Jornalistas&Cia 1565A

Edição 1.565A - 1 de junho de 2026 ANOS Eduardo Ribeiro: ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Conheça nesta edição especial a trajetória profissional do fundador deste J&Cia, do Portal dos Jornalistas e de inúmeras outras iniciativas na área da comunicação. 50 anos de jornalismo e comunicação

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 3 ANOS EDUARDO RIBEIRO: 50 anos de luta em prol do jornalismo e da comunicação brasileira Neste 1º de junho de 2026, Jornalistas&Cia dedica este especial ao seu fundador, Eduardo Ribeiro, que celebra na mesma data 50 anos de uma carreira marcada por muita dedicação e luta pelo crescimento ético e profissional do jornalismo e da comunicação brasileira. Por Fernando Soares e Victor Felix Raízes profundas 1954 foi um dos anos mais dramáticos e conturbados da história brasileira. No Rio de Janeiro, capital do País na época, o Atentado da Rua Toneleiro, que teve como alvo o jornalista Carlos Lacerda e que resultou na morte do major-aviador Rubens Vaz, escalava ao máximo a pressão vivida pelo então presidente Getúlio Vargas, acusado por Lacerda de ser o mandante do crime. O caso inflamou a opinião pública e gerou forte pressão militar pela renúncia do presidente, principalmente após o chefe de sua guarda pessoal, Gregório Fortunato, confessar ter sido o mandante do crime. Jornais importantes da época, como a Tribuna da Imprensa, do próprio Lacerda, e O Globo, intensificaram sua cobertura e assumiram um importante papel de oposição às ações do governo. O desgaste político e a revolta com o assassinato do militar tornaram a situação insustentável para Vargas, que menos de três semanas depois, em 24 de agosto, cometeu suicídio em seu quarto, no Palácio do Catete. No centro desse episódio, a imprensa brasileira vivia uma época de profunda transição, abandonando o modelo literário europeu, com textos longos, panfletários e opinativos, para adotar o estilo estadunidense, factual, com reportagens investigativas e diagramação mais moderna, além da adoção de novos elementos gráficos, fotografias e manchetes chamativas. Longe da confusão da Capital Federal, e alheios ao que representavam aquelas mudanças no jornalismo brasileiro, Silvio Antônio Ribeiro, natural de Jaú, e Elza Eva Diniz Ribeiro, da vizinha Dois Córregos, municípios da região central do Estado de São Paulo, haviam deixado a roça alguns anos antes para buscar, com suas famílias, melhores condições de vida na Zona Oeste da capital paulista, importante berço industrial brasileiro. Foi lá que se conheceram, casaram-se e tiveram três filhos: Silvio Marcelo Ribeiro, Maria Cecilia Ribeiro e o caçula, Eduardo Cesário Ribeiro, nascido em 9 de outubro de 1954, apenas um mês e meio após o momento fatídico que mudaria para sempre a história brasileira. Carlos Lacerda é carregado por policiais da Aeronáutica após o atentado da Rua Toneleiro Primeira página do jornal Última Hora, noticiando a morte de Getúlio Vargas. Crédito: Rio de Janeiro – 1954 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional/Acervo Última Hora

Jornalista não é notícia. Até fazer história. Há jornalistas que cobrem política, economia, esporte. O Edu Ribeiro escolheu cobrir jornalistas. E convenhamos: ter jornalistas como audiência não é para qualquer um. Tantas histórias, tão bem contadas, que celebrar a sua era inevitável. www.bursonglobal.com Parabéns, Edu! Hoje a pauta é sua. O Grupo Burson está nessa com você.

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 5 ANOS Para sustentar a família, o patriarca Silvio havia trabalhado por um curto período em fábricas da região, chegando a atuar como bombeiro e a vender os mais variados objetos na rua, até aprender o ofício de eletricista. Elza, por sua vez, além da criação dos filhos, ajudava a sustentar a casa com seu trabalho em atividades domésticas e complementarmente lavando toalhas para restaurantes. Foi na região conhecida na época como várzea da Barra Funda, que se estendia até bairros vizinhos como Santa Cecília, Perdizes, Pompeia e Sumaré, que Eduardo cresceu, brincando na rua e jogando futebol em qualquer oportunidade que aparecesse. “Sempre que podia eu estava correndo pela rua e driblando. Até a minha mãe, em casa, se ela desse bobeira”, relembra Edu. Ao lado do irmão, seis anos mais velho, também aprendeu logo cedo que a realidade da família demandava que todos ajudassem em casa de alguma forma. Foi assim que começaram a buscar alguns bicos, entre eles o de fiel de veículos próximo ao antigo restaurante Sino Brasileiro, em Perdizes. “Edu era um flanelinha bem esperto”, lembra Silvio. “Ficava lá olhando os carros que chegavam e já ia atrás dos motoristas para conseguir uma graninha. Nosso pai não tinha condições de nos dar mesada, então, a gente tinha que dar outro jeito pra ganhar dinheiro e comprar umas besteirinhas pra comer também. Ainda que, quando ele era novo, só comia praticamente ovo e leite. Minha mãe ficava louca com isso (risos)”. “Brinco dizendo que eu talvez tenha sido um dos predecessores dos flanelinhas”, completa Edu. “Com esse dinheiro, comecei a ajudar também nas contas de casa, mas também gastava com sorvete, pão com mortadela, cerejinha, banana, entre outras coisas…”. Além de ter sido um dos “primeiros flanelinhas de SP”, quando criança, Edu fez diversas outras atividades. Chegou a pegar pedaços de ferro velho em linhas de trem da Barra Funda, para vender; juntava coleções de gibi velhos, montava uma banquinha improvisada na calçada e saía vendendo (no caso, tentava, pois nada vendia, era terrível, segundo recorda). Entre um jogo de futebol com os amigos pelos bairros da região e os bicos para levantar algum dinheiro, Edu também tinha entre seus passatempos favoritos assistir a jogos no Pacaembu: “Como não tinha dinheiro, ia no segundo tempo e ficava esperando abrirem os portões antes do final do jogo. De vez em quando, como criança não pagava, ia escondido e esperava algum adulto mais generoso e pedia para entrar com ele. Aí, às vezes, conseguia ver jogos inteiros”. Sua paixão por futebol, e pelo São Paulo Futebol Clube, cresceu significativamente graças a essas “entradas clandestinas”. Na juventude, sua mãe conseguiu que fosse matriculado em um seminário preparatório semi-interno, uma grande tranquilidade porque ela sabia que ele ficaria por lá o dia inteiro, estudando. O irmão, com quem sempre teve uma boa relação, o levava para as aulas: “Diferentemente de muitos irmãos por aí, eu e Edu raramente brigávamos”, lembra Silvio. “Eu sempre adotei uma postura de protetor. Por ser seis anos mais velho, sempre o protegia. Eu o levava e buscava na escola. Lembro que no seminário ele usava um terninho de uniforme. Desde muito pequenos foi assim, uma relação de muita parceria”. Mas a vida de seminarista não era exatamente a que Eduardo gostaria de seguir, por isso após dois anos ele deixou o colégio e foi estudar em uma escola pública: “Diria que eu era um aluno nota média, não era exatamente o estudante exemplar, mas também não era um mau aluno. Escrevia bem, tinha boa redação, e facilidade com português”. Silvio e Elza, pais de Edu Silvio Marcelo Ribeiro

