Jornalistas&Cia 1565A

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 31 ANOS “Começamos a juntar então, primeiramente, os empresários que apoiavam a ideia e deixamos os críticos para uma segunda etapa. Brigas de egos e lavagem de roupa suja já não cabiam mais naquele momento”, avalia Edu. “e então, começamos a organizar as reuniões na nossa sede da Mega Brasil. Depois, quando o consenso começou a aparecer, passamos a fazer rodízio com reuniões nas sedes das agências”. Foi a partir dessas reuniões, e do esforço de um intermediador improvável, que em abril de 2002, chancelada por 56 empresas, foi fundada a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom). Curiosamente, até a escolha do primeiro presidente foi incentivada por Eduardo. O nome, aprovado pelos demais membros, foi o de João Rodarte, dono da CDN, na época a maior agência do Brasil. “Edu foi o grande responsável por todo aquele processo”, lembra Rodarte. “Ele tinha acesso a todas as empresas e sempre foi um sujeito muito diplomático e bastante articulado. Ele achava que o melhor personagem para ser presidente seria eu, porque nunca fui uma pessoa muito polêmica e minha empresa era a líder do setor. Por isso, ele costurou para que eu assumisse e me tornasse o primeiro presidente da Abracom”. Rodarte conclui: “Ele tinha uma visão macro do nosso negócio que muitos de nós não havíamos percebido ainda. Um visionário, que soube articular e somar com as pessoas. Esse nosso setor não tinha a importância que hoje tem, e ele foi um dos grandes responsáveis por toda essa evolução. Nosso setor deve muito ao Eduardo”. Quando eu estudava o curso Clássico no Colégio Estadual Conde José Vicente de Azevedo, minha professora de Português, Lygia Martins, perguntou-me que carreira pretendia seguir. Direito, respondi, pretendendo ser advogada, como uma das minhas irmãs. “Se eu fosse você, seria jornalista”, ela retrucou. “Suas redações são muito boas”. Segui o conselho dela, e me formei jornalista pela Escola de Comunicações e Artes da USP, em 1971. No segundo ano da faculdade, surgiu a oportunidade de fazer um estágio na sucursal de São Paulo do Jornal do Brasil. Foi o começo da carreira, impulsionada pela ajuda do colega Luiz Antonio Maciel. Virei setorista de Bolsa de Valores quando as cotações das ações ainda eram exibidas em gigantescos quadros negros. A partir daí, dediquei-me à cobertura do noticiário de Economia. Uma das inúmeras fontes de notícias nessa área era o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores). Quando o empresário Pedro Eberhardt assumiu o segundo mandato na presidência da entidade, seu assessor de imprensa era Eduardo Ribeiro, com quem mantive constante contato profissional. O relacionamento profissional manteve-se mesmo quando, em 1995, Eduardo Ribeiro lançou o FaxMoagem, informativo de uma página, sobre comunicação empresarial e jornalismo. O boletim era enviado semanalmente por fax para as redações e circulava de mão em mão. Alguns anos depois, o FaxMoagem virou a newsletter Jornalistas&Cia, que chegava às redações pelo computador. Alguém tirava cópias que eram disputadas pelas editorias dos jornais. No início, a circulação era livre, mas quando a publicação começou a noticiar fatos desagradáveis para a categoria, como demissão de jornalistas para contenção de despesas, Jornalistas&Cia passou a ser censurado em algumas redações. As cópias passaram a ser tiradas e distribuídas restritamente e quase na surdina. Com o avanço da tecnologia, a publicação passou a ser enviada por e-mail para assinantes. De uma página, o conteúdo foi aumentando para duas, três, cinco páginas. Hoje edições especiais chegam a 50 páginas. Isso porque, além de noticiar o vaivém no mercado de trabalho, o surgimento de novas publicações, artigos na seção “Memória da redação” , falecimentos de colegas e outras informações de interesse jornalístico, a newsletter promove pesquisas para divulgar os mais admirados jornalistas brasileiros e, recentemente, por áreas como setor automotivo e agronegócio. E a cobertura está sendo ampliada cada vez mais. De São Paulo, onde nasceu, as informações chegam de vários Estados brasileiros e do exterior. Nos meus 45 anos de profissão, trabalhei nos principais jornais do País, em revistas e algumas assessorias de imprensa. Tive o privilégio de ver noticiada cada mudança minha de emprego no Jornalistas&Cia. Muitas delas na primeira página. Hoje, como jornalista aposentada, aplaudo a homenagem que Eduardo Ribeiro está recebendo – o Voto de Júbilo pelos 50 anos de carreira. Merecida. Parabéns! Nair Keiko Suzuki

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