Jornalistas&Cia 1535A

Edição 1.535 - pág. 8 ANOS ESPECIAL foi até a minha sala e sussurrou: dois militares estão aqui pra te prender. Saia pela escada dos fundos e desapareça. Os militares saíram de mãos abanando e se dirigiram à casa de Herzog, onde o intimariam a depor no dia seguinte. Só depois, ao tomar conhecimento da morte de Vlado, soube que Wainer, Alzugaray e Carta tinham salvado minha vida”. À frente da redação da TV, Vlado tinha duas frentes de preocupação, como recordam Gabriel Priolli e Paulo Markun. A primeira era a implantação da linha editorial do jornalismo da Cultura, baseada em matérias conectadas com os anseios populares, enquanto sofria pressões externas. A segunda tinha a ver com a escalada de prisões de colegas iniciada nos primeiros dias de outubro. Estavam presos seu chefe de redação, Luiz Weiss, e o chefe de reportagem, Paulo Markun, entre outros. Até que na sexta-feira, 24 de outubro de 1975, Vlado recebeu agentes do DOI-CODI, que o intimavam a depor. Negociou com eles uma apresentação voluntária no dia seguinte, pela manhã, para poder colocar os jornais do dia no ar e organizar o plantão do fim de semana. Na manhã de sábado, como relata o filho Ivo Herzog, em entrevista em 20/10 ao programa Roda Viva, Vlado saiu em direção ao DOI-CODI certo de que voltaria em tempo de reunir a família para um fim de semana no sítio. E nunca mais voltou. A demora do retorno de Herzog preocupava sua mulher, Clarice, que avisou alguns amigos e colegas de trabalho do jornalista, como Gabriel Romeiro, que então trabalhava na TV Bandeirantes. Ele lembra que corria nas redações a informação de que Vladimir iria depor naquela manhã: “Fiquei sabendo que o Vlado tinha se apresentado ao DOI-CODI menos de duas horas depois do fato, quando cheguei na Bandeirantes, onde então trabalhava, pouco antes das 10 da manhã daquele sábado, 25 de outubro. Quer dizer, sem que nenhum jornal, rádio ou TV tivesse noticiado, já se sabia lá que Vlado tinha sido procurado pela repressão na véspera, de noite, na TV Cultura, e que acabara de se entregar naquela manhã. Depois de almoçar fui fazer companhia a Clarice na casa dela. Esperávamos – ou pelo menos desejávamos – que ele aparecesse a qualquer hora. Afinal, ele se entregara espontaneamente e achávamos que isso nos dava o direito de imaginar que não ficaria preso. Meio frustrado, saí de lá no fim da tarde, quando Fernando Pacheco Jordão chegou para ficar com Clarice. Pedi que me ligassem quando houvesse alguma novidade e fui para casa”. Mas as novidades que viriam naquela noite seriam ao contrário do que todos esperavam. Romeiro lembra que recebeu um Ivo Herzog Gabriel Romeiro

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