ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 5 ANOS Para sustentar a família, o patriarca Silvio havia trabalhado por um curto período em fábricas da região, chegando a atuar como bombeiro e a vender os mais variados objetos na rua, até aprender o ofício de eletricista. Elza, por sua vez, além da criação dos filhos, ajudava a sustentar a casa com seu trabalho em atividades domésticas e complementarmente lavando toalhas para restaurantes. Foi na região conhecida na época como várzea da Barra Funda, que se estendia até bairros vizinhos como Santa Cecília, Perdizes, Pompeia e Sumaré, que Eduardo cresceu, brincando na rua e jogando futebol em qualquer oportunidade que aparecesse. “Sempre que podia eu estava correndo pela rua e driblando. Até a minha mãe, em casa, se ela desse bobeira”, relembra Edu. Ao lado do irmão, seis anos mais velho, também aprendeu logo cedo que a realidade da família demandava que todos ajudassem em casa de alguma forma. Foi assim que começaram a buscar alguns bicos, entre eles o de fiel de veículos próximo ao antigo restaurante Sino Brasileiro, em Perdizes. “Edu era um flanelinha bem esperto”, lembra Silvio. “Ficava lá olhando os carros que chegavam e já ia atrás dos motoristas para conseguir uma graninha. Nosso pai não tinha condições de nos dar mesada, então, a gente tinha que dar outro jeito pra ganhar dinheiro e comprar umas besteirinhas pra comer também. Ainda que, quando ele era novo, só comia praticamente ovo e leite. Minha mãe ficava louca com isso (risos)”. “Brinco dizendo que eu talvez tenha sido um dos predecessores dos flanelinhas”, completa Edu. “Com esse dinheiro, comecei a ajudar também nas contas de casa, mas também gastava com sorvete, pão com mortadela, cerejinha, banana, entre outras coisas…”. Além de ter sido um dos “primeiros flanelinhas de SP”, quando criança, Edu fez diversas outras atividades. Chegou a pegar pedaços de ferro velho em linhas de trem da Barra Funda, para vender; juntava coleções de gibi velhos, montava uma banquinha improvisada na calçada e saía vendendo (no caso, tentava, pois nada vendia, era terrível, segundo recorda). Entre um jogo de futebol com os amigos pelos bairros da região e os bicos para levantar algum dinheiro, Edu também tinha entre seus passatempos favoritos assistir a jogos no Pacaembu: “Como não tinha dinheiro, ia no segundo tempo e ficava esperando abrirem os portões antes do final do jogo. De vez em quando, como criança não pagava, ia escondido e esperava algum adulto mais generoso e pedia para entrar com ele. Aí, às vezes, conseguia ver jogos inteiros”. Sua paixão por futebol, e pelo São Paulo Futebol Clube, cresceu significativamente graças a essas “entradas clandestinas”. Na juventude, sua mãe conseguiu que fosse matriculado em um seminário preparatório semi-interno, uma grande tranquilidade porque ela sabia que ele ficaria por lá o dia inteiro, estudando. O irmão, com quem sempre teve uma boa relação, o levava para as aulas: “Diferentemente de muitos irmãos por aí, eu e Edu raramente brigávamos”, lembra Silvio. “Eu sempre adotei uma postura de protetor. Por ser seis anos mais velho, sempre o protegia. Eu o levava e buscava na escola. Lembro que no seminário ele usava um terninho de uniforme. Desde muito pequenos foi assim, uma relação de muita parceria”. Mas a vida de seminarista não era exatamente a que Eduardo gostaria de seguir, por isso após dois anos ele deixou o colégio e foi estudar em uma escola pública: “Diria que eu era um aluno nota média, não era exatamente o estudante exemplar, mas também não era um mau aluno. Escrevia bem, tinha boa redação, e facilidade com português”. Silvio e Elza, pais de Edu Silvio Marcelo Ribeiro
RkJQdWJsaXNoZXIy MTIyNTAwNg==