Edição 1.580 - pág. 22 ANOS VI Cúpula de RP e Comunicação Seja nas discussões sobre inteligência artificial e relações humanas, na comunicação entre empresas e funcionários, no debate sobre propósito e coerência, na integração entre países e até em uma apresentação que recorreu ao comportamento dos cães para falar sobre consistência e relações duradouras. A Cúpula recebeu mais de 350 participantes presencialmente e cerca de 100 online. Além das plenárias, uma programação paralela de oficinas reuniu abordagens mais aplicadas, com temas que passaram por comunicação bidirecional com stakeholders, atendimento ao cliente, marca pessoal, inteligência emocional, educação, comunicação reputacional e preparação de porta-vozes. O encontro teve ainda um reconhecimento institucional importante. A Legislatura da Cidade Autônoma de Buenos Aires declarou a VI Cúpula “de interés”, distinção concedida a iniciativas consideradas relevantes para a cidade por sua contribuição acadêmica, profissional, cultural ou social. Inteligência artificial e humana A inteligência artificial ocupou espaço relevante na programação, mas não da forma mais previsível. Em várias apresentações, falar de tecnologia levou de volta àquilo que máquinas ainda não resolvem sozinhas: julgamento, escuta, empatia, interpretação de contexto e construção de vínculos. Di Génova abriu a programação acadêmica discutindo justamente a relação entre inteligência artificial e inteligência emocional. Sua abordagem partiu da complementaridade: enquanto a IA amplia velocidade, escala, capacidade analítica e automação, as relações continuam exigindo competências humanas. Para ele, o profissional de comunicação precisará desenvolver uma dupla alfabetização: compreender as ferramentas de inteligência artificial sem deixar de fortalecer a inteligência emocional. “O futuro das Relações Públicas e da Comunicação não será exclusivamente digital nem exclusivamente humano, será híbrido”, reiterou. A orientação que acompanhou a reflexão foi igualmente objetiva: “Automatizar processos, não desumanizar relações”. Pode parecer simples, mas abre um debate profundo sobre o papel que continuará reservado às pessoas em uma profissão cada vez mais apoiada pela tecnologia. O tema também apareceu na conferência de Carolina Cerruti, da Universidad Siglo 21, que apresentou os achados de uma pesquisa sobre inteligência artificial e relações públicas, com foco em propósito, impactos e desafios para a gestão estratégica. A discussão colocou em pauta uma realidade cada vez mais presente nas organizações: a adoção de IA cresce, mas nem sempre vem acompanhada de governança, integração estratégica e capacidade de relacionar eficiência operacional a resultados como reputação e confiança. Na sequência, Karen Garnik, CEO da consultoria Global Marketing & Communications, de Porto Rico, dedicou sua conferência internacional diretamente à Confiança como ativo estratégico: o novo capital das relações públicas com propósito. A presença da palavra no próprio título de uma das principais apresentações reforçou um dos eixos que atravessaram o encontro: em um ambiente de excesso de informação, confiança começa a ser tratada como ativo de gestão e não apenas como resultado abstrato da comunicação. A energia da pergunta na comunicação A argentina Silvana Wagner, de Santa Fé, vice-presidente da Zona Sul da Redirp, aproximou essa discussão de outra competência que tende a ganhar valor com a expansão da IA: saber perguntar. Sua conferência, A energia da pergunta nas Karen Garnik Juan Ignacio Koutoudjian, Silvana Wagner e Antonio Di Genova
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