Jornalistas&Cia 1557A

Edição 1.557A - pág. 4 ANOS ESPECIAL D I A DO J O R N A L I S T A Em 5 de maio de 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional relacionada à Covid-19. Terminava ali a pandemia mais mortal desde a Gripe Espanhola, ocorrida cem anos antes, e que, segundo a OMS, ceifou mais de sete milhões de vidas em todo o mundo, 10% delas só no Brasil. Uma conta difícil de digerir, uma vez que detemos apenas 2,5% da população mundial, mas que poderia ter sido ainda pior. Em um país governado por negacionistas da ciência e da eficácia das vacinas, os esforços da classe médica em não deixar a população desamparada, mesmo colocando suas próprias vidas em risco; da classe científica, ao produzir em tempo recorde uma vacina capaz de proteger as pessoas; e da imprensa, que trouxe luz e informações em um período de obscurantismo, foram fundamentais para que esse número não fosse ainda maior. Diante da crise de transparência nos dados oficiais e do avanço da desinformação, a imprensa brasileira assumiu um protagonismo vital na linha de frente do combate à pandemia. Um marco desse esforço, por exemplo, foi a criação do Consórcio de Veículos de Imprensa, coalizão inédita entre os principais grupos de comunicação do País, que passou a coletar dados diretamente com as secretarias estaduais de saúde, garantindo à população acesso a números precisos sobre casos de contaminação e óbitos por Covid-19. Somado a isso, o trabalho de jornalistas especializados em Saúde e Ciência tornou-se o principal antídoto contra o obscurantismo, traduzindo complexidades científicas, combatendo a desinformação e reforçando métodos de prevenção baseados em evidências, mesmo quando elas ainda não eram claras. “Eu lembro que o principal desafio, em um primeiro momento, foi fazer uma cobertura praticamente no escuro, de algo com que o mundo estava aprendendo a lidar simultaneamente. Como poderíamos noticiar uma informação confiável se, no início, nem os especialistas sabiam direito do que se tratava?”, lembra Diogo Sponchiato, redator-chefe da Veja Saúde. “Depois veio a necessidade de fazer uma cobertura fora da redação, que era algo novo pra gente, e por fim todo o apelo emocional de enfrentar uma situação que estava custando a vida de milhares de pessoas e que a gente não sabia quando acabaria”. Em meio a uma avalanche de informações desencontradas, embates políticos e a propagação de notícias falsas, o jornalismo especializado em Saúde e Ciência ascendeu ao papel de protagonista na imprensa brasileira. Foi um período de relevância máxima para a profissão, embora alcançado, infelizmente, a um custo humanitário com que ninguém gostaria de ter arcado. “Acho que a cobertura do setor amadureceu sob vários pontos de vista durante a pandemia”, afirma Claudia Collucci, O jornalismo que salva vidas Como a pandemia mudou para sempre o patamar do jornalismo especializado em Saúde e Ciência, editorias que seguem em alta, mas agora com outros olhares e desafios Com mais de 700 mil mortos, Brasil viu seus cemitérios colapsarem durante a pandemia Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus

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