Jornalistas&Cia 1565A

ESPECIAL DIA DA IMPRENSA Edição 1.565 - pág. 35 ANOS Apjor e a importância do jornalista profissional na sociedade Em seus tempos de sindicato, de Jornal Unidade e Comissão de Assessoria de Imprensa, Edu firmou uma grande amizade com Fred Ghedini, ex-presidente da entidade, que também tem cerca de 50 anos de profissão. Foi responsável pela criação de alguns títulos, como Link, revista segmentada focada em tecnologia, na Plano Editorial, e Câmara Expressa, newsletter que trazia os principais acontecimentos da semana da Câmara Municipal de São Paulo. Em meio a diversos eventos, militância, e trabalho pelos direitos da categoria e pela valorização da profissão, a amizade entre eles foi fortalecendo até se tornar praticamente uma irmandade. Fred lembra, por exemplo, do trabalho que fazia ao lado de Edu na organização dos Bailes da Imprensa: “Tentávamos fazer todos os anos, mas nem sempre conseguíamos. Dudu ia atrás dos patrocínios que pagavam a festa, e conseguimos fazer edições bem bacanas. Por sinal, uma das capas recentes da Folha de S.Paulo trazia o Jorge Ben Jor com show programado para São Paulo. Pois uma das melhores festas da qual participei em toda minha vida foi no Sesc Pompeia, justamente com a Banda do Zé Pretinho e Jorge Ben Jor. Pode perguntar a qualquer jornalista daquela época. Acho que todos concordarão que foi uma festa sensacional!”. Durante sua gestão no sindicato, Fred refletia sobre o trabalho do jornalista, que não era (e não é) devidamente valorizado: “Concluí que não havia, entre um conjunto grande de organizações que fazem parte do ecossistema jornalístico, alguma que ‘cuidasse’ do jornalista enquanto profissional e da profissão como algo extremamente importante para a sociedade como um todo. Temos organizações sem dúvida importantes e históricas, como são os sindicatos, Fenaj, ABI, entre várias associações de imprensa Brasil afora, organizações segmentadas etc. Mas não havia alguma que de fato buscasse isso de cuidar dos jornalistas enquanto profissionais que precisam, obrigatoriamente, ter um bom balizamento ético, e do Jornalismo enquanto algo fundamental para a sociedade”. Com isso em mente, Fred fundou, em 2016, a Associação Profissão Jornalista (APJor), organização sem fins lucrativos formada por um grupo de 40 jornalistas, que tem o objetivo de defender o jornalismo ético e plural e valorizar o papel do jornalista profissional na sociedade brasileira. Ativa há uma década, a iniciativa tem se dedicado a estudar transformações que afetam a profissão, além de definir ações e projetos, em cooperação com outras entidades jornalísticas, para valorizar e incentivar cada vez mais o trabalho da imprensa no País. A associação foi responsável por diversos projetos que buscam valorizar a categoria e preservar a memória de todos os profissionais que já atuaram ou atuam no jornalismo brasileiro. Um deles é o Diretório-Piloto de Jornalistas no Brasil, organizado em parceria com a Universidade de Brasília, que tem o objetivo de reunir informações e dados de jornalistas, no intuito de validá-los e certificá-los, promovendo a credibilidade e atuando em prol da regulamentação da profissão no País. O objetivo é cadastrar os jornalistas brasileiros reconhecidos por seus pares. O site e a base estão praticamente prontos para lançamento oficial. Outra iniciativa, voltada mais às lembranças de redação e a preservação das memórias da imprensa, é o Boteco APJor, programa de entrevistas com jornalistas que já recebeu 60 profissionais ao longo de dois anos de atividade. Em 2025, a associação firmou uma parceria com o Museu da Pessoa, para incluir o conteúdo dos programas em seu acervo. E para além da APJor, vale lembrar que, em 2001, Fred já havia tido atuação importante na defesa dos direitos dos jornalistas: ele, que à época era presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, uniu-se a Paulo Cannabrava, um dos mais longevos jornalistas brasileiros, para lançar a Associação de Proteção à Propriedade Intelectual dos Jornalistas Brasileiros (Apijor). A iniciativa, lançada depois de um Congresso da Fenaj, lutava pela defesa dos direitos dos jornalistas como autores, para que eles tenham propriedade sobre o conteúdo que produzem, uma questão muito complexa já naquela época e que é ainda mais relevante nos dias de hoje, com o boom das plataformas digitais. A Apijor, infelizmente,

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