Edição 1.533 - pág. 10 ANOS MERCADO DE TRABALHO Por Marcelo Soares (*) O mapa do emprego formal no jornalismo brasileiro neste ano mostra desigualdades profundas, regionais e por tipo de ocupação. Na maioria dos Estados, ocupações ligadas ao rádio e à TV estão perdendo profissionais, enquanto crescem as contratações no mercado corporativo. Brasília, com o noticiário quente dos últimos meses, contratou mais repórteres do que qualquer outro Estado. Proporcionalmente, o maior aumento está no Espírito Santo, onde as contratações com carteira assinada em 2025 elevaram em 8,4% o total de vagas formais. Foram 43 contratações acima do saldo de 2024, principalmente nas ocupações “jornalista” (17) e “assessor de imprensa” (15). Duas vagas de produtores de TV foram fechadas. Os dados oficiais do Ministério do Trabalho não permitem saber quais empresas ou órgãos contrataram. A maior redução, em contrapartida, está em Rondônia, com uma queda de 5,4% nas vagas formais − ou seja, mais de uma a cada 20. Foram fechados 14 postos de trabalho formais, especialmente na televisão. Cinco vagas de produtores foram extintas, bem como três de repórteres. O Estado, localizado na Amazônia Legal, já conta com um mercado formal bastante reduzido, e há mais de 20 anos registra uma profusão de sites jornalísticos individuais ou de pequeno porte. São Paulo, maior mercado do País, eliminou 31 vagas líquidas de jornalistas neste ano, ou 0,4% do total registrado em 2024. Os cortes mais profundos foram em rádio e TV: 25 locutores, 11 repórteres e 6 âncoras. O saldo de contratação de assessores de imprensa teve 50 novas vagas em relação ao ano passado, mas não superou as demissões em outras ocupações de jornalistas. O maior saldo líquido de contratações deste ano está em Brasília, onde 56 jornalistas foram contratados a mais do que o que havia em 2024. O saldo foi puxado por 29 contratações na ocupação “jornalista” e outras 29 como “repórter (exceto rádio e TV). Na outra ponta, a Capital Federal fechou 11 vagas em rádio e TV: 5 de produtores, 3 de âncoras, 2 de locutores e 1 de comentarista. Vale ressaltar que os dados, divulgados mensalmente pelo Ministério do Trabalho no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), não captam a “pejotização” do mercado, que corre à margem das estatísticas oficiais. Um mesmo CNPJ pode prestar serviços para diversas empresas, e o próprio registro da atividade econômica vai variar muitas vezes de acordo com as faixas tributárias existentes. Assunto para uma coluna futura, talvez? O mapa das vagas formais no Brasil (*) Marcelo Soares ([email protected]) é jornalista e dirige o estúdio de inteligência de dados Lagom Data, em São Paulo. Colabora com diversos sites jornalísticos independentes e entidades do Terceiro Setor, além de ministrar cursos de análise de dados para jornalistas. Foi o primeiro editor de audiência e dados da Folha de S.Paulo e o primeiro gerente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entre outras posições.
RkJQdWJsaXNoZXIy MTIyNTAwNg==