Edição 1.388 página 15 Inteligência Artificial Por Marcelo Molnar, consultor e sócio-diretor da Boxnet A tecnologia envolvendo inteligência artificial (IA) não para de nos surpreender. Mesmo com a resistência, desconfiança e crítica de muitos especialistas das mais diversas áreas. Para cada avanço ou novidade que surge, uma onda de ceticismo reage. Em décadas de desenvolvimento, acompanhamos momentos de euforia e decepção. A lógica contemporânea é que o mundo digital cresceu tanto e tornou-se tão complexo que é mais fácil criar algo do que encontrar o que se procura. Mesmo com modelos matemáticos e algoritmos sofisticados de buscas, sofremos para achar a referência exata do que procuramos. Normalmente, nos satisfazemos com algo próximo ao idealizado. Não estou me referindo a informações únicas ou exatas como datas, fatos ou dados específicos, mas a quando buscamos uma imagem imaginada, algo que, aparentemente, na lembrança já foi visto ao acaso, ou um texto de inspiração. Ficou mais rápido e simples gerar algo inédito do que identificar e escolher o que nos é disponibilizado. Quemnunca escarafunchou o Google para usar uma imagem na apresentação do PowerPoint? Ou para descobrir qual a origem verdadeira de determinado dito popular? Não é incomumencontrarmos conflitos de informações na mesma página de pesquisa. Algo que era difícil ou impossível, tornou-se simples por um período, e agora voltamos a ter dificuldades. Antes era por escassez, agora, por abundância. A bola da vez é a inteligência artificial generativa (IAG). Uma tecnologia que usa aprendizado de máquina para permitir que os algoritmos criem vídeos digitais, imagens, textos, áudio ou código inéditos. A IAG é impulsionada por regras que têm a capacidade de identificar o padrão solicitado e fornecer conteúdo satisfatório. Uma emulação matemática e funções de padrões aparentemente desconhecidos, com mecanismos de sensibilidade. A IAG mudará todos os campos que exigemque os humanos criem um trabalho original, desde jogos, textos de marketing e vendas, construção de sites, e até na codificação de novos softwares. Os EUA e a Europa Ocidental estão na vanguarda desse desenSe você não pode com o seu inimigo, junte-se a ele volvimento, comvárias empresas proeminentes, como a OpenAI, Stability AI, Face, Jasper, Replikr e Midjourney. Elas estão construindo ummodelo para a cocriação humano-computador. Hoje é comum o uso de conteúdos, fotos, vídeos e sons encontrados na internet, de forma indiscriminada, sem a citação dos devidos créditos. Inclusive aqueles protegidos por direitos autorais. AIG permite a fusão de textos, produzindo algo inédito. A sobreposição de imagens permite a geração de novos avatares sem relação direta com um indivíduo específico. Com o uso da capacidade computacional adequada, os resultados são disponibilizados em larga escala, permitindo fusão de estilos e multiplicidade de opções para nossa escolha. Resumindo, a IAG possui a capacidade de produzir algo inteiramente novo, impulsionado por uma tecnologia tão complexa que nós, humanos, chamamos de criatividade. Superamos as expectativas e promessas de que essas inovações seriam apenas para substituir trabalhos chatos, repetitivos, insalubres e perigosos. A proposta de invadir atividades nobres nos obriga a evoluir e a nos desenvolvermos em novas habilidades para vencer o perigo da obsolescência no mercado de trabalho. De certa forma, nós, comunicadores, já fomos impactados por essas t ransformações . Diversos ar tigos produzidos por grandes jornais em todo o mundo estão sendo gerados por máquinas, em substituição aos profissionais humanos. O jornalismo automatizado produz notícias com base em modelos pré-escritos pela redação – atualmente, na maioria, por humanos – e, em breve, essas referências virão apenas de dados sintéticos, ou seja, gerados por outras máquinas. O mundo das buscas ficará ainda mais caótico. O adágio popular que dizia “Se você não pode com o seu inimigo, junte-se a ele” nunca esteve tão atual. Mesmo com regras e restrições, não vamos conseguir impedir esse avanço inevitável. Precisamos nos conscientizar que o caminho é a capacitação conjunta. Estudar e se desenvolver será tão vital quanto respirar ou se alimentar. Todos os dias. O que, em um primeiro momento, parece ser uma ameaça, com certeza será uma grande oportunidade. telecom.com.ar
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