Jornalistas&Cia 1446

Edição 1.446 - 31 de janeiro a 6 de fevereiro de 2024 n Em uma edição marcada por pontuações elevadas entre os +Premiados do Ano, o Grupo Globo tem motivos de sobra para comemorar os resultados do Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira 2023, que J&Cia distribuiu nessa terça-feira (30/1). u A começar pelo excelente desempenho da repórter fotográfica Marcia Foletto, de O Globo, que com as conquistas das categorias de Fotografia nos tradicionais prêmios Vladimir Herzog, SIP e Direitos Humanos de Jornalismo, com a série Mutilados, garantiu o título de +Premiada Jornalista de 2023. u Além disso, a TV Globo foi a primeira colocada nos levantamentos de +Premiados Veículos do Ano e da História, enquanto o Grupo Globo ficou mais uma vez à frente entre os +Premiados Grupos de Comunicação do Ano e da História. u A J&Cia, Marcia disse: “Fico feliz com o reconhecimento, mas vibro mais por esse destaque ser para alguém do fotojornalismo, área que muitas vezes é tratada com menos importância. Exemplo disso é que vários desses concursos não possuem ou extinguiram a categoria fotografia. Mas nós fotógrafos estamos nas ruas, na linha de frente, com o olhar sempre alerta para o que é notícia, na prática de um jornalismo sem ar condicionado. Parabéns a todos os colegas premiados, é um honra estar entre eles na busca por um trabalho relevante e de qualidade”. u Apenas 20 pontos separaram Marcia Foletto da segunda colocada, a repórter Rebeca Borges, do Metrópoles, uma das grandes revelações do jorMarcia Foletto, de O Globo, é a +Premiada Jornalista de 2023 Eliane Brum confirma e amplia liderança como a +Premiada Jornalista da História. Grupo Globo lidera rankings de veículos e grupos de comunicação nalismo brasileiro em 2023. Com apenas 24 anos, formada em Jornalismo há três, ela garantiu a segunda posição ao também conquistar os prêmios Vladimir Herzog e SIP, nas categorias Multimídia e Cobertura de Notícias em Internet, respectivamente, com a reportagem especial Ouro Líquido, trabalho que abordou como a produção do óleo de dendê explora populações negras e indígenas no Brasil. u Figura certa entre os TOP 10 +Admirados Jornalistas da História, Caco Barcellos, da TV Globo, fechou o pódio, na terceira posição, com 132,5 pontos, após ser contemplado com os prêmios de Contribuição ao Jornalismo da Abraji e CDL/BH, e pela conquista do Prêmio Roche de Jornalismo de Saúde, na categoria Audiovisual, com a reportagem Transplante de órgãos. u No recorte dos +Premiados Jornalistas da História, Eliane Brum ampliou a liderança da pesquisa e garantiu a primeira posição pelo quarto ano consecutivo. Mesmo sem ganhar prêmios no ano passado, ela se beneficiou da inclusão do Troféu Audálio Dantas, que recebeu em 2022. Com isso, a diferença, que em 2022 era de 202,5 pontos para a então segunda colocada Miriam Leitão, subiu 30 pontos em 2023 em relação ao novo detentor do posto, o gaúcho Cid Martins, que se despediu das redações no ano passado após duas décadas na Rádio Gaúcha. Reportagens especiais e Guia de Prêmios de Jornalismo n Além dos tradicionais levantamentos que apontam os jornalistas, veículos e grupos mais premiados do ano e da história, o Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira 2023 trouxe uma série de conteúdos extras. u Destaque para uma viagem no tempo que resgatou os bastidores de uma edição especial da extinta revista Realidade, que em 1972 fez a maior incursão de uma publicação na Amazônia, e que mudou a história do Prêmio Esso. u Tem também uma homenagem a Ricardo Boechat, o mais admirado jornalista do Brasil, que faleceu há exatos cinco anos. u E para finalizar, um inédito Guia de Prêmios de Jornalismo, com mais de 50 inciativas ainda em atividade no Brasil e no Mundo. u Confira aqui a edição especial, que também vem com o inédito formato de revista, para facilitar a navegação.

Edição 1.446 página 2 Últimas n O Estadão promoveu cortes na direção e no setor editorial de sua sucursal em Brasília. Saíram Andreza Matais, chefe da sucursal e editora-executiva de Política, e o jornalista e escritor Leonêncio Nossa, que atuava como editor de Especiais. u Matais chegou ao Estadão em 2013. Antes, trabalhou na sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios por seu trabalho. Pela Folha, fez parte da equipe que produziu a premiada série de reportagens que acabaram levando à queda do então ministro da Casa Civil Antonio Palocci, em 2011, no início do primeiro mandato de Dilma Rousseff. Também foi responsável pelo furo do caso da refinaria da Petrobras em Pasadena. Em mensagem aos colegas de redação, atribuiu sua saída a uma “mudança na política do jornal”. u Leonêncio Nossa formou-se em jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, e tem mestrado e doutorado em História. Chegou ao Estadão em 2001. Antes do jornal, trabalhou em A Gazeta, Jornal do Brasil e Época. É autor de livros como Viagens com o presidente, Homens invisíveis e O rio. É o +Premiado Jornalista da Região Centro-Oeste, segundo o ranking de Jornalistas&Cia. Venceu, entre outros prêmios, o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, o Embratel de Jornalismo (2011) e o Estadão de Reportagem Especial (2011). u Confira mais detalhes no Portal dos Jornalistas. Andreza Matais e Leonêncio Nossa deixam o Estadão Andreza Matais Leonêncio Nossa Roda Viva/YouTube LinkedIn

