Edição 1.388 página 12 100 ANOS DE RÁDIO NO BRASIL Por Álvaro Bufarah (*) O pai da matéria − final Osmar Santos Em tempos de Copa do Mundo não temos como falar de rádio sem pensar em um dos grandes gênios do meio no Brasil. Osmar Santos, “O Pai da Matéria”, é uma página especial da história do rádio esportivo do País. Por isso, dividimos a trajetória dele. A primeira parte publicamos em J&Cia 1.386 e a segunda em J&Cia 1.387. Esta é a última. Quando da saída de Osmar Santos da Pan para a RádioGlobo, a polêmica levada ao ar pelo editorial da emissora, veiculado dezenas de vezes por dia ao longo da semana, acabou por dar mais visibilidade ao fato e indicava onde os ouvintes deveriam procurá-lo. Como o astro poderia levar quem quisesse para a sua equipe, a Pan fez questão de chamar todos os profissionais do departamento de esportes e renegociar os contratos com valores mais altos e propostas mais tentadoras para que eles não deixassem a emissora. Enfim, Osmar teve de montar uma nova equipe na Rádio Globo para a sua estreia, em 5 de outubro de 1977, no primeiro dos três jogos da final do Campeonato Paulista. Mas, nem tudo funcionava tão bem. Ao chegar à nova emissora o narrador descobriu que não tinha verba para quase nada, tanto que teve de pedir para o amigoWashington Olivetto criar uma campanha para sua estreia sem custos, “de favor”. Também conseguiu vinhetas e trilhas produzidas de graça, editadas por amigos. Mesmo comproblemas, Osmar conseguiu colocar seus programas e transmissões no ar com qualidade e bons profissionais. As duas emissoras do grupo Globo − a Nacional, transformada em Rádio Globo, e a Excelsior − caminhavambem. Até que, em janeiro de 1980, uma nova reformulação foi realizada na direção das rádios em São Paulo. Francisco Paes de Barros assume como novo diretor e propõe mudanças, deixando a Globo AMmais popular, comprogramas como Ely Correa, Afanásio Jazadi e Xênia, e o suporte de um jornalismo mais atuante e local. A Excelsior passa a ter uma programação mais elitizada, também se aproveitando da equipe de jornalismo. Foi então que Osmar propôs a criação de um novo programa para o horário do almoço, na Globo. Porém, Chico Paes de Barros indicou que o perfil do dque o narrador queria seria melhor aproveitado na Excelsior. A ideia era umprograma que misturava variedades, política e esportes. Aproveitaram a bagagem de produção de um programa de sábado à tarde, No Embalo do Esporte, que fazia entrevistas e tocava música quando não havia jogos. Assim, surgiu o Balancê, no qual Osmar dividia a apresentação com Juarez Soares e tinha a produção de Paulo Mattiussi. O programa foi um marco na história do rádio paulista, tendo ganhado vários prêmios, entre eles cinco de melhor programa de variedades pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Oprograma, contaria ainda, coma ajuda e criatividade do operador de áudio João Antonio de Souza, o Johnny Black, já falecido, que havia trabalhado como sonoplasta de Hélio Ribeiro, no Grupo Bandeirantes. Oprofissional era responsável pelas sugestivas escolhas de trilhas para o programa. Por exemplo, em uma entrevista Paulo Maluf declarou-se um democrata e ouviu ao fundo a música Pega na Mentira, de Erasmo Carlos, como ilustração à fala. Desta forma, Chico Paes de Barros afirma que Johnny inventou a charge no rádio. Negro de fala fácil e sorriso largo, João Antonio de Souza chegava à emissora, informava-se dos assuntos do dia e seguia para discoteca, onde buscava músicas para ilustrar notícias que seriam manchetes no programa. Foi com o programa e sua equipe de humoristas, jornalistas e radialistas que Osmar Santos fez algumas das mais importantes entrevistas do rádio paulistano e também de sua carreira. Passarampelomicrofone do Banlancê artistas como Roberto Carlos, Gal Costa, Nélson Gonçalves, Milton Nascimento, Toquinho, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros. Dos políticos da época: Fernando Henrique Cardoso, Tancredo Neves e Ulisses Guimaraes, além de vários ministros e também professores, como Florestan Fernandes. O princípio era claro, sempre ouvir os dois lados, mas Osmar e Juarez Soares pendiam declaradamente para os opositores do regime militar, chegando a causar problemas para a equipe com a direção da emissora. Situações que foram contornadas por Osmar, até com a ajuda de Boni (MATTIUSSI, 2004, p.70). O apresentador foi um dos maiores criadores de bordões do rádio. Criou, entre outros jargões como “ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”, “lá que a menina mora”, “é fogo no boné do guarda”, “pisou no tomate”, “bambeou, mas não caiu” e sua marca registrada, “iiiiiii que goooooolllllll” (COSTA, 2015, p.65). Oscar Ulisses, irmão de Osmar e também narrador, explica que o irmão mais velho ficava prestando atenção às expressões utilizadas pelas pessoas com as quais convivia. Assim, aprendia e aplicava de forma criativa em suas falas, narrações e comentários (ESPN, 2016) A relação com a direção da TV Globo era boa e, a partir de 1982, após a vitoriosa cobertura da Rádio Globo para a Copa do Mundo na Espanha, Osmar passou a apresentar o Globo Esporte e um quadro no Jornal da Globo, como comentarista. Logo, em 1984, torna-se apresentador de um programa, aos domingos, chamado Guerra dos Sexos, que infelizmente não teve boa aceitação e foi tirado do ar. Osmar, também foi convidado, por Armando Nogueira, então chefe de Jornalismo da TV Globo, para narrar a Copa do Mundo do México, em 1986. Tudo pronto para que ele pudesse fazer sua grande aparição no meio televisivo, em um evento esportivo internacional. Mas, infelizmente, o narrador teve graves crises de Johnny Black
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