Jornalistas&Cia 1558

Edição 1.558 - pág. 33 ANOS LIVROS n Plácido Berci, repórter e apresentador esportivo da TV Globo, lança seu primeiro romance ficcional, Louca normalidade (Mondru). A obra mergulha em temas profundos como saúde mental, laços familiares e a passagem do tempo, narrando a história de Francisco Solano, um idoso jornalista aposentado que, após sofrer um AVC, passa a registrar tudo em blocos de notas para preservar sua memória. u A trama ganha contornos de mistério quando Francisco acorda com uma anotação enigmática sobre uma mulher, uma praia e uma sequência de letras e números. Entre flashbacks, sonhos e investigações solitárias, o protagonista tenta decifrar se testemunhou um crime ou se sua mente fragilizada criou realidades paralelas. u A narrativa alterna entre a terceira pessoa e as anotações íntimas de Francisco, recurso que aproxima o leitor do confuso universo mental do personagem. “Meu objetivo foi gerar reflexão sobre o preconceito em relação a quem é visto como fora dos padrões por questões ligadas à saúde mental”, comenta Plácido. u Inspirado na figura do pai, Pedro Berci Filho, o autor começou a escrever o livro em 2018, observando o hábito paterno de anotar tudo após um AVC. “O personagem principal, Francisco Solano, é praticamente todo inspirado no meu pai, fisicamente e, principalmente, em termos de comportamento e personalidade”, revela. A morte do pai durante o processo de escrita acrescentou novas camadas emocionais à obra, tornando-a também um exercício de luto e elaboração. Plácido Berci estreia na ficção com romance sobre saúde mental, relações familiares e envelhecimento Plácido Berci n A história desta semana é de Paulo de Tarso Porrelli (paulodetarsoporrelli@gmail. com) que trabalhou em São Paulo, na Rádio Jovem Pan AM, nas TVs Band e Globo e em comunicação corporativa. Foi diretorpresidente da Educativa FM de Piracicaba (SP). É cronista vencedor do Prêmio UFF de Literatura – Vinícius de Moraes 100 Anos. Venho lá do telefone discado, do tipógrafo, do mimeógrafo, da serigrafia, das máquinas de datilografar, do telex, do fax; etc. e tais. E – AI – “ainda estou aqui” aprendendo a navegar nos mares das dicotomias e contradições humanas; conforme a água vai batendo no casco da minha nau. Sou um caipira-cosmopolitaautodidata-provisionado. Batalhas a fio, logo cedo aprendi a colocar mel na ponta da lança – treinamento incessantemente solitário para um arqueiro ítalo-brasileiro cuja caldeira ferve num piscar de olhos. Meu pai morreu cinco dias antes do meu aniversário de 8 anos. Professor de Latim e Português, o também assistente social Arcanjo Porrelli dizia: “Uma simples palavra pode custar vidas” – vide o Planeta Terra atual. Será que sempre foi assim? As pérolas do Arcanjo eram contadas por seus companheiros de Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial); um dos Brasis que dá certo. Bem! Mas, tropeçando numa vírgula ou outra, sou grato por poder voltar aqui ao alentador Memórias da Redação, espaço generosamente dedicado pelo Jornalistas&Cia e pelo Portal dos Jornalistas a todos os que gostam de digitar e partilhar pensatas. Todavia, informação a gente transforma em boa ação, não é? O ponto é: sigo acreditando piamente que ser porta-voz é a arte de aproximar as redações de fontes fidedignas, para o bem da verdade. O dom e o desapego Paulo de Tarso Porrelli

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