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 7 ANOS Apesar disso, foi no colégio que Edu teve uma das maiores frustrações de sua vida: “Fui reprovado, tive que repetir o segundo ano do Ginásio. É cruel, né? Perder um ano é terrível. Por isso entendo que a coisa do ensino progressivo é importante. Porque, obviamente, você deve levar a criança a fazer o que ela perdeu, mas precisa recuperar, sem que ela tenha que refazer tudo, incluindo coisas em que foi bem. Obviamente, fui um dos melhores alunos da classe no ano seguinte”. Edu conta que o grande “vilão” dessa história toda foi justamente o professor de português e redação: “Mesmo tendo facilidade em português, naquele ano em que fui reprovado, ‘bombei’ justamente em português, mas também em matemática. Esse professor lia as provas e ficava fazendo bullying com os meninos, ficava gozando de erros grotescos. Em vez de chamar pessoas, ele falava em público”, lamenta Edu, que, uma vez, foi ridicularizado na frente dos colegas por ter escrito a palavra “mosculoso”. E foi na rua Turiaçu, onde morava desde o seu nascimento, que ele conheceu seu primeiro e grande amor. Do grupo de amigos com que brincava desde a infância, uma menina chamada Alice Aparecida Almeida foi quem fisgou seu coração: “Era uma turma que morava e frequentava ali a região de Perdizes. A gente se encontrava sempre e acabamos ficando amigos, com o tempo nos aproximamos ainda mais e eu acabei me apaixonando”, relembra Eduardo. “Morávamos perto e mais ou menos aos 8 ou 9 anos formamos uma turminha de amigos e nos encontrávamos aos fins de semana na frente da minha casa”, acrescenta Alice. “Nessa época, a gente ia a bailinhos, pulávamos carnaval e brincávamos de vários jogos. Lá pelos meus 13 anos, uma de nossas amigas fez aniversário e, para comemorar, fomos a um bailinho. Eu e Edu já éramos muito próximos. Curiosamente, na época, eu vivia enchendo o saco da minha prima para ela namorar com ele, pois dizia gostar dele, isso, claro, sem fazer ideia de que o Edu gostava de mim (risos). E nesse bailinho, ele me pediu em namoro. Pedi um tempo para pensar, consultei minha prima e, no dia seguinte, aceitei. O resto é história”. E que história! Edu conheceu o amor, teve seus filhos, os viu crescer, morou e praticamente trabalhou por toda sua vida na região em que nasceu. É lá, inclusive, que em um sobrado na Rua Diana, fica a redação física deste Jornalistas&Cia (embora, na prática, só ele a frequente, porque toda a equipe trabalha em home office). Por essas e outras é que Eduardo brinca que se fosse um legume seria uma mandioca. “Sou muito ‘de raízes,’ sou muito ligado à minha família, de onde vim, por onde passei. Levo tudo isso com muito carinho na minha vida. Tem gente que gosta muito de mudanças, vive experimentando sempre coisas novas. Eu gosto também, mas valorizo muito as minhas raízes”.

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 9 ANOS A Cargill ocupa uma função central na cadeia de suprimentos ao conectar quem produz alimentos com consumidores em todo o mundo. Nessa jornada para a construção de uma cadeia de fornecimento cada vez mais resiliente e acessível, nós reconhecemos e celebramos a missão dos profissionais do jornalismo que se dedicam à informação de qualidade e à transparência. cargill.com.br Semear a informação para colher uma sociedade melhor para todos O jornalismo antes do jornalismo Os primeiros passos de Edu no jornalismo, curiosamente, vieram anos antes de ele sequer cogitar ser jornalista. Aos 14 anos, em busca de uma oportunidade profissional que o remunerasse melhor que os bicos que fazia em busca de alguns trocados, soube pelo irmão Silvio de uma vaga de office boy na Editora Abril. Era um período extremamente conturbado para a imprensa brasileira. A repressão e a censura, em pleno regime ditatorial, especialmente com a promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), interferiam profundamente no conteúdo que era publicado pela imprensa da época, com censores agindo inclusive dentro das próprias redações. Na época, Silvio trabalhava na Primavera, distribuidora de revistas que pertencia ao Grupo Abril: “Cuidávamos do reparte das revistas, dividíamos os volumes de acordo com as vendas de cada jornaleiro, e às vezes até dava briga no reparte das mais famosas, como Veja, Realidade e as de histórias como Tio Patinhas e Mickey”. Edu comenta: “A Abril era uma coisa assim... exuberante, né? Muita liberdade, tudo o que dizia respeito às redações era fora da curva. Era uma bagunça eterna. E para mim aquilo era muito atraente. Trabalhar na Abril, um sonho...”. Depois de alguns anos na empresa, prestes a se formar no Ensino Médio, quando chegou o momento de tomar a decisão sobre qual carreira seguir, o jornalismo já lhe parecia óbvio. Apesar disso, outra profissão o atraía, a de bioquímico, “apesar de não ser exatamente um craque no assunto”, como ele mesmo afirma. A hora da decisão foi se aproximando, até que, com a ajuda de amigos, ficou sabendo de um teste vocacional que seria realizado na faculdade de Psicologia da USP. Em um certo sábado, Edu se inscreveu, fez o teste, e o resultado dizia que ele deveria cursar algo relacionado a Letras. Decidiu, então, seguir o caminho do jornalismo.