Edição 1.446 página 3 n CBN estreou em 29/1 a programação de 2024. As mudanças começam cedo, no Jornal da CBN, sob o comando de Milton Jung e Cássia Godoy, que passa a ter o quadro Conversa de Bastidor, às 8h, em que Andréia Sadi – âncora da GloboNews – e Malu Gaspar – colunista do Globo – alternam-se nos comentários durante a semana. u São Paulo tem novo comentarista, Rodrigo Bocardi – do Bom Dia, São Paulo na Globo. Ele entra às 10h15 no quadro Assim É São Paulo, de segunda a sexta. Na hora do almoço, Bernardo Mello Franco – também colunista do Globo −, está no CBN Brasil, com o Conversa de Bastidor, às terças e quintas, antes das 13 horas. u No final da tarde ocorre a mudança mais ampla. O Viva Voz, de Vera Magalhães, ganha mais tempo e tem uma hora de duração, com as principais notícias do mundo político, com análise e opinião. Às 17h, Bocardi continua como âncora do Ponto Final CBN. Às 18h, na bancada com a âncora Carolina Morand, Vera volta num quadro que mescla seu material com a apuração dos repórteres e os pontos de vista de outros colunistas. u No último trecho do Ponto Final, Carol Morand prossegue com a programação já conhecida, com PVC, no Esporte, e Bela Megale, na Conversa de Bastidor do final do dia. E conta ainda com mais uma estreia, da jornalista e podcaster Carol Moreira. Titular de um dos podcasts mais escutados do Brasil, o Modus Operandi, e de um canal sobre cinema, o Kino, ela comanda do quadro Dá o Play, para falar de séries e filmes de maneira descontraída. u A nova programação soma-se às inovações tecnológicas, que possibilitaram, há dois meses, o lançamento do novo site da emissora, tornar a navegação mais fácil e intuitiva e disponibilizar mais recursos para os ouvintes e leitores. u Com o conceito de audio first, o site da CBN destaca no topo qual programa está no ar naquele momento − e traz logo abaixo os comentários do momento, além das reportagens em tempo real. Há mais destaque para a página Ouça de Novo, onde é possível ouvir outra vez e a qualquer hora a programação dos últimos sete dias da CBN, escolhendo a cidade, o dia e o horário. u As reportagens passam a contar com mais recursos, como mais fotos e vídeos, além de sugestões de podcasts ligados àquele tema, para trazer mais profundidade e contexto. CBN divulga nova programação, com estrelas globais n A apresentadora Cissa Guimarães vai conduzir o programa Sem Censura na TV Brasil, contratação que ocorreu já há cerca de um ano. Na semana passada, Antônia Pellegrino, diretora de Conteúdo da EBC, divulgou a visita de Cissa aos estúdios da emissora no Rio, quando conheceu o cenário onde vai atuar e a equipe responsável pela produção. u Programado para estrear em 26/2, de segunda a sexta-feira, às 16h, Sem Censura voltará a ser produzido, ao vivo, diariamente no Rio. O novo cenário mantém o antigo formato de meia arena que o consagrou. As entrevistas com personalidades de todas as áreas são o forte do programa. Com frequência, nomes ilustres da música podem dar uma “canja”. O público também participa com perguntas pelas redes sociais e entrevistas previamente gravadas. u Por um ano de contrato, sites especializados especulam que Cissa receberá R$ 70 mil por mês. Já o contrato com a produtora Fábrica Entretenimento e Participações, responsável pela produção do programa, é de cinco anos. u Sem Censura estreou em 1985, com Tetê Muniz, na antiga TV Educativa do Rio, depois TV Brasil. Idealizado pelo então presidente da emissora Fernando Barbosa Lima, foi referência duradoura em talk shows da tevê aberta. Na sua melhor fase, era transmitido em tempo real pela TV Cultura de São Paulo. Já teve no comando nomes como Gilse Campos, Lúcia Leme e Márcia Peltier. Leda Nagle foi apresentadora durante 20 anos. Sem Censura volta à TV Brasil com Cissa Guimarães Tomaz Silva/Agência Brasil Cissa Guimarães no cenário do Sem Censura conitnuação - Últimas Cássia Godoy e Milton Jung Edilson Dantas/Agência O Globo

Edição 1.446 página 4 Nacionais n O Neurodivergente, videocast sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), encerrou sua primeira temporada em janeiro. O projeto, idealizado e apresentado por Vinicius Ribeiro, diretor de projetos deste Jornalistas&Cia e do Portal dos Jornalistas, traz informações relevantes sobre TEA em entrevistas com médicos, especialistas e profissionais especializados. u O videocast também tem como apresentadora a relações públicas Jeane Cavalli. Tanto Jeane como Vinicius são pais de filhos autistas, e o objetivo do videocast é ajudar outras famílias que convivem com crianças e adultos diagnosticados com o TEA, além de trazer informações essenciais para qualquer pessoa que busca informar-se sobre autismo. u Nesta primeira temporada, foram publicados 11 episódios, que estão disponíveis no canal do Neurodivergente no YouTube. O videocast abordou temas como Neuropediatria, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Alimentação seletiva, Musicoterapia, pesquisas sobre autismo, entre outros. u A segunda temporada está prevista para ter início em uma live na Semana de Conscientização sobre o Autismo, de 1 e 5 de abril. Empresas e instituições interessadas em apoiar o projeto podem entrar em contato pelo podcastneurodivergente@ gmail.com ou pelo WhastApp 11-99244-6655. n O Lance anunciou a contratação de Henrique Mazzei como seu novo diretor de Conteúdo. Segundo o veículo, a novidade faz parte de um plano de modernização da empresa, oferecendo conteúdo esportivo, produtos, serviços e experiências em um só lugar. Formado pela Faculdade Integradas Hélio Alonso (Facha), do Rio de Janeiro. trabalhou em Rádio Transamérica, Esporte Interativo e canal Desimpedidos. u Outra novidade no Lance é a contratação de Bruno Guerrero, que assume a direção da equipe de Ad Sales do veículo. Tem 20 anos de experiência na área comercial e de vendas e atuou anteriormente em empresas como HBO, Fox Sports e CNN Brasil. u O veículo assinou também com Bruno Putz, que atuará como head de Marketing, com estratégia alinhada às de Guerrero e Mazzei. Putz já trabalhou em Esporte Interativo, Warner Media (TNT Sports) e LiveMode (CazéTV, Paulistão, Copa do Nordeste, Copas do Mundo). Neurodivergente, videocast sobre Autismo, encerra sua primeira temporada Henrique Mazzei é o novo diretor de Conteúdo do Lance Henrique Mazzei e Bruno Guerrero Divulgação/Lance A família +Admirados da Imprensa cresceu Quer saber mais? Vinicius Ribeiro – (11) 9.9244.6655

