Jornalistas&Cia 1557A

Edição 1.557A - pág. 24 ANOS ESPECIAL D I A DO J O R N A L I S T A A apuração rigorosa e o combate à desinformação são pilares do jornalismo, especialmente na cobertura de ciência, saúde e bem-estar. É preciso ter mais atenção ainda às informações que são publicadas, pois estamos tratando de vidas, da saúde das pessoas, e qualquer publicação equivocada pode ser fatal. Essa reflexão se torna ainda mais importante com a ascensão das redes sociais e dos influenciadores digitais como formadores de opinião. J&Cia conversou com Taise Spolti, colunista do UOL Viva Bem e influenciadora de bem-estar, que esteve na lista dos +Admirados Jornalistas da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar. Ela falou sobre o papel dos criadores de conteúdo no combate à desinformação, especialmente sobre saúde, e também sobre responsabilidade pelo conteúdo publicado nas redes sociais. Leia na íntegra a seguir: Jornalistas&Cia – Explique como funciona sua rotina de trabalho, desde a ideia para um vídeo sobre saúde, a apuração e checagem de informações, até a publicação do conteúdo. Jornalismo x influenciadores e o combate às fake news sobre ciência, saúde e bem-estar Taise Spolti Instagram Taise Spolti – Estou muito imersa nesse mundo, sou formada em educação física e nutrição, então sempre analiso os assuntos sob duas perspectivas. A primeira: o que eu posso ensinar? E a segunda: o que está rolando no mundo, que eu me sinto obrigada a comentar? Ou seja, as matérias abordam tópicos sobre os quais quero ensinar, comentar e compartilhar, baseando-me no que vivo no meu dia a dia no consultório, ou pautas de assuntos mais virais na internet em que eu, como profissional, tenho interesse em comentar, esclarecer e passar essa informação adiante. Outro ponto é a cobertura de eventos e congressos a que sou convidada. Então crio estratégias textuais para compartilhar os assuntos abordados neles. Já na apuração e checagem dessa informação minha base é a ciência e a prática clínica. J&Cia – Como é possível conciliar o lado de influenciadora, buscando audiência e visualizações, mas também o lado jornalístico, com apuração, checagem, ética e responsabilidade sobre as informações e conteúdo que é publicado? Taise – Eu me coloco sempre como profissional da saúde em primeiro lugar. Está na minha rotina a responsabilidade com a ética da classe de que faço parte. Sendo assim, todas as matérias, vídeos, posts de Instagram, serão escritos de modo a me fazer entendida da melhor forma, tal como quando falo com um paciente. Afinal, a boa comunicação depende de ser entendida completamente, e também de facilitar a compreensão do assunto por parte das pessoas. J&Cia – De que forma os influenciadores podem ajudar a disseminar conteúdo de qualidade e bem-apurado, além de combater a desinformação? Taise – Para quem não é da área da saúde e gosta de compartilhar suas rotinas ou opiniões, que é o caso do influenciador, minha orientação é colocar-se no papel de autovigilância. Ou seja, aquela informação que você está dando pode, em menor ou maior grau, fazer mal para alguma pessoa? Se sim, você vai se responsabilizar se for apontado como culpado? Essa autocrítica pode ajudar. O ideal é buscar orientação de especialistas e firmar parcerias com profissionais qualificados antes de divulgar informações de saúde. J&Cia – Você já precisou corrigir fake news e comentários mentirosos entre seus seguidores sobre determinado assunto relacionado à saúde? De que forma podemos lidar com comentários ou mensagens que trazem informações equivocadas ou teorias conspiratórias? Taise – Já precisei combater, assim como já passei por

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