Jornalistas&Cia 1388

Edição 1.388 página 2 Últimas n A Agência Pública está lançando uma campanha de arrecadação de recursos para a realização de uma série de reportagens que vai denunciar crimes e escândalos do governo de Jair Bolsonaro, no que a empresa chama de Caixa-Preta de Bolsonaro. u Está será a maior campanha de arrecadação já lançada pela Pública. A ideia é chegar a dois mil apoiadores até janeiro (no momento, a agência tem pouco mais de 1.500) para contratar mais jornalistas, obter verba para viagens, bancar advogados, entre outros recursos necessários para a produção das reportagens. A campanha de arrecadação visa a suportar um intenso trabalho de apuração, intepretaçãodedados e realizaçãode reportagens de fôlego baseadas nessas informações. u Em carta enviada a assinantes, Natália Viana, diretora executiva da Pública, explicou que a ideia da Caixa-Preta surgiu não só para expor os crimes do governo Bolsonaro, mas para combater o discurso de “pacificação” que vem crescendo nas últimas semanas, principalmente depois que oministro do STF Dias Toffoli criticou o julgamento dos torturadores na Argentina e falou em “sociedade presa no passado”. u “Isso é perigosíssimo. Na verdade, o momento atual é provavelmente nossa última oportunidade de acerto de contas comnosso passado violento, autoritário e profundamente corrupto”, diz a carta. “Precisamos acertar as contas para que os algozes da democracia sejam responsabilizados, mas também para que não voltem nas próximas eleições de roupa nova”. u Clique aqui para apoiar a campanha Caixa-Preta de Bolsonaro. n A ONU News lança neste sábado (10/12), Dia dos Direitos Humanos, o podcast Nossa Voz, uma série de quatro episódios sobre violência contra mulheres na política. A data também encerra campanha de 16 dias de ativismo para o Fim da Violência de Gênero. u O especial destaca entrevistas das jornalistas Mayra Lopes e Ana Paula Loureiro com a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, a jurista e professora da PUC-SP Silvia Pimentel, coautora da Carta das Mulheres, de 1988, e María Fernanda Espinosa, ex- -presidente da Assembleia Geral e ex-ministra de Relações Exteriores e da Defesa do Equador. u “Os diversos casos de ataques às mulheres políticas, democraticamente eleitas, tanto na internet como fora dela, chamaram a atenção da nossa equipe”, afirmou a brasileira Monica Grayley, editora-chefe da ONU News. u Com longa carreira emdireitos damulher, igualdade de gênero e pautas feministas no Brasil e nas Nações Unidas, Silvia Pimentel lembra no podcast de quando se candidatou a deputada federal e foi atacada fisicamente, em1982: “Numa cidade do Estado de São Paulo, eu estava no palanque e fui empurrada pela liderança política daquela região. Quase fui derrubada de uma altura de dois metros. Foi uma ação não apenas machista, mas quase criminosa”. u A ex-presidente Dilma Rousseff declara ter sido vítima do machismo, um traço marcante na política do País: “Eu sofri os preconceitos impostos pela misoginia a todas as mulheres brasileiras que ousam lutar pela igualdade no meu País ou lutar contra toda a exploração, toda a trajetória de exploração que começa no Brasil coma escravidão e passa por todo um processo que chega nos dias atuais”. u María Fernanda Espinosa, a primeira latino-americana e caribenha a se tornar presidente do órgão da ONU e até agora a quarta mulher apesar a presidir a Casa em mais de 77 anos de história, diz que é preciso continuar lutando por espaços nas esferas de poder: “Vemos mulheres candidatas que são tratadas de maneira especialmente dura pela opinião pública. Mas acredito temos a inteligência, força e experiência para lutar pelos espaços que merecemos”. u O podcast conta ainda com depoimentos de Lucia Xavier, coordenadora da ONG Criola, e de Ilona Szabó, fundadora do Instituto Igarapé. u “Comesse especial, buscamos responder por que a presença das mulheres – e talvez a diversidade de forma geral – ainda incomoda tanto nas esferas de poder”, afirma Mayra Lopes. “Percebemos que a resposta vem em diversas camadas e foi interessante observar como cada uma das entrevistadas complementava a outra”. Para Ana Paula Loureiro, “ infelizmente, uma visão comum das entrevistadas é que ainda é preciso muito trabalho para conquistarmos a paridade de gênero. A parte boa é que muitas mulheres e feministas estão dispostas a seguir trilhando esse caminho para um futuro mais igual”. u A igualdade de gênero é o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 5 da Agenda 2030 da ONU. O podcast Nossa Voz estreia neste 10 de dezembro ao meio-dia, horário de Brasília, em todas as plataformas da ONU News (https:// news.un.org/pt, https://twitter. com/onunews e https://youtube. com/onunews). Veja a chamada no Twitter. Pública lança campanha de arrecadação para abrir “caixa-preta de Bolsonaro” ONU News lança podcast sobre violência contra mulheres na política Monica Grayley, Mayra Lopes e Ana Paula Loureiro

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