Edição 1.446 página 5 De Londres, Luciana Gurgel Para receber as notícias de MediaTalks em sua caixa postal ou se deixou de receber nossos comunicados, envie-nos um e-mail para incluir ou reativar seu endereço. Em um mundo cada vez mais impactado por desinformação e extremismo, relatórios sobre confiança nas instituições costumam trazer más notícias. Mas o Edelman Trust Barometer de 2024 fugiu à regra em sua métrica principal. A pesquisa com mais de 32 mil pessoas em 28 países apontou elevação discreta no índice que consolida a confiança em governos, corporações, ONGs e imprensa. O barômetro havia marcado 55 pontos em 2023, e este ano subiu para 56. O Brasil estacionou em 53 pontos. A mudança de governo não afetou o índice, embora tenha havido oscilações entre os quesitos que o compõem. Na verdade, os resultados do Edelman Trust Barometer mostram-se estáveis ano a ano, a despeito de transformações sociais, tecnológicas e no ecossistema de mídia. Em 2014, ele tinha marcado 54 pontos. Mesmo sem grandes alterações, há muito o que refletir sobre o que o relatório revela. O Reino Unido é um exemplo. Após cinco anos de uma deterioração na política, que jornalistas veteranos dizem nunca ter visto igual, e de uma polarização na sociedade, provocada pelo Brexit e pelo avanço de movimentos com agenda pautada pela intolerância, o país despencou no índice. De 2023 para 2024, a pontuação no barômetro caiu de 43 para 39, empurrando o país para a lanterna da lista. Quem acompanha acontecimentos como a queda de Boris Johnson depois do escândalo de festas na sede do governo durante o lockdown compreende o descrédito nas instituições. No quesito confiança no governo, o país perdeu sete pontos. Só a Colômbia teve desempenho pior, recuando nove. O Brasil subiu dois. Mas perdeu um ponto em confiança na mídia e nas ONGs. Trust Barometer 2024: o que diz o índice que mede a confiança em governos, corporações, ONGs e imprensa Quem fala a verdade? O Edelman Trust Barometer investigou também percepções do público sobre quem fala a verdade. O percentual dos que acham que líderes empresariais “tentam propositalmente enganar as pessoas dizendo coisas que sabem serem falsas ou exageradas” nos 20 países é de 61%, com elevação de dois pontos percentuais em relação a 2023. Governantes não devem comemorar, porque a situação deles é quase a mesma: taxa de desconfiança de 63%. Mas quem ficou pior foi a mídia, com 64%. Em uma avaliação sobre confiança relacionada a informações sobre inovação e tecnologia os cientistas pontuaram melhor, com 74%. A supresa é que eles aparecem empatados com “alguém como eu”, o que pode ser um reflexo das relações diretas ou das bolhas de filtro nas mídias digitais. Fazendo um exercício baseado na vida real: pode ser mais fácil um parente convencer alguém a tomar a vacina da covid do que o governo ou o jornal. Menos da metade (47%) acha que os jornalistas estão falando a verdade sobre tecnologia e apenas 45% acham que o governo é uma fonte confiável. No entanto, 45% dos entrevistados no mundo acham que os cientistas não sabem se comunicar bem. Entre os brasileiros, 37% manifestaram essa opinião. A divulgação científica tem um longo caminho a percorrer. Confiança na mídia A comparação de confiança na mídia entre países é curiosa, pois aparenta ser afetada pelo nível de liberdade de imprensa do mercado, e consequentemente na pluralidade de meios. A nação que figura como número um em confiança na mídia é a China. Depois aparecem Indonésia e Tailândia. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita estão entre os dez melhores, com taxas acima de 60%. Como qualquer pesquisa, o barômetro mede a percepção do público. Ela não se propõe a estudar o contexto de cada país. Portanto, ainda que os chineses possam não ter elementos para fazer um julgamento apurado sobre a confiabilidade das informações transmitidas pelo sistema de mídia controlado pelo governo, na prática eles confiam no que recebem. E isso não é necessariamente uma boa constatação apresentada pelo relatório sob perspectiva do pensamento crítico nesses países. A confiança na mídia tradicional ficou em 62% na média de 27 países (nesse quesito o Brasil não foi pesquisado), bem melhor do que nas mídias sociais (44%). Quem se saiu bem foram os buscadores, com 68% do público considerando-os confiáveis para se informar − embora em muitos casos eles conduzam o leitor a notícias dos meios tradicionais. Mas a pesquisa trata de percepções, e esta é a que está prevalecendo. O relatório completo pode ser visto aqui.

Edição 1.446 página 6 conitnuação - MediaTalks Lei da Mordaça − Uma alteração no Código de Processo Penal apelidada de “legge bavaglio” (Lei da Mordaça), aprovada na Câmara dos Deputados da Itália em dezembro e que foi para as mãos do Senado, está provocando protestos de jornalistas e organizações de liberdade de imprensa locais e internacionais. Caso entre em vigor, a alteração proibirá “a publicação, total ou parcial, do texto da ordem de prisão preventiva até a conclusão da investigação inicial ou até a realização da audiência preliminar”. Segundo a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), os jornalistas só poderão noticiar em termos gerais por que uma pessoa foi colocada em prisão preventiva, sem explicar em detalhes os motivos da detenção e quaisquer provas que a subsidiaram, como apreensões, escutas telefônicas e depoimentos. Modelo “vencido” − “É preciso criatividade, pois o modelo de negócio atual da mídia está ‘vencido’”, alerta Sameer Padania, consultor baseado no Reino Unido que se especializou em desenvolver estratégias para a defesa e o apoio do jornalismo. Ele foi um dos participantes do Congresso de Jornalistas de Portugal, realizado na semana passada, que teve um painel dedicado a debater caminhos para a sustentabilidade financeira dos veículos de imprensa, um problema