Edição 1.580 - pág. 25 ANOS VI Cúpula de RP e Comunicação com stakeholders, enquanto o uruguaio Juan Manuel Núñez Santos, diretor da Redirp no Uruguai, discutiu geração de valor no atendimento ao cliente por meio das relações públicas. Também houve espaço para pensar diretamente na formação profissional. Os argentinos Hugo Bezzatti e Juan Ignacio Koutoudjian colocaram em discussão quais atributos deveriam ganhar peso na formação da categoria como inteligência emocional, excelência na comunicação, adaptabilidade cultural, credibilidade e integridade e pensamento estratégico. Ao mesmo tempo, ambos destacaram os desafios como mudanças geracionais, horizontalização das estruturas, avanço da tecnologia e do conhecimento. Brasil discute as relações com a imprensa nesse novo ecossistema O Brasil levou à Cúpula a discussão sobre as transformações nas relações com a imprensa, especialmente em um ambiente no qual jornalistas deixaram de produzir apenas para os veículos aos quais estão vinculados e passaram a construir audiências próprias em redes sociais, podcasts, newsletters, canais de vídeo e outros formatos. A mudança ocorre ao mesmo tempo em que empresas criam seus próprios canais, executivos tornam-se produtores de conteúdo, creators disputam atenção e influência e ferramentas de IA passam a selecionar, resumir e recomendar informação. Para jornalistas e assessores de imprensa, isso altera parte da dinâmica tradicional da atividade. A audiência já não acompanha necessariamente apenas o veículo; muitas vezes acompanha diretamente o jornalista. Empresas já não dependem exclusivamente da mídia para publicar. E o poder de distribuição, antes muito mais concentrado, passou a ser compartilhado por diferentes atores. Isso ajuda a explicar onde a imprensa se torna cada vez mais relevante, que é na execução com método, fontes confiáveis, checagem de informação, espaço para o contraditório, investigação e contexto. Também muda a pergunta para o assessor de imprensa. Além de questionar se uma determinada história interessa ao jornalista e à sua audiência, surge um ponto adicional: o que Juan Manuel Núñez Santos essa pauta oferece que uma IA não conseguiria produzir sozinha? Dados proprietários, acesso a personagens e fontes, experiências reais, conhecimento especializado, contexto e boas histórias humanas passam a ser ainda mais importantes. Disparar mais releases provavelmente não será a resposta para um ambiente no qual produzir informação ficou muito mais fácil. Comunicação como ponte entre Brasil, Argentina e América Latina A aproximação regional teve espaço próprio na programação. Federico Antonio Servideo, presidente e CEO da Câmara Argentino-Brasileira de Comércio de São Paulo (Camarbra), apresentou a comunicação como instrumento de integração bilateral e colocou novamente a confiança no centro da conversa. Servideo chamou a atenção para diferenças culturais que interferem nas relações profissionais entre brasileiros e argentinos. A comunicação argentina tende a ser mais direta e assertiva, enquanto a brasileira costuma recorrer com maior frequência à construção de harmonia e a formas mais indiretas de negociação. Na prática, projetos comercialmente viáveis podem fracassar quando falta capacidade de traduzir culturas, expectativas e formas de relacionamento: “Nesse sentido, a inteligência cultural passa a fazer parte da comunicação estratégica e da própria integração econômica entre os dois países”. Brasil entra no radar da integração regional A presença brasileira em Buenos Aires produziu um movimento institucional concreto. Além da participação da Câmara Argentino-Brasileira de Comércio de São Paulo, Antonio Di Génova destaca também o relacionamento com o Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas da 2ª Região (SP/PR), apoiador institucional da Cúpula, e com profissionais brasileiros presentes no evento. Segundo ele, o caminho para aproximar o Brasil e os demais países da rede passa por construir relacionamento por meio de Federico Antonio Servideo
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