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 10 ANOS “O problema é que eu não tinha um bom preparo. Porque, embora o colégio em que eu estudava, o Alexandre Von Humboldt, tivesse um certo renome, ele não te preparava tão bem ao ponto de deixá-lo pronto para enfrentar as feras que vinham de outros colégios muito melhores”, explica Edu. “Como naquela época eu já trabalhava na Abril, bati o olho num fascículo chamado Curso Abril Vestibular. E tinha toda a coleção comigo, por cuidar da distribuição das revistas. Então, decidi pegar um período de férias só para estudar pelas apostilas do curso”. A ideia era reforçar o que via na escola, com foco no conteúdo que cairia no vestibular. Ele então ficou o mês todo em casa estudando com disciplina, de manhã, tarde e noite, focando em todos os assuntos de exatas, humanas e biológicas. Finalmente, chegou o período dos vestibulares. “Claro que a minha primeira opção era a USP, mas não passei. A segunda era a Faap, mas também não passei. Aí consegui entrar na minha terceira opção, que era a Faculdade Alcântara Machado”. Porém, após um certo tempo, depois de algumas desistências e novas chamadas, uma vaga abriu na Faap e, apesar de mais cara, era a opção perfeita pois ficava perto de onde ele morava: “Aí não tive dúvida. Fui lá pra Faap fazer a faculdade. Foi meu primeiro passo na carreira de jornalista”. Logo de cara a decisão mostrou-se acertada. Aluno dedicado, Eduardo logo cedo começou a se destacar entre os colegas de sua classe, como lembra Claudio Fragata: “Eduardo era completamente o oposto de mim. Ele sempre foi muito focado e competente, enquanto eu era rebelde e indisciplinado. Tínhamos inclusive uma amiga em comum, Beth Caló, que era igual a mim e sempre fazíamos trabalhos juntos. Ele olhava pra gente, e pra nossa desorganização, com um certo bom humor e paciência, mesmo sabendo que no fim era ele que acabava fazendo tudo”. Paralelamente ao curso de Jornalismo, Eduardo seguia seu trabalho na Editora Abril, onde havia conquistado algumas Boa informação gera valor pra todo mundo. Uma homenagem do Santander a quem informa com responsabilidade todos os dias. 01 de junho. Dia da Imprensa

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 11 ANOS promoções e naquele momento já atuava na área administrativa. Na nova função, passou a ter mais contato com diversos jornalistas da casa, especialmente quando participava de ações de integração e competições organizadas pelo Grupo. Ele fez parte, por exemplo, da equipe de tênis de mesa da Editora Abril que foi vice-campeã em um torneio de empresas disputado no Sesc. Já no futebol, sua grande paixão, qualquer oportunidade que surgisse para disputar uma partida ele também agarrava. “Uma vez, em um campeonato interno de futebol, calhou de meu time jogar contra o dele”, recorda Silvio. “Edu jogava como zagueiro, e pensa num cara carniça para te marcar. O lazarento ficava pegando no meu calção e puxando pra baixo, aí acabava caindo e o juiz ainda dava falta para ele. A verdade é que tínhamos muita raça e vontade, mas nos faltava talento. Ainda bem que ele seguiu carreira no jornalismo e não no futebol (risos)”. Jornalista em formação, e trabalhando em uma empresa jornalística, Eduardo esperava ansiosamente o momento em que finalmente teria uma oportunidade na área que escolheu. E ela veio de maneira informal, quando surgiu uma vaga no Tabelão da revista Placar, que reunia classificações e resultados de todos os campeonatos do Brasil e do mundo. O fechamento do Tabelão era sempre nos finais de semana, predominantemente aos domingos, e o convite veio de um colega da faculdade que já trabalhava na revista. Foram três anos colaborando com a publicação, período bastante intenso, em Uma das muitas reuniões de reencontro da turma de Jornalismo da Faap. Ao lado de Edu, na ordem: Áurea Gomes, Antonio Mafra, Dirce Helena e Gleise Santa Clara

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 12 ANOS que teve que conciliar o frila com seu trabalho durante a semana e os estudos. Alice, sua ainda namorada na época, ficava extremamente brava e chateada por seu amado perder os domingos para trabalhar na Placar: “Lembro que, todo domingo, vinha uma perua da Placar para buscar ele e levar para a redação, e depois trazia de volta, já no finalzinho da noite. Claro que eu não gostava, pois, em vez de vir à minha casa passar o dia comigo, ele ia trabalhar, e isso era toda semana”. Foi nesse período de Placar que Edu entrou em contato com importantes figuras da imprensa brasileira, como Juca Kfouri, que na época era diretor de Redação da publicação, Luiz Antônio Nascimento, que posteriormente comandaria o Fantástico, da TV Globo, e Carlos Alberto Noronha, o Carleta, igualmente figura conhecida da imprensa brasileira da época, já falecido. Também foi lá que ele conheceu Wilson Baroncelli, o Baron, que é hoje editor executivo do Jornalistas&Cia e figura importantíssima nessa história toda. “Eu também cursei Faap, estava alguns anos à frente do Edu na trajetória de jornalista, mas não nos conhecemos durante o curso”, conta Baron. “Os primeiros contatos foram de fato na Abril, na Placar, eu também trabalhei lá. Participei de um programa de trainees e fui ficando, ganhando experiência, passei por diversas redações. E sempre acabava cruzando com o Edu aos domingos, quando ele estava no Tabelão. Nessa época, eu também trabalhava aos finais de semana, era repórter, cobria os jogos, e vira e mexe o encontrava na redação”. Mesmo com os primeiros contatos, Baron e Edu ainda não eram exatamente amigos, estavam mais para “conhecidos”. Mais para frente na carreira, os dois acabaram trabalhando juntos em outros veículos e projetos, a amizade se fortaleceu, até o momento em que se tornaram amigos e desde então não perderam mais contato, mesmo tendo seguido trajetórias PP-UNP-BRA-6875 No Dia da Imprensa, reconhecemos o papel essencial do jornalismo na construção de uma sociedade mais informada e consciente. Em saúde, o nosso compromisso com informação de qualidade, responsabilidade e credibilidade é fundamental. A Pfizer valoriza a imprensa como parceira na disseminação de conteúdos baseados em ciência, contribuindo para decisões mais conscientes e para melhorar a vida das pessoas. Imprensa que informa. Ciência que transforma.