global. Entre as ideias apresentadas estão iniciativas em curso na Alemanha, Portugal e também no Brasil, incluindo captação junto a fundos de apoio à mídia, dotações governamentais e programas de membros. Morte na Colômbia − O jornalista Mardonio Mejía, da Colômbia, foi assassinado em sua casa na província de Sucre, no norte do país. É o primeiro profissional de imprensa a perder a vida em uma morte violenta na América Latina este ano. Mejía, de 67 anos, era diretor de uma estação de rádio local que cobria notícias das regiões de Sucre e de San Antonio. A polícia de Sucre capturou um homem supostamente envolvido no crime, que aconteceu na tarde de 24 de janeiro no município de San Pedro, mas o cúmplice conseguiu fugir. Prisão prorrogada − O tribunal de Lefortovo, em Moscou, prorrogou em 26/1 por mais dois meses a prisão do repórter americano Evan Gershkovich, do Wall Street Journal, detido na Rússia desde março de 2023 sob acusação de espionagem. Com a quarta extensão, ele poderá completará um ano atrás das grades sem que seu caso tenha sido julgado e que detalhes das provas contra ele tenham sido apresentados. O jornalista pode pegar uma pena de até 20 anos. Gershkovich, 32 anos, filho de pais soviéticos que emigraram para os EUA, foi capturado em Yaketerinburg durante uma reportagem sobre o complexo militar russo utilizado para fornecer armas às tropas que combatem na Ucrânia. Libertado em Cabul − O jornalista afegão Ehsan Akbari, chefe-adjunto da agência de notícias japonesa Kyodo News, foi libertado em 25/1 depois de permanecer preso pelo Talibã em Cabul durante nove dias, informaram em nota o Centro de Jornalistas do Afeganistão (AFJC, na sigla em inglês) e o meio de comunicação japonês. Akbari foi detido em 17/1, segundo sua família, após atender a uma convocação para comparecer ao Centro de Mídia e Informação do Governo (GMIC). Na manhã seguinte, agentes da Direção Geral de Inteligência (GDI) o levaram até a redação e apreenderam seus equipamentos de trabalho, incluindo computador e câmera. Ele foi forçado a ligar para a família e entregar o smartphone aos oficiais. Esta semana em MediaTalks Mardonio Mejía Assine aqui o abaixo assinado pleiteando a inclusão do nome dele no Bulevar do Rádio, que a Prefeitura de São Paulo está construindo na região da Av. Paulista Padre Landell de Moura

Edição 1.446 página 7 Comunicação Corporativa n Para quem esperava que o último movimento do Grupo WPP no segmento de PR se mostrasse duradouro, com a aquisição, pela Hill & Knowlton, da Jeffrey Group e a transformação da Ideal em marca internacional, a surpresa foi grande. Poucos meses após o bombástico anúncio, que mexeu com a indústria de PR sobretudo na América Latina, o grupo volta a campo para anunciar a fusão de suas duas marcas gigantes, a BCW e a própria Hill & Knowlton, que, juntas, formarão, a partir de 1º de junho, a Burson, nome que homenageia o pioneiro Harold Burson, falecido em 10/1, aos 98 anos, e que de certo modo retoma a saga de uma das mais importantes agências mundiais da história do PR, a Burson- -Marsteller. u Por aqui, ainda nada se sabe sobre como a fusão impactará as unidades brasileiras do Grupo BCW, que incluem os escritórios da Máquina CW e da BCW, dirigidas pelas coCEOs Rosa Vanzella e Simone Iwasso; da JeffreyGroup e da Hill & Knowlton, ambas lideradas por Patrícia Ávila; e da Ideal PR, que tem à frente Ricardo Cesar. São cinco agências, hoje com vida própria e que estão entre as maiores do País, com clientes de praticamente todos os setores econômicos – incluindo concorrentes – e que agora vão aguardar a sinalização dos dirigentes mundiais para ver como pretendem reestruturar a atuação no Brasil. u A Burson que agora nasce será liderada por Corey duBrowa, atual CEO da BCW. Antes da BCW, duBrowa foi vice-presidente global de comunicação e public affairs do Google. AnnaMaria DeSalva, CEO da Hill & Knowlton, será chairman global da Burson. u A nova companhia unirá profissionais de BCW e Hill & Knowlton, com mais de seis mil funcionários e atuação em mais de 40 mercados ao redor do globo. Os demais líderes da companhia serão anunciados nos próximos meses e combinarão, segundo o WPP, profissionais e talentos das duas organizações. u Em comunicado, Mark Read, CEO do WPP, disse que a Hill Internacionais Nasce a Burson, da fusão da BCW com a Hill & Knowlton & Knowlton e a BCW são duas empresas de alto desempenho, com forças complementares, que compartilham ambições e muitos clientes: “Estou muito feliz em ver o retorno da marca Burson para uni-las. A nova agência será o destaque de uma oferta de comunicação mais moderna, estratégica, orientada por tecnologia e pela entrega de serviço de comunicação completo à indústria”. u Também em comunicado, Corey duBrowa disse que Harold Burson acreditou fortemente que as ações eram mais fortes do que as palavras e que estabeleceu honestidade, transparência, integridade e excelência como princípios de seus negócios: “Esses princípios são os ideais fundamentais da Burson, sobre os quais estabeleceremos o padrão para comunicações modernas através do nosso pipeline de inovação em IA. Juntos, como Burson, traremos insights, aconselhamento estratégico especializado e soluções tecnológicas em uma oferta de maior valor para nossos clientes, para ajudá-los a inovar e liderar no complexo ambiente operacional atual”. u “A combinação da Hill & Knowlton e da BCW é altamente sinérgica, criando um parceiro de primeira linha para líderes empresariais focados em crescimento comercial, gestão de risco e reputação de capital”, completou AnnaMaria DeSalva. AnnaMaria DeSalva e Corey duBrowa Laura Schoen assume novas responsabilidades no The Weber Shandwick Collective n A brasileira Laura Schoen, presidente Latam da Weber Shandwick, foi convidada e aceitou acumular, com sua atual função, a de chief health officer (CHO) do The Weber Shandwick Collective (TWSC). Assume globalmente, desse modo, a supervisão da área de saúde de todas as agências do TWSC, bem como da área de saúde no grupo DXTRA. u The Weber Shandwick Collective é uma rede estratégica de comunicação e consultoria in- -culture que atua na convergência entre sociedade, mídia, política e tecnologia, com escritórios em seis continentes, mais de 100 cidades e 12 agências com atuação diversificada em temas que vão desde a transformação organizacional até public affairs, comunicação integrada e transformação digital. No Brasil, o The Weber Shandwick Collective atua com as marcas Weber Shandwick, United Minds, Current Global, DNA, Cappuccino, The Brooklyn Brothers e Powell Tate. Laura Schoen

