ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 32 ANOS Sócio da concorrência? Se a criação do Jornalistas&Cia, em 1995, e o seu rápido sucesso e consolidação tinham como um de seus principais motivos a demanda do mercado de comunicação por um serviço que auxiliasse na atualização de seus mailings de imprensa, e de certa forma a publicação supria isso com suas notícias de vaivém das redações, cinco anos depois essa realidade já era outra. Já consolidada no mercado, a Maxpress (atual Boxnet ) reinava praticamente sozinha com seus mailings de imprensa atualizados mensalmente e enviados por disquetes de computador para seus assinantes. Paralelamente, a internet evoluía e começava a se tornar o grande catalisador da sociedade naquele momento. Com isso trazia, além da promessa de evoluir e deixar esse serviço ainda mais dinâmico e completo, a possibilidade de criação de diversos outros serviços de apoio às assessorias de imprensa. Foi nessa época que Rodrigo Azevedo, então diretor de tecnologia da FSB, começou a colocar em prática um sonho que vinha alimentando havia algum tempo: criar uma startup de serviços 100% digital para explorar esse mercado em franco crescimento. “Eu era o cara do TI da agência”, brinca Rodrigo, que também já havia trabalhado na mesma área para o jornal O Globo. “Só que, além de atender às demandas normais da agência, eu sempre gostei de criar coisas, como pequenos produtos e programas que facilitassem o trabalho dos profissionais da agência e dos clientes”. Foi assim que em 1999 começou a ser desenhado o Comunique-se, uma plataforma que, além de oferecer a atualização de mailings, prometia trazer outros serviços para facilitar o universo dos profissionais de comunicação, como envio de pautas, fornecimento de estrutura para realização de coletivas online e um portal com conteúdo para jornalistas. Com o apoio de um fundo de investimentos, ele conseguiu então montar toda a estrutura de sua empresa e preparou sua apresentação ao mercado justamente em uma coletiva online, que já serviria para apresentar também esse novo serviço. Ele só não contava que a data escolhida ficaria marcada para sempre por um dos maiores ataques terroristas da história da humanidade: 11 de setembro de 2001. Apesar do plano frustrado, o lançamento do Comunique-se agitou o mercado e a marca logo se consolidou dentro do ecossistema da comunicação brasileira. “Eu não conhecia Rodrigo quando Marcos Trindade, da FSB, me procurou para falar sobre o projeto que ele estava lançando e que gostaria de contar com a minha participação”, lembra Eduardo, que logo estreou na plataforma a coluna Jornalistas&Cia, que trazia um resumo com comentários da edição da semana. Dois anos após o lançamento, chegaria ao fim o contrato com o fundo de investimentos que aportou dinheiro na operação, e o Comunique-se precisaria ser vendido ou fecharia as portas. “Naquele momento, sem nenhum interessado no projeto – uma startup que ainda não dava lucro –, vi ali uma possibilidade de adquirir a operação por um preço abaixo do que ela valia”, conta Rodrigo. “O problema é que eu não tinha capital suficiente para isso. Então, fui atrás de alguns investidores em que confiava para apresentar o projeto e um deles foi Edu”. “Em apenas dois anos de operação o Comunique-se já tinha mostrado sua força no mercado. Por isso, quando Rodrigo me apresentou o projeto para investir e ser sócio da operação, acabei me interessando e entrei com uma parte, assumindo 10% da operação”, explica Edu. Rodrigo acrescenta: “Naquele momento, minha relação com Edu já era mais próxima, porque ele colaborava com o Comunique-se e nós patrocinávamos os congressos da Mega. Para mim parecia óbvio trazê-lo para a operação, porque era um cara em que eu confiava, e foi legal ver que ele também confiava em mim e no projeto”. A parceria durou mais de dez anos e acabou quando Rodrigo, agora com capital para isso, começou a fazer oferta para comprar as partes dos demais acionistas e Edu decidiu vender a dele. “Edu é um catalizador do mercado e eu não conheço uma pessoa que não goste dele, porque, acima de tudo, é legal, do bem, honesto”, prossegue Rodrigo. “Com o Jornalistas&Cia, o Anuário, o Congresso e tantos outros projetos, é uma vida inteira se dedicando ao mercado de comunicação. Para mim, é o profissional do setor que deu a maior contribuição coletiva para o crescimento do mercado de comunicação corporativa no Brasil”.
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