Edição 1.537 - pág. 39 ANOS Jornalistas&Cia é um informativo semanal produzido pela Jornalistas Editora Ltda. • Diretor: Eduardo Ribeiro ([email protected] – 11-99689-2230) • Editor executivo: Wilson Baroncelli ([email protected] – 11-99689-2133) • Editor assistente: Fernando Soares ([email protected] – 11-97290-0777) • Repórter: Victor Felix ([email protected] – 11-99216-9827) • Estagiária: Ana Laura Ayub ([email protected]) • Editora regional RJ: Cristina Vaz de Carvalho 21-99915-1295 (cvc@ jornalistasecia.com.br) • Editora regional DF: Kátia Morais, 61-98126-5903 ([email protected]) • Diagramação e programação visual: Paulo Sant’Ana ([email protected]. br – 11-99183-2001) • Diretor de Novos Negócios: Vinícius Ribeiro ([email protected] – 11-99244-6655) • Departamento Comercial: Silvio Ribeiro (silvio@jornalistasecia. com.br – 19-97120-6693) • Assinaturas: Armando Martellotti ([email protected] – 11-95451-2539) Clara Charf teve um papel fundamental na resistência à ditadura militar e na construção da democracia brasileira. Lutou contra a repressão ao lado de Carlos Marighella e enfrentou o exílio, sem nunca abandonar seus ideais. Mas Clara também foi protagonista nas lutas feministas e pacifistas. Presidiu a Associação Mulheres pela Paz, um movimento que articulava mulheres em defesa da justiça social, dos direitos humanos e da não violência. Esse trabalho lhe rendeu reconhecimento internacional: Clara foi uma das mil mulheres de todo o mundo indicadas coletivamente ao Prêmio Nobel da Paz em 2005, como símbolo da luta silenciosa e perseverante das mulheres pela paz. Foi uma honra merecida e um testemunho do alcance de sua atuação. Seu legado é o de uma vida inteira dedicada à justiça, à igualdade e à liberdade. Clara Charf simboliza a coragem de quem resiste sem perder a ternura. Deixa como herança o compromisso com a memória, com a verdade histórica e com o protagonismo das mulheres na transformação do mundo. n Nesta semana abrimos espaço para a homenagem que Paulo Cannabrava Filho fez à ativista brasileira Clara Charf, viúva do líder comunista Carlos Marighella, morto pela ditadura militar em 1969. Ela morreu em 3/11, aos 100 anos, de causas naturais. Estava hospitalizada havia alguns dias e foi intubada, segundo comunicado da Associação Mulheres Pela Paz, da qual era fundadora e presidenta. u Cannabrava, um dos fundadores da revista Cadernos do Terceiro Mundo, que circulou até 2015, hoje diretor do portal Diálogos do Sul Global, foi companheiro de luta de Marighella na ALN (Ação Libertadora Nacional), nos anos 1960. O texto dele foi publicado no portal Construir Resistência. Paulo Cannabrava Filho Clara Charf Tributo a Clara Charf Clara e Marighella com a família O fato de ter sido indicada ao Nobel da Paz junto a outras mulheres é uma prova de que sua ação ultrapassou fronteiras. Ela acreditava que a paz verdadeira só se constrói com justiça social, e é essa visão que inspira gerações até hoje. Clara era uma mãezona. Do tipo que acolhe, que cuida, que abraça – mas também que orienta, que puxa pela coragem. Era uma mulher doce, mas de convicções muito firmes. Não é fácil ser companheira de um combatente como Carlos Marighella. Eles formavam uma dupla de luta, de sonho e de enfrentamento. E não é fácil, tampouco, viver na clandestinidade, longe de casa, da rotina, com medo constante de uma batida ou de uma prisão. Ela enfrentou tudo isso com altivez e solidariedade. Mesmo nos anos mais duros do exílio, Clara manteve a dignidade e o senso de missão. Mais do que uma militante, ela era aquela que dava estrutura emocional ao entorno. Era uma mulher que cuidava das pessoas ao seu redor, mas também puxava todas e todos para a luta. Uma liderança silenciosa, mas indispensável. O Brasil teve o privilégio de contar com uma mulher como ela.
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