Edição 1.446 página 8 conitnuação - Comunicação Corporativa São Paulo n Giovanna Nichi e Flávia Ferreira, executivas da equipe de Gisele Gomes na Hill + Knowlton Brasil, foram promovidas em janeiro a atendimento sênior. n Amanda Leonelli Florindo, que foi da Ideal por quase três anos e meio, até junho de 2023, iniciou em janeiro nova trajetória como contratada da Weber Shandwick, na função de executiva sênior. n Carolina Constantino, com trajetória por corporações como Banco Santander, em que esteve por mais de seis anos e meio, Azul Linhas Aéreas (dez anos) e Latam Airlines (dois anos e três meses), assumiu recentemente a Gerência de Comunicação do Publicis Groupe. n Érika Araújo, que ficou por quatro anos, até outubro, na Janssen Brasil, na função de assistente administrativa de comunicação corporativa, está agora no Itaú Unibanco, como analista de produtos digitais pleno, para os cartões Itaú Personnalité e Private Bank. n Geovanna Portante, que foi até outubro coordenadora de Brand e PR na Agência Brands, onde trabalhou por pouco mais de três anos, está atualmente na equipe de atendimento pleno da Inside Out PR. Antes, foi por dois anos e quatro meses na Index Assessoria. n Jhessica Amorim, analista de RH, deixou a Edelman em outubro, após um ano e três meses de casa. n Lais Espinola despediu-se em janeiro da RPMA, após quase três anos de casa, e foi para a Ideal como atendimento pleno para a Faber-Castell. n Edson Chaves Filho está de volta ao mercado corporativo, contratado como assessor de comunicação social do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Antes, atuou na comunicação de Confederação Nacional do Comércio (CNC) por pouco mais de dez anos, Confederação Nacional da Indústria (CNI), por 12 anos e três meses e por dois anos no Jornal do Brasil. Rio de Janeiro n Bruno Bernardino Oliveira entrou 2024 de cargo novo na Petrobras. Com pouco mais de 14 anos e meio de casa, foi promovido de coordenador de eventos corporativos a gerente de eventos da companhia. n Jorge Antônio Barros aceitou convite do novo presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-RJ), Miguel Fernández, para ser assessor da entidade, que completa 90 anos em 2024 e reúne 110 mil engenheiros do Estado. Com passagem pela assessoria do Tribunal de Justiça do Estado, Barros vem de 17 anos em O Globo, depois de Jornal do Brasil e O Dia. Criou e edita o site Quarentena News. O contato dele é [email protected]. Brasília Edson Chaves Filho começa no Ibama Edson Chaves Filho Bruno Bernardino Oliveira Jorge Antônio Barros Giovanna Nichi Flávia Ferreira Amanda Leonelli Florindo Carolina Constantino Érika Araújo Geovanna Portante Jhessica Amorim Lais Espinola

Edição 1.446 página 9 conitnuação - Comunicação Corporativa n A Weber Shandwick agregou à carteira de clientes a conta da Ferrero, dona de marcas como Ferrero Rocher, Rafaello, Ferrero Collection, Kinder, Nutella, Nutella B-ready, TicTac e Hanuta, além da área Institucional da empresa. No atendimento, Amanda Leonelli e Jakeline Amaral, com gerência de Renato Coelho. O e-mail geral é [email protected]. n Marcos Leodovico está de volta à N9ne. Começou em janeiro na função de assessor de imprensa pleno. Estava, antes, por oito meses, como assessor de imprensa freelancer na Riot Games. n Nayme Bizaio iniciou 2024 como especialista em comunicação da Motorola Mobility (Lenovo Company). Chega após jornada de um ano e quatro meses na comunicação institucional da Vital Strategies e de sete meses no Nubank. n Pedro Britto, que foi por dois anos e quatro meses executivo associado na Edelman, até agosto, é atualmente executivo de PR na DezoitoCom PR. n Rodrigo Leal Carvalho deixou a Ideal, em que atuava como atendimento pleno e esteve por um ano e quatro meses, até dezembro, e começou na Pina em janeiro como atendimento sênior para a Gupy. n Vanessa Novaes Rocha, especialista em branding, despediu-se em outubro do Grupo Boticário, onde esteve por seis anos, e em janeiro começou como gerente de comunicação e influência na FSB Comunicação. Ela também já passou por Loures Consultoria por nove meses e, antes, na Burson-Marsteller por quatro anos. Licença-maternidade n Marcela Eyer, gerente de contas na Edelman, em São Paulo, na agência desde julho de 2020. Marcos Leodovico Nayme Bizaio Pedro Britto Rodrigo Leal Carvalho Vanessa Novaes Rocha Marcela Eyer Dança das contas Nova PR conquista a conta da Nestlé... ... e Weber Shandwick, a da Ferrero n A Nova PR acaba de conquistar a conta de comunicação institucional da Nestlé. O logo da maior fabricante de alimentos do mundo passa a integrar o portfólio da agência, que hoje conta com cerca de 50 clientes. u O atendimento terá equipe com dedicação exclusiva, dirigida por Roberta Paduan ([email protected]. br) e formada por Ricardo Mayer Macario (ricardo.macario@), Fabiana Piasentin (fabiana. piasentin@), Laís Colombini (lais.colombini@) e Rafael Casemiro (rafael.casemiro@). u A conta inclui a produção de conteúdo para o Linkedin, que ficará sob a responsabilidade da gerente de digital Larissa Spinelli (larissa.spinelli@), com o apoio da coordenadora Fran Mariotto (francielen.mariotto@) e de Camila Gallate (camila. gallate@).