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 13 ANOS diferentes em determinado momento de suas carreiras, até firmarem a parceria no J&Cia, em 2005. Foi na época da Placar que Edu teve duas decepções que acabaram selando sua saída da Editora Abril. A primeira quando Carlos Alberto Noronha anunciou sua saída da revista, abrindo assim uma vaga efetiva na redação. “Pensei: poxa, estou aqui já faz um tempo, conheço bem o Tabelão, é minha chance! Cheguei para o Juca Kfouri e perguntei sobre a vaga que o Carleta deixou, que eu queria me candidatar. Mas Juca disse: ‘Desculpe, Edu, mas essa vaga já tem dono, não vai ser pra você desta vez’. Fiquei bem desanimado e decidi sair da Placar”. Mais tarde, viria a segunda decepção. A Abril tinha um programa de bolsas de estudo para funcionários, e ele pleiteou uma para ajudar com seus estudos na Faap. “A Abril sempre tratou muito bem os funcionários, e, na minha cabeça, tinha tudo pra dar certo. Fui me inscrever, mas, para minha surpresa, a bolsa foi negada sob a justificativa de que a Abril só concedia esse benefício se a pessoa estivesse trabalhando na área em que pleiteasse a bolsa de estudos. Aquilo foi um balde de água fria, porque eu não conseguia compreender como é que uma pessoa que está numa empresa, que é apaixonada pela empresa, quer seguir carreira na empresa, naquilo que a empresa faz, e não é apoiada. Foi a gota d’água. Então comecei a procurar outro emprego e acabei saindo da Abril”. Juca Kfouri, Eduardo Ribeiro e Luis Nassif: apesar da decepção no início da carreira, o bom relacionamento manteve-se intacto ao longo das décadas

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 14 ANOS No lugar certo e na hora certa A saída precoce da Abril, naquela época um dos maiores grupos de comunicação do País, quase pôs um fim à carreira de Eduardo como jornalista, antes mesmo de ela ter começado de fato. Com sua experiência adquirida na editora, ele logo conseguiu um emprego para seguir atuando em área administrativa de outra empresa. “Eu ajudava a pagar as contas de casa e ainda tinha a faculdade. Não podia me dar ao luxo de ficar só estudando, porque, como naquela época dizia a música de Martinho da Vila, ela era particular”, brinca. “Comecei a ganhar bem depois que saí da Abril, por isso em um certo momento até pensei em abandonar a ideia de ser jornalista. Eu seriamente pensei: vou me frustrar por não fazer aquilo com que sonhei, mas vou seguir a minha vida, fazer o meu pé de meia e minha carreira em outras áreas”. Mas o destino, felizmente, tinha outros planos. Um certo dia, em 1976, chegando à faculdade, em que cursava o terceiro ano, Eduardo encontrou Luiz Laerte Fontes. Eles se conheciam da Abril, onde haviam integrado o time de tênis de mesa vice-campeão no Sesc. “Eduardo já era um rosto conhecido na Abril”, relembra Fontes. “Em anos anteriores, ele circulava como ‘boy’ pelos vários setores da editora distribuindo correspondência, sempre transmitindo a simpatia que mantém até hoje”. Em ascensão na empresa, Fontes havia sido convidado para ocupar o posto de editor executivo da TV Guia, uma publicação inspirada na norte-americana TV Guide que a Abril lançaria em agosto daquele ano. “Eu estava montando uma pequena equipe para cuidar da programação e, ao ver o Eduardo, imediatamente pensei que ele poderia fazer parte do grupo, o que de fato aconteceu”. Foi assim que em 1º de junho de 1976, Dia da Imprensa, iniciava oficialmente a carreira de Eduardo Ribeiro no Jornalismo. Na TV Guia, ele seria responsável por antecipar a programação da TV Record e teria ao seu lado nomes como Audálio Dantas, então presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP e que no ano anterior havia tido papel fundamental nos protestos após a morte de Vladimir Herzog pela ditadura militar, do também editor executivo Woile Guimarães, de Wilson Baroncelli, que décadas mais tarde se tornaria editor-executivo deste Jornalistas&Cia, cargo que mantém até hoje, e do ainda jovem repórter Caco Barcellos. Mas, apesar do time de peso, e da receita de sucesso estadunidense, a publicação teve vida curta por aqui, sendo descontinuada em dezembro do mesmo ano. “A revista

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 15 ANOS não deu certo para a Abril, mas o jornalismo passou a contar com um profissional que, com sua inteligência e energia, soube transformar desafios em soluções, sempre com um sorriso no rosto. Ver sua trajetória, de office-boy a baluarte do nosso jornalismo, é um orgulho que guardo com carinho”, celebra Fontes. “TV Guia foi uma chuva de verão: intensa, mas que infelizmente durou muito pouco”, lamenta Eduardo. “Acho que o Fontes se sentiu meio responsável por ter me tirado do meu emprego e me levado para um projeto que durou tão pouco e mexeu alguns pauzinhos pra me recolocar dentro da Editora Abril. Ele conseguiu uma vaga pra mim na Casa Cláudia”. Para quem era apaixonado por futebol, e que também nutria um grande interesse por televisão – tanto que sua primeira filha, Narjara Thamiz Ribeiro, teve seu nome dado em homenagem à atriz Narjara Turetta –, trabalhar numa revista de decoração poderia parecer algo bem fora da curva. Mas não foi. “Casa Claudia foi o melhor lugar em que trabalhei na minha vida. Uma equipe espetacular, que se encaixava muito bem. Fiquei apenas um ano lá, ganhei meu primeiro prêmio de jornalismo e fiz amigos que ficaram para a vida toda”. Um desses amigos foi Sinval Medina, então diretor de Redação: “Quando o fechamento da TV Guia tornou-se inevitável e os profissionais da revista começaram a ser demitidos, seu editor executivo, Luís Laerte Fontes, meu primeiro chefe na Abril, indicou um jovem muito promissor para a vaga de repórter em Casa Claudia. Seu nome, Eduardo Cesário Ribeiro. Logo no primeiro contato, percebi que ele tinha o perfil que eu buscava para ampliar o escopo da revista. Logo Edu se familiarizou com o universo de cobertura da revista e foi a campo para descobrir fontes, garimpar notícias, sugerir pautas, enriquecendo com informação escrita as páginas de Casa Claudia. Nesse processo, tornou-se um colaborador valioso para o crescimento da revista como veículo jornalístico. E se tornou expert na matéria. Da nossa relação profissional nasceria uma amizade que perdura até hoje. Basta dizer que eu e a minha companheira de vida inteira, Cremilda Medina, somos padrinhos de casamento dele. Acho que isso diz tudo”. O fim da intensa, porém curta, passagem por Casa Claudia teve início quando Antônio Oliveira Mafra, colega de Faap, com quem havia trabalhado na TV Guia e que naquele momento estava atuando na assessoria de imprensa da Firestone, recebeu um convite para trabalhar como repórter em uma revista de engenharia e construção da Editora Pini. Satisfeito com seu trabalho de então, ele recusou e ofereceu a vaga a Eduardo, que mesmo feliz na Casa Claudia foi ouvir a proposta. “Lá eles me falaram sobre a revista e o salário, que era uns 30% a mais do que eu ganhava”, explica Edu. “Obviamente eu precisava de dinheiro e meu salário era fundamental, mas não queria trabalhar em uma revista técnica, que não tinha nada Troféu conquistado no Prêmio Abril de Jornalismo por reportagem produzida para a Casa Claudia

