Jornalistas&Cia 1557A

Edição 1.557A - pág. 6 ANOS ESPECIAL D I A DO J O R N A L I S T A repórter especial de Saúde da Folha de S.Paulo, eleita três vezes a +Admirada Jornalista de Saúde, Ciência e Bem-Estar do Brasil. “Ela evidenciou o papel estrutural do sistema público de saúde e reforçou sua importância. Reportagens passaram a discutir com mais frequência temas como financiamento do SUS, filas e acesso a procedimentos, falta de profissionais, desigualdades regionais etc”. “A imprensa fez um trabalho muito interessante de cobertura durante a pandemia, principalmente porque enfrentava uma questão de desinformação institucional”, acrescenta Theo Ruprecht, fundador do podcast Ciência Suja. “Foi um momento muito delicado, em que surgiram diversas iniciativas que ajudaram a dar contexto e fazer ponderações mesmo diante de muito afã. A prova disso está no fato de a população inteira não ter tomado cloroquina, mesmo com a orientação do presidente da República. Isso se deve em boa parte à imprensa especializada, que mostrou não haver nenhuma evidência científica que justificasse o uso daquele medicamento”. Bióloga com mestrado e doutorado em Zoologia e Paleontologia pela USP, Ana Bottallo dedicou os primeiros anos de sua carreira profissional à pesquisa científica, mas o desejo de comunicar os avanços do setor além das publicações técnicas a levou a se inscrever no Programa de Trainee em Saúde e Ciência da Folha, em 2018. Aprovada, passou alguns meses imersa na redação, mas a primeira oportunidade de fato, na própria publicação, surgiu apenas em 2020, no início da pandemia, para uma vaga temporária em uma editoria emergencial recém-criada para a cobertura da pandemia. O que era para ser um trabalho de três semanas foi ampliado para três meses e acabou se tornando definitivo. “Foi um grande desafio me adaptar ao tempo do jornalismo”, lembra. “Enquanto no mundo acadêmico a gente chega a levar mais de um ano para redigir um manuscrito, ou algumas semanas ou meses para preparar um artigo científico, eu tive que me adaptar a um trabalho que precisava ficar pronto em questão de horas. Mas o que me marcou mesmo foi a intensidade da cobertura. Foi uma vivência pela qual poucas pessoas passaram. Talvez algo só visto na cobertura de guerras. Eu me lembro de acordar, começar meu dia de trabalho e ir dormir pensando na Covid, acompanhando de perto o trabalho do Consórcio de Imprensa e conversando sobre isso com os meus familiares e amigos. Foi uma cobertura que acabou se entranhando de forma muito intensa na nossa vida”. E ainda que não houvesse um consórcio formal entre os jornalistas especializados em Saúde e Ciência, a gravidade da crise sanitária e essa intensidade da cobertura da pandemia forjaram ainda que inconscientemente uma rede invisível de cooperação para combater o obscurantismo promovido pelo governo e a falta de conhecimento global sobre a doença. Isso fez com que jornalistas e publicações da área também se unissem para encontrar a melhor forma de informar a população com qualidade, rapidez e rigor técnico. “Nos dez anos em que venho atuando especificamente nessa área, pude perceber que ela é muito colaborativa e isso cresceu ainda mais nos últimos anos por causa das diversas batalhas que foram travadas, especialmente contra a desinformação e a Covid”, relembra Luana Viana, chefe de Redação e Redes Sociais do Portal Drauzio Claudia Collucci com o troféu de +Admirada Jornalista da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar 2025 O então presidente Jair Bolsonaro “oferece” cloroquina para uma ema no Palácio do Alvorada. Ela recusou Sérgio Lima/Poder360 Luana Viana

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