Edição 1.446 página 10 conitnuação - Comunicação Corporativa Sílvio Botelho, recrutado pela Aeronáutica para trabalhar no extremo Norte, ficou assustado com a pajelança, prática que substituía a Medicina nas terras de Macunaíma. Foi preciso paciência para enfrentar a iatrogenia, problema que atacava os pacientes que o procuravam. A situação foi sendo controlada até que um dia ele mesmo ficou doente, sem saber de que mal estava sofrendo. Irmão Leocádio, missionário, seu enfermeiro, levou até ele um índio velho, cara toda amarfanhada, pajé que, depois de longo ritual, o fez dormir a sono solto. Acordou curado, como se nada tivesse acontecido. Foi um aprendizado e ele acabou se tornando médico respeitado, inclusive pelos indígenas, e uma lenda em Roraima. Iatrogenia − [De iatro- + -genia.] Substantivo feminino 1. Med. Alteração patológica provocada no paciente por tratamento de qualquer tipo. (Aurélio) Tuitão do Plínio Por Plínio Vicente (pvsilva42@ gmail.com), especial para J&Cia (*) Plínio Vicente é editor de Opinião, Economia e Mundo do diário Roraima em tempo, em Boa Vista, para onde se mudou em 1984. Foi chefe de Reportagem do Estadão e dedica-se a ensinar aos focas a arte de escrever histórias em apenas 700 caracteres, incluindo os espaços. O médico e o pajé E mais... n A Dfreire tem novidades em carteira. Fechou com o Grupo MoveEdu e cuidará também das marcas Microlins, Prepara Cursos e Ensina Mais, todas focadas na área educacional. Por meio de franquias, a edtech atua com foco na capacitação para o mercado de trabalho para jovens e adultos, e apoio escolar para crianças. Os responsáveis pela conta são a fundadora e CEO Debora Freire e o diretor Rafael Machado, com atendimento de Marcela Baptista. n A Race Comunicação voltou a atender ao Grupo Memorial, do setor funerário e cemiterial. A equipe de atendimento é liderada pela gerente Maira Manesco e conta com a assessora Luiza Araújo e o assistente Guilherme Zucconi. n A Encaso Comunicação conquistou a conta da Mundial Logistics, que atua no segmento de soluções logísticas para as áreas de trade marketing, merchandising e promoções, em especial em bens de consumo e saúde. Informações com Ana Paula Soares (ana@encasocomunica cao.com.br e 11-98716-6046) ou Bruno Neves (bruno@ e 1199372-4708). n A Motim é a nova agência das marcas Lotus (serviços de tecnologia e infraestrutura), Sofya (que aplica inteligência artificial no segmento de saúde), Ploomes (atua no segmento de CRM), Transcriativa (aceleradora de negócios e pessoas) e 270B (agência norte-americana de publicidade digital). Outras informações com Juliana Barberio (juliana.barberio@motim. cc e 11-98558-3049), Isabela Rodrigues (isabela.rodrigues@ e 11-99945-4959) e Caroline Tondato (caroline.tondato@ e 11-98183-4482). n A AtitudeCom, do Grupo ATDC, conquistou a conta da Fugini Alimentos, empresa brasileira que atua no mercado de molhos de tomate. A direção é de Damaris Lago, CEO do Grupo ATDC, com coordenação de Guy Gandelman, atendimento sênior de Ana Paula Giorgetti ([email protected]. br), além de Laís Jimenez como head de estratégia e conteúdo. n A NR7 também está com novo cliente, a Nilo, healthtech que oferece plataforma com solução SaaS para a navegação de pacientes. n A Lumo Comunicação assumiu a assessoria da Casa Ronald McDonald Rio, com sede na Tijuca. No atendimento, Raquel Andrade (raquel@lumocomuni ca.com.br), com coordenação de Saulo Campos (saulo@). Pelas instituições n A Aberje está com inscrições abertas para seus Comitês de Estudos Temáticos 2024, que são Comunicação e Engajamento para ESG; Cultura de Dados e Mensuração de Resultados em Comunicação; Comunicação Interna, Cultura Organizacional e Marca Empregadora; e Gestão da Comunicação e da Reputação Corporativas. u O objetivo é compartilhar ideias e experiências sobre a gestão estratégica da comunicação e sua relação com questões reputacionais e resultados de negócios. A programação é cada comitê realizar seis encontros ao longo do ano, dois deles presenciais. Interessados tem até 14/2 para aderir. Informações aqui. Pelo mercado n Vai de 5 a 29/2 o credenciamento de imprensa para a Abrin 2024, feira infantil de brinquedos e entretenimento que acontece de 3 a 6/3, com 150 expositores, no Expo Center Norte, em São Paulo. Aqui o link para se credenciar. Outras informações com o time da Approach, pelo e-mail [email protected]. n A Estrela Comunicação anunciou no início desta semana ter criado um núcleo de atletas, integrado inicialmente por dez atletas amadores, mas que já conquistaram premiações em competições, para participar de corridas de rua. Informações com a idealizadora do projeto e sócia da agência, Fernanda Spagnuolo ([email protected]). Fernanda Spagnuolo

Edição 1.446 página 11 100 ANOS DE RÁDIO NO BRASIL Por Álvaro Bufarah (*) (*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo. Novos serviços baseados em Inteligência Artificial estão surgindo a todo momento. Para as emissoras de rádio, várias ferramentas estão tornando possível desenvolver uma programação quase sem interação humana. Um exemplo disto é a empresa de áudio Adthos, que lançou no final do ano passado um serviço inovador, alimentado por Inteligência Artificial (IA), destinado a fornecer notícias, previsões do tempo, informações sobre trânsito e reportagens esportivas para estações de rádio. Segundo a empresa, o Adthos for News tem grande capacidade de gerar diversos conteúdos noticiosos em vários idiomas, utilizando vozes sintéticas avançadas e a mais recente tecnologia de IA. A principal promessa da Adthos é oferecer uma integração imediata do produto com sistemas de coleta de notícias, incluindo Burli e NewsBoss. Essa integração possibilita que as emissoras criem boletins de notícias completos, contendo citações e clipes, com a opção de escolher entre várias vozes, trilhas musicais e identificações de estação, tudo de forma instantânea. No que diz respeito aos conteúdos relacionados a clima, esportes e tráfego, a Adthos destaca que eles são orientados por dados provenientes de diversas APIs (Application Programming Interfaces − Interfaces de Programação de Aplicativos), as quais podem ser facilmente integradas à plataforma. Além disso, a empresa afirma que os relatórios podem ser automatizados e personalizados, permitindo que as estações criem segmentos de acordo com seu próprio formato e estilo. A Adthos, que já havia lançado uma ferramenta de redação de roteiros baseada em IA em junho passado, enfatiza que a plataforma de notícias utiliza mais de uma dúzia de tecnologias de IA. Ela alega que seu serviço oferece às emissoras de menor porte a oportunidade de criar notícias, previsões do tempo, informações sobre trânsito e esportes, todas de forma localizada e direcionada, sendo