Jornalistas&Cia 1586

Edição 1.586 - pág. 6 OFICIAL INTELIGÊNCIA ARTE Por José Alberto Lovetro Sabemos que na ditadura houve censura prévia, que impedia notícias críticas ao governo militar e que foi um momento triste de nossa nação. Agora a censura vem em ameaças de violência sobre quem emite seu pensamento livre, como está acontecendo com os cartunistas. Gilmar Machado é um dos grandes cartunistas brasileiros, com muitos prêmios no Brasil e no exterior. Atualmente tem publicado suas charges no Diário do Grande ABC. Aqui ele responde a algumas perguntas do J&Cia sobre as ameaças que tem recebido pelas redes sociais: Quando começaram essas ameaças de morte e como chegaram pra você? Não só eu como outros colegas cartunistas, jornalistas, artistas, etc, recebem ofensas e xingamentos o tempo todo. Porém, tem uma linha preocupante, que é quando os xingamentos passam a ser verbalizados com ameaças de morte (detalhe: em caixa alta); aí a situação não deve ser menosprezada. As mensagens dessa pessoa específica começaram em julho e agora nas eleições o tom passou a linha do aceitável. Vieram pelo direct do Facebook. Conseguiu identificar de quem vieram as ameaças? As mensagens, quando são mais agressivas, chegam de forma anônima. A gente sabe que a maioria não passa de blefes, se achando protegidos atrás do teclado; fato é que não dá para subestimar. Podem ser bots, adolescentes, blefe, podem estar longe ou perto de você, não dá para saber ou tentar adivinhar. O que deveria haver para que os cartunistas tivessem livre pensamento na mídia? Casos como esse e outros, como assédios jurídicos, ameaças, fazem efeito, inibem e intimidam... Não podemos deixar que isso se normalize, tem que haver o enfrentamento e tomar as medidas legais para preservar o direito de livre expressão e opinião, item básico em uma sociedade democrática. O espaço de charges na mídia quase não existe mais. Acha que há um receio da imprensa em publicar charges neste momento de radicalismo na política? O mundo está em constante mudança e todos os setores da sociedade se transformam. Com isso, chegaram novas tecnologias, formas de comunicação e por isso os espaços em jornais diminuíram. Consequentemente, o trabalho do chargista diluiu e buscou outras formas de publicação, como é o caso de redes sociais e publicações independentes. Se não tivéssemos essa tecnologia de internet o pau iria quebrar nos impressos, imagino. A bem da verdade, quando tínhamos mais espaços em jornais não se fazia charge de verdade, apenas uma ilustração conveniente com a linha política e econômica do jornal. Agora, sim, com independência, se faz charge como ela tem que ser feita. (Ver também São Paulo, na Pág. 19) Ameaças de morte a Gilmar Machado Cartunista falou a J&Cia sobre o que vem acontecendo com suas publicações nos últimos meses Gilmar Machado

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