a emergente região sindical do ABC. [18] Era natural, portanto, que herdasse também todos os inimigos e a santa ira da nova ordem militar. A UH de Porto Alegre sentiu o golpe, literalmente. Tentou manter a linha editorial e o sonho de uma resistência de Jango ao levante militar até o dia 5 de abril. Resfolegou na impossível neutralidade por mais três semanas e, afinal, sucumbiu em 25 de abril do ano da graça de 1964. O diretor da edição gaúcha, Ary de Carvalho, ainda Intelectuais a soldo (continuação) Prêmios n Estão abertas até 1º/10 as inscrições para a segunda edição do Prêmio Ibá de Jornalismo. A inciativa tem como objetivo estimular e reconhecer a cobertura jornalística relacionada ao setor de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração. Podem concorrer trabalhos em quatro categorias: Vídeo, Áudio, Texto e Veículo Setorizado. Mais detalhes em www.iba. org/premio. n A nota publicada na última edição deste J&Cia sobre a abertura das inscrições para o 3º Prêmio Mercantil de Jornalismo saiu inicialmente sem o hiperlink no local indicado. Confira mais informações sobre regulamento e inscrições no site do prêmio.
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