ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 24 ANOS um curso de reconhecimento do céu, no Planetário. Depois o Eduardo me convidou para fazer um outro curso, de Projeciologia [N. da R.: ciência que estuda a projeção da consciência para fora do corpo físico]. E eu sempre ia porque gostava das trocas que tínhamos e ali a gente criou uma amizade. Aí, quando saí do Grupo Matarazzo e resolvi empreender, convidei o Edu para ser o meu sócio”. Foi assim que entre o fim de 1986 e o início de 1988 eles fundaram a Rossi & Ribeiro, agência que tinha como foco produzir jornais de empresa. “Marco me convidou para lançar essa agência e ele até já tinha um cliente. Aceitei, mais por causa dele, que tinha acabado de sair do Grupo Matarazzo, mas eu tinha começado no Sindipeças e por isso não pude me dedicar ao projeto como ele merecia. Nos encontrávamos umas duas ou três vezes na semana, de noite, fora do meu horário de trabalho, para planejar e fazer algumas coisas, mas, quando você não se dedica a algo, não dá certo. Então, chegou uma hora que eu falei que seria melhor encerrar a sociedade, porque eu não estava ajudando em praticamente nada”. Passou o tempo e alguns anos depois os dois voltariam a ser sócios. Desta vez o convite para retomar a sociedade viria de Eduardo, que levou a ideia do projeto para Marco. Além de ter seguido produzindo publicações internas para empresas, mesmo com o fim da Rossi & Ribeiro, o pai de Marco tinha sido dono de jornal de bairro, portanto esse não era um ambiente totalmente desconhecido para ele. “Quando levei a ideia para o Marco, ele, a princípio, ficou receoso de entrar na nova empreitada comigo e eu acabar desistindo no caminho, como havia acontecido antes. Mas expliquei que agora seria diferente, porque eu teria mais tempo para me envolver de fato no projeto, como aconteceu. Tanto que até a Alice entrou em campo na área comercial. Ele titubeou no começo, resistiu por uns dois dias, até que falou: ‘Tá bom, vamos nessa’”. Foi assim que, em julho de 1992, Eduardo associou-se à M&A Editora, empresa criada dois anos antes por Marco para tocar seus projetos. Agora, além dos house organs, a empresa tinha em seu portifólio um jornal de bairro já estruturado, com formato definido e bastante conhecido na região. Bastava começar a produção, certo? Mas não foi bem assim... “Eu trabalhava na Carbocloro e Marco fazia a publicação da empresa. Aí um dia ele me convidou para ir trabalhar no jornal que ele estava assumindo e acabei indo”, lembra Célia Radzvilaviez, esposa de Marco. “O problema é que o nome VM Notícias não era representativo para o bairro, então eles decidiram mudar para Jornal da Vila Mariana, e com isso um novo logotipo também precisou ser criado. Além disso, a diagramação era antiga e feia, então eles fizeram um novo projeto gráfico. No final, lembro que eu e a Alice, esposa do Edu, perguntamos o que eles tinham comprado: vento?”. “O grande ativo do jornal eram os cartões de visitas dos comércios que costumavam anunciar ou que já tinham anunciado no jornal”, defende Eduardo. “A verdade é que nem esses cartões serviam pra muita coisa, porque a maioria dos números estava desatualizada”, brinca Celia. Mas, apesar da boa expectativa inicial do novo jornal, que já “renasceu” com um pacote de anúncios fechado com o próprio Multishop que lhe garantiria ao menos capital de giro para rodar as primeiras edições, a experiência foi muito mais difícil do que esperavam os novos empresários. “Foi muito trabalhoso, quase cruel, uma experiência em que a gente trabalhava muito e ganhava pouco”, explica Eduardo. “Entramos nessa mirando o sucesso do Shopping News, que era um jornal de distribuição gratuita em grande parte da cidade de São Paulo, mas que funcionava porque era do Grupo DCI, que tinha uma baita estrutura por trás. O nosso caso era muito diferente. Era um jornal de bairro, sem nenhuma estrutura de distribuição, que a gente tinha que sair entregando de porta em porta”. Sem capital para investir em uma estrutura mais robusta, veio de casa parte da solução para que o Jornal da Vila Mariana chegasse regularmente às ruas. Nessa brincadeira, sobrou até para os filhos de Eduardo, especialmente as duas Edu e Marco: relação de amizade e trabalho que se estende por quatro décadas Eduardo no primeiro escritório da M&A, na Rua Humberto I
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