atualizadas minuto a minuto. Outras empresas também estão criando ferramentas para radiojornalismo. Entre elas encontramos o RadioNewsAI, um serviço de assinatura que vai de US$ 49 a US$ 199 por mês. Ele permite que o usuário possa importar notícias de qualquer site ou feed noticioso, sendo que o material é então transformado em uma notícia em formato de rádio que poderá (ou não) ser narrada por uma voz IA. O mais impressionante é que podemos criar formatos noticiosos personalizados, incluindo recursos para agendamento e atualização regulares, além da inclusão de hora certa, saudações, jingles e imagens. Também é possível treinar o sistema de voz para as necessidades das narrativas das notícias Segundo o site da empresa, o sistema já oferece o serviço em búlgaro, croata, alemão, tcheco, holandês, dinamarquês, inglês, filipino, finlandês, francês, alemão, grego, hindi, italiano, malaio, polonês, português, romeno, eslovaco, espanhol, sueco, tâmil, turco e ucraniano. A geração de AI Voice em inglês é muito boa, e as demais ainda estão em desenvolvimento, mas já dá para utilizar. É possível importar conteúdos de diversas fontes, criar notícias que serão geradas nas vozes escolhidas, mas antes de ir ao ar é possível fazer a revisão e alterar os pontos necessários antes da veiculação. Desta forma, um único redator torna-se editor de vários conteúdos gerados por IA reduzindo o tempo de produção, edição e veiculação. Outro aspecto importante é que esses sistemas podem rodar de forma remota, possibilitando que o usuário esteja em outro local que não a emissora. Desta forma, é possível produzir dúzias de notícias e distribuí-las em diversas emissoras de uma rede, ou em pequenas rádios que necessitem de material. Desde a produção de jingles até o aprimoramento do áudio, as ferramentas de Crie uma rádio com ferramentas de IA IA têm a capacidade de desempenhar diversas funções dentro de uma emissora de rádio, produtora de áudio, estúdios de produção, faculdades etc. Já que falei sobre essas ferramentas, vou listar algumas e seus possíveis usos nas emissoras: Clonagem de voz No ano de 2023, testemunhamos a estreia de AI Ashley, que assumiu o programa de rádio do DJ Ashley Elzinga, da Live 95.5 em Portland (Oregon, EUA), tocando a programação com tranquilidade. Essa tecnologia está agora acessível ao público por meio de plataformas como a ElevenLabs, embora o acesso às ferramentas de IA, incluindo clonagem de voz, geralmente exija uma assinatura. Com a ElevenLabs, por exemplo, por US$ 11 por mês, é possível clonar a própria voz e obter até duas horas de áudio gerado. Chatbots Na nova era dos chatbots de IA, é possível gerar praticamente qualquer tipo de diálogo desejado, mantendo o tom coloquial comumente utilizado na internet. Ferramentas como Bardo, Texto ou Bate-papoGPT podem ser instruídas (por exemplo, “escreva-me um roteiro de rádio sobre...”) e servir como ponto de partida para a criação de conteúdo. No entanto, é importante verificar a precisão do que essas ferramentas geram. Ferramentas de conversão de texto em fala de IA Essas ferramentas desempenham exatamente o que prometem: transformam texto em fala. Se sua equipe não possui talento suficiente para apresentar na estação, as ferramentas de conversão de texto em fala podem ser uma solução, permitindo a escolha de uma voz de IA. Radio Devonest, por exemplo, contorna a falta de um jornalista em tempo integral utilizando uma voz de IA para apresentar boletins de notícias (conforme as indicadas no texto acima) Geradores de música AI Lidar com licenciamento de música pode ser complicado e dispendioso. Os geradores de música com IA produzem música e outros áudios, como trilhas, cortinas musicais e jingles, com simples comandos de texto. As licenças variam de acordo com cada AI Music Generator, mas assinaturas adequadas garantem o direito de transmitir o áudio gerado em suas estações de rádio. Ferramentas de produção e processamento de áudio AI A qualidade do áudio é crucial, e várias ferramentas de produção e processamento de IA estão disponíveis para facilitar esse processo. Aplicativos como Krisp, um cancelador de ruído para entrevistas via Zoom, ou Podcastle, um conjunto completo de processamento de áudio para produzir conteúdos de rádio com facilidade e muita qualidade. Assustadoramente, todas essas ferramentas já estão disponíveis com custos bem acessíveis, tornando realidade a criação e a manutenção de programações inteiras com pouca interação humana. Resta saber se toda esta tecnologia conseguirá superar a interação real com repórteres, produtores, apresentadores etc. Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

Edição 1.446 página 12 Por Assis Ângelo PRECIO SIDADES do Acervo ASSIS ÂNGELO Contatos pelos [email protected], http://assisangelo.blogspot.com, 11-3661-4561 e 11-98549-0333 A França vivia o auge da prostituição no século 18. No século 19, o Brasil já recebia do Leste Europeu mulheres que caíam no campo movediço da prostituição. Enganadas. Vinham essas mulheres da Rússia e também da Galícia e da Polônia. Grosso modo, eram de origem humilde e até analfabetas. Convencidas pela lábia macia de proxenetas judeus, essas mulheres, na maioria judias, eram encaminhadas para a prostituição em bordéis do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. A Argentina era também um dos destinos delas. Entraram para a história da vida brasileira como “polacas”. O articulista Luis Krausz identificou muita coisa importante nesse mundo ainda nebuloso, principalmente no que diz respeito ao judeu no Brasil. Na edição de 1º de setembro de 1996, o Jornal Folha de S.Paulo trouxe texto assinado por Krausz. Já nas primeiras linhas desse texto, intitulado Memórias Deterioradas, lê-se: “... As primeiras 67 prostitutas judias de nacionalidade polonesa desembarcaram no Rio em 1867. Logo foram apelidadas de polacas. A estas seguiram-se centenas, que, no decorrer das cinco ou seis décadas subsequentes, estabeleceram-se no Rio, em Santos e em São Paulo…” Eram no Rio divididas em três categorias: a primeira se achava na região da Lapa. A segunda, na região de Botafogo e a terceira, mais simples, comum e barata, tinha o Centro carioca como área de atuação. As polacas da Lapa eram confundidas conscientemente por alguns fregueses como parisienses. Manter relações sexuais com uma parisiense era o que de melhor podia-se fazer. Top, como se dizia. O cachê alcançava os píncaros. Os judeus aliciadores de polacas integravam uma organização criminosa chamada Zwi Migdal. Ainda no seu artigo, Krausz destaca: “A comunidade judaica local era ainda muito pequena e pouco organizada para poder tomar medidas efetivas contra a Zwi Migdal. Em 1913, a Jewish Association for the Protection of Girls and Women (Associação Judaica para Proteção de Meninas e Mulheres), baseada em Londres, enviou seu secretário- -geral, Samuel Cohen, a Buenos Aires para avaliar a situação do tráfico de brancas na América do Sul. Os resultados desta visita foram limitados. Em 1936, o escritor judeu austríaco Stefan Zweig visitou a zona Licenciosidade na cultura popular (XILV) (continuação da edição 1.445) do Mangue, no Rio de Janeiro, onde se concentrava a prostituição. Em seus diários encontra-se a seguinte anotação: ‘Mulheres judias da Europa Oriental prometem as mais excitantes perversões... que destino levou estas mulheres a terminarem aqui, vendendo-se pelo equivalente a três francos?’