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 16 ANOS Neste Dia da Imprensa, expressamos nossa homenagem a Hipólito José da Costa, fundador do Correio Brasiliense, a Eduardo Ribeiro e a todos os jornalistas que colocam seu talento dia a dia a serviço de uma imprensa livre e independente. DIA DA IMPRENSA 01 DE JUNHO a ver comigo. Por isso conversei com o Sinval para tentar alguma barganha para melhorar o meu salário na Abril. Como não cabia a ele a decisão, foi falar com a diretora da revista, Olga Krell, e dela veio a seguinte resposta: ‘Não tem aumento. Se não tiver satisfeito pode ir embora.’ Aí eu, com 21, 22 anos de idade, pensei: ‘Se eu me acovardar agora, minha vida vai ser uma inteira servidão, eu vou embora.’ E saí, com uma tristeza imensa, porque foi o melhor lugar que eu já havia trabalhado na vida. Mas não me arrependo, não, porque foi fundamental para a minha própria autoestima”. Agora na Editora Pini, ele tinha ao seu lado novamente o também repórter Claudio Fragata, o mesmo com quem costumava fazer trabalhos de faculdade em equipe, ao lado de Beth Kaló. Foram dois anos trabalhando juntos na publicação, de 1978 a 1980, sendo que a partir de 1979 eles também passaram a trabalhar paralelamente como revisores no DCI. “Eduardo, naquela época, já tinha uma vivência maior em redação do que eu, que estava começando e sofrendo com muita insegurança”, lembra Fragata. “Havia escolhido jornalismo porque adorava escrever, mas nunca tive muito a veia jornalística da investigação. Além disso, o tema da revista não me interessava em nada. Mas tive a sorte de reencontrar o Edu, principalmente porque tem um aspecto nele que sempre se destacou, que é o da generosidade. Devo muito a ele, pois me ajudou muito no começo, principalmente porque a chefia percebia o meu despreparo e por isso me passava as piores e menos importantes pautas”. Sentindo-se desprestigiado e insatisfeito com o trabalho, Claudio desejava encontrar novos caminhos dentro do Jornalismo e ficou empolgado quando Eduardo falou sobre algumas vagas para revisor que haviam sido abertas no jornal DCI. Não era exatamente uma oportunidade que permitiria abrir mão do trabalho na Pini, mas como os horários não coincidiam, seria possível manter uma jornada dupla de trabalho nas duas publicações. “Pini durante o dia e à noite no DCI. Achei ótimo, porque no fundo eu queria sair, apesar do pessoal que trabalhava lá ser muito bacana. Então fomos para o DCI fazer revisão. E, por mais que o trabalho não fosse dos mais emocionantes, tive algumas alegrias ali, como acompanhar em primeira mão as colunas de alguns jornalistas que eu admirava”. A Pini, como lembra Eduardo, foi o único lugar de que ele foi oficialmente demitido: “Fui demitido por ter faltado numa QuartaFeira de Cinzas. Mas a verdade é que a revista já estava em crise, precisando cortar gente, então foi um pretexto para eles me demitirem. Quando saí da Pini, ainda tinha esse trabalho no DCI, que me ajudou a segurar um pouquinho as pontas”. Mas já em clima de “fim de feira”, a passagem de Eduardo pelo DCI também não duraria muito. Naquele começo de 1980, uma área correlata ao jornalismo vinha crescendo de importância e empregando muitos profissionais do segmento, uma oportunidade que, mesmo sem que soubesse naquele momento, iria agarrar e não largar por bastante tempo. Equipe da Editora Pini

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 17 ANOS No Dia da Imprensa, celebramos Eduardo Ribeiro por sua contribuição ao jornalismo, à comunicação e ao mercado de relações públicas no Brasil. Parabéns, Eduardo! anos contando, conectando e valorizando histórias. 50 A estabilidade “do outro lado do balcão” A década de 1980 marcou o início de um período de profunda transformação no trabalho de assessoria de imprensa no Brasil. Impulsionada pela reabertura política e a redemocratização que se avizinhava, após duas décadas de ditadura militar, o setor ganhava cada vez mais importância nas estratégias das empresas, passando por um processo irreversível de profissionalização e estruturação de equipes mais robustas. Recém-desempregado, após sua saída da Pini, ainda em 1980 Eduardo buscava um trabalho que permitisse um salário melhor e perspectivas mais estáveis de carreira. Aspectos importantes especialmente para quem, no final do ano, seria pai pela primeira vez. “Depois que saí da Editora Pini, fiquei sabendo de uma oportunidade na Villares, através da Sílvia Graubart, com quem eu havia trabalhado na Casa Cláudia”, comenta Eduardo. “O marido dela, Nelson Graubart, trabalhava na área de design gráfico e comunicação visual da empresa, que estava reforçando sua estrutura de assessoria de imprensa. Foi assim que surgiu minha primeira oportunidade no setor”. “Eu trabalhava na Villares desde 1971”, lembra Nelson, que fundou e comanda há 43 anos a On Art, agência especializada em design gráfico, e que anos mais tarde foi o responsável pela criação do primeiro projeto gráfico do Portal dos Jornalistas. “Nós tínhamos um jornal interno, que era muito legal, e alguém que eventualmente tratava com os jornalistas, mas naquele período a empresa percebeu a necessidade de investir mais no setor e contratar novos profissionais para dialogarem com o público externo. Foi aí que eu soube, através da minha esposa, que Edu estava procurando uma oportunidade não só em redação e então eu o indiquei para a vaga”. Sob o comando de James Stuart Hodge, um brasileiro de nome estrangeiro apaixonado por motociclismo, a área de imprensa da Villares era um reflexo claro desse movimento de crescimento do setor naquele início da década de 1980. Além de Eduardo, contratado para cuidar do relacionamento do grupo com a imprensa, outro reforço daquela mesma época foi Wilson Costa Bueno, que chegou para cuidar da área de publicações, entre elas o jornal interno da empresa e uma revista técnica do setor. “A Villlares, na época, era uma empresa protagonista de mercado e seu executivo principal, Paulo Villares, era considerado uma referência”, recorda Bueno, hoje professor sênior da Universidade de São Paulo e diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. “Eduardo, desde o começo, sempre teve muito boa relação com a imprensa, inclusive pelo trabalho na Comissão de Assessores do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), o que lhe permitia uma entrada Nelson e Silvia Graubart (nas laterais), com Eduardo e Alice (ao centro), durante uma festa realizada quase quatro décadas depois do começo na Villares

