ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 20 ANOS Mais tarde, já formado e sindicalizado, participou da greve geral de jornalistas, já mencionada, em maio de 1979. A paralisação, que reivindicava, entre outros pontos, aumento salarial de 25% para a categoria, terminou com o movimento sendo julgado ilegal e resultando em demissões em massa. “Ela foi um fracasso, mas foi histórica. Tinha uma força muito grande, mas os patrões foram mais fortes do que a base, conseguindo derrotar a greve”, relembra Eduardo, que, apesar de participar do movimento, conseguiu manter seu emprego na Editora Pini após o fim da paralisação. No ano seguinte, 1980, quando deixou as redações para trabalhar em assessoria de imprensa, seu caminho natural foi participar mais ativamente das discussões sobre essa área dentro do sindicato. Ao lado de outros profissionais que também atuavam em assessoria, começou a participar de reuniões com o objetivo de discutir melhores práticas e a valorização da categoria. Ao ser eleito para a diretoria em 1983, acabou naturalmente assumindo a coordenação da Comissão de Assessoria de Imprensa, criada alguns anos antes nas gestões de Audálio Dantas e Lu Fernandes com o objetivo de organizar, representar e defender os direitos dos jornalistas que atuavam no setor. Uma das pioneiras da Comissão foi Walkiria Gorretta, que na época atuava como assessora de imprensa do banco Nossa Caixa. Para ela, a participação de Eduardo naquele período foi fundamental para que a iniciativa saísse do papel e tivesse papel de relevância dentro do Sindicato: “Edu foi um dos que batalharam de maneira mais enérgica ao nosso lado, inclusive para viabilizar o lançamento do Manual de Assessoria de Imprensa, algo inédito para o setor. Ele também foi um dos grandes incentivadores para a realização de eventos, como os encontros de assessores que começamos a fazer por todo o Brasil”. “Dudu era sempre o líder das reuniões”, complementa Cecilia Queiroz, que também foi pioneira naquele movimento. “Quando fizemos o Encontro de Assessoria de Imprensa em Águas de São Pedro, que foi muito importante pra época em que estava no auge a discussão sobre o que era o trabalho do jornalista e o do RP, a participação do Eduardo foi fundamental para que o evento acontecesse”. Foi também dentro do sindicato que seu espírito empreendedor começou a aflorar. Quando Antonio Carlos Fon assumiu a Presidência da entidade, em 1990, ele levou ao novo mandatário uma proposta: assumir a área comercial do jornal Unidade sem nenhum custo para o sindicato. Qualquer remuneração viria apenas dos contratos fechados com anunciantes. “Lembro bem que naquela época a situação financeira do Sindicato estava muito ruim”, conta Fon. “Nossa sede no Vale do Paraíba, por exemplo, devia muito dinheiro ao banco e já não tinha nenhum crédito na praça. Além disso, o Unidade também não tinha patrocínio e era mais uma despesa alta que tínhamos”. Apesar disso, a aposta no jornal era muito grande. Vice-presidente de Antonio Carlos, o experiente e premiado José Hamilton Ribeiro assumiu o compromisso de fazer o jornal circular mensalmente, regularidade antes nunca alcançada, na lógica de que em casa de ferreiro o espeto é de pau. Assumiu e planejou um jornal que estivesse à altura dos jornalistas brasileiros, com um linha editorial crítica, atraente e abrangente, o que antes só acontecia pontualmente. “Zé Hamilton fez do Unidade um jornal vibrante, polêmico e que dava repercussão aos montes”, destaca Eduardo. “Foi então que o Eduardo, que já tinha feito campanha junto com a gente para a eleição da chapa, fez essa proposta de buscar os anúncios para o Unidade”, prossegue Fon. “E quando ele trouxe para mim eu achei ótima, tanto que pouco tempo depois que ele assumiu essa tarefa, o Unidade já estava se pagando e gerando lucro para a própria entidade”. Eduardo, no Encontro de Jornalistas em Assessoria de Imprensa, realizado em Natal
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