Edição 1.558 - pág. 34 ANOS O trabalho olhos nos olhos, ombro a ombro sempre me pautou nos vastos campos do jornalismo. Essa “gloriosa e por vezes ingrata profissão”, como bem a define o meu conterrâneo e mentor Roberto Cabrini, levou-me a lugares aos quais eu jamais teria chegado com recursos próprios. Ora, imagina só! Tomo a liberdade de parafrasear aqui o genial compositor e cantor Belchior: “Sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.” E, digase, nada afeito a “jabás”. Como assessor de imprensa, busquei sugerir pautas coerentes e acompanhar de perto os jornalistas às várias reportagens, em segmentos editoriais tais quais turismo, meio-ambiente, saúde, entretenimento, música, teatro, dança, artes plásticas, mineração, gastronomia, nutrição, cultura, segurança pública, economia, negócios, eventos e assim por diante. Pensando essencialmente como repórter, assessorei os colegas no melhor desenvolvimento das pautas, fornecendo a eles roteiros ágeis, pesquisas, bancos de imagens e tudo o que os pudesse levar a contar fielmente as histórias em questão, sem deixar de lado a boa e velha prestação de serviços. Em meio a produtivas prosas, de lá pra cá e vice-versa, eu ajudava as suas equipes a carregar câmeras, microfones, estojos de fiação, fitas betacam, a empunhar rebatedores de luz, enfim, na utilização de aparatos afins. Boas parcerias se formaram nessas jornadas pelo País. Enxergo que, da era analógica à digital, o negócio segue sendo “vender o almoço para pagar o jantar”, como diz o bom caipira. Trabalhar duro mesmo, sem pensar em cargos e títulos. Preparar o circo para quem manja dos picadeiros. Eu escolhi os bastidores. Às vezes freelancer, noutras PJ ou CLT, tudo se juntava ao mesmo tempo agora. Numa só semana, por exemplo, vivi incessantes bate-e-volta para atender a legiões de jornalistas na Festa do Peão de Barretos e, sem perder o ritmo, dar atenção à imprensa especializada em alta gastronomia, num evento de três noites com os chefs franceses Roger Jaloux e Laurent Suaudeau, no Cantaloup Restaurante, no Itaim-Bibi, em São Paulo. Agilidade é diferente de atropelo e assessoria de imprensa depende de criatividade, leveza, desembaraço, versatilidade e presteza. Em Imbituba (SC), tive o prazer de gerenciar as relações com a mídia nacional e internacional para o Projeto Franca-Austral, coordenado pelo Instituto Australis e liderado por Karina Groch, doutora em Biologia Animal; colaborando com profissionais acadêmicos e científicos em estratégias de comunicação pública. Hoje o projeto é patrocinado pela Petrobras. A convite da Anepac (Associação Nacional de Produtores de Agregados), viajei por vários estados do Brasil para entender o porquê de a mineração ser um setor das atividades humanas denominado AAA. (de alto investimento, alto lucro e alto risco), incursão que resultou numa edição especial da Revista Areia e Brita, focada no impacto socioambiental do extrativismo mineral; com patrocínio da Caterpillar. Entretanto, daqui do meu interior, ponho-me hoje a observar e a contemplar tudo e todos em redor. E sinto que a efemeridade nos atinge cada vez mais veloz e ferozmente. Na era das fake news e dos conteúdos muitas vezes vazios, lembro-me do que o saudoso Clóvis Rossi nos disse em seu artigo Verbos que não se ensinam, pela Folha de S.Paulo: “Jornalismo é um exercício basicamente simples, que depende da boa execução de quatro verbospilares: ver, ouvir, ler e contar”. Sendo dessa maneira, encerro estas linhas nas palavras de outro craque; Gabriel García Marques: “Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginála. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. Engin Akyurt/Pixabay
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