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 18 ANOS maior com os jornalistas. Além disso, ele sempre foi muito proativo, íntegro e responsável. Uma pessoa que tinha uma capacidade de interlocução fantástica com a imprensa e com os executivos da empresa, competências e habilidades que mantém até hoje”. Imerso nessa nova realidade, Eduardo assumiu nesse mesmo período a coordenação de assessoria de imprensa do SJSP, acompanhando de perto a transformação pela qual o setor passaria nos anos seguintes. E foi dentro do próprio sindicato que ele conheceu Fátima Turci, então diretora Social de Eventos da entidade. Na época, ela dividia sua atuação profissional entre o trabalho como assessora de imprensa do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e o de editora do Estadão, algo ainda muito comum naquele período. Convidada a se transferir para o Jornal do Brasil, ela teria que abrir mão de seu trabalho junto ao Sindipeças e ficou responsável por indicar alguns profissionais para substituí-la. “Eu precisava de alguém que pudesse seguir o trabalho que eu havia desenvolvido e que, acima de tudo, agradasse a Pedro Eberhardt, então presidente da entidade”, lembra Fátima. “Levei várias pessoas para ele conhecer e uma delas foi o Edu, que eu já conhecia e adorava o trabalho. Ele era um profissional discreto e que trabalhava duro e logo de cara agradou muito ao Pedro”. Foi assim que, em 1986, Edu encerrava seu ciclo na Villares e teria início um novo desafio, agora à frente da Comunicação do Sindipeças. O novo trabalho abriu novas portas, em especial na imprensa automotiva, o que anos mais tarde resultaria em uma série de projetos especiais voltados aos profissionais dessa área, como o guia Imprensa Automotiva (Puente), a newsletter Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva e o prêmio +Admirados da Imprensa Automotiva. Por lá, foram mais seis anos de trabalho, até 1992, quando encerrou a gestão de Pedro Eberhardt à frente da entidade. Foi então que o empresário fez o convite para levá-lo para trabalhar na área de imprensa da Arteb, da qual era presidente. Era uma época em que também as agências especializadas em assessoria de imprensa ganhavam força e se multiplicavam no mercado. Uma delas era a Casa da Notícia. Fundada em 1987, a agência tinha entre seus sócios Fátima Turci e atendia justamente à conta da Arteb. “Chegou um momento, porém, em que Pedro queria se livrar do meu salário, mas não queria se livrar de mim”, brinca Eduardo. “Ele fez então um acordo com a Fátima e eu acabei indo trabalhar inicialmente na Casa da Notícia. Algum tempo depois, Fátima e Antonio Salvador Silva, que também era sócio da CDI ao lado de Nereu Leme, deixaram a sociedade e fundaram a Casa da Imprensa. Na divisão, a conta da Arteb migrou para a CDI e eu acabei indo junto”. “Eu adorava trabalhar com o Edu”, destaca Fátima. “Ele era uma das pessoas mais fáceis pra se conviver no ambiente Eduardo, no seu período de atuação pelo Sindipeças Eduardo, com Márcio Stéfani e Gilberto Gardesani, em um evento da indústria automotiva em sua época no Sindipeças

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 19 ANOS INCONTÁVEIS EDIÇÕES. Parabéns, Eduardo Ribeiro! 50 anos www.planin.com profissional, primeiro porque trabalha de verdade, não é daqueles que enrolam. Segundo, porque ele é um cara extremamente perspicaz, sensível e de iniciativa. Eu não era uma chefe nem muito dura nem muito cordata. Sempre fui de orientar e dizer o que eu queria, mas no caso do Edu ele fazia melhor do que eu solicitava. Se tinha um problema, ele ia lá e resolvia”. Entre Arteb, Casa da Notícia e CDI, foram mais três anos como assessor de imprensa, mas em 1995 a veia empreendedora de Eduardo Ribeiro começava a pulsar ainda mais forte. A sua grande aposta naquele momento era criar uma newsletter baseada em uma coluna que ele escrevia há alguns anos para o jornal do Sindicato dos Jornalistas sobre movimentações em redações. Ela seria enviada por fax para as principais redações e assessorias do País e levaria o nome de FaxMOAGEM. “Lembro que ele veio falar comigo sobre essa ideia e eu sugeri montar, mas continuar trabalhando com a gente, porque achei que aquilo não daria dinheiro e que não iria pra frente. Ainda assim ele decidiu sair da agência e montar a tal newsletter, na cara e na coragem. Ainda bem que eu estava enganada”, completa Fátima. E o resto é história... Edu e Fátima Turci (em primeiro plano) em evento no Sindipeças Da luta contra a ditadura aos movimentos sindicais Cursar Jornalismo na década de 1970, em plena ditadura militar, ia muito além da escolha por uma profissão. Era quase que um ato de resistência. De acordo com dados publicados em 2017 pela Comissão da Verdade do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, pelo menos 25 jornalistas foram assassinados e algumas centenas perseguidos, presos e torturados durante o período em que o País foi comandado pelos militares. “Meu lado mais político, de militância, começou na faculdade”, recorda Eduardo, que ingressou no curso de jornalismo da Faap em 1974. “Foi um período em que começaram a retomar as manifestações, que ficaram banidas por alguns anos. Sobretudo as greves, que começaram a pipocar em vários setores da economia, incluindo o jornalismo. Lembro que na greve de 1979, dos jornalistas de São Paulo, foram realizadas três ou quatro assembleias entre as maiores já registradas pela categoria. Eu participei de todas elas, inclusive a que contou com a presença de Lula, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, na Casa de Portugal. Também lembro de outra realizada na Igreja da Consolação, apinhada de gente, todo mundo fumando lá dentro. Um desrespeito impressionante pelas coisas sagradas, mas ninguém estava nem aí”. Em um caminho natural, a militância política o aproximou logo cedo do Sindicato dos Jornalistas. Ainda como estudante, chegou a colaborar com o Unidade, jornal oficial da entidade, que havia sido lançado em 1975, com uma matéria sobre assessoria de imprensa. Assembleia no TUCA selou a greve geral dos jornalistas de 1979

