Jornalistas&Cia 1586

Edição 1.586 - pág. 3 u O UOL também escreveu que Vorcaro interferia em sites assumidamente de esquerda, como o Diário do Centro do Mundo, DCM, que supostamente recebia mesada para não publicar críticas ao banqueiro. Mensagens entre Vorcaro e Felipe Mourão, responsável pela reputação digital do banqueiro, mostram que ele negociava com um diretor do DCM sobre alterações e exclusões de reportagens negativas. Em outubro de 2024, Vorcaro mandou Mourão fazer “uma parceria direito” com o DCM, com “um valor mensal” para que não fosse publicada “uma frase com meu nome ou Master”. u Em resposta à reportagem do UOL, o DCM negou a relação com Vorcaro e escreveu que “ninguém deste portal de notícias é identificado como beneficiário do suposto entendimento, nas supostas conversas ou em qualquer investigação da Polícia Federal, que, aliás, não está nem nunca esteve investigando o DCM ou quaisquer de seus profissionais”. O site destacou ainda que publicou “mais de 60 reportagens trazendo denúncias dos crimes cometidos por Daniel Vorcaro e seus cúmplices”. Metrópoles x Folha n Outra reportagem do UOL revelou que Vorcaro também interferia no conteúdo publicado pelo portal Metrópoles. Mensagens extraídas pela Polícia Federal revelaram que Lilian Tahan, CEO do Metrópoles, enviava a Vorcaro reportagens que abordavam a atuação do banqueiro ou do Banco Master para que ele avaliasse o conteúdo dos textos antes de serem publicados. Ao menos 14 matérias teriam sido enviadas previamente a Vorcaro, e 11 foram supostamente alteradas após pedidos de correção do banqueiro. u Outras conversas revelam um negócio de publicidade entre o Banco Master e o Metrópoles, no qual as partes fecharam um contrato de R$ 20 milhões em novembro de 2024, pagos em parcelas de R$ 5 milhões ao longo de 2025. Em uma das mensagens sobre o negócio, Vorcaro Últimas chegou a dizer a Ana Matos, funcionária de marketing do Master, que o portal era a “coisa mais importante da nossa vida”. u Questionada sobre as mensagens com Vorcaro, Tahan declarou à reportagem do UOL que “checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário”. Ela também afirmou que o contrato de publicidade entre o Master e o Metrópoles não teve relação com a cobertura da atuação do banco, e destacou reportagens publicadas no portal denunciando escândalos envolvendo o banqueiro. u Em nota, o Sindicato dos Jornalistas do DF manifestou indignação diante das revelações envolvendo Vorcaro e dirigentes de veículos de comunicação brasileiros. Para a entidade, são “denúncias graves, que precisam ser rigorosamente apuradas. Se confirmadas, revelam práticas incompatíveis com os princípios mais básicos do jornalismo”. u Após a publicação da reportagem do UOL, o Metrópoles fez textos sobre interferências de Vorcaro também no Grupo Folha. No dia seguinte, o jornal desmentiu qualquer grau de intervenção em matérias ou prazos de publicação, como foi denunciado, informando que recebeu Daniel Vorcaro na sua sede, a pedido deste, para ouvir seu relato sobre os fatos em apuração. E dizendo que não divulgou a visita atendendo a pedido do próprio Vorcaro, como é praxe no caso de solicitações dos visitantes. CNN x ICL Notícias n Outro atrito gerado pelas mensagens de Vorcaro ocorreu entre CNN Brasil e ICL Notícias. Reportagem do ICL denunciou que Vorcaro e Ana Matos, responsável pelo marketing do Banco Master, teriam supostamente exigido da cúpula da CNN que combinasse previamente as perguntas que seriam feitas durante uma entrevista com Paulo Gala, economista-chefe do banco, em abril de 2025. A reportagem também cita patrocínios do Master a eventos da CNN, supostos pedidos de dinheiro feitos pelos executivos do canal e uma

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