Edição 1.557A - pág. 20 ANOS ESPECIAL D I A DO J O R N A L I S T A cobrimos Saúde, aqui, é impossível dissociar a doença do contexto social em que ela acontece. Por isso, tento sempre trazer esse olhar para as reportagens: compreender que saúde também é resultado das condições de vida da população”. A propósito da cobertura de epidemias como dengue, chikungunya e zika, para Cinthya o trabalho feito durante essas crises foi um verdadeiro marco no jornalismo de Saúde do Nordeste e na trajetória profissional dela: “Em 2015, publiquei no Jornal do Commercio a primeira reportagem alertando para o aumento incomum de casos de microcefalia em Pernambuco, quando médicos e pesquisadores ainda tentavam entender o que estava acontecendo. Foram semanas de investigação jornalística intensa, tentando juntar as peças de um quebra-cabeça que a própria Ciência ainda estava montando. Aquela cobertura mostrou, de forma muito clara, a importância do jornalismo local em momentos de emergência sanitária. Estávamos no epicentro de uma crise que depois mobilizou o mundo inteiro. Também foi um grande aprendizado sobre como traduzir descobertas científicas em tempo real e, principalmente, sobre a responsabilidade de contar histórias humanas em meio a uma crise de saúde pública”. “Quem está nas redações regionais acompanha de perto como as políticas públicas chegam – ou não chegam – à população. No caso da saúde, os impactos das decisões tomadas em nível nacional manifestam-se de maneiras muito diferentes pelo País. Ao longo desses 23 anos cobrindo saúde, vejo que o jornalismo local tem um papel importante de dar visibilidade a essas realidades e de manter temas relevantes na agenda pública, mesmo quando eles já saíram do radar nacional”. Sobre pautas subrepresentadas de Saúde do Nordeste na imprensa nacional, a repórter do Jornal do Commercio cita a diversidade da região, que nem sempre é explicada e destacada quando o olhar vem de fora: “Desigualdades em saúde acabam sendo retratadas de forma simplificada. O acesso a serviços especializados no interior, por exemplo, ou os desafios de regiões com menor estrutura assistencial. Também há questões como doenças negligenciadas, saúde mental e os impactos das condições sociais na saúde que poderiam ser abordadas com mais profundidade”. Cinthya fez praticamente toda a sua carreira no Jornal do Commercio. São 23 anos trabalhando como repórter especializada em Saúde. É a maior campeã da categoria Regional Nordeste do Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e BemEstar, com o total de três troféus e presença constante entre os +Admirados do Setor. Cinthya em audiência pública sobre as filas no SUS para a cirurgia bariátrica em Pernambuco Cinthya Leite Igo Bione
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