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 20 ANOS Mais tarde, já formado e sindicalizado, participou da greve geral de jornalistas, já mencionada, em maio de 1979. A paralisação, que reivindicava, entre outros pontos, aumento salarial de 25% para a categoria, terminou com o movimento sendo julgado ilegal e resultando em demissões em massa. “Ela foi um fracasso, mas foi histórica. Tinha uma força muito grande, mas os patrões foram mais fortes do que a base, conseguindo derrotar a greve”, relembra Eduardo, que, apesar de participar do movimento, conseguiu manter seu emprego na Editora Pini após o fim da paralisação. No ano seguinte, 1980, quando deixou as redações para trabalhar em assessoria de imprensa, seu caminho natural foi participar mais ativamente das discussões sobre essa área dentro do sindicato. Ao lado de outros profissionais que também atuavam em assessoria, começou a participar de reuniões com o objetivo de discutir melhores práticas e a valorização da categoria. Ao ser eleito para a diretoria em 1983, acabou naturalmente assumindo a coordenação da Comissão de Assessoria de Imprensa, criada alguns anos antes nas gestões de Audálio Dantas e Lu Fernandes com o objetivo de organizar, representar e defender os direitos dos jornalistas que atuavam no setor. Uma das pioneiras da Comissão foi Walkiria Gorretta, que na época atuava como assessora de imprensa do banco Nossa Caixa. Para ela, a participação de Eduardo naquele período foi fundamental para que a iniciativa saísse do papel e tivesse papel de relevância dentro do Sindicato: “Edu foi um dos que batalharam de maneira mais enérgica ao nosso lado, inclusive para viabilizar o lançamento do Manual de Assessoria de Imprensa, algo inédito para o setor. Ele também foi um dos grandes incentivadores para a realização de eventos, como os encontros de assessores que começamos a fazer por todo o Brasil”. “Dudu era sempre o líder das reuniões”, complementa Cecilia Queiroz, que também foi pioneira naquele movimento. “Quando fizemos o Encontro de Assessoria de Imprensa em Águas de São Pedro, que foi muito importante pra época em que estava no auge a discussão sobre o que era o trabalho do jornalista e o do RP, a participação do Eduardo foi fundamental para que o evento acontecesse”. Foi também dentro do sindicato que seu espírito empreendedor começou a aflorar. Quando Antonio Carlos Fon assumiu a Presidência da entidade, em 1990, ele levou ao novo mandatário uma proposta: assumir a área comercial do jornal Unidade sem nenhum custo para o sindicato. Qualquer remuneração viria apenas dos contratos fechados com anunciantes. “Lembro bem que naquela época a situação financeira do Sindicato estava muito ruim”, conta Fon. “Nossa sede no Vale do Paraíba, por exemplo, devia muito dinheiro ao banco e já não tinha nenhum crédito na praça. Além disso, o Unidade também não tinha patrocínio e era mais uma despesa alta que tínhamos”. Apesar disso, a aposta no jornal era muito grande. Vice-presidente de Antonio Carlos, o experiente e premiado José Hamilton Ribeiro assumiu o compromisso de fazer o jornal circular mensalmente, regularidade antes nunca alcançada, na lógica de que em casa de ferreiro o espeto é de pau. Assumiu e planejou um jornal que estivesse à altura dos jornalistas brasileiros, com um linha editorial crítica, atraente e abrangente, o que antes só acontecia pontualmente. “Zé Hamilton fez do Unidade um jornal vibrante, polêmico e que dava repercussão aos montes”, destaca Eduardo. “Foi então que o Eduardo, que já tinha feito campanha junto com a gente para a eleição da chapa, fez essa proposta de buscar os anúncios para o Unidade”, prossegue Fon. “E quando ele trouxe para mim eu achei ótima, tanto que pouco tempo depois que ele assumiu essa tarefa, o Unidade já estava se pagando e gerando lucro para a própria entidade”. Eduardo, no Encontro de Jornalistas em Assessoria de Imprensa, realizado em Natal

