Jornalistas&Cia 1557A

Edição 1.557A - pág. 22 ANOS ESPECIAL D I A DO J O R N A L I S T A em âmbito nacional, é um interesse mais amplo. De certa forma, os grandes problemas relacionados à saúde são problemas que competem a todos os estados. O grande desafio é: mostrar que existem também profissionais competentes fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília, e mais: abordar temas locais que possam também ser destacados na imprensa nacional. Um interesse para além do estado, não apenas regional e que seja significativo para o País inteiro”. Silvia destaca, por exemplo, questões agrícolas, pois o Rio Grande do Sul é um estado muito agrícola. A repórter tem atuado para ressaltar consequências à saúde pelo uso excessivo de agrotóxicos, por exemplo. Outra questão é a terceirização da saúde no Sul do País e a má gestão por parte do Sistema Único de Saúde (SUS) em hospitais e unidades básicas de saúde de alguns estados, como é o caso do Rio Grande do Sul, segundo a jornalista. E um terceiro tema é a saúde indígena no estado: “Os indígenas do Rio Grande do Sul vivem de forma muito precária. Acho que falta ainda ao jornalismo dar a devida atenção a esse tema, sobre como vivem essas comunidades. Estamos produzindo matérias sobre o assunto, e observamos que os dados de saúde sobre essas comunidades seguem de mal a pior, então seria um tema importantíssimo de ser repercutido também em nível nacional”. Nesse sentido, reitera a importância do jornalismo local como solução para tornar essa cobertura de Saúde mais inclusiva e ampla: “A cobertura local de fato causa transformações, tem um impacto real, permite engajamento maior das pessoas em alguns assuntos. É fundamental para aproximar as pessoas, porque no final é localmente que a gente pode agir. As pessoas se interessam muito mais sobre o que está acontecendo bem próximo delas. Uma simples informação pode ajudar a prevenir uma doença, a se tratar melhor, a esclarecer certas coisas que elas não sabiam, buscar tratamento... Ou seja, conscientizar-se sobre as questões, mas também entender quais são os problemas mais macro para poder agir melhor e buscar soluções”. Silvia Lisboa é sócia-fundadora do estúdio de reportagens Fronteira, que colabora com veículos de todo o País. Antes do Fronteira, foi repórter da revista Amanhã e de Zero Hora. É figura constante do Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar, tendo aparecido nos TOP 3 profissionais da Região Sul em três edições da premiação. Dificuldades geográficas: O jornalismo da Amazônia – Daniela Branches (TV Amazonas/Globo) Daniela Branches tem pela frente, diariamente, a complexidade da Amazônia durante suas coberturas, principalmente em pautas relacionadas à saúde e à ciência. Afinal, a floresta que é considerada o pulmão do mundo, é prato cheio de assuntos de interesse não só local e nacional, mas também internacional. Porém, com pautas interessantes vêm também muitos obstáculos que tornam o cotidiano do repórter na Amazônia um grande desafio. “No meu caso, as dificuldades logísticas são o maior deles”, declara Daniela. “As peculiaridades regionais, geográficas, como grandes distâncias, é difícil e até inexistente o acesso a determinados locais... tudo isso torna a cobertura desafiadora”. A repórter também destaca problemas financeiros, no sentido Silvia Lisboa durante o trabalho no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. Essa foi uma das regiões mais afetadas pela enchente de 2024 Silvia Lisboa

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