Jornalistas&Cia 1446

Edição 1.446 página 22 era presidente da autoproclamada Nova República. Quem apostaria nisso um ano antes? Uma colega da Folha de S.Paulo, agoniada pelo calor, me passou a “cola” do número do túmulo de Ivete, que rabiscara no pulso, antes que borrasse pelo suor que escorria. “Copia, boba; vamos ganhar alguns tostões no bicho, pra compensar esse bronze em cemitério”. Retornamos à redação quando os discursos começaram, já na beira do túmulo, com direito a eco. Eu e Jacob, suando cântaros, roupas coladas no corpo, optamos pelo táxi, sonhando com o ar refrigerado que nos aguardava. Ao chegar fomos, incontinenti, “interrogados” pelo diretor da sucursal, Jorge Leão Teixeira (que também dividia, com Carlos Leonam, a coluna Swann, no Globo). Sempre sorridente e supersticioso, com seu eterno raminho de arruda pendurado na orelha, “para afastar mau olhado”, foi logo querendo o número do túmulo. E sem cerimônia, ordenou ao contínuo que voasse até o bicheiro mais próximo para uma aposta no elefante, alusão ao porte avantajado de Ivete Vargas. “Joga também”, me ordenou, mas eu não entendia do riscado e nem arrisquei. De volta ao trabalho na manhã seguinte, perguntei ao esperto Wally se dr. Jorge ganhara alguma coisa. Ele disse que não, e profetizou: “Ele vai jogar mais dois dias seguidos, mas também não ganhará nada”, explicando que bicheiro também acompanhava noticiário. Deu tigre! Wally, então com 14 anos, era danado de esperto, com toda a malandragem de nativo precoce da Baixada Fluminense, nas horas vagas “consultor” da redação para jogos de azar. Quebrava todos os galhos, safo igual nunca vi! Quem o mandava comprar almoço, por exemplo, sabia que o preço da refeição era dobrado para ele: no amor ou na marra! E ainda zombava de quem reclamasse: Jornalistas&Cia é um informativo semanal produzido pela Jornalistas Editora Ltda. • Diretor: Eduardo Ribeiro ([email protected]–11-99689-2230)•Editorexecutivo: Wilson Baroncelli ([email protected] – 11-99689-2133) • Editor assistente: Fernando Soares ([email protected] – 11-97290-777) • Repórter: Victor Felix ([email protected] – 11-99216-9827) • Estagiária: Hellen Souza ([email protected]) • Editora regional RJ: Cristina Vaz de Carvalho 21-999151295 ([email protected]) • Editora regional DF: Kátia Morais, 61-98126-5903 ([email protected]) • Diagramação e programação visual: Paulo Sant’Ana ([email protected] – 11-99183-2001) • Diretor de Novos Negócios: Vinícius Ribeiro ([email protected] – 11-99244-6655) • Departamento Comercial: Silvio Ribeiro ([email protected] – 19-97120-6693) • Assinaturas: Armando Martellotti ([email protected] – 11-95451-2539) “Vocês não são socialistas? Por que vão comer e me deixar com fome?” Tinha lógica, o moleque. Pedi que me fizesse o jogo, porque achava que tinha um bom palpite naquela manhã, pelo sonho que relatei. Ele advertiu, com ares professorais, impôs condições: “Desde que não seja no elefante...”. Havia acordado cantando “gosto muito de você, leãozinho” e deilhe duas notas de “barão” (apelido de cinco cruzeiros, na época) para a aposta do dia. Ele montou o jogo, mas pediu concordância. Nem sabia o que responder, porque nada entendia daquilo, mas para animá-lo, incentivei-o: “Se ganhar, leva metade”. Ele aceitou a oferta na hora e pôs sebo nas canelas, todo pimpão. No fim da tarde, perguntei a um colega, o ótimo repórter Cesário Marques, o resultado do jogo. Ele, que a tudo assistira, disse apenas: “Só sei que não deu leão”. Fiquei conformada, não era mesmo a minha praia. De repente, chega o Wally, entusiasmadíssimo, dizendo onde devia ir buscar meu prêmio e contando vantagem. Modificara radicalmente minha sugestão. Leão era palpite furado em sua concepção de especialista. – Dona Bia, quem acorda cantando é galo! Ganhei o equivalente a uns 500 paus atuais, não me perguntem como, porque até agora, tantos anos depois, continuo sem entender nada de bicho. Cumpri a promessa de “socializar” meu prêmio, nunca mais joguei, mas ficou a lição, aplicada indeterminadamente: não basta sonhar, tem de interpretar!

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