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 21 ANOS Caráter Ética Fatos Relevância Precisão Propósito Fonte Notícia Relacionamento Visibilidade Influência www.giselegomescomunica.com.br Celebramos quem transforma informação em confiança todos os dias. há credibilidade. Onde há verdade, Além disso, as pontes construídas por anos dentro da comissão de assessores criavam um cenário perfeito para transformar o sucesso editorial do Unidade também em sucesso comercial. Com o apoio de Paulo Vieira Lima, Eduardo aproveitou as relações próximas com diversos profissionais de assessoria de imprensa, que naquele momento estavam à frente de algumas das principais empresas do Brasil, para vender publicidade para as edições do Unidade. Em um desses especiais, de Dia da Imprensa, o Unidade chegou a circular com 78 páginas, 40 delas de anúncios, um recorde que nunca mais foi batido. “O pessoal de assessoria de imprensa, que era jornalista, mas que não conseguia ter muita participação nas discussões do sindicato, via no Unidade uma forma de participar mais ativamente apoiando a publicação”, explica Eduardo. Esse cenário comercial positivo, mais a experiência da produção do Manual de Assessoria de Imprensa, lançado em 1986 sob os auspícios da Fenaj, também serviu como pano de fundo para a produção de uma série de livros e guias produzidos dentro e em parceria com o Sindicato dos Jornalistas de SP: “Ali começou a minha fase empreendedora, porque eu tinha algumas ideias e comecei a aplicar com sucesso no sindicato. Foi uma fase em que, durante algum tempo, a gente fazia duas, três publicações especiais por ano, que geravam uma receita importante para o sindicato e, mais do que isso, geravam conteúdo gratuito para os associados”. Em parceria com Cecilia Queiroz e Paulo Vieira Lima, surgiu então a Puente, uma editora criada justamente para produzir essas publicações, e que ao longo da década de 1990 lançou nove livros-guia, entre eles o Colunistas Brasileiros, Imprensa Automotiva, Fontes de Informação e o Guia Brasileiro de Comunicação Empresarial e Assessoria de Imprensa, que em sua segunda edição chegou a ser premiado com o Prêmio Aberje. Mas a participação de Eduardo nas atividades do sindicato ao longo da década de 1990 não foi apenas comercial. Em 1991, o Unidade vivenciava um período que se destacava por uma leitura mais leve, em que mantinha informações importantes para a categoria, mas também trazia conteúdos como entrevistas com grandes nomes do jornalismo, reportagens especiais e colunas. “Um dia, Zé Hamilton criou lá uma coluna que se chamaria MOAGEM e chegou para mim e falou: ‘Dudu, olha aqui, tem essa coluna que a gente vai fazer no Unidade, que é uma coluna sobre coleguinhas. Coleguinha adora se ver no jornal. Você vai fazer uma coluna de coleguinha.’ Eu retruquei que nunca havia feito aquilo e que nunca tinha sido colunista. Mas, enfim, como bom soldado, falei que iria tentar. Já na primeira edição foi um sucesso estrondoso, com 20, 30 cartas sendo enviadas ao sindicato para elogiar o novo espaço”, recorda Eduardo. Em uma delas, enviada por Lizete Teles de Menezes, que mais tarde teria atuações por Época Negócios e Valor Econômico, cravou que “estava nascendo o nosso Zózimo Barroso do Amaral”, em referência ao célebre colunista social com passagens por Jornal do Brasil e O Globo. “MOAGEM era a seção mais lida do jornal”, lembra Theo Carnier, que comandou o Unidade naquele período. “Todo mundo queria ver a movimentação profissional, então era um grande sucesso entre os jornalistas”. Lançamento do Guia Imprensa Automotiva (Puente), no Salão do Automóvel de 1998 Eduardo e José Hamilton Ribeiro, criador da coluna MOAGEM

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 22 ANOS Um agitador do bem Paralelamente à sua atuação no sindicato, Eduardo começou a participar logo cedo, ainda na década de 1980, de atividades junto a outra entidade correlata ao jornalismo, a Aberje, que na época ainda se chamava Associação Brasileira de Editores de Revistas e Jornais de Empresa. Foi naquela época que em paralelo à entidade surgiu o Grupo de Estudos sobre Comunicação Empresarial (Grece), movimento que reunia perto de 25 profissionais. Ele deu origem a uma geração de novos comunicadores, que seriam responsáveis pelo intenso processo de modernização e profissionalização, trazendo o mercado da comunicação empresarial aos sofisticados níveis em que hoje se encontra. “Chegou um momento em que o Grece estava tão fortalecido que nós fizemos uma campanha para eleger como presidente da Aberje Amauri Beleza Marchese, que era gerente de comunicação da Johnson”, lembra Marco Antônio Rossi, que na época atuava na Comunicação do Grupo Matarazzo. “A partir dali, a Aberje começou a passar por uma transformação e começou a ter um protagonismo maior”. Mas, apesar do novo momento que a entidade começava a experimentar, com pautas mais alinhadas à evolução da comunicação corporativa na época, um grupo de oposição começou a surgir dentro da Aberje. Clamando por pautas que estariam sendo deixadas de lado, entre elas um anseio por maior representatividade nacional, com membros de outros estados compondo a diretoria, o grupo era encabeçado por Eduardo Ribeiro e Wilson Bueno, que haviam trabalhado juntos na Villares. “Foi a primeira e única eleição da Aberje que não teve chapa única”, lembra Eduardo. “O problema é que Wilson agitava, mas ele não era associado. E o Sindipeças, onde eu estava na época, também não era associado, então nós não podíamos concorrer. Nessa época eu já tinha mais proximidade com o Marco, porque também estávamos na Comissão de Assessoria de Imprensa do sindicato, e acabei o convencendo a encabeçar a chapa. Fomos então para a campanha, perdemos, mas o resultado até que foi razoável, com a nossa chapa recebendo 30% dos votos. Acho que esse movimento acabou sendo positivo para a Aberje, tanto que Amauri fez um segundo mandato muito bom, fortalecendo ainda mais a entidade”. “Até hoje acho que foi um erro de minha parte, mas acabei encarando essa tentativa motivado pela relação com o Wilson e com o Eduardo”, acrescenta Marco Rossi. “Mas ainda bem que deu errado, porque Amauri se reelegeu, fez um segundo mandato muito bom, criou novas diretorias mais alinhadas com o que o mercado precisava naquele momento, trouxe para o seu lado profissionais que já se destacavam no setor, como Renato Gasparetto e Ruy Altenfelder, que depois virou presidente da entidade”. Em 1989, como resultado dessa evolução e mudanças de paradigmas dentro da associação, a Aberje mudou seu nome para Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, ainda que tivesse mantido a sigla original. Apesar da tentativa frustrada de ter uma participação mais efetiva na diretoria da entidade, Eduardo manteve desde então proximidade com a Aberje, tanto que quando Antonio Alberto Prado foi eleito presidente chamou-o para cuidar do núcleo de cursos: “A Aberje está no meu DNA, na minha estrutura, na minha simpatia. Operacionalmente, minha participação na Aberje foi pequena, curta, mas a minha participação geral, inclusive como parceiro, é da vida toda”. De fato, ainda que a experiência à frente da área de cursos da entidade tenha durado pouco tempo, a relação entre Eduardo e a Aberje seguiu sempre muito próxima. Ao longo dos anos ela apoiou grande parte dos projetos e ações criados por Eduardo e em fevereiro de 2011 homenageou-o com um troféu por sua contribuição à comunicação corporativa. A entidade também reconheceu este Jornalistas&Cia com o Prêmio Aberje em duas oportunidades, em 2017, com o troféu principal, como Mídia Especializada, e no ano passado (2025), com menção honrosa pela celebração dos 30 anos de vida. Renato Gasparetto e Eduardo Ribeiro

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