Edição 1.580 - pág. 23 ANOS VI Cúpula de RP e Comunicação relações públicas, tratou a pergunta não como recurso retórico, mas como ferramenta para investigar, deslocar perspectivas e provocar novas respostas. Em um cenário em que a IA cada vez mais nos ajuda a ter respostas para (quase) todo tipo de pergunta, a reflexão trazida por Silvana tem relação direta com o jornalismo e a assessoria de imprensa. Para o jornalista, perguntar é ferramenta de apuração, contraditório e fiscalização. Para o assessor, deveria acontecer antes mesmo da divulgação: por que esta informação importa? Que evidência sustenta o que a organização está dizendo? Qual é o interesse público? O que o jornalista provavelmente perguntará? E, talvez a mais incômoda: esta história realmente merece virar pauta? Silvana recorreu ao exemplo do atleta Dick Fosbury, que revolucionou o salto em altura ao mudar completamente o ângulo ao saltar (passando a fazer de costas), para mostrar como uma pergunta pode alterar não apenas a resposta, mas o próprio problema: “A ideia é gerar reflexão e provocação em uma profissão que convive agora com ferramentas capazes de responder a quase tudo, mas que continuam dependendo de alguém para formular uma boa pergunta”. Propósito precisa sobreviver aos fatos Outra linha forte da programação foi a distância entre aquilo que as organizações dizem e aquilo que conseguem demonstrar com ações, dados e evidências. O costarriquenho Pablo Duncan Linch, diretor da CLC Comunicación, afiliada à LLYC na Costa Rica, abordou a passagem do storytelling para o storydoing e o storybeing. Se o primeiro está relacionado à capacidade de contar uma história, os dois seguintes deslocam a atenção para aquilo que a organização faz e para a coerência entre comportamento, cultura e identidade. Segundo ele, “o storydoing não substitui o storytelling. Dá a ele algo real para contar”. Para quem trabalha com reputação, a implicação é direta; afinal, uma comunicação eficiente pode ampliar a visibilidade de uma organização, mas também tornar uma incoerência mais visível. Quanto maior a exposição de uma promessa, maior a possibilidade de que os públicos testem sua correspondência com a prática. A mexicana Claris González Monreal, diretora da SM Global, na Cidade do México, aprofundou essa questão ao tratar do purpose washing. Em sua apresentação, colocou lado a lado greenwashing, woke washing, rainbow washing, femwashing, social washing e purpose washing, diferentes manifestações de um mesmo problema: a apropriação de compromissos e causas sem correspondência suficiente na prática. O equatoriano Paolo César Muñoz, professor universitário, consultor de comunicação, ex-diretor de Comunicação de ministérios no Equador e autor de ABC de la Comunicación Organizacional, chegou ao tema por outro caminho. Em sua apresentação sobre o ABC da comunicação corporativa, resumiu: “A comunicação começa nos fatos”. Cães, cérebro, coração e relações Nem todas as discussões seguiram os caminhos tradicionais de uma conferência de comunicação. A comunicóloga e fotógrafa colombiana Adriana Marina Giancane Seib usou a relação entre pessoas e cães para discutir lealdade, presença e confiança. Sua pergunta de abertura era provocativa: como um cão pode ser melhor na construção de relações de confiança do que departamentos inteiros de comunicação corporativa? A partir daí, traduziu comportamentos cotidianos em conceitos organizacionais. “A presença consistente constrói confiança”, reforçou. O venezuelano radicado no Panamá Ronny Ricaurte Triana, vice-presidente da Zona Norte da Redirp, educador, consultor e mentor de criatividade, escolheu outra combinação pouco convencional: cérebro, coração e criatividade. Sua apresentação aproximou neurociência, empatia, escuta, vulnerabilidade, reconhecimento e gestão de conflitos para discutir como se formam vínculos. “A escuta é o ato de amor mais poderoso que existe e quase ninguém sabe fazê-lo”, afirmou. Claris González Monreal
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