“. Stefan Zweig suicidou-se em Petrópolis, no dia 18 de fevereiro de 1942. É dele o livro Brasil: O País do Futuro. Por que Zweig se suicidou? Curiosidade: foi no Mangue que o sanfoneiro Luiz Gonzaga iniciou a sua carreira de sucesso e fama, como Rei do Baião. No terceiro volume da série Millennium, A Rainha do Castelo de Ar, escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson (1954-2004), o tráfico de mulheres para a prática sexual forçada é abordado de modo o mais oportuno e terrível possível. As principais personagens da trama são Lisbeth Salander, Mikael Blomkvist e Erika Berger, que prendem com facilidade a atenção do leitor. Atualíssimo, como se vê. Quem começa a ler a série Millennium dificilmente para até para comer, tão convincente e agradável é a leitura. Nessa leitura, o leitor vai se deparar com misóginos decididos a tudo, até a matar. Em série. Nessa série Millennium o leitor vai encontrar comportamentos horrorosos da parte de muitos personagens que permeiam a trama, que aqui e acolá pouco diferem da vida real: advogado torturador e tal e tal. Lisbeth, uma personagem que surge de modo secundário, transforma-se em heroína. Larsson morreu sem desfrutar do sucesso da obra que criou. O alterego do autor é muito bem representado pelo herói, bonitão e mulherengo, Mikael. Mikael é um repórter investigativo, vejam vocês! Realismo puro, que convence e empolga o leitor. Na Suécia, desde 1999, é crime alguém pagar pra fazer sexo. Não é incomum infidelidade feminina levar à prostituição, isso todo mundo sabe. Há situações registradas pela imprensa e abordadas no teatro, cinema e livro em que a infiel, quando não espancada, é posta para fora de casa. Desamparadas, muitas mulheres optam por trilhar esse caminho. No livro Lucíola, de 1862, o autor José de Alencar (1829-1877) conta o caso de Lucíola, Lúcia ou Maria da Glória que cai na prostituição em busca de dinheiro para cuidar da família infectada pela febre amarela que matara a mãe e os irmãos. Sobraram o pai e uma irmã, Ana. A personagem-título tinha 14 anos de idade quando o pai descobre que ela estava se prostituindo. Sem considerar as razões, ele a expulsa de casa. O resultado disso é que a menina segue sua vida num bordel. Lúcia/Lucíola deu-se bem no “mau caminho”. Pois é, essa é uma história muito antiga e recorrente. (Continua na próxima edição) Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora https://herdeirodeaecio.blogspot. com/2015/03/zwi-migdal.html Polacas

Edição 1.446 página 13 AUTO Patrocínio n Após um ano e meio atuando na área de Planejamento e Desenvolvimento de Produto de duas rodas da Honda, José Antonio Leme foi promovido e está agora na área de Marketing e Publicidade da fabricante. Jornalista com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, ele teve passagens por UOL Carros, Jornal do Carro, Car Magazine e Motocar. n A Volkswagen está com uma vaga aberta para o cargo de analista de Comunicação Digital Sênior. O profissional contratado terá a responsabilidade de conceber e executar integralmente a estratégia de Comunicação Digital da área de Comunicação e Imprensa da fabricante. O modelo de trabalho é híbrido flexível, com atuação na sede de São Bernardo do Campo duas vezes na semana, e três dias em home office. Confira mais detalhes. n A TranspoData abriu votação para o Prêmio Top of Mind do Transporte 2024, iniciativa que reconhecerá as marcas e produtos mais destacados no cenário do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Para participar, basta clicar no hotsite da premiação e responder à pesquisa. n Em um esforço conjunto coordenado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, será lançada na próxima terça-feira (6/2) a campanha Pacto pela Segurança Viária. A cerimônia será virtual, transmitida pelo canal de YouTube Melhores Rodovias do Brasil, a partir das 10h30. José Antonio Leme EM AÇÃO A Rede JP é uma rede de jornalistas negros, indígenas e periféricos do Brasil e do exterior focados em tornar a comunicação social mais diversa e representativa em toda a sua estrutura. Atuamos com os pilares de representatividade, educação e oportunidade. Conheça o nosso banco de talentos e acesse as nossas redes: @RedeJP | Linktree. Construir vínculos e inspirar as pessoas: é para isso que existimos. Faça parte da nossa rede: [email protected] R E D E Esta coluna é de responsabilidade da Jornalistas Pretos – Rede de Jornalistas pela Diversidade na Comunicação A renomada pesquisadora e doutora em Ciência Política Johanna Monagreda, especialista do Instituto Data Privacy Brasil, será a responsável por ministrar uma aula sobre governança online, com foco na proteção de dados pessoais e direitos fundamentais na internet. A aula abordará frameworks legais, desafios relacionados à privacidade e a necessidade crucial de equilibrar a inovação tecnológica com a preservação dos direitos individuais. Com uma vasta experiência em pesquisas sobre direitos humanos, políticas de igualdade racial e políticas para mulheres na América Latina, Monagreda promete oferecer uma compreensão abrangente das questões éticas e jurídicas no contexto digital. O curso, intitulado Diversidade, Inclusão e Novos Formatos no Jornalismo Pós-Cultura Digital, é uma iniciativa conjunta da Rede de Jornalistas Pretos, Pró-Reitoria de Extensão da UFRJ e Pontão da ECO/UFRJ. Patrocinado pela Secretaria de Formação, Livro e Leitura do MinC e pelo Consulado dos Estados Unidos, conta ainda com o apoio da Cátedra de Comunicação da Unesco e da Universidade Metodista. As inscrições para o curso são gratuitas, mas com vagas limitadas. Os interessados podem garantir sua participação preenchendo o formulário de inscrição até o dia 1º de março. Os selecionados serão notificados por e-mail durante a primeira semana de março. Não perca essa oportunidade de aprimorar seus conhecimentos sobre governança online e jornalismo na era digital. Curso gratuito da Rede JP explora governança online e proteção de dados com especialista do Data Privacy Brasil Johanna Monagreda

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