Jornalistas&Cia 1537

Edição 1.537 - pág. 6 ANOS prosaica: a capacidade de processamento de um mainframe (nome que se dá aos grandes computadores, que nos anos 1980 ocupavam salas inteiras) é infinitamente menor do que a de um smartphone dos dias de hoje. Imagine o que isso significa no dia a dia de quem se propõe a cobrir esse tema. A velocidade da inovação é diretamente proporcional à ansiedade de quem se propõe a descrevê-la para o seu público – sejam leitores, ouvintes ou espectadores, nos veículos tradicionais ou nas implacáveis mídias sociais. J&Cia – Nos dias atuais, é impossível falar em tecnologia e não pensar em inteligência artificial. Como você enxerga a evolução da IA, seus benefícios e ameaças ao setor? Wilson – Nos anos recentes, surgiram muitas expressões no mundo da tecnologia das quais a gente nunca mais ouviu falar – como metaverso, por exemplo. Agora, chegou a vez da inteligência artificial. Só que essa veio para ficar e transformar radicalmente o mundo em que a gente vive. Para o bem e para o mal. Considerando que a IA é a capacidade que soluções tecnológicas têm de simular a inteligência humana, realizando determinadas atividades de maneira autônoma e aprendendo por si mesmas – graças ao processamento de um grande volume de dados que recebem de seus usuários –, não dá para imaginar até onde ela pode chegar. Mas o objetivo final dos desenvolvedores dos sistemas de IA é chegar o mais próximo possível da capacidade do cérebro humano. A dúvida não é se, mas quando isso vai acontecer. O que talvez possa nos tranquilizar é que, mesmo em velocidade difícil de acompanhar, isso virá gradualmente, não de uma hora para outra. De qualquer forma, a IA vai estar em todos os processos corporativos, na educação, na medicina, na indústria, no urbanismo, no processo eleitoral – enfim, nenhuma área de atividade humana vai escapar. O jornalismo como a gente conhece também nunca mais vai ser o mesmo: o jornalista não será substituído por uma IA, mas o profissional que não souber usar a IA com certeza será menos completo do que um que souber. E o grande segredo, aqui, não só para nós, jornalistas, é aprender a fazer as perguntas corretas (o que no jargão a tecnológico chamam de prompt) para extrair o melhor conteúdo da IA. Se eu precisasse apontar minha maior preocupação com o uso da IA sem dúvida seria a segurança da informação. É aí que mora o perigo. Notícias falsas, vídeos adulterados, imagens fraudulentas já fazem parte da nossa rotina. Contra tudo isso costumo dizer que é preciso dispor de ferramentas de proteção, produzidas justamente... pelos sistemas de IA. Mas, voltando ao Anuário, não é por acaso que a expressão mais frequente nas reportagens e entrevistas que publicamos é, sem dúvida, inteligência artificial. Quer como parte da estratégia de negócios, quer como solução oferecida aos clientes, ou ainda como ferramenta de gestão dos próprios fornecedores de tecnologia. J&Cia – Como você descreveria o panorama do setor da tecnologia da informação nos últimos anos? E quais são as expectativas e previsões para os próximos? É possível afirmar se o saldo é mais positivo ou mais negativo? Wilson – Sem dúvida, por tudo o que a gente falou aqui, com todas as ressalvas necessárias – especialmente em relação à segurança das pessoas e à preservação da democracia –, o saldo é positivo. O exemplo mais claro dos últimos anos foi a revolução provocada pela introdução do 5G, a quinta geração da telefonia celular, que permitiu transformações incríveis em setores como a Internet das Coisas, a automação industrial, os carros conectados, as cidades inteligentes, o agronegócio, a logística, a saúde. Um último comentário: é muito significativo que esta edição especial do Anuário seja lançada exatamente quando se celebram os 40 anos da redemocratização do Brasil – marco histórico de civilidade e símbolo da esperança de que o País se desenvolva com soberania, educação, maturidade tecnológica, mas, acima de tudo, com o respeito indelegável aos princípios de justiça social para o seu povo. Nacionais

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