Jornalistas&Cia 1556

Edição 1.556 - pág. 32 ANOS Jornalismo não é uma profissão diferente das demais: há os corretos e éticos; também os canalhas e corruptos. As duas classificações serão encontradas em todas as profissões, sem nenhuma exceção. Inclusive entre religiosos, que vestem a máscara de santos. Quem acha que hoje a grande mídia está sem qualidade, e concordo 90%, é porque não viram o que era a imprensa dos anos 1950 e 1960, que conheci muito bem. O conflito entre a decência e a pilantragem sempre existiu. Inclusive entre os donos das publicações. Quanto mais de direita era o patrão, mais difícil era trabalhar, tentando superar barreiras. Havia listas de assuntos e pessoas proibidas de divulgar, claro que não escritas, eram recados, que todos nós conhecíamos. Comecei como jornalista em 1962, moleque de 16 anos, obviamente totalmente foca. Não havia faculdades de Comunicações. A gente se aventurava direto nas redações, caso tivesse habilidade para escrever e entrevistar. Com dois anos de trabalho apresentava as matérias assinadas e recebia o registro profissional no Ministério do Trabalho. Grande parte dos jornalistas daquela época saia das faculdades de Direito. No meu caso, nem isso: cursava o antigo ginásio, no segundo ano como secundarista. O total do curso eram 4 anos. Como assinava as matérias com meu nome completo – Milton Saldanha Machado – professores vinham me perguntar se era eu mesmo o autor dos artigos que liam em A Cidade, jornal tabloide semanal, assumidamente de esquerda. Confirmava que sim e recebia elogios. Eles ficavam surpresos em constatar que alguém tão jovem escrevia sobre política com maturidade, num dos n A história desta semana é de Milton Saldanha, 80, jornalista desde 1962, quando tinha 16 anos. Trabalhou em veículos de diferentes portes, chefiou redações, lançou livros, viajou por 80 países. Teve seu próprio jornal, o Dance, por 21 anos. Continua escrevendo e dança tango. Milton Saldanha Olhando o jornalismo pelo retrovisor dois jornais de Santa Maria (RS). O modo como isso aconteceu foi muito simples: levei um artigo pessoalmente, datilografado, e entreguei ao chefe da gráfica, que entregou ao dono do jornal, Clarimundo Flôres, um nome lendário do jornalismo gaúcho. Ele havia fundado o diário A Razão, que vendeu aos Diários Associados. Aí fundou o Diário do Estado, que faliu. Não desistiu e criou A Cidade, semanal, com gráfica própria. Meu artigo foi publicado e mandei o segundo. Também saiu. Quando levei o terceiro já havia um recado de Clarimundo, que queria me conhecer. Aí não parei mais. Além de artigos, fiz reportagens e assinei uma coluna de variedades, com notas curtas, ideia minha, com o título de Desfile. É interessante observar que mesmo sem conhecimento técnico das normas de redação já tinha intuição de como fazer. Tudo que escrevi saiu na íntegra, sem precisar correções. Somente sete anos depois, em 1969, fazendo um estágio no Jornal Tarde, do grupo Estadão, em São Paulo, fui me aprofundar nas questões técnicas, graças ao mestre Fernando Portela, um baita jornalista, que era o chefe de Reportagem. Generoso, me ensinou tudo. Quando tempos depois assumi cargos de chefia em jornais dei o mesmo treinamento a colegas de menor experiência. Chamava-se isso de “cria”. Fulano e Beltrano eram “crias” do Milton. Assim como fui cria do Portela. Era um orgulho ver as crias fazendo sucesso. O que posso afirmar e provar é que convivi em muitas redações com profissionais sérios e de grande talento. Os que não se enquadravam nesse perfil eram todos puxa-sacos patronais conhecidos no mercado. Os colegas fugiam deles, para não se comprometerem. Certamente isso, hoje, em nada mudou. Jornalistas&Cia é um informativo semanal produzido pela Jornalistas Editora Ltda. • Diretor: Eduardo Ribeiro ([email protected] – 11-99689-2230) • Editor executivo: Wilson Baroncelli ([email protected] – 11-99689-2133) • Editor assistente: Fernando Soares ([email protected] – 11-97290-0777) • Repórter: Victor Felix ([email protected] – 11-99216-9827) • Estagiária: Hellen Castro ([email protected] - 11-97770-8574) • Editora regional RJ: Cristina Vaz de Carvalho 21-99915-1295 ([email protected]) • Editora regional DF: Kátia Morais, 61-98126-5903 ([email protected]) • Diagramação e programação visual: Paulo Sant’Ana ([email protected] – 11-99183-2001) • Diretor de Novos Negócios: Vinícius Ribeiro ([email protected] – 11-99244-6655) • Departamento Comercial: Silvio Ribeiro ([email protected] – 19-97120-6693) • Assinaturas: Armando Martellotti ([email protected] – 11-95451-2539)

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