ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 30 ANOS O articulador por trás da Abracom A criação da Mega Brasil aumentou ainda mais o patamar de seus eventos. No começo dos anos 2000, o Congresso Mega Brasil de Comunicação chegava a reunir quase mil pessoas durante três dias intensos de evento, enquanto espaços consagrados, como o Theatro Municipal de São Paulo, serviam como palco para celebrações promovidas pela nova empresa, entre elas a entrega do Prêmio Personalidade da Comunicação. “O Congresso, desde a sua criação, sempre foi um importante espaço para as agências de comunicação se apresentarem, discutirem questões e tendências, assumindo um papel de vanguarda em relação à comunicação”, destaca José Luiz Schiavoni, CEO da Weber Shandwick no Brasil. Mas, ao mesmo tempo em que o sucesso dos congressos organizados pela Mega, como carinhosamente passou a ser chamada, era um reflexo de toda a evolução que o mercado de comunicação apresentava, eles também traziam nos bastidores uma preocupação cada vez mais crescente: a falta de representatividade e organização das agências, que se multiplicavam e cresciam em tamanho, mas que sofriam com a ausência de regras e de profissionalização do setor, um problema crescente que enfrentavam os executivos por trás dessas operações. As entidades de classe que existiam naquela época eram todas direcionadas à atividade e seus profissionais, mas não conseguiam qualificar-se como entidades empresariais. “Era um mercado selvagem, que não tinha organização e não respeitava ninguém”, lembra Eduardo. Com anos de atuação no Sindicato dos Jornalistas e de colaboração com a Aberje, a solução para Eduardo parecia óbvia: criar uma associação que representasse o interesse das agências. “A primeira tentativa veio com Carlos Mestieri, que quis montar uma entidade porque não conseguia ter representatividade dentro da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP). Ele inclusive me convidou para ser vice-presidente e eu topei, mas ela durou apenas um ano porque tinha o mesmo problema das outras: estava ali para defender os relações públicas e não o mercado empresarial”. A entidade, batizada de Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abac), chegou ao fim, enquanto os problemas e reclamações do setor seguiam e se multiplicavam. Um dos grandes pontos de convergência dessas reclamações eram justamente os congressos organizados pela Mega Brasil, onde grande parte do mercado de comunicação brasileira se encontrava. “A cada edição aumentava a cobrança de donos de agências falando pra mim: ‘Pô, você que organiza todo esse negócio aqui, traz todo esse povo, a gente precisa fazer alguma coisa para esse mercado melhorar’”. “Eduardo começou então a jogar a responsabilidade aos donos as agências maiores da época, que tinham mais proximidade e faziam parte desse ambiente, para que começassem a se organizar, até porque dessa organização dependia o nosso sustento. Se o mercado se enfraquecesse, nós também perderíamos nossos clientes”, acrescenta Marco Rossi. Mas, para Eduardo, ao contrário de todas as tentativas anteriores, desta vez a experiência teria que ser totalmente diferente do que já tinha sido visto até ali. Precisava ser profissionalizada, com um executivo contratado à frente, e contar com a participação das agências grandes, pois sem isso dificilmente vingaria. “Era uma época em que as agências estavam mais preocupadas com suas questões internas do que com questões que impactavam o mercado como um todo e Edu foi fundamental para mostrar que naquele momento o que nós precisávamos era resolver os problemas que tínhamos em comum”, lembra Zé Schiavoni, que na época comandava a S2 Comunicação. “Ele foi um grande intermediador para que houvesse um clima em que as agências pudessem sentar e conversar sobre as questões de mercado que as uniam. Como membro fundador, lembro muito fortemente do papel aglutinador do Edu nesse processo”. A primeira estratégia para que a nova entidade saísse finalmente do papel seria reunir os donos das maiores agências do Brasil em um espaço neutro, e a melhor opção naquele momento era justamente a sede da Mega Brasil, que tinha uma sala de reuniões grande o suficiente para receber todos esses executivos. Uma das primeiras reuniões da Abracom, dentro do Congresso da Mega
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