Edição 1.557A - pág. 25 ANOS ESPECIAL D I A DO J O R N A L I S T A situações de profissionais com conflitos de interesse combatendo uma matéria que publiquei. Minha postura foi a de não combater, mas, sim, chamar pra conversar e apontar os erros caso a pessoa estivesse a fim. Mas é muito complicado, pois é justamente nas redes que esses conflitos engajam as contas que querem que isso aconteça. E tudo isso acaba tirando o foco de assuntos importantes de ciência e saúde. Minha dica é: não morda a isca. J&Cia – Que dicas você dá para jornalistas que pretendem também atuar como influenciadores nas redes, principalmente ao trabalhar com conteúdo sobre saúde? Taise – Atuar com saúde nas redes sociais deve ser visto como trabalho e não como aventura ou desejo incansável por encher a agenda com pacientes ou contratos. Num mundo onde tudo pode ser facilmente pesquisado, destaca-se quem tem senso crítico, base de conhecimento, know how. Justamente por ser muito fácil todo mundo saber de tudo um pouco, o ideal é que o profissional se especialize no seu nicho e saiba muito daquilo. E jamais, jamais, perca a ética em busca de likes. Para além do jornalismo Bate-papo com os vencedores do Prêmio Einstein Não poderíamos fazer um especial dedicado à cobertura de Saúde, Ciência e Bem-Estar sem destacar os vencedores do Prêmio Einstein, realizado pelo Einstein Hospital Israelita em parceria com este Jornalistas&Cia, que destaca o trabalho realizado por profissionais e veículos do setor. A proposta, porém, é um pouco diferente desta vez. Já conhecemos os nomes, seus textos, suas falas, suas coberturas e os serviços prestados à sociedade. Mas o que eles fazem depois que desligam os computadores, fecham os blocos de nota, guardam os gravadores, deixam as redações? Quem são as pessoas por trás da profissão, dos repórteres? Para isso, conversamos com os primeiros colocados de todas as edições do Prêmio Einstein para falar, é claro, sobre o que pensam da cobertura de Saúde, Ciência e Bem-Estar nos dias de hoje e os caminhos da profissão, mas também sobre seus livros e filmes favoritos e o que gostam de fazer quando não estão trabalhando. Confira a seguir as conversas com os três grandes campeões do Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar: Claudia Colucci (2025, 2024 e 2022), André Biernath (2021) e Paula Felix (2023). Claudia Colucci Jornalistas&Cia – Como se especializou na cobertura de Saúde, Ciência e Bem-Estar? Claudia Colucci – Sempre tive um interesse genuíno pela área de saúde. Sem saúde, não somos nada. Desde a faculdade lia muito assuntos relacionados à área. No início de 2000, fiz um mestrado em história da ciência e depois uma pós-graduação em gestão em saúde. Essas duas especializações me trouxeram muitos conhecimentos, desde o entendimento sobre os limites do fazer científico até a complexidade das políticas públicas de saúde. J&Cia – Como você enxerga o setor nos dias atuais? Quais são os principais desafios na rotina do repórter de Saúde, Ciência e Bem-Estar? Claudia – Acho que a rotina reúne desafios clássicos do jornalismo – traduzir ciência complexa sem distorcer, avaliar a qualidade da evidência, evitar o sensacionalismo, lidar com pressões de interesses econômicos e institucionais, combater desinformação, dar dimensão humana às histórias e lidar com a incerteza científica. J&Cia – Cite uma cobertura de que gostaria de participar ou uma notícia que gostaria de dar em primeira mão. Claudia – São várias notícias que eu gostaria de dar, mas citaria a cura definitiva do Alzheimer. Há várias drogas promissoras, algumas capazes de desacelerar a progressão da doença em estágios iniciais, mas nenhuma delas é capaz de reverter os danos já causados. Taise Spolti1 PlayBT
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