Edição 1.581 - pág. 29 ANOS Brasília CENTRO-OESTE n A convite de Kátia Cubel, da Engenho Comunicação, a organização Repórteres Sem Fronteiras apresentou em Brasília na semana passada o estudo Futuros do Jornalismo – Cenários e implicações para o jornalismo íntegro e de confiança para os próximos 10 anos, realizado em março deste ano. A iniciativa reuniu 35 jornalistas e profissionais de comunicação de Agência Senado, Blog do Eldo Gomes, Metrópoles, Correio Braziliense, Platô BR, Poder 360, SBT, GPS, Nova Brasil, Jovem Pan, e assessores de comunicação e instituições como Unesco, Sesi e OCB, além das universidades UnB, Iesb, UDF, Universidade Católica de Brasília e Uniceub. A apresentação foi feita por Bia Barbosa, coordenadora da RSF, especialista em direitos humanos, liberdade de expressão e regulação de plataformas digitais. u A metodologia adotada na pesquisa envolveu desde o estudo preliminar das condições atuais, elaboração de cenários futuros até a proposição de uma síntese de estratégias para impulsionar o jornalismo no País. Entre elas: tornar o método jornalístico transparente e amplamente conhecido; enfrentamento à desinformação; fortalecer redes de cooperação; diversificar modelos de sustentabilidade financeira; investir em educação midiática; e advocacy para fortalecimento do ambiente regulatório do jornalismo. u Kátia é a criadora do Prêmio Engenho de Comunicação, do Prêmio Engenho Mulher e do Festival de Jornalismo para Estudantes – O Futuro do Jornalismo. O estudo apresentado foi realizado pela Unicamp, com a chancela de um comitê consultivo formado por Abraji, Ajor, Artigo 19 Brasil e América do Sul, Fenaj, Instituto Vladimir Herzog e Momentun, e com recursos financeiros aportados pela Embaixada do Reino Unido no Brasil. A íntegra do estudo está disponível para download gratuito aqui. Estudo aponta caminhos para o jornalismo no Brasil Bia Barbosa Kátia Cubel Arquivo pessoal Especialistas defendem cuidado na regulação de redes para não comprometer liberdade de expressão n Em audiência pública do Conselho de Comunicação Social do Congresso em 14/9, Jamil Assis, diretor do Instituto Sivis, sustentou que, ao contrário do que possa parecer, a internet no Brasil não é “terra de ninguém”. Ele ressaltou que a legislação criminal vale também para as redes, lembrando que já existem várias leis e regulamentos específicos em vigor, como o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital) e o marco civil da internet. Na opinião dele, é imprudente “empilhar restrições” sobre um ambiente que ainda é pouco conhecido, porque isso poderia colocar em risco a liberdade de expressão. u O argumento foi endossado pela diretora-executiva do InternetLab, Fernanda Campagnucci. O representante da ONG Direito à Comunicação e Democracia (DiraCom), Alexandre Arns Gonzales, destacou que a moderação privada das plataformas pode restringir quem tem direito a voz nas redes. Ele também defende que a legislação deve prever regras claras sobre o processo de remoção de conteúdo. u Para a presidente do Conselho, Patrícia Blanco, as contribuições apresentadas poderão subsidiar a análise de propostas relacionadas ao tema pelo Congresso. Ela defendeu que a legislação deve conciliar o combate ao discurso de ódio, à intolerância e à desinformação com a preservação da liberdade de expressão. A pesquisa que aponta que mais de 50% dos jornalistas brasileiros apresentam sintomas de depressão (ver pág. 3) também foi apresentada na reunião. (Com a Agência Senado)
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