Edição 1.535 - pág. 38 ANOS n Reproduzimos aqui, com autorização, texto que Octavio Guedes, comentarista político no canal GloboNews, publicou no Instagram sobre Jourdan Amóra, falecido em 19/10 (ver pág, 22). Ex-Jornal do Brasil, O Globo e O Dia, em 1998 Guedes participou da fundação do jornal Extra, no grupo Globo, onde foi editor executivo e diretor de redação. No Extra, recebeu três Prêmios Esso de Jornalismo e o prêmio Awards of Excellence, da Society for News Design. É coautor, com Daniel Sousa, do livro Essa república vale uma nota, lançado em 2019. O Brasil perdeu hoje (19/10) Jourdan Amóra, jornalista cuja coragem não é reverenciada com a justiça merecida quando se fala dos que ajudaram a derrotar a ditadura. Em março de 81, a direita explosiva e assassina botou uma bomba na oficina da Tribuna da Imprensa, no Rio de Janeiro. O jornal carioca, comandado por Hélio Fernandes, não tinha como circular no dia seguinte. Seria uma tremenda vitória dos terroristas da direita. Em Niterói, Jourdan Amóra comandava um jornal homônimo, A Tribuna de Niterói, que nada tinha a ver com o grupo do Hélio Fernandes. Eles nem tinham relações pessoais. Naquela noite de muito medo e terror, Jourdan montou uma operação sigilosa, quase clandestina, e colocou a oficina de seu jornal à disposição de Hélio Fernandes. Sem que a repressão soubesse, Jourdan rodou na Ponta d’Areia, bairro dos estaleiros em Niterói, a edição da Tribuna de Imprensa. No dia seguinte, para surpresa dos porões militares da repressão, a Tribuna da Imprensa estava nas bancas. Com a notícia do atentado. Uma vitória do jornalismo, da liberdade de expressão e da democracia. Jourdan foi quem me abriu as portas do jornalismo, me contratando como “repórter-pesquisador”. Ele comentava, rindo e sem ressentimentos, que nunca ouviu um “obrigado” de Hélio Fernandes, que ficou com todos os méritos pela bravura. Mas isso não importa! Muito obrigado por me ensinar que o jornalismo vale a pena, Jourdan. Do seu estagiário, Octavio Guedes Como Jourdan derrotou a direita terrorista Octavio Guedes Jourdan Amóra1 Tuitão do Daniel A arte de escrever histórias em apenas 700 caracteres, incluindo os espaços – nenhum a mais, nenhum a menos Por Daniel Pereira (daniel07pereira@ yahoo.com.br), especial para J&Cia (*) Batizado há 46 anos no Grupo Estado, Daniel Pereira passou por Rádio Bandeirantes, TV Record, coordenou a Comunicação do Governo de SP na ECO-92 e foi assessor de imprensa no Memorial da América Latina. Publicou em 2016 O esquife do caudilho e acaba de concluir O último réu. Nas redes sociais, as mensagens de otimismo que extraia da internet eram um sucesso de likes. Todas elogiavam aquele rostinho de Audrey Hepburn e previam um brilhante futuro para ela. Sim, sonhava em ser estrela na vida real. Nome artístico já tinha. Adormecia e amanhecia esperando pela fada madrinha e sua varinha mágica do abre-te-sésamo. Nos programas de auditório da TV sentava-se na primeira fila. Imaginava-se lá em cima, no palco. Num desses devaneios não ouviu a campainha. Era a patroa. Acorda, Dalva! Olha que beleza eu trouxe pra você. Quando olhou o que era, desabou. No rótulo, o nome do pesadelo: desinfetante Estrela Dalva, o sonho de consumo de toda empregada doméstica. Estrela Dalva
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