ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 25 ANOS filhas mais velhas, ajudarem na operação, especialmente na distribuição dos jornais nos fins de semana. “Lembro com muita riqueza de detalhes daquele período”, comenta Ingrid Diniz Ribeiro Aronsson, que na época estava completando dez anos. “Foi a primeira vez em que eu e minha irmã tivemos contato com um universo mais profissional. A primeira vez em que a gente viu um computador. Lembro muito de ir ao escritório e ver as pessoas trabalhando, cada uma na sua função, e quando chegavam as edições, eu adorava ver tudo em primeira mão. Mas a parte que mais me marcou foi ajudar na distribuição. A gente tinha mapas de toda a região, marcados com a área em que cada um iria atuar. A gente ia à tarde, nos finais de semana, quando não estávamos na escola, e ficávamos várias horas entregando o jornal pelo bairro e criando estratégias para entregar mais rápido. Também ganhávamos um troquinho e era muito gratificante no final do dia conseguir ver tudo que a gente tinha feito. Eu me sentia muito importante e tenho muitas boas memórias dessa fase. Era muito cansativo, mas algo de que sentia orgulho, porque eu fazia parte daquele contexto”. Um ano e meio mais velha, Narjara Thamiz Ribeiro Ufer destaca que, apesar de aquele não ser exatamente o programa favorito para uma pré-adolescente de 12 anos, a experiência gerou muitos momentos positivos, especialmente por estarem batalhando juntos, em família: “Quando meu pai e o Marco assumiram o jornal, eles trabalhavam muito para correr atrás de anunciantes, de patrocínios. No final de semana, quando tinha as entregas, como éramos muito pequenos e não podíamos ficar sozinhos, acabávamos indo para o escritório e fazendo parte daquilo. Lembro que era pesado pra carregar todos aqueles jornais, também do calor e até da vergonha que eu sentia, principalmente quando sobravam alguns exemplares e a gente ia distribuir no farol. Aquilo era um mico total, mas ao mesmo tempo era muito gostosa a sensação de estar fazendo algo em família e que estávamos batalhando todos para que aquilo prosperasse”. “Não tínhamos outra opção, por isso naquela época apelamos até para o trabalho infantil”, brinca Eduardo. “Até o Vinícius, que tinha uns seis, sete anos, entrava na roda e acompanhava a gente. De vez em quando alguém até convidava ele para tomar uma água, um refrigerante. Não era a situação ideal, mas foi o que ajudou a gente a sobreviver”. Longe de São Paulo, vivendo em Belém com a mãe, Fátima Maciel, Ivan, também com seus 7 ou 8 anos, livrou-se desse “duro encargo”. Mesmo com todo o esforço, a experiência do Jornal da Vila Mariana não durou muito tempo. A partir do momento em que a M&A começou a produzir seus primeiros eventos, que traziam melhores resultados para a operação da empresa, manter paralelamente um jornal que dava pouco ou nenhum lucro, quando não fechava no vermelho, deixou de fazer sentido e sua operação foi encerrada. “A verdade é que o Jornal da Vila Mariana não dava grana nenhuma, era uma miséria, mas era muito legal de fazer”, acrescenta Marco. “Foi um projeto que, se comercialmente e operacionalmente não foi um sucesso, serviu para me unir ainda mais ao Edu e aproximou as nossas famílias, o que foi fundamental para os nossos projetos que viriam”. Apesar da paixão pela escrita que Ingrid e Narjara sempre carregaram em seus DNAs, mais tarde elas decidiram seguir carreiras fora do jornalismo. Mas a experiência de trabalhar ao lado dos pais no Jornal da Vila Mariana moldou para sempre suas vidas. “Não lembro de ter cogitado fazer jornalismo, mas assistir à evolução da carreira do meu pai, e, por consequência, entender a importância da profissão, me ajudou a alavancar a forma como eu via o mundo, com uma perspectiva mais abrangente e ampla sobre o universo”, destaca Ingrid. “Eu tenho orgulho de ser filha do Eduardo Ribeiro”, complementa Narjara. ”E essa era uma percepção que eu tinha ainda em criança, nos eventos a que ia com ele e via o quanto era reconhecido por profissionais de todo o Brasil. Uma pessoa que veio de uma família humilde, que começou a trabalhar muito cedo e que sempre apoiou e ajudou todos à sua volta, sempre que pôde. E claro que isso só foi possível por causa da figura da minha mãe, porque ela cuidava da gente e da casa, mas também arrumava tempo para empreender junto com ele. Ela sempre foi uma figura relevante nessa história”. Narjara, Ivan, Ingrid e Vinicius
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